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sábado, 3 de setembro de 2016

tristeza (entrançar o cabelo)

trança de cabelo

"A minha avó dizia-me que quando uma mulher se sentisse triste, o melhor que podia fazer era entrançar o seu cabelo; de modo que a dor ficasse presa no cabelo e não pudesse atingir o resto do corpo. Havia que ter cuidado para que a tristeza não entrasse nos olhos, porque iria fazer com que chorassem, também não era bom deixar entrar a tristeza nos nossos lábios porque iria forçá-los a dizer coisas que não eram verdadeiras, que também não se metesse nas mãos porque se pode deixar tostar demais o café ou queimar a massa. Porque a tristeza gosta do sabor amargo.
Quando te sintas triste menina- dizia a minha avó- entrança o cabelo, prende a dor na madeixa e deixa escapar o cabelo solto quando o vento do norte sopre com força. O nosso cabelo é uma rede capaz de apanhar tudo, é forte como as raízes do cipreste e suave como a espuma do atole.
Que não te apanhe desprevenida a melancolia, minha neta, ainda que tenhas o coração despedaçado ou os ossos frios com alguma ausência. Não deixes que a tristeza entre em ti com o teu cabelo solto, porque ela irá fluir em cascata através dos canais que a lua traçou no teu corpo. Trança a tua tristeza, dizia. Trança sempre a tua tristeza.
E na manhã, ao acordar com o canto do pássaro, ele encontrará a tristeza pálida e desvanecida entre o trançar dos teus cabelos…"
Paola Klug
Carminho Antunes partilhou a publicação de Alice Coutinho.
RETIRADO DO FACEBOOK EM 3-9- 2016

quinta-feira, 25 de junho de 2015

LENDA DO ALFAGEME DE SANTAREM OU LENDA DO CONDESTÁVEL


A história tradicional do Alfageme de Santarém, que se tem contado de várias maneiras. Foi conservada para a posteridade através da cronica do Condestável, de autor desconhecido, mas referenciada por Fernão Lopes na Crónica de D. Fernando. Deu origem ao bem conhecido drama teatral de Almeida Garrett, apresentado a primeira vez em público no conhecido teatro da Rua dos Condes em 1842.
A que vou descrever, tem além dessas duas fontes, a narrativa de um campino do Ribatejo.
Ele chamava-se Fernão Vaz e era considerado, pelos entendidos como, o melhor Alfageme das redondezas, já seu pai tinha sido um grande artífice. À custa de muito trabalho e de alguns sacrifícios, Fernão Vaz juntara fortuna que lhe dera uma certa independência. E também uma certa soberba. Dizia-se até que fora por via dessa fortuna que se casara com ele a bela Alda Gonçalves, a qual andara em tempos, enamorada de D. Nuno Álvares Pereira.
Ora aconteceu que, certo dia, D. Nuno Álvares Pereira, cavalgando de longe veio parar à porta de Fernão Vaz.
D. Nuno saltou em terra e dirigiu-se ao homem que continuava a trabalhar, indiferente ao que se passava em seu redor.
 Eh, mestre alfageme!... Podeis correger-me esta espada?
O outro suspendeu o trabalho. Olhou e disse:
Senhor por hoje cheguei ao fim do meu trabalho… E bem preciso de descansar…
Olhou de novo e rematou com enfase:
  Mas, como se trata de vós, ordenai. Farei o que desejardes
D. Nuno Ávares Pereira sorriu.
   Obrigado, mestre alfageme… Disseram-me que ninguém possui habilidade igual à vossa…
No silêncio que se fez, olharam-se melhor. D. Nuno reparou então mais atentamente no homem que tinha à sua frente.
 Céus de onde conheço eu o vosso rosto?... Onde vi eu já esses olhos… irónicos e indiscretos?
Fernão Vaz inclinou-se numa vénia.
  Senhor D. Nuno Álvares Pereira…
   Pois… conheceis-me?
   E quem vos não conhece?
Avançou um pouco e disse em tom pousado:
   Vou ajudar a vossa memória, senhor. Eu sou o marido de Alda Gonçalves … agora D. Alda Vaz!
    O quê? Sois vos?... Bem me lembro agora, afinal… Principalmente dos vossos olhos, irónicos e indiscretos…
    Mudando o tom de voz, continuou com aquela segurança de ânimo que lhe dava uma irresistível autoridade:
    Mas aqui vos deixo a espada, Mestre Alfageme… Quando a dareis pronta?
    O outro segurou a arma e mediu-a longamente com o olhar.
    Amanhã de manhã podereis, vir, busca-la, Senhor D. Nuno… não me deitarei sem que deixe corregida e afiada como desejais!
   Obrigado, Mestre… até amanhã!

   Tal com prometera, Fernão Vaz passou a noite trabalhando a espada de D. Nuno Álvares Pereira. Era já manhãzinha quando ele recolheu aos seus aposentos. Apesar de todas as recomendações Alda estava ainda desperta.
   Só agora, Fernão Vaz?
   Ele estacou à porta do quarto ao escutar aquela vos doce mas autoritária.
  Pois não dormistes ainda?... Ficastes toda a noite à minha espera?
 Sim, meu marido… Tive medo! Felizmente, ouvia-vos a trabalhar na oficina…
 Mas afinal que trabalho foi esse que vos ocupou toda a noite?
  Sabeis lá!... Estive a afiar e a correger uma espada… para quem talvez não o devesse fazer…
  Que segredo é esse, meu marido?... De quem se trata?
 Pois escutai, Senhora… Estive a trabalhar para D. Nuno Álvares Pereira!
  Como? D. Nuno esteve aqui?... que vos desejava ele?
   Já vos disse… Estive a correger e a afiar a sua espada.
Um suspiro escapou dos lábios de Alda Vaz.
  Oh meu Deus!
O marido inclinou-se para ela.
  Vedes?... Vedes como ainda gostais dele?... Eu sempre temi este momento!
As mãos dele caíram, num desânimo sincero, ao longo do corpo.
  O vosso coração não me pertence!
Mas logo as mãos dela correram a segurar as mãos do marido, apertando-as, puxando-as para si, aquecendo-as com amor.
  Calai-vos, meu marido!... Não deveis dizer tontices… O meu coração é vosso, desde que casei convosco…
   Mas ficastes impressionadas, confessai!
   Ora, apenas porque receei por vós… às vezes, acreditei, o despeito transtorna os mais sensatos…
   E eu embora confie na nobreza de sentimentos, de D. Nuno, tive medo, muito medo!
   Felizmente que ele veio por bem!
Fernão Vaz endireitou-se, numa postura altiva.
 Eu disse-lhe que era vosso marido!
 E ele?... Que disse ele?
Nada disse, senhora!... Nem sequer perguntou por vós…
Alda Vaz pestanejou.
Já me esqueceu, decerto… como eu também já o esqueci a ele…
Sinto.me feliz, tal como sou!
Como vos adoro, senhora!... Hoje mais que nunca!

   Na manhã seguinte, conforme ficara combinado, D. Nuno Álvares Pereira veio à oficina logo ao romper do sol. O Alfageme já o esperava. Mal o viu, correu para ele.
   Aqui tendes a espada, senhor.
D. Nuno examinou-a atentamente como bom conhecedor. E o seu rosto refletiu alegria e satisfação.
  Belo trabalho, mestre Alfageme… está perfeitíssimo!
  Eh escudeiro, pagai ao mestre o que ele vos pedir!
Perdão, senhor D. Nuno… se mo permitis, eu por ora não quero, de vós, nenhum pago.
  Mas porquê?...  Estais louco, decerto!
  É o que vos digo, senhor… Nada quero receber.
  Ide embora, que em breve voltarei conde de Ourem… e então me pagareis o que eu merecer. Senhor conde!
 Não me chameis conde, porque eu não o sou, mestre Alfageme…
   Deixai que vos pague tudo o que quiserdes…
   Não é preciso, senhor… Eu só vos disse a verdade… E assim será cedo, se Deus quiser!
E Deus quis que se cumprisse a profecia do Alfageme de Santarém. Mercê dos seus feitos de valentia e heroísmo, perante o inimigo, em número muito superior venceu-o sem remissão.
Perante este feito el-rei D. João I agraciou-o com o título de conde de Ourém.

    Entretanto em redor da vida de Fernão Vaz, tinham-se amontoado muitas nuvens de tormenta. Os seus inimigos arrastados pelo despeito e pela maldade, resolveram acusá-lo publicamente de traidor da Pátria.
   Fernão Vaz sentiu-se desamparado. Os fregueses desapareceram, apavorados. E ele acabou por ser preso, vergado às infames acusações que lhe faziam.
   Triste e desesperada, D. Alda chorou a sua dor. A sua dor e o seu protesto.
  É falso! É mentira! Meu marido está inocente, mil vezes inocente! São os outros que nos querem mal, por nos verem ricos e felizes…
   Mas de nada valiam as palavras e as lágrimas de D. Alda Vaz. O Alfageme de santarém continuou preso e os seus bens totalmente confiscados. Vinha próxima a hora da morte!

  Como ultimo recurso, a jovem esposa decidiu procurar pessoalmente D. Nuno Álvares Pereira, o novo conde de Ourém.
  Ele não a fez esperar. Mas quedou-se boquiaberto quando a viu surgir na sua frente.
   Senhora! Vós aqui… e nesse estado? Por Deus!... Porque chorais, senhora?... que vos aconteceu?
  Senhor D. Nuno, sabei que prenderam meu marido… imaginai, senhor! Acusam-no de traidor!
   Sim, acusam-no de traidor… mas ele está inocente!... Absolutamente inocente!
   Senhor… ainda acredita em mim?
   Ainda credito em vós, sim!...
   Houve tempo em que talvez não acreditasse… Foi muito forte a desilusão de amor que me fizestes sofrer…
  Senhor… por tudo vos peço que esqueçais esses tempos!...
  Ele amparou-a docemente, obrigando-a a sentar-se. Depois sentou-se também diante dela e falou calmamente.
Bem sei, D. Alda Vaz… Tendes medo que o despeito me domine o coração, não é verdade?...
Descansai!... Eu não posso nem devo olvidar que a profecia de vosso marido saiu certa!... Hoje sou conde de Ourém, tal como ele me disse certo dia, em que não sonhava sequer com esse título…
Tem graça D. Alda Vaz… Lembro-me agora que vosso marido me disse também, nessa altura, que depois de eu ser conde de Ourém lhe pagaria o trabalho conforme ele merecesse…
 Pois muito bem: vou pagar-lhe!
  Senhor! Que ides fazer?... Matá-lo?
Sorrindo, ele respondeu apenas:
   Não. Vou salvá-lo!
  Foi fácil a D. Nuno conseguir o seu intento. Tendo narrado tudo a D. João I, depressa ele conseguiu o perdão real para Fernão Vaz. E montado no seu corcel mais ligeiro, partiu velozmente, chegando bem a tempo de salvar o Alfageme de Santarém da forca, que mal podia acreditar em tamanha felicidade.
D. Nuno, juntou o Alfageme a sua esposa, num abraço de amor dizendo:
   Assim se cumpriu a vossa profecia, mestre Alfageme!
   É verdade senhor… já sois conde e afinal pagastes muito melhor do que eu esperava!...
 Sabeis que mais, mestre Alfageme?... Quero armar-vos cavaleiro, para compensar as injustiças que vos foram feitas!
  Não, senhor D. Nuno, não posso aceitar tal honra. Eu sou filho de Alfageme, de um Alfageme que sempre colocou o seu carater acima de todas as coisas da vida… por isso D. Nuno serei Alfageme com meu pai. Honrado.
  Aprovo as vossas palavras, embora elas contrariem um desejo que me seria muito grato. Já que mais nada posso fazer, desejo-vos muitas felicidades para vós e para vossa esposa.
  O mesmo sorriso de sempre abriu-se no rosto de Fernão Vaz.
   Obrigado, senhor… Eu bem sabia que podíamos confiar em vós!
Do alto da sua montada, D. Nuno ergueu o bração num gesto de saudação.
Ide, amigos!... Ide, e que Deus vos proteja!
Com um último adeus, mas sem dizer mais palavra, o Alfageme e sua mulher seguiram de abalada, a caminho de Santarém.
 D. Nuno ficou afagando a sua espada de combate, que seria daí em diante a sua companheira e a sua dama!

FONTE: LENDAS DE PORTUGAL: Gentil Marques.
               Círculo de Leitores, VOL 2, 1997





   




Coimbra, junho de 2015
Carminda neves



quinta-feira, 11 de junho de 2015

LENDA DO MILAGRE DE OURIQUE

Muito se tem falado, discutido e escrito sobre o milagre de Ourique (O que realmente aconteceu em Ourique ninguém sabe) porem, a nós, interessa-nos apenas o aspeto lendário da história – aquele meio-termo que fica entre a realidade e o sonho, entre o natural e o sobrenatural, entre a banalidade das coisas correntes e a poesia das coisas raras por essa razão, voltando as costas às polémicas acesas em torno do caso, vamos contar apenas a lenda – sem dúvida uma das mais belas do Portugal.
      A batalha de Ourique tem sido considerada por muitos «a pedra angular da monarquia portuguesa». Diz.se que foi ai que pela primeira vez os nobres aclamaram Afonso Henriques rei de Portugal (até à batalha de Ourique Afonso Henriques usava o titulo de infante ou príncipe de Portugal. Só depois desta batalha e os seus homens extasiados com a vitória lhe deram o titulo de rei. Afonso Henriques aproveitou o facto para recorrer ao Papa para que este lhe fosse confirmado. Como este não lho concedeu no tempo e prazo que ele previra, pediu aos seus barões para o proclamarem rei, tal como os seus homens de armas lhe tinham chamado em campo de Ourique)

  Fins de julho de 1130. Afonso Henriques, já com a retaguarda coberta por castelos e cidades cristãs, já na posse de Leiria, de Ourem, Penela, Almourol, Zêzere e cera – que depois adotou o nome de Tomar – julgou-se apto a poder aventurar-se pelo território dos Mouros, levando as suas armas pelo Alentejo. Reuniu os seus homens e lançou-se ao caminho.
    A notícia desta agressão do Infante D. Afonso fez tremer Ismael ou Ismar que então governava esta parte da Península. Os exércitos marchavam um contra o outro. Mas por alturas do Campo de Ourique fez-se alto de ambos os lados. Neste intervalo de tempo, o Camareiro do Infante entrou na tenda do seu Senhor que parecia dormitar, tendo sobre os joelhos um velho testamento.
    Senhor… perdoe se vos acordo…
D. Afonso Henriques nem pestanejou. Aflito que estava, com o rumor dos homens, lá fora, pois começavam a recear a multidão enorme de mouros que estava em frente e à vista, João Fernandes tocou no ombro do vencedor da batalha de S. Mamede.
    Acordai, Senhor!
 O velho testamento caiu no chão. D. Afonso Henriques olhou o seu camareiro como se o tivesse visto pela primeira vez:
   Que me quereis? Estava a dormir… e a sonhar…
   Perdoai-me se vos interrompi… Mas está lá fora um homem velho que vos quer falar.
   Donde vem?
   Vem daqui perto e insiste em ser recebido por vós.
   Se é cristão, pode entrar.
   Está aqui, meu Senhor.
E voltando-se para o velho, João Fernandes indicou com a mão direita a entrada da tenda.
   Por aqui. E não vos demoreis.
 O velho entrou, olhando firmemente Afonso Henriques. Este porem, deu quase um salto no escabelo onde estava sentado.
    Senhor! Acabo de vos verem sonhos! Que me quereis?
    Dizer-vos senhor, que deveis ter bom coração, porque vencereis e não sereis vencido. Sois amado do Senhor, porque sem dúvida Ele pôs sobre vós e sobre a vossa geração os olhos da sua Misericórdia, até à décima sexta descendência, na qual se diminuirá a sucessão. Mas nela, assim diminuída, ele tornará o pôr os olhos e verá! Ele me mandou dizer-vos que na noite que se seguirá a esta, se ouvirdes a minha sineta da ermida, na qual vivo há sessenta e seis anos, guardado no meio dos infiéis por alto favor de Deus – pois como ia dizendo, se ouvirdes a sineta, deveis sair do arraial, sozinho.
   D. Afonso arriscou:
     Devo sair de noite, sem companhia?
     Sim, saireis sozinho, porque ele vos quer mostrar a Sua grande Piedade.
  Senhor se sois um embaixador de Deus, eu vos venero e sabei que que tudo farei para ser digno de tão grande mercê!
  Sem mais palavras, o velho saiu da tenda. D. Afonso veio atrás dele. Em breve o perdia de vista.
  Aproximou-se João Fernandes. Afonso Henriques perguntou-lhe:
  Que dizem os nossos homens?
  Acham uma temeridade o que ides fazer, Senhor! Os sarracenos têm aqui cinco Reis e cinco exércitos para nos combaterem!
    Reúne-os! Quero falar-lhes.
   Era quase noite quando D. Afonso Henriques se dirigiu aos seus homens:
  Companheiros! Nem paz, nem tréguas, nem fuga se nos consente!
É infalível o pelejar aqui. Cinco exércitos nos cercam. Nós não poderemos ter mais ajudas, senão a que nos vier de Deus. Mas nele confio.
   Os homens entreolharam-se sem saber o que dizer. Acreditavam no seu chefe e acreditavam na causa que os trouxera ali.
   O dia seguinte correu sereno. A noite chegou. Nem cá nem no arraial fronteiro havia movimento de tropas. Observava-se um silêncio enervante. De repente, esse silêncio foi cortado pelo som dorido de um sino que tangia ao longe. D. Afonso Henriques curvado, numa oração muda, ergueu-se e dirigiu-se lentamente para fora do arraial. A mão na espada, o olhar vivo e atento, caminhou sozinho. Já fora das vistas dos seus homens e em plena escuridão, o jovem chefe guerreiro deu conta de um raio resplandecente que surgia do seu lado direito. D. Afonso estacou. Mas o raio de luz foi alargando, alargando iluminando tudo em redor. De súbito D. Afonso Henriques distinguiu o Sinal da Cruz mais resplandecente que o sol e Jesus Cristo crucificado nela. De um lado e de outro, anjos vestidos de branco, de um branco que resplandecia também!
  O coração de D. Afonso Henriques bateu forte. Atirou para o chão a espada e o escudo. Descalçou-se em sinal de vassalagem, lançou-se de bruços, com lágrimas a entrecortarem-lhe a voz, o peito arfante perguntou!
   Senhor!... Por que me apareceis?... Que me quereis dizer?... Desejeis acrescentar a fé a quem tanta traz no peito? Se o inimigo Vos pudesse ver, como eu vos estou vendo, talvez esse pudesse acreditar em vós! Por mim, creio que sois Deus Verdadeiro.
   Uma voz serena e bela fez-se ouvir:
Afonso! Não te apareci deste modo para acrescentar atua fé em mim, mas para fortalecer teu coração neste conflito, e fundar os princípios do teu reino sobre pedra firme. Confia, Afonso, porque não só vencerás esta batalha, como todas as outras em que pelejares contra os inimigos da minha Cruz. Vai!
   D. Afonso Henriques ergueu-se. A hora estava tardia e no arraial talvez já tivessem dado pela sua ausência. Tomou o escudo e a espada, e voltou serenamente para a sua tenda. Ao chegar João Fernandes de Sousa e mais três homens da sua confiança esperavam-no com certa impaciência.
    Senhor, como tardastes!
    Estai calmos, que a vitória será nossa. Como estão os nossos homens?
   Bem, Senhor. Ansiosos que a manhã chegue para que seja dado o sinal de combate!
   Pois se estão ansiosos, ide prepara-los. Iniciaremos a luta antes mesmo que a manhã desponte!
  A batalha travou-se, dura. Desde as primeiras horas da manhã até à noite que os soldados de D- Afonso Henriques viam chegar hordas de sarracenos, com se nunca fossem extinguir, eram acometidos de todos os lados: e dir-se-ia que a sorte não ficaria com eles, quando um troço de cavalaria escolhida, caindo sobre a primeira coluna sarracena, a separou do resto do exército, dizimando-a. Perto, andava Ismael, que ao ver completamente derrotada a sua primeira coluna e vendo o arrojo com que os portugueses lutavam, indiferentes ao perigo, prontos a vencer ou morrer, encheu-se de um pavor súbito e fugiu. Então o resto do exército, vendo a fuga do seu rei, seguiu-o em debandada, as forças portuguesas foram-lhe no encalço.
   O desbarato dos sarracenos foi total. Os cinco Reis do inimigo foram derrotados.
   Em campo aberto os soldados de D. Afonso Henriques loucos pela vitória aclamaram-no rei pela primeira vez! E ali mesmo o primeiro rei de Portugal resolveu que a bandeira portuguesa passasse a ter cinco escudos em cruz, representando os cinco Reis vencidos e as cinco chagas de Cristo, carregadas comos trinta dinheiros por que Judas vendeu o Redentor. A 25 de julho de 1139, a vitória de Ourique impôs para todo o sempre as cinco quinas na bandeira de Portugal!

FONTE: LENDAS DE PORTUGAL; VOL 2: Gentil Marques.
               Círculo de Leitores, 1997.

 Coimbra, junho de2015
 Carminda Neves




 




terça-feira, 31 de março de 2015

LENDA DOS TRIPEIROS



    Naquele dia de mil quatrocentos e quinze, o sol nascia sobre o rio Douro com uma estranha luminosidade. E nas margens do rio tudo se transformara num arsenal. Arsenal gigante, onde se construíam naus e barcos para uma grande aventura marítima. Aventura rodeada de mistério…

    Por isso mesmo, por nada se saber ao certo, os boatos multiplicavam-se, chocavam entre si, tomando por vezes foros de revelações sensacionais. E assim, nessa manhã bonita e estranha, Mestre Vaz e um dos seus ajudantes, o moço Simão, trocavam ideias e palpites, perante a atenção curiosa dos que os rodeavam.
       Pois é como lhes digo, rapazes! Estou certo que tudo isto é para levar a Senhora Infanta Dona Isabel até Inglaterra, onde vai casar…
   E Mestre Vaz olhava os circunstantes num olhar de desafio, como se ninguém pudesse pôr em dúvida a sua afirmação. Mas enganou-se. Simão, o jovem Simão não concordava.
      Ora, Mestre Vaz, não diga semelhante coisa… Cá por mim, já sei: esta armada que estamos a preparar servirá para levar el-rei, o Senhor D. João I, a Jerusalém, a fim de cumprir a promessa de visitar o Santo Sepulcro.
  Mestre Vaz sorriu. Sorriso alegre, mas irónico.
      A quem o dizes!... Eras tu garoto ainda… ou nem sequer tinhas nascido… quando o nosso rei fez essa promessa, se vencesse Castela…
   E enchendo o peito de ar, e olhando profundamente para todos, Mestre Vaz concluiu, alteando a voz:
    E o nosso rei venceu! Vencemos… porque eu também estive lá!
    O quê? Mestre Vaz também foi nessa armada?
     Sim jovem Simão… Aqui onde me vês, tenho lutado muito por esse mundo de Cristo…
E rindo-se disse:
     Todos têm ainda de aprender muito comigo…
Fez-se silêncio.
Simão cortou-o.
    Ora, desta vez não vamos para a guerra.
Mestre Vaz olhou-o demoradamente. Intencionalmente e disse:
  Sabe-se lá Simão sabe-se lá… olhou o sol, deu um grito de alarme:
   Eh rapazes. Vamos ao trabalho.
E todos se atiraram à sua faina na ansia de não perder o tempo…
Mestre Vaz e Simão só voltaram a encontrar-se à hora do almoço.
   Olha, aí vem a tua mãe Simão.
    Já a tinha visto, Mestre Vaz… obrigado. E vem com cara de quem traz novidades.
O outro riu-se.
     Até parece que nem conheces a tua mãe… Nunca se viu a Senhora Joana sem novidades para contar…
    Como? Que dizeis vós? Então não sabeis ainda o que se conta por aí?
     Ora minha mãe… são rumores com certeza… esta gente só sabe espalhar rumores.
A Senhora Joana revoltou-se.
     Não são rumores, não senhor…
E aproximou-se, com ar de segredo.
Ficai sabendo que esta armada é para ir a Nápoles com os Senhores Infantes D. Pedra e D. Henrique, que ali vão casar… (um dos muitos boatos que surgiram na época)
     E ficou à espera da reação de pasmo dos dois homens. Mas, em vez de pasmo, surgiu a risota.
   O quê, Senhora Joana, logo os dois ao mesmo tempo?
    Pois claro! O Senhor D. Pedro vai casar com a rainha viúva da Cecília. E o Senhor D. Henrique…
   O quê, minha mãe? Então pensa que o Senhor D. Henrique vai casar? ... Oh, mãe, não diga tal coisa!...
  Acabou por ser a mulher a mostrar-se surpreendida.
    E… que tem isso de especial?
Mestre Vaz adiantou-se.
  Oiça, Senhora Joana… Já que quer saber a verdade, não é nada do que pensa. Eu já disse ao seu filho…
    Mas ela não o deixou terminar. Embalada por uma onda de brio ferido, volveu-lhe, irada:
    E o Mestre Vaz tem a mania que sabe tudo, não é verdade? …
Olhe que também se pode enganar…
     O outro abanou a cabeça toda branca.
    Com a idade que tenho, Senhora Joana não é fácil a gente enganar-se…
    Ora se vamos falar de idades, estamos bem servidos, Mestre Vaz!
O jovem Simão viu-se obrigado a intervir.
   Bem, bem… Não se zanguem… Quando se encontram, ficam sempre a caturrar… Vamos ao almoço, que são horas.
   A mulher calou-se e começou a dispor as coisas para o almoço. Por seu turno Mestre Vaz resmungou:
  E é aproveitar, porque temos de comer depressa… isto ainda vai muito atrasado… e dizem que o Senhor Infante D. Henrique vem cá no domingo…

E, de facto, dessa vez não foi boato…
 O Infante D. Henrique apareceu inesperadamente no Porto, para ver o andamento dos trabalhos… (Dá-se como certo. Historicamente, o Infante D. Henrique esteve no Porto todo o mês de janeiro de 1415 para vigiar pessoalmente a construção da frota mandada construir segundo os seus planos)
  Segundo a lenda o Infante D. Henrique entendeu que esforço dos trabalhadores para construir a frota não era suficiente, tinha de ser maior. Mandou chamar Mestre Vaz, que se apresentou sem demora.
    Aqui estou, Senhor Infante… Recebi o vosso recado e vim sem imediatamente.
    Muito me satisfazeis com o vosso zelo, Mestre Vaz. Aproximai-vos.
    Senhor, é assim tão importante o que tendes para me dizer?
Mais do que podereis julgar.
E baixando a voz, o Infante disse:
     O que tenho para vos dizer… é segredo!
     Oh, Senhor Infante… Eu não mereço…
Um breve sorriso desenhou-se no rosto duro de D. Henrique.
    Não tenhais receio escolhi-vos porque sei que sois leal e fiel.
E segregando disse todos esses rumores que por aí correm sobre o destino da armada andam longe da verdade!
   Mestre Vaz abriu a boca para falar, mas calou-se. O Infante fez-lhe sinal para que falasse. E ele confessou:
   Eu tenho calculado isso mesmo, meu Senhor… pareciam-me boatos só para desviar a atenção.
   Tal e qual, velho Mestre, tal e qual!... Mas vós ides saber a verdade.
Só vós, compreendeis bem?... É necessário que não saia desta sala uma única palavra do que vos vou dizer… Em contrapartida, preciso absolutamente que me ajudeis depois com toda a vossa experiência.
   «Como se fizesse um juramento solene, o velho marinheiro garantiu com voz firme e resoluta.
  Contai inteiramente comigo, Senhor Infante!
  Obrigado!
E medindo as palavras o Infante revelou:
Esta armada que estamos a construir destina-se à conquista de Ceuta (foi essa empresa arriscada e meritória que o infante D. Henrique escolheu para se armado cavaleiro, juntamente com seus irmãos D. Duarte e D. Pedro.)
  O meu grande sonho vai finalmente concretizar-se, Metre Vaz… Nós conquistaremos Ceuta. El-rei meu pai consente que partamos!
   O velho marinheiro persignou-se.
      Que Deus vos oiça, Senhor Infante D. Henrique.
  Houve uma nova pausa entre os dois…
O Infante olhou bem de frente o velho marinheiro de cabelos brancos.
    Agora, mais do que nunca, preciso de vós e de todos os homens experientes e dedicados, como vós, Mestre Vaz! É necessário fazer sacrifícios ainda maiores… Percebeis o que quero dizer?
  Percebo, sim, Senhor Infante! Quereis que trabalhemos noite e dia, sem cessar… para a frota estar pronta a partir de uma certa data…
  Isso mesmo Mestre Vaz!... Eu desejo que a armada esteja pronta a partir dos primeiros dias de Julho. Para isso será necessário um esforço quase sobre-humano (o desejo do Infante realizou-se a armada entrou no tejo na manhã do dia 10 de julho)
    Pois faremos esse esforço, Senhor!... Pelo reino, por el-rei e por vós…
    E também pela cidade do Porto… Eu vos juro que faremos esse esforço!  
    Como sabe bem ouvir essas palavras Mestre Vaz!
    Digo-vos mais, Senhor Infante, se mo permitis… Faremos agora o que fizemos há precisamente 30 anos, quando daqui abalou a frota comandada por D. Rui Pereira, para ir auxiliar el-rei, vosso pai e nosso Senhor, contra os inimigos vindos de Castela… (batalha de Aljubarrota?) Então, nós, Senhor Infante, decidimos dar toda a carne para mantimentos e comermos apenas as tripas que iam ficando… Por isso mesmo, até passaram a chamar-nos «tripeiros».
     Somos «tripeiros», sim, e com muita honra!
    Oque me contais Mestre Vaz é na verdade extraordinário, Mestre Vaz! Tendes razão… Esse nome de tripeiros, por sacrifício tão nobre e tão alto, é sem dúvida uma verdadeira honra para os homens do Porto. Bem vos podeis orgulhar de serdes tripeiros!
    Pois, Senhor Infante, agora o será de novo, para que toda a carne que pudermos arranjar siga também na armada, a caminho da grande vitória de Ceuta.
   Dizeis bem, Mestre Vaz!... A caminho da grande vitória de Ceuta!

Daí em diante, segundo nos conta a velhíssima lenda, Mestre Vaz, sem revelar, nunca, o segredo que lhe foi confiado, não se cansou de apregoar a mesma ideia, a todas as gentes da cidade do Porto.
  É o que vos digo, companheiros! Temos de nos sacrificar de novo para honra do nosso reino e para a honra da nossa cidade do Porto! Tal como nos chamaram tripeiros há 30 anos, poderão agora chamar-nos tripeiros para sempre. Nós guardaremos esse título com altivez!
    As suas palavras foram escutadas e repetidas. Transformaram-se num lema. Numa bandeira de compreensão. Acorreram adesões de todos os lados.
   Seja qual for o nosso destino, se o Senhor Infante precisa de nós, nós estaremos com ele!
   Mestre Vaz gritava agradecendo a todos que acorriam ao seu chamado:
    Viva a gente do Porto! Viva o Povo Tripeiro!

E tal com a nossa História narra, mercê do invulgar sacrifício dos heroicos Tripeiros, de facto, no dia 10 de julho de 1415, fundeava em Lisboa a grande frota do Infante D. Henrique, com as suas sete galés e as suas vinte naus, a caminho da conquista de Ceuta…

 FONTE: LENDAS DE PORTUGAL VOLUME 2; Gentil Marques: Circulo e Leitores,

Coimbra, Março de 2015
Carminda Neves








quarta-feira, 25 de junho de 2014

LENDA DA PRINCESA PERALTA


Em tempo que a História não conta, reinava na cidade de Colimbriga ou Conimbriga, perto de vila de Condeixa um rei chamado Arunce, os seus domínios eram vastos, ultrapassavam o castelo de Arunce (hoje Lousã). Tinha Arunce uma filha muito bela chamada Peralta. Vários cavaleiros de casa de Arunce interessavam-se pela princesa, mas esta olhava das torres do seu castelo o campo vasto de belos horizontes e ficava a cismar. Ela via e revia a figura esbelta de um cavaleiro alto, de peito largo, atlético, olhos brilhantes, olhar franco, voz profunda e meiga. Suspirava a princesa. Tudo isso, afinal, não passava de um sonho.
   Ora, certa vez em que a princesa na sua doce meditação, viu chegar, inesperadamente, um exército inimigo. A jovem ficou estática. Os guerreiros aproximavam-se com rapidez. O alarme foi dado pelos vigias.
    Procuraram a princesa. Ela continuava imóvel, olhando o comandante inimigo que se destacava à frente das suas tropas. Era um cavaleiro jovem, belo, decidido. O rei gritou-lhe:
     Minha filha! O inimigo desembarcou de numerosas naus ancoradas no porto e correu para aqui, onde nos está cercando!
     A princesa tinha o semblante triste, a voz dolorida.
    Nunca odiei tanto a guerra como neste momento!
  O rei tornou:
  Coragem! Eles começaram a atacar e já temos feridos e mortos.
Ela apenas respondeu com um suspiro. O rei irritou-se.
  Que serenidade a vossa minha filha! Quero acreditar que estais inconsciente! Padeceis de um mal que vos põe abstrata. Mal de que as vossas aias falam e de que a corte começou já a murmurar. Porém, este momento é grave. Eu sou o rei e vosso pai! Tendes de ouvir-me. O castelo que mandei construir na floresta (Lousã) e achastes medonho vai agora servir-nos!
  Sempre serena, a princesa ripostou:
   Ficaremos enterrados vivos! O castelo, situado num local distante da serra, é como se fosse uma ilha!
  Mas difícil de ser descoberto, e mais difícil ainda de ser conquistado.
   Pensais então que poderemos sair daqui?
   Tentaremos! Preparai as vossas coisas mais necessárias ou valiosas.
Logo que a noite chegue sairemos pela porta secreta. O vosso cavalo branco esperar-vos-á no átrio norte.
Nos seus aposentos, com as suas aias, a princesa esperava que viesse a ordem de partida. Falava baixo, compassadamente, sem medo.
 Nesse momento um homem estranho surgiu na entrada dos aposentos, avançou em direção à princesa.
   Senhor, que ousadia a vossa!
Ele teve um leve sorriso e declarou:
    Dizei às vossas damas, que venho como libertador e não como inimigo!
Vós o dizeis… Contudo, bem vos vi à frente do exército que invade os nossos domínios!
Serenamente, o cavaleiro replicou:
   Por comandar um dos troços desse exército pude chegar até aqui.
Também vos divisei numa janela da torre. E a curiosidade de vos ver de perto levou-me a cometer esta leviandade. Estou neste momento em perigo de vida!
  Como chegastes a este recanto do castelo?
Pondo fora de combate quantos, encontrei pelo caminho.
   Pois sabei que espero, o rei meu pai. Ele poderá entrar de um momento para o outro. Se o fizer. Um dos dois morrerá. E não desejo que seja ele!
  Juro-vos que a vosso pai nada acontecerá se isso depender de mim!
  Que quereis então?
  Avisar-vos que, antes do nascer do sol, o castelo será nosso. E não sei o que poderão fazer os outros chefes!
  Achais que isso está para breve?
  Dentro de meia hora faremos a ultima avançada. Tendes pois, de fugir!
  Calculastes, cavaleiro, que tentaríamos fugir e acertastes. Quereis, acaso, impedir a nossa viagem, mascarando-vos de protetor?
   Pela minha espada vos juro que vos quero salvar!
   E porquê, cavaleiro?
   Senhora, já perguntastes à rosa porque tem perfume? Quando vos vir a salvo e se ainda for essa a vossa vontade, vos direi porque arrisquei a vida para vos salvar!
   Juro-vos que pagarei com a vida este meu ato! Deixar-me-ei matar por vosso pai ou por algum dos vossos. Ficará assim atenuada a falta que cometo para com os meus homens.
    A vossa atitude é tão estranha…
    O dia virá em que podereis compreender-me.
    Como vos chamais?
    Laurus.
A princesa olhou-o profundamente e declarou:
    Laurus, não vos esquecerei. Confio em vós.
Quando o rei Arunce entrou e se viu em face de um desconhecido embrulhado num manto, ficou estupefacto. A princesa explicou-lhe a situação. O rei mostrou-se altivo:
    Retirai-vos! A vossa companhia não nos agrada!
Laurus respondeu com certa ironia:
   Se não vos avisasse, saberíeis que esta fuga era impossível
  O rei voltou a gritar:
    Retirai-vos já, ou tomar-vos-ei como inimigo que sois!
Sem dar tempo a qualquer luta, aprincesa interpôs-se entre eles.
    Meu pai basta de luta! Partamos, pois já oiço vozes bem perto!
   Laurus explicou:
   Foi dada a ordem de atacar. Não tardam aí os meus homens. Fujam! Eu os deterei!
  Todavia, o rei Arunce ordenou aos seus guardas. Isolem este homem enquanto nos retiramos! Não confio no inimigo.
  Envergonhada a princesa censurou:
  Meu pai, devemos-lhe a vida! Sei que não mente!
Mas o rei, ordenou:
   Vamos o tempo urge!
  A marcha foi penosa. A princesa voltara ao seu alheamento costumado.
  Passaram a ribeira. As suas vidas estavam a salvo, pelo menos nos dias mais próximos. Declarou o rei:
  Neste castelo isolado encontraremos abrigo seguro enquanto não arranjarmos reforços. A esta ribeira darei o meu nome. À terra que circunda este castelo darei o nome da minha filha Peralta.
   Dissestes à vossa guarda que viesse aqui procurar-nos?
   Disse.
   Tardam!

Pouco mais de um dia tinha passado quando uma das aias disse à princesa:
  Chegou a guarda real!
  Só?
  Sim. Senhora.
  Há feridos?
  Um apenas, e ligeiramente.
  O castelo que deixámos?
  Foi ocupado pelo inimigo.
  E o cavaleiro que nos salvou?
  Desse nada sei, Senhora!
   Pois ide dizer a meu pai que desejo falar-lhe. Mal avistou o rei, perguntou:
  Senhor, que novas nos dais do cavaleiro que nos ajudou na retirada?
  Acabo de saber pelos meus guardas que se deixou matar por nós. Dir-se-ia que não sabia combater!
  A princesa fez-se pálida. As lágrimas rolaram dos seus olhos. Cambaleou.
Aflito Arunce, perguntou:
    Filha! Porque vos desgostais tanto? Mal o conhecemos! A princesa murmurou:
   Morreu o meu cavaleiro!
   Entreolharam-se a aia e os dois guardas, sem crer no que ouviram; o chefe inimigo era o cavaleiro da princesa! Atormentado o rei deixou a filha chorar. Quando ela se levantou para se retirar perguntou com brandura:
   Dizei-me porque chorais assim um desconhecido?
   Achais que um desconhecido seria capaz de dar a vida por nós?
   Pois não era um desconhecido? Quem era então? Donde veio? Como o conhecíeis?
  O olhar da princesa, fitou o infinito e murmurou:
   Desde que me lembro que o via… hora a hora… a caminhar para mim… tal como apareceu, na verdade. Belo, valente! Deu a vida por nós… e eu daria a vida por ele… contudo nunca trocamos uma palavra de amor… nunca! Nos meus devaneios surgia… e fugia depois como fumo! Compreendo agora o significado. Nunca o teria perto de mim… só para mim!
   Filha delirais!
   Achais assim… porque sois incapaz de compreender-me! Laurus foi para vós apenas o inimigo. Para mim… continuará a ser o meu cavaleiro, o meu único amor!
   Não podereis compreender. Mesmo sem nos encontrarmos, há muito que nos pertencíamos! E sabíamos disso… sabíamos!... Por esse motivo, agora que ele morreu para o mundo, quero fazer-vos um pedido.
   É vosso desejo dar a esta ribeira o nome de Arunce em homenagem ao rei que habita este castelo. Pois peço-vos, Senhor, que se dê a esta terra, não o meu nome, mas o daquele que tornou possível a nossa estada neste lugar: o nome do meu cavaleiro!
  O rei não cabia em si de espanto.
  Pois quereis que se dê a esta terra…
A princesa não o deixou terminar.
Perdoai Senhor! Desejo que esta terra seja a terra de Laurus.
   Pois seja a terra de Laurus!
   A princesa sorriu pela homenagem prestada ao seu cavaleiro. Depois saiu silenciosa, sem pressa de chegar, como se a vida já não contasse para ela.

Arunce foi contemporâneo de Sertório que tinha a sua corte em Conimbriga. A ribeira que primeiramente tomou o nome de Arunce, chama-se agora Arouce. Com este nome existe, ainda uma povoação. Ou melhor essa povoação chama-se agora foz de Arouce. Pois é lá que desagua no rio Ceira o hoje rio Arouce.
     A História não fala de Laurus mas de um Lausus, que mais tarde deu o nome à vila de Lousana, e do qual também deriva, provavelmente, o nome da bonita vila da Lousã.
   Condeixa tem foral desde o reinado de D. Manuel I a 3 de Junho de 1514.
 Povoação muito antiga, na área da sua freguesia existem as ruínas da célebre cidade romana de Conimbriga. Antigamente Condeixa era porto de mar.


FONTE: Lendas de Portugal; Gentil Marques; volume V 1997
Junho de 2014
Carminda Neves

   

quarta-feira, 19 de março de 2014

LENDA DO BELO SULDÓRIO (soldado de Viriato)

Madrugada fria. Madrugada triste. Madrugada com cheiro de tormenta. Inverno na natureza e nas almas. Vento cortante como o fio de uma espada. Mas Viriato - o pastor dos Hermínios – não sentia esse frio cortante. Nem essa madrugada triste. Nem o cheiro da tormenta. Direito, como bela estátua erguida num campo coberto de cadáveres dos seus compatriotas, dir-se-ia o génio da vingança. À sua volta, os companheiros vivos que conseguira agrupar esperavam, atentos, as suas ordens. E forte, clara e precisa soou a voz do herói:
Fotografia de Carminda
Companheiros! Olhem em redor! Que estão a ver? Os corpos mutilados dos nossos irmãos, indignamente atraiçoados pela perfídia de um romano: Galba! (foi Cônsul romano na Ibéria na Iª metade do século II A. C.) Todos nós temos aqui um parente ou amigo. Todos estamos a contemplar as bárbaras ações desses altivos vencedores do mundo: crianças, mulheres e donzelas degoladas. Teremos nós coração para sofrer tanto? Não! Vinguemo-los, pois! Vinguemos tantas nações devastadas por esses verdugos! Tudo é por nós! Juremos, neste mesmo local, um ódio eterno ao inimigo. Pelo sangue derramado, por todas as virgens, eu juro, por mim, não despir estas armas enquanto não vingar as suas mortes!
monumento a Viriato
Parecia ecoar a voz do pastor no silêncio da montanha onde a morte imperava. E quantos o escutavam repetiram em coro o mesmo juramento. E foi então que, descendo a montanha por onde esvoaçavam aves de rapina, esses homens intrépidos, chefiados por Viriato, se espalharam pela Lusitânia para incitarem o povo a pegarem armas contra os Romanos.
Em baixo na planície, um sacerdote esperava-os. Vendo chegar o grupo, o sacerdote com ar resoluto e olhos brilhantes, dirigiu-se àquele que parecia comandá-los.
Meu filho! Em nome do deus Endovélico (deus mitológico da antiga Lusitânia séc.II a. C.) serás a partir deste momento o chefe supremo do exército dos pastores da serra. Assim, concedo-te o grande colar de oiro do comando!
Como resposta ouve um clamor de entusiasmo gritando por Viriato.
Reunindo os povos lusitanos sob o seu comando, Viriato encetou a sua grande luta de grande chefe, (os soldados “suldórios” de Viriato eram todos voluntários) com grandes proezas que assustaram Roma.
Entre esses voluntários, surgiu certo dia um jovem, de cabelos loiros e olhos azuis, figura frágil, quase feminina, que viera de muito longe com o desejo de ser também um suldórios. Ao vê-lo, Viriato chamou-o à sua tenda. O jovem acorreu imediatamente.
Aceitaram-te como voluntário e ouviste bem as nossas regras. Não desististe! Mas repara que és ainda muito novo para morrer e na verdade com esse ar delicado… não sei se confio muito em ti como guerreiro.
No rosto do adolescente surgiu uma expressão de receio e ansiedade.
Não te preocupes com o meu aspeto, Viriato! Juro-te que lutarei como os melhores. O chefe lusitano olhou para o rapaz estupefacto.
Que voz a tua! Condiz com o teu corpo, que mais parece de donzela… tenho receio de que se riam de ti.
Descansa que ninguém se rirá. E se alguém se atrever, a minha espada o calará.
A tarde morria ao longe, num vagar que definia força. Resistência entre a luz e as trevas, entre a vontade e o destino.
A luta continuou, as vitórias seguiram-se: Toledo, Évora, Viseu! Em todo o lado de modos e falas estranhas se mostrou sempre como valente guerreiro. Viriato não pôde esconder a sua admiração. E certa tarde em que ambos se encontraram no campo, o chefe lusitano achou por bem elogiá-lo
És na verdade um soldado extraordinário! Hoje, vi bem que me salvaste a vida. Doravante quero-te sempre a meu lado.
Sim! Na vida ou na morte estarei sempre a teu lado!
Viriato sorriu.
Voltou a fixar o soldado, que desviou o olhar para um ponto indeterminado.
Viriato continuou a falar. Agora o tom da sua voz era diferente. Havia nele algo de indefinível e na expressão do seu rosto surgiu um estranho sorriso.
Bem… Não pensemos agora na morte. A tarde está bonita… Apetece-me ir visitar Vanídia (noiva de Viriato) eleita do meu coração, a qual há muito tempo espera por mim!
Queres vir comigo?
Não, meu senhor. Para negócios de amor, certamente não precisareis de mim.
Tens razão. Em negócios de amor não precisarei de ti! E dando costas ao jovem, Viriato seguiu o seu caminho.
O chefe lusitano desceu a montanha sem nunca olhar para trás. Um único pensamento ocupava agora a sua mente, Vanídia, e pedir-lhe perdão por demorar tanto tempo.
Era quase noite. Mas na alma de Viriato havia luz, muita luz, como sol em pleno meio-dia!
Ao vê-lo, Vanídia correu para ele.
Viriato! Demoraste tanto! Cheguei a recear por ti!
Tens razão demorei muito, mas valeu a pena, aqui estou e com boas notícias!
Ela sorriu, feliz. Tenho tido conhecimento das tuas vitórias!
Não se trata agora de guerra. Trata-se do nosso casamento.
Será possível, Viriato tens-medito tantas vezes a mesma coisa!...
Querida! Se eu derrotar os exércitos de Caio Uminiano (Pretor romano acabado de chegar de Roma para combater Viriato. Morreu nessa batalha “Campo de Ourique”) e de Caio Nigídio,
(Pretor romano que sucedeu Uminiano. Atacou a Lusitânia pelo lado dos Transcuolanos (atual Serra Morena Espanha); mas Viriato foi em auxílio deste povo e derrotou o pretor no ano de 146 antes de Cristo), numa famosa batalha que deu origem lendária aos nomes de Esculca e cabeça de Esculca, aldeia e outeiro que ainda hoje existem. Igualmente vem dessa altura, na tradição popular, a origem do nome de Abraveses, diz-se que por aí ter acampado, antes da grande batalha, a bravesa lusitana…

Na verdade, Viriato venceu. E cumpriu a sua promessa, casou com Vanídia, filha do rico Astolpas. A cerimónia realizou-se em Vaaca (nome que antigamente se dava a Viseu. Porem para muitos estudiosos, tal hipótese é absurda, pois Vaaca ou vácua era também o nome do rio Vouga (Plínio) e a atual cidade de Viseu fica bem longe do rio Vouga).
Imagem de Mulher
Um ano de paz com Roma. Todavia, Viriato não esquecia os seus companheiros, embora o seu exército já estivesse um tanto disperso. Só os suldórios continuavam unidos em torno do seu chefe, como um corpo só, E entre eles se encontrava o jovem soldado, já famoso pelas suas façanhas em prol de Viriato e da causa da Lusitânia.
A vida é roda que gira, às vezes quase em vertigem. O tempo passou. E então, não sendo possível aos romanos vencerem pela força o chefe da rebeldia e altiva Lusitânia, valeram-se da astúcia - que é por vezes o caminho da traição.
É de todos os tempos a existência de mentes fracas, capazes de tudo por uma ambição fogaz. Também na Lusitânia houve traidores. Traidores que levaram Viriato à morte a troco de dinheiro. De noite, aproveitando a hora de descanso, entraram na tenda de Viriato, apunhalaram-no e levaram-lhe a cabeça para apresentarem ao Cônsul Romano!
Entretanto no acampamento alguém dera subitamente o alarme. Alguém que chorava convulsivamente abraçado ao corpo de Viriato: (aquele que fora o glorioso chefe dos lusitanos). E esse, alguém era o jovem soldado desconhecido.
A dor encheu o acampamento. A dor, a indignação, a tristeza, a amargura, um grito enorme surgiu, cortando a noite. Viriato era amado até à idolatria. Foram-lhe feitos solenes funerais. Foi erguida uma enorme pira, onde seria queimado o corpo de Viriato, para depois guardarem as suas cinzas. Envolto no seu manto de comando e levando o seu colar de oiro; o que fora valoroso chefe lusitano em breve começou a arder Os suldórios desafiavam-se em combate, como holocausto àquele que haviam jurado defender até à morte. E o exército reclamava novo chefe. De súbito, alguém apontou o vulto de um jovem pálido, rosto marcado pelas lágrimas, que parecia desafiar o próprio fogo onde o corpo de Viriato ardia. E diziam:
Morte de Viriato
Só ele! Só o companheiro dilecto de Viriato pode substituí-lo! Um clamor surgiu de todas as bocas, aprovando a escolha. Porem, o jovem soldado sem uma palavra, cabelos soltos ao vento, aproximou-se mais da pira onde o fogo ardia. Tirou a couraça e em seguida a túnica que lhe cobria o corpo, mostrando aos olhos espantados do exército em peso, e do povo um busto formosíssimo de mulher. Ouviu-se um «Oh» de pasmo. Mas aquela que fora durante tanto tempo o mais fiel dos soldados de Viriato. Gritou:
Sim sou mulher! Por amor a Viriato suportei tudo. Disfarçada de homem, tornei-me seu suldório para estar sempre a seu lado! Ele amava outra mulher. Não podia aspirar ao seu coração. Agora que o mataram a vida não tem mais sentido para mim. Morro com Viriato, já que vivi para ele!
E num gesto súbito, a mulher- soldado lançou o seu esbelto corpo às chamas ardentes…
Todos os presentes ficaram perplexos! A tarde, porém, morria sem queixumes, concedendo ao fogo o direito de a substituir na sua luz.
Viriato deixara de existir. E com ele ardia agora o corpo daquela que fora um dos seus melhores soldados, e jurara estar aseu lado para sempre, na vida ou na morte!

Fonte: LENDAS DE PORTUGAL. VOLUME II 1997; Gentil Marques. Círculo de leitores.
Fotografias:WEB

Março de 2014
Carminda Neves




domingo, 4 de setembro de 2011

Lenda da Atlântida

Alimenta muita gente a lenda de que existe fundamento para se acreditar na existência de um grande estado civilizado, há cerca de três quatro mil anos, no Atlântico, aquém do estreito de Gibraltar. Seria um grande país, um «continente». Lá se encontrava o jardim das Hespérides. A crença apoia-se em numerosas alusões, na literatura grega e noutras posteriores, a essa terra desaparecida. Nenhum facto até hoje, nem geológico nem arqueológico, o confirmou, deu crédito ou apoio.
Lenda da Atlantida
Existem razões para supor que, em remotíssimo período geológico, tenha havido terra onde agora é o Atlântico. Mas não há, desde o período miocénico, nenhuma prova a favor, e muitas contra a existência de qualquer extensão territorial da Europa ou da Ásia para oeste. OS restos humanos que se encontram na Espanha, Portugal (Ilhas da Madeira e Açores) e no Norte de África não mostram nenhuma indicação de qualquer estado superior de cultura a oeste, e na literatura grega mais primitiva, em Homero e Hesíodo, há uma completa ignorância do Oceano Atlântico.
Outros estudiosos dizem, que esta lenda se refere a uma civilização outrora muito importante perdida na região do Cáucaso. Sabe-se que as águas de tal modo se expandiram e retraíram sobre o Sul da Rússia e sobre a região da Ásia central, dentro do período humano, que o que hoje são desertos eram outrora mares, e, onde agora há dificilmente erva bastante para sustentar a vida, estendiam-se outrora densas florestas. Há toda a razão para supor que se devem encontrar nessa parte do mundo consideráveis vestígios das primeiras civilizações.

Sonhos
 Histórias maravilhosas sobre uma terra perdida à qual se chegava por mar, passando pelos Dardanelos, existiam por certo entre os Gregos. Quando os comerciantes gregos e fenícios abriram a extremidade ocidental do Mediterrâneo, nada mais fácil do que transformar aquelas histórias em historias maravilhosas sobre uma terra lendária transplantada, então, para alem do recém-descoberto estreito. A Atlântida não se acharia, pois, no Atlântico, mas talvez na Geórgia. A Geórgia é, sem dúvida, uma região de grandes possibilidades arqueológicas.
Concentra-se um número notável de fábulas e lendas gregas; era ela a terra do vale do ouro, o alvo dos Argonautas (Na mitologia grega, Argonautas eram tripulantes da nau Argo que, segundo a lenda grega, foi até à Cólquida (actual Geórgia) em busca do Velocino de Ouro) e aí foi Prometeu encadeado, com o abutre a despedaçar-lhe as entranhas. Algumas fontes dizem que houve uma ligação primitiva entre Colcos ou Cólquida (região ao sul do Cáucaso) e o Egipto pré-histórico. Heródoto notou uma série de semelhanças entre os habitantes de Cólquida e os Egípcios.
Tendo existido ou não, Atlântida, alimenta a nossa imaginação, fantasia, sonho de beleza e paz, de uma terra onde não havia fome, diferença entre povos. Terra onde tudo era de uma beleza, de uma moral de uma ética intransponíveis
PLATÃO
A lenda da Atlântida tem seduzido produtores, realizadores e actores cinematográficos, que ainda mais alimentam os nossos sonhos, com cenários
Que nunca foram possíveis no mundo real
Atlântida ou Atlantis (em grego, Ἀτλαντίς - "filha de Atlas") é uma lendária ilha ou continente cuja primeira menção conhecida remonta a Platão em suas obras "Timeu ou a Natureza" e "Crítias ou a Atlântida".

Coimbra, Setembro de 2011
Carminda Neves

quinta-feira, 15 de julho de 2010

LENDA DE PENACOVA


OLHOS DE UMA  MOURA ENCANTADORA
Havia uma bela moura, nos arredores da cidade de Coimbra, que vivia encantada. Transformada em serpente com duas cabeças. Andava pelos montes; atormentada, amargurada, triste, prisioneira do seu encantamento. Todas as pessoas fugiam quando a encontravam ou ela aparecia, pois, pensavam que ela era de verdade uma serpente e ainda por cima com duas cabeças. Ela apenas queria e esperava que a olhassem, bem, no fundo dos seus olhos e conseguissem ver, descobrir, que ela era apenas uma jovem: bela, meiga, terna, cheia de doçura, que, queria amar e ser amada, mas, o seu destino tinha sido cruel, transformando-a em serpente com duas cabeças
. Uma chamava-se Pena: era seca, com montes, agreste, coberta de pedra, da qual se extraí-a a cal que era exportada para todo o país, para ajudar na construção do mesmo.
A outra chamava-se Cova: era verdejante e viçosa, por ela se passeava o rio Mondego, deixando sempre um rasto fresco que encantava quem por lá vivia
Das cabeças da moura encantada surge o nome de: PENACOVA
Esta moura encantada, em, serpente com duas cabeças. Esperava que alguém, ou um príncipe, quebrasse o encanto.
Para isso tinham de olhar profundamente nos seus olhos com amor e doçura e ela voltaria à sua beleza e formosura naturais.
PENACOVA ainda hoje continua à espera que seja quebrado o seu encanto e ela possa mostrar ao mundo toda a sua beleza, frescura e encanto naturais de MOURA ENCANTADA


Porque não pega na máquina fotográfica e vai à procura da sua bela Moura ?
Alguem pediu mouras encantadas.
Elas existem um pouco por todo o lado e em vários locais da net de onde estas foram tiradas

                                                                                           
Procurei na NET e encontrei todas estas encantadoras personagens,umas fruto da imaginação de alguem, outras da pesquisa de algum fotógrafo
Carminda neves