terça-feira, 23 de setembro de 2014

ORGÃO DO MOSTEIRO DO LORVÃO

Os dois teclados não mostram as capacidades sonoras, nem os desafios criados às leis da acústica. A capacidade está escondida num arco de duas fachadas, que guarda 4 mil tubos. É ali que está o segredo da sonoridade de orquestra, criada pelo desempenho de um único instrumento.

É apenas um órgão, mas vale por uma orquestra. As cordas são a exceção. Todas as outras sonoridades que possam conhecer de um qualquer instrumento de sopro estão lá. O som é produzido por 4 mil tubos e trabalhado em dois teclados, caixas de eco, pisantes anuladores de cheios e palhetas, acrescidos de uma palheta de registos, os ingredientes necessários e que permitem que o órgão do Mosteiro do Lorvão (Penacova) tenha uma sonoridade orquestral.
A peça foi pensada, planeada e construída no século XVIII por um organeiro de Braga, Manuel Machado Miranda. O seu filho, o escultor Machado de Castro, ainda haveria de desenhar e executar a caixa do órgão, de um e do outro lado das duas fachadas do órgão e um segundo organeiro, António de Cerveira, acrescentou e completou a obra iniciada no Mosteiro do Lorvão.

O SEU RESTAURO DEMOROU 2 ANOS       

Depois de um silêncio de maio século, o maior órgão construído em Portugal no século XVIII, voltou a fazer-se ouvir. Dinarte Machado, foi o organeiro que devolveu a vida e o som, ao velhíssimo órgão do Lorvão, à semelhança do que tem feito com outros órgãos de tubos que ainda sobrevivem no nosso país. O do Lorvão é especial. (é o maior órgão construído em Portugal no século XVIII e, apesar da sua dimensão, não deixa de ser personalizado e selecionado em relação em relação à sua planificação sonora, tornando-o um instrumento sensível e deveras singular. Parecendo complexa a sua composição e manuseamento, depois de nos integrarmos            percebe-se precisamente o contrário. Tudo parece ser feito de modo a facilitar a sua utilização, por parte do organista)
Depois da sua restauração, a honra da estreia cube a João Vaz e, se duvidas ainda existissem, (o órgão do Lorvão para alem de ser, um dos maiores exemplares da organaria histórica portuguesa, é também um caso notável daquela ligação entre instrumento e ideia musical.) O instrumento permite uma variedade de sons quase orquestral
Este é o único órgão em Portugal “com das caras”. São estas duas faces, uma para o lado da igreja, outra para o coro, que lhe permitem uma dimensão sonora, que apesar de desafiar as leis da acústica, funciona na perfeição, sem que se note a falta de refletor acústico.
Nesta área o nosso país teve uma identidade definida e única no panorama nacional. A arte organeira mundial foi escrita e ecoada pelos mestres portugueses, (fez-nos grandes perante o mundo. Ignorar este facto, significa perdermos a nossa identidade cultural) isto dito por Dinarte Machado.
Vamos ouvir o maravilhoso som do órgão.

O MOSTEIRO DO LORVÃO FOI UM DOS PRINCIPAIS CENTROS DE PRODUÇÃO DE MANUSCRITOS ILUMINISTAS, AINDA HOJE A SUA BELEZA PODE SER ADMIRADA, NO PRÓPRIO MOSTEIRO

FONTE: História do Mosteiro do Lorvão
              Revista Olhares; Centro Cirúrgico Coimbra
              Meus Apontamentos de História
Coimbra, Setembro de 2014
Carminda Neves
           
            

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