domingo, 23 de julho de 2017

RAINHA ESTER


No terceiro ano do seu reinado, fez um banquete a todos os seus príncipes e seus servos, estando assim perante ele o poder da Pérsia e Média e os nobres e príncipes das províncias,
Para mostrar as riquezas da glória do seu reino, e o esplendor da sua excelente grandeza, por muitos dias, a saber: cento e oitenta dias.
E, acabados aqueles dias, fez o rei um banquete a todo o povo que se achava na fortaleza de Susã, desde o maior até ao menor, por sete dias, no pátio do jardim do palácio real.
As tapeçarias eram de pano branco, verde, e azul celeste, pendentes de cordões de linho fino e púrpura, e argolas de prata, e colunas de mármore; os leitos de ouro e de prata, sobre um pavimento de mármore vermelho, e azul, e branco, e preto.
E dava-se de beber em copos de ouro, e os copos eram diferentes uns dos outros; e havia muito vinho real, segundo a generosidade do rei.
E o beber era por lei, sem constrangimento; porque assim tinha ordenado o rei expressamente a todos os oficiais da sua casa, que fizessem conforme a vontade de cada um.
Também a rainha Vasti deu um banquete às mulheres, na casa real do rei Assuero.
E ao sétimo dia, estando já o coração do rei alegre do vinho, mandou a Meumã, Bizta, Harbona, Bigtá, Abagta, Zetar e Carcas, os sete camareiros que serviam na presença do rei Assuero,
Que introduzissem na presença do rei a rainha Vasti, com a coroa real, para mostrar aos povos e aos príncipes a sua beleza, porque era formosa à vista.
Porém a rainha Vasti recusou vir conforme a palavra do rei, por meio dos camareiros; assim o rei muito se enfureceu, e acendeu nele a sua ira.
Então perguntou o rei aos sábios que entendiam dos tempos (porque assim se tratavam os negócios do rei na presença de todos os que sabiam a lei e o direito;
E os mais chegados a ele eram: Carsena, Setar, Admata, Társis, Meres, Marsena, e Memucã, os sete príncipes dos persas e dos medos, que viam a face do rei, e se assentavam como principais no reino),
O que, segundo a lei, se devia fazer à rainha Vasti, por não ter obedecido ao mandado do rei Assuero, por meio dos camareiros.
Então disse Memucã na presença do rei e dos príncipes: Não somente contra o rei pecou a rainha Vasti, porém também contra todos os príncipes, e contra todos os povos que há em todas as províncias do rei Assuero.
Porque a notícia do que fez a rainha chegará a todas as mulheres, de modo que aos seus olhos desprezarão a seus maridos quando ouvirem dizer: Mandou o rei Assuero que introduzissem à sua presença a rainha Vasti, porém ela não veio.
E neste mesmo dia as senhoras da Pérsia e da Média, ouvindo o que fez a rainha, dirão o mesmo a todos os príncipes do rei; e assim haverá muito desprezo e indignação.
Se bem parecer ao rei, saia da sua parte um edito real, e escreva-se nas leis dos persas e dos medos, e não se revogue, a saber: que Vasti não entre mais na presença do rei Assuero, e o rei dê o reino dela a outra que seja melhor do que ela.
E, ouvindo-se o mandado, que o rei decretará em todo o seu reino (porque é grande), todas as mulheres darão honra a seus maridos, desde a maior até à menor.
E pareceram bem estas palavras aos olhos do rei e dos príncipes; e fez o rei conforme a palavra de Memucã.
Então enviou cartas a todas as províncias do rei, a cada província segundo a sua escrita, e a cada povo segundo a sua língua; que cada homem fosse senhor em sua casa, e que se falasse conforme a língua do seu povo



1 Algum tempo depois, quando cessou a indignação do rei Xerxes, ele se lembrou de Vasti, do que ela havia feito e do que ele tinha decretado contra ela.
2 Então os conselheiros do rei sugeriram que se procurassem belas virgens para o rei,
3 e que se nomeassem comissários em cada província do império para trazerem todas essas lindas moças ao harém da cidadela de Susã. Elas estariam sob os cuidados de Hegai, oficial responsável pelo harém, e deveriam receber tratamento de beleza.
4 A moça que mais agradasse o rei seria rainha em lugar de Vasti. Esse conselho agradou o rei, e ele o pôs em execução.
5 Nesse tempo vivia na cidadela de Susã um judeu chamado Mardoqueu, da tribo de Benjamim, filho de Jair, neto de Simei e bisneto de Quis.
6 Ele fora levado de Jerusalém para o exílio por Nabucodonosor, rei da Babilónia, entre os que foram levados prisioneiros com Joaquim[3], rei de Judá.
7 Mardoqueu tinha uma prima chamada Hadassa, que havia sido criada por ele, por não ter pai nem mãe. Essa moça, também conhecida como Ester, era atraente e muito bonita, e Mardoqueu a havia tomado como filha quando o pai e a mãe dela morreram.
8 Quando a ordem e o decreto do rei foram proclamados, muitas moças foram trazidas à cidadela de Susã e colocadas sob os cuidados de Hegai. Ester também foi trazida ao palácio do rei e confiada a Hegai, encarregado do harém.
9 A moça o agradou e ele a favoreceu. Ele logo lhe providenciou tratamento de beleza e comida especial. Designou-lhe sete moças escolhidas do palácio do rei e transferiu-a, junto com suas jovens, para o melhor lugar do harém.
10 não tinha revelado a que povo pertencia nem a origem da sua família, pois Mardoqueu a havia proibido de fazê-lo.
11 Diariamente ele caminhava de um lado para outro perto do pátio do harém, para saber como Ester estava e o que lhe estava acontecendo.
12 Antes de qualquer daquelas moças apresentar-se ao rei Xerxes, devia completar doze meses de tratamento de beleza prescritos para as mulheres: seis meses com óleo de mirra e seis meses com perfumes e cosméticos.
13 Quando ia apresentar-se ao rei, a moça recebia tudo o que quisesse levar consigo do harém para o palácio do rei.
14 À tarde ela ia para lá e de manhã voltava para outra parte do harém, que ficava sob os cuidados de Saasgaz, oficial responsável pelas concubinas. Ela não voltava ao rei, a menos que dela ele se agradasse e a mandasse chamar pelo nome.
15 Quando chegou a vez de Ester, filha de Abiail, tio de Mardoqueu, que a tinha adoPtado como filha, ela não pediu nada além daquilo que Hegai, oficial responsável pelo harém, sugeriu. Ester causava boa impressão a todos os que a viam.
16 Ela foi levada ao rei Xerxes, à residência real, no décimo mês, o mês de tebete, no sétimo ano do seu reinado.
17 O rei gostou mais de Ester do que de qualquer outra mulher; ela foi favorecida por ele e ganhou sua aprovação mais do que qualquer das outras virgens. Então ele lhe colocou uma coroa real e tornou-a rainha em lugar de Vasti.
18 O rei deu um grande banquete, o banquete de Ester, para todos os seus nobres e oficiais. Proclamou feriado em todas as províncias e distribuiu presentes por sua generosidade real.
19 Quando as virgens foram reunidas pela segunda vez, Mardoqueu estava sentado junto à porta do palácio real.
20 havia mantido segredo sobre seu povo e sobre a origem de sua família, conforme a ordem de Mardoqueu, pois continuava a seguir as instruções dele, como fazia quando ainda estava sob sua tutela.
21 Um dia, quando Mardoqueu estava sentado junto à porta do palácio real, Bigtã e Teres, dois dos oficiais do rei que guardavam a entrada, estavam indignados e conspiravam para assassinar o rei Xerxes.
22 Mardoqueu, porém, descobriu o plano e o contou à rainha Ester, que, por sua vez, passou a informação ao rei, em nome de Mardoqueu.
23 Depois de investigada a informação e descobrindo-se que era verdadeira, os dois oficiais foram enforcados[5]. Tudo isso foi escrito nos registos históricos, na presença do rei.

1 Depois desses acontecimentos, o rei Xerxes honrou Hamã, filho de Hamedata, descendente de Agague, promovendo-o e dando-lhe uma posição mais elevada do que a de todos os demais nobres.
2 Todos os oficiais do palácio real curvavam-se e prostravam-se diante de Hamã, conforme as ordens do rei. Mardoqueu, porém, não se curvava nem se prostrava diante dele.
3 Então os oficiais do palácio real perguntaram a Mardoqueu: “Por que você desobedece à ordem do rei?”
4 Dia após dia eles lhe falavam, mas ele não lhes dava atenção e dizia que era judeu. Então contaram tudo a Hamã para ver se o comportamento de Mardoqueu seria tolerado.
5 Quando Hamã viu que Mardoqueu não se curvava nem se prostrava, ficou muito irado.
6 Contudo, sabendo quem era o povo de Mardoqueu, achou que não bastava matá-lo. Em vez disso, Hamã procurou uma forma de exterminar todos os judeus, o povo de Mardoqueu, em todo o império de Xerxes.
7 No primeiro mês do décimo segundo ano do reinado do rei Xerxes, no mês de nisã[6], lançaram o pur, isto é, a sorte, na presença de Hamã a fim de escolher um dia e um mês para executar o plano. E foi sorteado o décimo segundo mês, o mês de adar[7].
8 Então Hamã disse ao rei Xerxes: Existe certo povo disperso e espalhado entre os povos de todas as províncias do teu império, cujos costumes são diferentes dos de todos os outros povos e que não obedecem às leis do rei; não convém ao rei tolerá-los.
9 Se for do agrado do rei, que se decrete a destruição deles, e eu colocarei trezentas e cinquenta toneladas[8] de prata na tesouraria real à disposição para que se execute esse trabalho.
10 Em vista disso, o rei tirou seu anel-selo do dedo, deu-o a Hamã, o inimigo dos judeus, filho de Hamedata, descendente de Agague, e lhe disse:
11 “Fique com a prata e faça com o povo o que você achar melhor”.
12 Assim, no décimo terceiro dia do primeiro mês os secretários do rei foram convocados. Hamã ordenou que escrevessem cartas na língua e na escrita de cada povo aos sátrapas do rei, aos governadores das várias províncias e aos chefes de cada povo. Tudo foi escrito em nome do rei Xerxes e selado com o seu anel.
13 As cartas foram enviadas por mensageiros a todas as províncias do império com a ordem de exterminar e aniquilar completamente todos os jude­us, jovens e idosos, mulheres e crianças, num único dia, o décimo terceiro dia do décimo segundo mês, o mês de adar, e de saquear os seus bens.
14 Uma cópia do decreto deveria ser publicada como lei em cada província e levada ao conhecimento do povo de cada nação, a fim de que estivessem prontos para aquele dia.
15 Por ordem do rei, os mensageiros saíram às pressas, e o decreto foi publicado na cidadela de Susã. O rei e Hamã assentaram-se para beber, mas a cidade de Susã estava em confusão.

1 Quando Mardoqueu soube de tudo o que tinha acontecido, rasgou as vestes, vestiu-se de pano de saco, cobriu-se de cinza, e saiu pela cidade, chorando amargamente em alta voz.
2 Foi até a porta do palácio real, mas não entrou, porque ninguém vestido de pano de saco tinha permissão de entrar.
3 Em cada província onde chegou o decreto com a ordem do rei, houve grande pranto entre os judeus, com jejum, choro e lamento. Muitos se deitavam em pano de saco e em cinza.
4 Quando as criadas de Ester e os oficiais responsáveis pelo harém lhe contaram o que se passava com Mardoqueu, ela ficou muito aflita e mandou-lhe roupas para que as vestisse e tirasse o pano de saco; mas ele não quis aceitá-las.
5 Então Ester convocou Hatá, um dos oficiais do rei, nomeado para ajudá-la, e deu-lhe ordens para descobrir o que estava perturbando Mardoqueu e por que ele estava agindo assim.
6 Hatá foi falar com Mardoqueu na praça da cidade, em frente da porta do palácio real.
7 Mardoqueu contou-lhe tudo o que lhe tinha acontecido e quanta prata Hamã tinha prometido depositar na tesouraria real para a destruição dos judeus.
8 Deu-lhe também uma cópia do decreto que falava do extermínio e que tinha sido anunciado em Susã, para que ele o mostrasse a Ester e insistisse com ela para que fosse à presença do rei implorar misericórdia e interceder em favor do seu povo.
9 Hatá retornou e relatou a Ester tudo o que Mardoqueu lhe tinha dito.
10 Então ela o instruiu que dissesse o seguinte a Mardoqueu:
11 “Todos os oficiais do rei e o povo das províncias do império sabem que existe somente uma lei para qualquer homem ou mulher que se aproxime do rei no pátio interno sem por ele ser chamado: será morto, a não ser que o rei estenda o cetro de ouro para a pessoa e lhe poupe a vida. E eu não sou chamada à presença do rei há mais de trinta dias”.
12 Quando Mardoqueu recebeu a resposta de Ester,
13 mandou dizer-lhe: Não pense que pelo fato de estar no palácio do rei, você será a única entre os judeus que escapará,
14 pois, se você ficar calada nesta hora, socorro e livramento surgirão de outra parte para os judeus, mas você e a família do seu pai morrerão. Quem sabe se não foi para um momento como este que você chegou à posição de rainha?
15 Então Ester mandou esta resposta a Mardoqueu:
16 “Vá reunir todos os judeus que estão em Susã, e jejuem em meu favor. Não comam nem bebam durante três dias e três noites. Eu e minhas criadas jejuaremos como vocês. Depois disso irei ao rei, ainda que seja contra a lei. Se eu tiver que morrer, morrerei”.
17 Mardoqueu retirou-se e cumpriu todas as instruções de Ester.

1 Três dias depois, Ester vestiu seus trajes de rainha e colocou-se no pátio interno do palácio, em frente do salão do rei. O rei estava no trono, de frente para a entrada.
2 Quando viu a rainha Ester ali no pátio, teve misericórdia dela e estendeu-lhe o cetro de ouro que tinha na mão. Ester aproximou-se e tocou a ponta do cetro.
3 E o rei lhe perguntou: “Que há, rainha Ester? Qual é o seu pedido? Mesmo que seja a metade do reino, lhe será dado”.
4 Respondeu Ester: “Se for do agrado do rei, venha com Hamã a um banquete que lhe preparei”.
5 Disse o rei: “Tragam Hamã imediatamente, para que ele atenda ao pedido de Ester”. Então o rei e Hamã foram ao banquete que Ester havia preparado.
6 Enquanto bebiam vinho, o rei tornou a perguntar a Ester: “Qual é o seu pedido? Você será atendida. Qual o seu desejo? Mesmo que seja a metade do reino, lhe será concedido”.
7 E Ester respondeu: Este é o meu pedido e o meu desejo:
8 Se o rei tem consideração por mim, e se lhe agrada atender e conceder o meu pedido, que o rei e Hamã venham amanhã ao banquete que lhes prepararei. Então responderei à pergunta do rei.
9 Naquele dia Hamã saiu alegre e contente. Mas ficou furioso quando viu que Mardoqueu, que estava junto à porta do palácio real, não se levantou nem mostrou respeito em sua presença.
10 Hamã, porém, controlou-se e foi para casa. Reunindo seus amigos e Zeres, sua mulher,
11 Hamã vangloriou-se de sua grande riqueza, de seus muitos filhos e de como o rei o havia honrado e promovido acima de todos os outros nobres e oficiais.
12 E acrescentou Hamã: Além disso, sou o único que a rainha Ester convidou para acompanhar o rei ao banquete que ela lhe ofereceu. Ela me convidou para comparecer amanhã, com o rei.
13 Mas tudo isso não me dará satisfação, enquanto eu vir aquele judeu Mardoqueu sentado junto à porta do palácio real.
14 Então Zeres, sua mulher, e todos os seus amigos lhe sugeriram: “Mande fazer uma forca, de mais de vinte metros[9] de altura, e logo pela manhã peça ao rei que Mardoqueu seja enforcado nela. Assim você poderá acompanhar o rei ao jantar e alegrar-se”. A sugestão agradou Hamã, e ele mandou fazer a forca.

1 Naquela noite o rei não conseguiu dormir; por isso ordenou que trouxessem o livro das crónicas do seu reinado, e que o lessem para ele.
2 E foi lido o registo de que Mardoqueu tinha denunciado Bigtã e Teres, dois dos oficiais do rei que guardavam a entrada do Palácio e que haviam conspirado para assassinar o rei Xerxes.
3 “Que honra e reconhecimento Mardoqueu recebeu por isso?”, perguntou o rei. Seus oficiais responderam: “Nada lhe foi feito”.
4 O rei perguntou: “Quem está no pátio?” Ora, Hamã havia acabado de entrar no pátio externo do palácio para pedir ao rei o enforcamento de Mardoqueu na forca que ele lhe havia preparado.
5 Os oficiais do rei responderam: “É Hamã que está no pátio”. “Façam-no entrar”, ordenou o rei.
6 Entrando Hamã, o rei lhe perguntou: “O que se deve fazer ao homem que o rei tem o prazer de honrar?” E Hamã pensou consigo: “A quem o rei teria prazer de honrar, senão a mim?”
7 Por isso respondeu ao rei: Ao homem que o rei tem prazer de honrar,
8 ordena que tragam um manto do próprio rei e um cavalo que o rei montou, e que ele leve o brasão[10] do rei na cabeça.
9 Em seguida, sejam o manto e o cavalo confiados a alguns dos príncipes mais nobres do rei, e ponham eles o manto sobre o homem que o rei deseja honrar e o conduzam sobre o cavalo pelas ruas da cidade, proclamando diante dele: “Isto é o que se faz ao homem que o rei tem o prazer de honrar!”
10 O rei ordenou então a Hamã: “Vá depressa apanhar o manto e o cavalo, e faça ao judeu Mardoqueu o que você sugeriu. Ele está sentado junto à porta do palácio real. Não omita nada do que você recomendou”.
11 Então Hamã apanhou o cavalo, vestiu Mardoqueu com o manto e o conduziu sobre o cavalo pelas ruas da cidade, proclamando à frente dele: “Isto é o que se faz ao homem que o rei tem o prazer de honrar!”
12 Depois disso, Mardoqueu voltou para a porta do palácio real. Hamã, porém, correu para casa com o rosto coberto, muito aborrecido
13 e contou a Zeres, sua mulher, e a todos os seus amigos tudo o que lhe havia acontecido. Tanto os seus conselheiros como Zeres, sua mulher, lhe disseram: “Visto que Mardoqueu, diante de quem começou a sua queda, é de origem judaica, você não terá condições de enfrentá-lo. Sem dúvida, você ficará arruinado!”
14 E, enquanto ainda conversavam, chegaram os oficiais do rei e, às pressas, levaram Hamã para o banquete que Ester havia preparado.

1 O rei e Hamã foram ao banquete com a rainha Ester,
2 e, enquanto estavam bebendo vinho no segundo dia, o rei perguntou de novo: “Rainha Ester, qual é o seu pedido? Você será atendida. Qual o seu desejo? Mesmo que seja a metade do reino, isso lhe será concedido”.
3 Então a rainha Ester respondeu: Se posso contar com o favor do rei, e se isto lhe agrada, poupe a minha vida e a vida do meu povo; este é o meu pedido e o meu desejo.
4 Pois eu e meu povo fomos vendidos para destruição, morte e aniquilação. Se apenas tivéssemos sido vendidos como escravos e escravas, eu teria ficado em silêncio, porque nenhuma aflição como essa justificaria perturbar o rei. 
5 O rei Xerxes perguntou à rainha Ester: “Quem se atreveu a uma coisa dessas? Onde está ele?”
6 Respondeu Ester: “O adversário e inimigo é Hamã, esse perverso”. Diante disso, Hamã ficou apavorado na presença do rei e da rainha.
7 Furioso, o rei levantou-se, deixou o vinho, saiu dali e foi para o jardim do palácio. E percebendo Hamã que o rei já tinha decidido condená-lo, ficou ali para implorar por sua vida à rainha Ester.
8 E voltando o rei do jardim do palácio ao salão do banquete, viu Hamã caído sobre o assento onde Ester estava reclinada. E então exclamou: “Chegaria ele ao cúmulo de violentar a rainha na minha presença e em minha própria casa?” Mal o rei terminou de dizer isso, alguns oficiais cobriram o rosto de Hamã.
9 E um deles, chamado Harbona, que estava a serviço do rei, disse: “Há uma forca de mais de vinte metros[12] de altura junto à casa de Hamã, que ele fez para Mardoqueu, aquele que intercedeu pela vida do rei”. Então o rei ordenou: “Enforquem-no nela!”
10 Assim Hamã morreu na forca que tinha preparado para Mardoqueu; e a ira do rei se acalmou.

1 Naquele mesmo dia, o rei Xerxes deu à rainha Ester todos os bens de Hamã, o inimigo dos judeus. E Mardoqueu foi trazido à presença do rei, pois Ester lhe dissera que ele era seu parente.
2 O rei tirou seu anel-selo, que havia tomado de Hamã, e o deu a Mardoqueu; e Ester o nomeou administrador dos bens de Hamã.
3 Mas Ester tornou a implorar ao rei, chorando aos seus pés, que revogasse o plano maligno de Hamã, o agagita, contra os judeus.
4 Então o rei estendeu o cetro de ouro para Ester, e ela se levantou diante dele e disse:
5 Se for do agrado do rei, se posso contar com o seu favor, e se ele considerar justo, que se escreva uma ordem revogando as cartas que Hamã, filho do agagita Hamedata, escreveu para que os judeus fossem exterminados em todas as províncias do império.
6 Pois, como suportarei ver a desgraça que cairá sobre o meu povo? Como suportarei a destruição da minha própria família?
7 O rei Xerxes respondeu à rainha Ester e ao judeu Mardoqueu: Mandei enforcar Hamã e dei os seus bens a Ester porque ele atentou contra os judeus.
8 Escrevam agora outro decreto em nome do rei, em favor dos judeus, como melhor lhes parecer, e selem-no com o anel-selo do rei, pois nenhum documento escrito em nome do rei e selado com o seu anel pode ser revogado.
9 Isso aconteceu no vigésimo terceiro dia do terceiro mês, o mês de sivã. Os secretários do rei foram imediatamente convocados e escreveram todas as ordens de Mardoqueu aos judeus, aos sátrapas, aos governadores e aos nobres das cento e vinte e sete províncias que se estendiam da Índia até a Etiópia. Essas ordens foram redigidas na língua e na escrita de cada província e de cada povo, e também na língua e na escrita dos judeus.
10 Mardoqueu escreveu em nome do rei Xerxes, selou as cartas com o anel-selo do rei, e as enviou por meio de mensageiros montados em cavalos velozes, das estrebarias do próprio rei.
11 O decreto do rei concedia aos judeus de cada cidade o direito de se reunirem e de se prote­gerem, de destruir, matar e aniquilar qualquer força armada de qualquer povo ou província que os ameaçasse, a eles, suas mulheres e seus filhos, e o direito de saquear os bens dos seus inimigos.
12 O decreto entrou em vigor nas províncias do rei Xerxes no décimo terceiro dia do décimo segundo mês, o mês de adar.
13 Uma cópia do decreto foi publicada como lei em cada província e levada ao conhecimento do povo de cada nação, a fim de que naquele dia os judeus estivessem prontos para vingar-se dos seus inimigos.
14 Os mensageiros, montando cavalos das estrebarias do rei, saíram a galope, por causa da ordem do rei. O decreto também foi publicado na cidadela de Susã.
15 Mardoqueu saiu da presença do rei usando vestes reais em azul e branco, uma grande coroa de ouro e um manto púrpura de linho fino. E a cidadela de Susã exultava de alegria.
16 Para os judeus foi uma ocasião de felicidade, alegria, júbilo e honra.
17 Em cada província e em cada cidade, onde quer que chegasse o decreto do rei, havia alegria e júbilo entre os judeus, com banquetes e festas. Muitos que pertenciam a outros povos do reino tornaram-se judeus, porque o temor dos judeus tinha se apoderado deles.

1 No décimo terceiro dia do décimo segundo mês, o mês de adar, entraria em vigor o decreto do rei. Naquele dia os inimigos dos judeus esperavam vencê-los, mas aconteceu o contrário: os judeus dominaram aqueles que os odiavam,
2 reunindo-se em suas cidades, em todas as províncias do rei Xerxes, para atacar os que buscavam a sua destruição. Ninguém conse­guia resistir-lhes, porque todos os povos estavam com medo deles.
3 E todos os nobres das províncias, os sátrapas, os governadores e os administradores do rei apoiaram os judeus, porque o medo que tinham de Mardoqueu havia se apoderado deles.
4 Mardoqueu era influente no palácio; sua fama espalhou-se pelas províncias, e ele se tornava cada vez mais poderoso.
5 Os judeus feriram todos os seus inimi­gos à espada, matando-os e destruindo-os, e fizeram o que quiseram com eles.
6 Na cidadela de Susã os judeus mataram e destruíram quinhentos homens.
7 Também mataram Parsandata, Dalfom, Aspata,
8 Porata, Ada­lia, Aridata,
9 Farmasta, Arisai, Aridai e Vaisata,
10 os dez filhos de Hamã, filho de Hamedata, o inimigo dos judeus. Mas não se apossaram dos seus bens.
11 Naquele mesmo dia o total de mortos na cidadela de Susã foi relatado ao rei,
12 que disse à rainha Ester: “Os judeus mataram e destruíram quinhentos homens e os dez filhos de Hamã na cidadela de Susã. Que terão feito nas outras províncias do império? Agora, diga qual é o seu pedido, e você será atendida. Tem ainda algum desejo? Este lhe será concedido”.
13 Respondeu Ester: “Se for do agrado do rei, que os judeus de Susã tenham autorização para executar também amanhã o decreto de hoje, para que os corpos dos dez filhos de Hamã sejam pendurados na forca”.
14 Então o rei deu ordens para que assim fosse feito. O decreto foi publicado em Susã, e os corpos dos dez filhos de Hamã foram pendurados na forca.
15 Os judeus de Susã ajuntaram-se no décimo quarto dia do mês de adar e mataram trezentos homens em Susã, mas não se apossaram dos seus bens.
16 Enquanto isso, o restante dos judeus que viviam nas províncias do império, também se ajuntaram para se protegerem e se livrarem dos seus inimigos. Eles mataram setenta e cinco mil deles, mas não se apossaram dos seus bens.
17 Isso aconteceu no décimo terceiro dia do mês de adar, e no décimo quarto dia descansaram e fizeram dessa data um dia de festa e de alegria.
18 Os judeus de Susã, porém, tinham se reunido no décimo terceiro e no décimo quarto dias, e no décimo quinto descansaram e dele fizeram um dia de festa e de alegria.
19 Por isso os judeus que vivem em vilas e povoados comemoram o décimo quarto dia do mês de adar como um dia de festa e de alegria, um dia de troca de presentes.
20 Mardoqueu registou esses acontecimentos e enviou cartas a todos os judeus de todas as províncias do rei Xerxes, próximas e distantes,
21 determinando que anualmente se comemorassem o décimo quarto e o décimo quinto dias do mês de adar,
22 pois nesses dias os judeus livraram-se dos seus inimigos; nesse mês a sua tristeza tornou-se em alegria, e o seu pranto, num dia de festa. Escreveu-lhes dizendo que comemorassem aquelas datas como dias de festa e de alegria, de troca de presentes e de ofertas aos pobres.
23 E assim os judeus adoptaram como costume aquela comemoração, conforme o que Mardoqueu lhes tinha ordenado por escrito.
24 Pois Hamã, filho do agagita Hamedata, inimigo de todos os judeus, tinha tramado contra eles para destruí-los e tinha lançado o pur, isto é, a sorte para a ruína e destruição deles.
25 Mas quando isso chegou ao conhecimento do rei[18], ele deu ordens escritas para que o plano maligno de Hamã contra os judeus se voltasse contra a sua própria cabeça, e para que ele e seus filhos fossem enforcados.
26 Por isso aqueles dias foram chamados Purim, da palavra pur. Considerando tudo o que estava escrito nessa carta, o que tinham visto e o que tinha acontecido,
27 os judeus decidiram estabelecer o costume de que eles e os seus descendentes e todos os que se tornassem judeus não deixariam de comemorar anualmente esses dois dias, na forma prescrita e na data certa.
28 Esses dias seriam lembrados e comemorados em cada família de cada geração, em cada província e em cada cidade, e jamais deveriam deixar de ser comemorados pelos judeus. E os seus descendentes jamais deveriam esquecer-se de tais dias.
29 Então a rainha Ester, filha de Abiail, e o judeu Mardoqueu escreveram com toda a autoridade uma segunda carta para confirmar a primeira, acerca do Purim.
30 Mardoqueu enviou cartas a todos os judeus das cento e vinte e sete províncias do império de Xerxes, desejando-lhes paz e segurança,
31 e confirmando que os dias de Purim deveriam ser comemorados nas datas determinadas, conforme o judeu Mardoqueu e a rainha Ester tinham decretado e estabelecido para si mesmos, para todos os judeus e para os seus descendentes, e acrescentou observações sobre tempos de jejum e de lamentação.
32 O decreto de Ester confirmou as regras do Purim, e isso foi escrito nos registos.

1 O rei Xerxes impôs tributos a todo o império, até sobre as distantes regiões costeiras.
2 Todos os seus actos de força e de poder, e o relato completo da grandeza de Mardoqueu, a quem o rei dera autoridade, estão registados no livro das crónicas dos Reis da Média e da Pérsia.
3 O judeu Mardoqueu foi o segundo na hierarquia, depois do rei Xerxes. Era homem importante entre os judeus e foi muito amado por eles, pois trabalhou para o bem do seu povo e promoveu o bem-estar de todos.

FONTE:

Ester 1 - Bíblia Online - acf

https://www.bibliaonline.com.br/acf/et/1

Ester 1 - Bíblia Online - nvi

https://www.bibliaonline.com.br/nvi/et/1
coimbra,julho de 2017
carminda neves



















domingo, 16 de julho de 2017

SÓ SEI QUE NADA SEI


Sócrates afirma constantemente não saber. Mas esta afirmação está longe de ser um acto de modéstia, mesmo que o possa parecer aos mais desprevenidos. Ele quer de facto dizer que em seu redor não há nada que lhe permita saber; nem leis, nem hábitos sociais, nem crenças religiosas, nem princípios morais, nem doutrinas de filósofos. Isto porque o «saber» é conhecimento sólido, não deteriorável, irrefutável – «o saber» é portanto a verdade – e, inversamente, todos esses conhecimentos e regras, uma dez examinados, se revelam ou gratuitos (isto é, afirmados ou praticados sem que se saiba verdadeiramente porque são afirmados ou praticados).


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SÓCRATES

Para Sócrates, declarar não saber significa pois que nenhuma das convicções humanas de que tem conhecimento se apresenta como verdade – nem sequer aquelas que explicitamente pretendem ter a validade de verdades filosóficas perante as simples opiniões. Neste sentido a crítica de Sócrates à sociedade é ainda mais radical. A condenação de Sócrates pela sociedade ateniense é a reacção natural e de defesa de uma sociedade que se sente ameaçada do modo mais perigoso.
Não sei. Ou melhor «sei que nada sei». A diferença que Sócrates coloca entre si e os outros é precisamente esta: que os outros não sabem que não sabem, enquanto ele sabe que não sabe. Isto é, sabe que a sociedade e a cultura em que vive não correspondem à ideia da verdade que os primeiros pensadores haviam revelado. Mas ele tem presente a ideia dessa verdade.
É uma verdade pobre – que consiste exactamente no simples facto de se saber que não se sabe – mas é uma verdade que se dispõe a se tornar rica, no sentido em que é o lançar-se à procura desse verdadeiro saber que agora se sabe não possuir. O oráculo havia dito que Sócrates era o mais sábio dos Gregos e Sócrates está convencido de que esta sua maior sabedoria consiste precisamente no facto de saber que não sabe. Tal significa que a consciência de não saber é entendida por Sócrates como posse da verdade (o ser o mais sábio de entre os Gregos ao exprimir precisamente esta posse), posse que é, de resto, a condição da procura de um saber que não seja o simples (mas inevitável) saber que não se sabe.

FONTE: A FILOSOFIA ANTIGA; Emanuel Severino. Edições 70 1984
COIMBRA, JULHO DE 2017

Carminda Neves

sábado, 15 de julho de 2017

Guerra Junqueiro

Político
Abílio Manuel Guerra Junqueiro foi alto funcionário administrativo, político, deputado, jornalista, escritor e poeta. Foi o poeta mais popular da sua época e o mais típico representante da chamada "Escola Nova".
Nascimento17 de setembro de 1850, Freixo de Espada à Cinta
Falecimento7 de julho de 1923, Lisboa
Nome completoAbílio Manuel Guerra Junqueiro


Terá Guerra Junqueiro dito: "Os políticos consideram-me um poeta; os poetas, um político; os católicos julgam-me um ímpio; os ateus, um crente".
Certo é que figura entre os autores de vulto das letras portuguesas.

 Abílio Manuel Guerra Junqueiro (LigaresFreixo de Espada à Cinta15 de setembro de 1850 — Lisboa7 de julho de 1923) foi alto funcionário administrativo, político, deputadojornalistaescritor e poeta. Foi o poeta mais popular da sua época e o mais típico representante da chamada "Escola Nova". Poeta panfletário, a sua poesia ajudou a criar o ambiente revolucionário que conduziu à implantação da República. Foi entre 1911 e 1914 o embaixador de Portugal na Suíça (o título era "ministro de Portugal na Suíça"). Guerra Junqueiro formou-se em direito na Universidade de Coimbra
GUERRA JUNQUEIRO


Guerra Junqueiro iniciou a sua carreira literária de maneira promissora em Coimbra no jornal literário A Folha, dirigido pelo poeta João Penha, do qual mais tarde foi redator. Aqui cria relações de amizade com alguns dos melhores escritores e poetas do seu tempo, grupo geralmente conhecido por Geração de 70.

Guerra Junqueiro desde muito novo começou a manifestar notável talento poético, e já em 1868 o seu nome era incluído entre os dos mais esperançosos da nova geração de poetas portugueses. No mesmo ano, no opúsculo intitulado "O Aristarco português", apreciando-se o livro "Vozes sem eco", publicado em Coimbra em 1867 por Guerra Junqueiro, já se prognostica um futuro auspicioso ao seu autor.
Nos anos oitenta do século dezanove, junta-se aos Vencidos da Vida, com Ramalho Ortigão, António Cândido, Eça de Queirós, Oliveira Martins, entre outros. “Finis Patriae” é a reação literária ao acto político do Ultimato Inglês e é esta a altura em que se afasta ideologicamente de Oliveira Martins, optando por defender a República como solução para as mazelas da sociedade portuguesa.




“Os Simples” é já uma obra de louvor à terra, de evocação de infância saudosa,
de carinho
pela paisagem social e que é posterior  a “Pátria”, tendo sido ambos produzidos
já numa fase
final da vida, quando se retira para o Douro, numa notória viragem da orientação
 poética.
Em “Oração ao Pão” e “Oração à Luz”, percorre já caminhos metafísico.
Guerra Junqueiro morre em Lisboa, em 1923, provocando manifestações
nacionais de pesar.
Está sepultado no Panteão Nacional.
FONTE:

ensina.rtp.pt/artigo/guerra-junqueiro-1850-1923/


https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Junqueiro

Coimbra, julho de 2017
Carminda Neves

terça-feira, 11 de julho de 2017

Fernando Namora


Médico
Fernando Gonçalves Namora foi um médico e escritor português, autor duma extensa obra, das mais divulgadas e traduzidas nos anos 70 e 80. Existe uma escola secundária com o seu nome em Condeixa-a-Nova.
Nascimento15 de Abril de 1919, Condeixa-a-Nova
Falecimento31 de Janeiro de 1989, Lisboa
NacionalidadePortuguês
PrémiosPrémio Ricardo Malheiros (1953); Prémio D. Dinis (1982)
Magnum opusDeuses e demónios da medicina


Fernando Gonçalves Namora - (1919 - 1989) foi um escritor português, natural de Condeixa-a-Nova. Na Universidade de Coimbra, licenciou-se em Medicina, que exerceu na sua terra natal e nas regiões da Beira Baixa e Alentejo.
O seu volume de estreia foi Relevos (1938), livro de poesia onde se notam as influências do grupo da Presença.
No mesmo ano, publicou o romance As Sete Partidas do Mundo, o qual foi galardoado com o Prémio Almeida Garrett, onde se começa a esboçar o seu encontro com o neo-realismo, ainda mais patente três anos depois com a poesia de Terra no Novo Cancioneiro.
A sua obra evoluiu no sentido do amadurecimento estético do Neo-Realismo, o que o levou a um caminho mais pessoal. Não desdenhando a análise social, os seus textos foram cada vez mais marcados por aspectos de picaresco, observações naturalistas e algum existencialismo.
FERNANDO NAMORA

Fernando Namora foi um escritor dotado de uma profunda capacidade de análise psicológica, a que se ligou uma linguagem de grande carga poética. Escreveu, para além de obras de poesia e romances, contos, memórias e impressões de viagem.
Entre os títulos que publicou encontram-se os volumes de prosa Fogo na Noite Escura (1943),Casa da Malta (1945), As Minas de S. Francisco (1946), Retalhos da Vida de um Médico (1949 e 1963), A Noite e a Madrugada (1950), O Trigo e o Joio (1954), O Homem Disfarçado (1957),Cidade Solitária (1959), Domingo à Tarde (1961, Prémio José Lins do Rego, Os Clandestinos (1972) e Rio Triste (1982).
Além dos já mencionados, publicou em poesia Mar de Sargaços (1940) e Marketing ( 1969). A sua produção poética conheceu uma antologia datada de 1959, intitulada As Frias Madrugadas.
Escreveu ainda volumes de memórias, anotações de viagem e crítica, como Diálogo em Setembro (1966),  Um Sino na Montanha (1970), Os Adoradores do Sol (1972), Estamos no Vento (1974), A Nave de Pedra (1975), Cavalgada Cinzenta (1977) e Sentados na Relva (1986).
O romance Domingo à Tarde foi adaptado ao cinema em 1966 por António de Macedo. O livro Retalhos da Vida de um Médico foi adaptado ao cinema por Jorge Brum do Canto (1962), além de ter sido produzida uma série televisiva por Artur Ramos e Jaime silva (1979-1980). 

Universidade de Coimbra - - Fernando Namora

www.uc.pt › Rede UC › Rubricas › Memoriais


COIMBRA, JULHO DE 2017
CARMINDA NEVES








segunda-feira, 10 de julho de 2017

BORIS PASTERNAK

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BORIS PASTERNAK

Boris Leonidovitch Pasternak foi um poeta e romancista russo.
Nascimento: 10 de Fevereiro de 1890, Moscovo, Rússia
Falecimento: 30 de maio de 1960, Peredelkino, Rússia
Cônjuge: Yevgenia Vladimirovna Lourie (de 1922 a 1931)
Filmes: Doutor Jivago, Rei Lear
Filhos: Evgenij Pasternak, Leonid Pasternak
Borís Leonídovitch Pasternak (1890-1960) foi um poeta, escritor e tradutor russo, considerado um dos maiores poetas do século XX. Nascido a 10 de Fevereiro de 1890, tornou-se aos 68 anos, em 1958, o segundo escritor da Rússia (após Ivan Búnin) a ser agraciado com o Prémio Nobel da Literatura. A sua obra consiste num grande número de ensaios académicos, cujo volume ultrapassa o número de livros do escritor. A vida de Pasternak foi cheia de eventos, encontros, reviravoltas inesperadas do destino; as suas obras tornaram-se pontos de referência não só na biografia do autor e na literatura russa, mas também na história da Rússia do século XX.
Pasternak nasceu em Moscovo, na família do professor de artes plásticas Leoníd Pasternak. Terminou a escola e, em seguida, em 1913, estudou na Faculdade de Histórico-Filológicas, na área de Filosofia, da Universidade de Moscovo. No Verão de 1912, estudou Filosofia na Universidade de Marburgo (Alemanha) e viajou para a Itália (Florença, Veneza). Durante a juventude, compôs música, pintou bons quadros, tornou-se num apaixonado por história.
O mais importante trabalho da sua vida foi o romance Doutor Jivago (Доктор Живаго), pelo qual Pasternak recebeu o Prémio Nobel em 1958.

No romance Doutor Jivago, a última parte é dedicada à poesia do protagonista. O primeiro poema, cuja autoria é atribuída ao protagonista, chama-seA Noite de Inverno (Зимняя ночь). Posteriormente, foi muitas vezes publicado como uma obra literária independente, com o nome de Vela (Свеча), e foi até musicado.

A Noite de Inverno
Мело, мело по всей земле
Во все пределы.
Свеча горела на столе,
Свеча горела.
Nevou, nevou por toda a Terra,
Por todos os recantos.
Uma vela ardia sobre a mesa,
Uma vela ardia.
Как летом роем мошкара
Летит на пламя,
Слетались хлопья со двора
К оконной раме.
Como no Verão o mosquedo
Sobrevoa a chama,
Voavam flocos lá de fora
Para o caixilho da janela.
Метель лепила на стекле
Кружки и стрелы.
Свеча горела на столе,
Свеча горела.
O nevão moldava no vidro
Arcos e flechas.
Uma vela ardia sobre a mesa,
Uma vela ardia.
На озарённый потолок
Ложились тени,
Скрещенья рук, скрещенья ног,
Судьбы скрещенья.
No tecto alumiado
Deitavam-se as sombras
Da encruzilhada de braços, de pernas,
De destino encruzilhado.
И падали два башмачка
Со стуком на пол,
И воск слезами с ночника
На платье капал.
E caíram dois sapatinhos
Ao chão, com um baque,
E, da lamparina, a cera em lágrimas
Gotejava no vestido.
И всё терялось в снежной мгле
Седой и белой.
Свеча горела на столе,
Свеча горела.
E tudo se perdeu na bruma de neve
Cinzenta e branca.
Uma vela ardia sobre a mesa,
Uma vela ardia.
На свечку дуло из угла,
И жар соблазна
Вздымал, как ангел, два крыла
Крестообразно.
Algo soprou do canto para a vela,
E o fervor da tentação
Ergueu, como um anjo, duas asas
Em forma de cruz.

Мело весь месяц в феврале,
И то и дело
Свеча горела на столе,
Свеча горела.
Nevou todo o mês, em Fevereiro,
E, incessantemente,
Uma vela ardia sobre a mesa,
Uma vela ardia.
FONTES;

Boris Pasternak - Universidade de Coimbra

https://www.uc.pt/fluc/depllc/CER/cerartigos/cerartigo20

Tradução de Inês Gonçalves

Boris Pasternak - Wikipedia

https://en.wikipedia.org/wiki/Boris_Pasternak

domingo, 12 de março de 2017

COMO VIVE O SAGE («prudente; razoável»)

SAGE: (Aquele que alia a virtude à sabedoria; aquele cujos juízos e cujo comportamento são inspirados e governados pela retidão de espírito, pelo bom senso; aquele que só estima os verdadeiros bens e, por isso, vive sem as ambições, as inquietações e as deceções que perturbam a existência do homem comum)
Pirro de Élis (ca. 360 a.C. — ca. 270 a.C. foi um filósofo grego, nascido na cidade de Élis, considerado o primeiro filósofo cético e fundador da escola que veio a ser conhecida como pirronismo.
Pirro, viajou com Alexandre, o Grande nas suas explorações no oriente, e estudou na Índia com os gimnosofistas: (as raízes orientais do ceticismo pirrônico) e Magi na Pérsia: (Linha sacerdotal hereditária na Pérsia), adotou da filosofia oriental uma vida de reclusão. Voltando a Elis, viveu pobremente, mas foi muito reconhecido pelos habitantes de Elis e também pelos atenienses, que lhe concederam a cidadania.
Diz-se que Pirro era tão cético que isso o teria levado a agir de maneira insensata. Segundo Diógenes Laércio, não se guardava de risco algum que estivesse em seu caminho, carroças, precipícios ou cães. Certa vez, quando Anaxarco caiu em um poço, Pirro manteve-se imperturbável, conforme a sua filosofia, não socorrendo o mestre. "Filosofava segundo o discurso da suspensão do juízo, mas que não agia de maneira inaudita". Parece confirmar essa observação o fato de Pirro ter vivido até os 90 anos.
PIRRO de  ÉLIS
O mundo é vão, ilusório, caduco, frágil, instável, nulo. Portanto, a autentica atitude do homem perante este mundo irreal não implica qualquer opinião sobre ele, qualquer inclinação para este ou aquele aspeto, qualquer agitação por ele determinada: é ataraxia («imperturbabilidade»), afasia («o não falar», «o não julgar»), epoché («a suspensão do juízo»), e apatia (« a ausência de paixões»). A atitude dos sábios orientais que Pirro havia encontrado na Índia.
   A felicidade nasce desta absoluta indiferença pelo mundo, a qual «despe completamente o homem» da sua humanidade e o faz encontrar nele próprio a vida do divino e do bem. Se verdadeiramente se abandona toda a opinião acerca do mundo, é então radicalmente modificada também a sensibilidade e as sensações perdem essa intensidade que é devida à memória, à expectativa, ao medo do futuro. O Sage pode, pois, ser feliz mesmo entre aquilo a que os homens chamam «os tormentos mais atrozes». Prazer, dor, riqueza, miséria, gloria, ignomínia, saúde, doença, vida, morte são-lhe absolutamente indiferentes. Ele é feliz e indiferente ao mundo, tal como é feliz e indiferente ao mundo o Deus de Aristóteles.
Também Sócrates afirmou que o verdadeiro bem é o da alma, da qual o corpo é «cárcere»; e viveu da acordo com este seu saber; mas Sócrates suporta a dor e o mal do mundo – como depois fará também Jesus Cristo: já Pirro os não suporta, porque não apenas ele sabe que não têm realidade, como os vive como irreais, do mesmo modo sabe e vive como irreais todos os aspetos do mundo.

Fonte: SEVERINO, Emanuel: A FILOSOFIA ANTIGA; CAPITULO XI, 3; edições 70
                                  https://pt.wikipedia.org/wiki/Pirro_de_%C3%89lis
                                     FOTOGRAFIA TIRADA DA NET
Coimbra, Março de 2017
Carminda Neves

               


domingo, 5 de março de 2017

HISTÓRIA DO VINHO

Ninguém sabe como o vinho aparece no mundo. Desde há muito tempo os povos nómadas apanhavam umas bagas e comiam, achavam que era bom e quando começaram a estabilizar-se começaram a fazer uma bebida com essas bagas que lhes dava alegria.
As evidências arqueológicas sugerem que a mais antiga produção de vinho teve lugar em vários locais da Geórgia, Irão, Turquia, e China entre 8000 e 5000 a.C. As evidências arqueológicas tornam-se mais claras e apontam para a domesticação da videira, em sítios do Oriente Próximo, Suméria e Egipto, no início da Idade do Bronze, desde aproximadamente 3000 a.C.
vinho médio Oriente
 Há uma História sobre Moisés: quando guardava o rebanho um dos seus bodes comeu bagas de uma planta diferente, o seu comportamento ficou agressivo e violento. Moisés ao ver o comportamento estranho do seu animal, colheu a planta, cuidou-a, regou-a com sangue divino. Ela cresce e torna-se, assim, uma planta sagrada, tal como suas bagas e seu sumo depois de fermentado.
Em Portugal a produção de vinho faz-se desde os primeiros tempos
   “Na Grécia antiga (Juno ou Hera na mitologia grega) casada com Júpiter portanto a rainha dos deuses tentava a deusa sereia depois de beber de uma certa planta”.
As mais antigas evidências sugerindo a produção de vinho na Europa, e entre as mais antigas do mundo, são originárias de sítios arqueológicos na Grécia, datados de 6500 a.C. De facto, várias fontes gregas, bem como Plínio o Velho, descrevem como os antigos gregos utilizavam gesso parcialmente desidratado antes da fermentação e um tipo de cal após aquela com o propósito de diminuir a acidez. O escritor grego Teofrasto é a mais antiga fonte conhecida a descrever esta prática de vinificação entre os antigos gregos.
Na Bíblia faz-se uma alusão ao vinho. (É necessário não deitar vinho novo no odre velho. Cada vinho deverá ter seu odre; velho com velho novo com novo.)
uvas
Utiliza-se vinho nas bodas de Canaã.
No Antigo Egito, o vinho tornou-se parte da história registada, desempenhando um papel importante na vida cerimonial. O vinho teria sido introduzido no Egipto pelos gregos. São também conhecidos vestígios de vinho na China, datados do segundo e primeiros milénios a.C.

O vinho era comum na Grécia e Roma clássicas. Os antigos gregos introduziram o cultivo de videiras, como a Vitis vinífera, nas suas numerosas colónias na Itália, Sicília, França meridional, e Península Ibérica. Dioniso era o deus grego do vinho e da diversão, e o vinho era frequentemente mencionado nos escritos de Homero e Esopo. Muitas das principais regiões vinhateiras da Europa Ocidental atual foram estabelecidas pelos romanos. A tecnologia de fabricação do vinho melhorou consideravelmente durante o tempo do Império Romano. Eram, já então, conhecidas muitas variedades de uvas e de técnicas de cultivo e foram criados os barris para a armazenagem e transporte do vinho.

VINHO EM PORTUGAL

O Douro é a mais antiga Região Demarcada do mundo, conhecida pela notável qualidade dos seus vinhos e pelo famoso Vinho do Porto, o vinho generoso que esteve na origem desta demarcação, ordenada em 1756 pelo Marquês de Pombal. “Caves da Real Companhia velha”
O Douro localiza-se no Nordeste de Portugal, rodeado pelas serras do Marão e de Montemuro. A maioria das plantações é feita em socalcos, talhados nas encostas dos vales ao longo do rio Douro e seus afluentes. Os solos são essencialmente de xisto embora, em algumas zonas, também graníticos. Embora particularmente difíceis de trabalhar, estes solos são benéficos para a longevidade das vinhas e permitem mostos concentrados de açúcar e cor. A cultura da vinha na região remonta à ocupação romana, mas foi no século XVII que o Vinho do Porto teve grande expansão, originando o Tratado de Methwen entre Portugal e a Inglaterra, com vista à sua exportação.
vila nova de Gaia Foz do Douro exportação vinho do Porto
Há muitos exportadores de vinho do Porto, em Portugal, muitos deles oriundos de famílias inglesas. “Os vinhos bebiam-se geralmente fora do país que os produzia. Ex: em Inglaterra bebia-se o vinho de França, os franceses bebiam o vinho de Itália etc… (as boas castas.”)
Com os descobrimentos os ingleses descobriram os vinhos de Portugal, principalmente vinho do Porto que começou a ser exportado para todo o Mundo.
Como o terreno em Portugal não é bom para a produção de trigo, os portugueses começaram a produzir vinho séc. XV-XVI. E não pagam as rendas aos nobres porque essas eram pagas em trigo. Daí surge o Rei D. Fernando, que faz a lei das Sesmarias para obrigar os agricultores a cultivar trigo e pagarem as rendas. Diz-se que esta lei era para proteger a agricultura e os agricultores, não é bem verdade, esta lei foi para proteger os nobres.
Os ingleses vieram para Portugal para explorarem a produção de vinho do Porto e começaram a adultera-lo isto vai fazer com que perca o seu prestigio no estrangeiro.
Marquês de Pombal
Aparece então o Marquês de Pombal (primeiro ministro de Portugal, reinado de D. José) que, só, deu autorização à Real Companhia Velha para produzir e vender vinho. Faz-se nessa altura a primeira região demarcada de vinho no mundo (séc. XVIII, com Pombal) “já referido atrás” com o passar dos tempos e o desaparecimento do rei D. José, toda agente começa a produzir vinho do Porto e aí começa novamente a sua adulteração.
O vale do Douro (rio português) foi nesta época, e ainda é, o grande fornecedor do melhor vinho do mundo.
O vinho do Porto é o bem que Portugal mais exporta para todo o mundo e não se produz o suficiente. Devia-se dar mais atenção à agricultura.


Fontes: Prof. José Hermano Saraiva in “HORIZONTES DA MEMÓRIA”
                           
         
            FOTOGRAFIAS: da Internet

COIMBRA, FEVEREIRO DE 2017
CARMINDA NEVES


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

SILENCIOSA

Não dói e não tem sintomas estranhos nos primeiros anos. Quando se percebe que algo não está bem, a doença já tem alguns anos de evolução. É assim que se instala a diabetes tipo 2, silenciosamente.
PRÉ
O Observatório Nacional da Diabetes já admitiu que podem estar a surgir 160 novos casos por dia. A contabilidade feita em 2013 apontava para a existência de mais de um milhão de diabéticos em Portugal. A este número ainda se deve somar o de pré-diabéticos, num total de mais de 2 milhões.
PRÉ DIABETES
A diabetes está instalada quando surgem dois valores de glicémia em jejum superiores a 126 mg/dl. Importante será também o número significativo de pessoas com o que se designa por anomalia de glicémia em jejum.
Nestes casos, a glicémia em jejum é um pouco mais alta do que é considerado normal, mas ainda inferior aos valores estabelecidos para a definição de diabético. Nestes casos a glicémia em jejum poda situar-se entre 110 e os 129 mg/ml e, apesar de ainda não serem diabéticos, são pessoas que já estão sujeitas à ocorrência de complicações inerentes a esta doença.




FONTE:REVISTA OLHARES C.C.C.
COIMBRA, FEVEREIRO DE 1017
CARMINDA NEVES




quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

DESCONTROLO

RISCOS
Glicose e insulina são ingredientes chave num mecanismo que algumas espécies principalmente a humana foram desenvolvendo ao longo de milhares de anos e que pode ter assegurado a sua existência. Isto, num tempo em que os alimentos eram escassos e era necessário dispor de reservas de energia para alimentar as células. Acumulámos milhares de anos com esta reacção/resposta.
Hoje, é este mesmo mecanismo que nos está a matar. O processo de armazenamento de energia mantém-se, mas desapareceram as necessidades de reserva. O nosso organismo não sabe disso, não está programado para o excesso e garante a produção de insulina sempre que existem concentrações de glicose no sangue. Ironia do destino. O que antes garantia a sobrevivência, hoje dissemina a desordem.

           SINTOMAS
                                                             
         

COIMBRA, FEVEREIRO DE 2017

CARMINDA NEVES

FONTES: REVISTA OLHARES  CENTRO CIRÚRGICO COIMBRS

FOTOGRAFIAS DA INTERNET
Há um problema de fartura e, mais tarde ou mais cedo, os vasos sanguíneos encarregam-se de espalhar todas as alterações. E complicações atraem complicações