sábado, 3 de setembro de 2016

FAMÍLIA REAL DE PORTUGAL

A ÚLTIMA NETA DE UM REI DE PORTUGAL



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O Núcleo do Sul do Tejo da Real Associação de Lisboa, vai promover no próximo dia 10 de Setembro, pelas 15 horas, a bordo da fragata D. Fernando II e Glória, na doca nº 2 de Cacilhas, uma justíssima homenagem à última neta do Rei Dom Miguel I, Infanta Dona Maria Adelaide de Bragança, que viveu na Trafaria toda a sua vida em Portugal e aí faleceu com 100 anos em 2012. Falarão sobre vários aspectos da sua vida e obra social o Rev. Padre Pedro Quintela e a sua biógrafa, escritora Raquel Ochoa.

Nascida no exílio em 31 de Janeiro de 1912, viveu a sua infância e juventude no Castelo de Seebenstein, na Áustria com seus pais e irmãos, filha de Dom Miguel (II) de Bragança e em 1949, já casada com o Doutor Nicolaas van Uden, veio viver para Portugal. A primeira parte da sua vida foi uma aventura permanente, com o que sofreu, até a fome durante a I Guerra Mundial e a sua prisão durante a II Grande Guerra, pela Gestapo nazi e depois pelos soviéticos, pela sua participação como militante católica na Resistência ao regime de Hitler, tendo-se salvo pela interferência do Presidente do Conselho português, Doutor Oliveira Salazar, que não admitiu que uma Infanta portuguesa fosse presa e pelas autoridades do exército soviético, quando deveria ser enviada para a Sibéria, ao descobrirem que ajudara a salvar um comunista austríaco. Em Portugal dedicou-se á Fundação D. Nuno Álvares Pereira, por si criada, para apoio às mães pobres e filhos abandonados da margem sul, especialmente da Trafaria. Vivendo em Portugal durante o Estado Novo, actuando na área social e vendo a miséria e as injustiças, eram conhecidas as suas posições críticas. Se estava grata a Salazar pelo apoio que lhe dera quando presa pelo nazismo e pela obra financeira que levara a cabo, discordava dos métodos do regime para a obter e de muitos aspectos das suas políticas. Sendo irmã do Chefe da Casa Real, Dom Duarte Nuno de Bragança que sempre apoiou, nunca quis ter uma acção política, não deixando, no entanto, de participar em actividades monárquicas e de dar o seu apoio a muitos monárquicos nas suas acções a favor da restauração da Monarquia.

Tive o privilégio de conhecer e privar com a Senhora Infanta Dona Maria Adelaide desde os anos 60 do século passado, quando dirigente da Comissão de Juventude da Causa Monárquica. Já a tinha cumprimentado em S. Marcos, no palácio residência do Senhor Dom Duarte Nuno, num 1º de Dezembro, mas foi no Centro Popular de Cultura, que tinha sede no andar da direcção do jornal “O Debate”, a S. Pedro de Alcântara, que se iniciou uma maior proximidade. Tinha sido convidado para falar sobre o Integralismo Lusitano, numa sessão evocativa. A Senhora Infanta fora convidada a assistir e eu, jovem de 16 ou 17 anos, estava nervoso e, de alguma maneira temeroso, com a ousadia de falar em público sobre o tema. No final a Senhora Dona Maria Adelaide felicitou-me e perguntando para onde ia a seguir convidou-me para a acompanhar. Para grande espanto meu dirigiu-se para a paragem do eléctrico que a levaria ao Cais do Sodré, para depois apanhar o barco para a Trafaria. E fomos conversando: sobre as actividades da juventude monárquica, sobre o que eu pensava da política em geral, sobre mim, as minhas convicções, os meus interesses, os meus estudos, outras actividades para além da política. E não posso deixar de relatar - e talvez não esteja a ser “politicamente correcto” – um episódio que muito me divertiu e, de alguma forma, é demonstrativo da forma de estar da Senhora Infanta. Seguiu a Senhora Infanta uma senhora da aristocracia que entendia que uma princesa de Portugal não podia andar sem uma dama de companhia e quando entrámos no eléctrico fê-lo também e sentou-se atrás de nós. Quando estávamos a chegar à Praça Luís de Camões, onde eu sairia, levantou-se fazendo-me sinal para a seguir. E quando houve um abrandamento de velocidade, saltou em andamento, no que a acompanhei, deixando a perplexa senhora seguir viagem. Já no passeio explicou-me que não queria ser acompanhada por ninguém e que já não era a primeira vez que aquela senhora tentava impor-se, ainda que fosse com a melhor das intenções.

Passei a ter com a Senhora Dona Maria Adelaide uma relação muito próxima e mais tarde com os seus filhos e o Doutor van Uden, frequentando a sua casa, acompanhando-a em várias ocasiões – conheci por seu intermédio a Senhora Infanta Dona Filipa que me dispensou uma imensa simpatia e várias pessoas importantes do movimento monárquico e privei mais de perto com o Senhor Dom Duarte Nuno, a Senhora Dona Maria Francisca e o Senhor Dom Duarte Pio – conversando pessoalmente ou pelo telefone (amiudadas vezes ligava para minha casa e se eu não estava conversava com a minha mãe, passando a tratar-me pelos meus nomes próprios como ela fazia) E refiro também outro episódio que Raquel Ochoa inclui na sua biografia: ligou uma vez perto da hora do almoço e a criada veio-o chamar-me com os olhos arregalados. “menino, disse ela, está ao telefone a Santa Maria Adelaide” Dei uma gargalhada e percebi o erro: a senhora Infanta fazia-se sempre anunciar como Infanta Maria Adelaide. Não era só a política que a aproximava de mim, mas também a minha actividade num bairro social e como monitor de colónias de férias para crianças dos bairros pobres de Lisboa. Sendo de uma simplicidade inimaginável e sempre acessível a toda a gente que acolhia com um largo sorriso e palavras agradáveis, nunca deixava que não a tratassem como Infanta de Portugal que era.

Voltei a acompanhá-la mais nos seus últimos anos em que frequentemente me convidava para almoçar em sua casa e pude comprovar a lucidez que manteve sempre, o seu interesse pelo que se passava em Portugal e no mundo, a sua inquebrantável Fé, o seu desprendimento das mundanidades e o seu amor pela família e por todos quantos precisavam de ajuda, financeira ou espiritual.

Estas são algumas memórias que guardo (mas guardo para mim muitas mais) e guardo a sua memória como uma dádiva que me ajudou a ser, como pessoa e como cristão, uma outra pessoa. Esta, também, a minha homenagem.


Fotos: Na Missa de Acção de Graças pelos 21 anos do Senhor Dom Duarte Pio: com a Juventude Monárquica no Palácio de S, Marcos; na Maternidade Alfredo da Costa entregando um enxoval a um recém-nascido no dia dos 21 anos do Senhor Dom Duarte Pio.





 
Texto e fotos de João Mattos e Silva

tristeza (entrançar o cabelo)

trança de cabelo

"A minha avó dizia-me que quando uma mulher se sentisse triste, o melhor que podia fazer era entrançar o seu cabelo; de modo que a dor ficasse presa no cabelo e não pudesse atingir o resto do corpo. Havia que ter cuidado para que a tristeza não entrasse nos olhos, porque iria fazer com que chorassem, também não era bom deixar entrar a tristeza nos nossos lábios porque iria forçá-los a dizer coisas que não eram verdadeiras, que também não se metesse nas mãos porque se pode deixar tostar demais o café ou queimar a massa. Porque a tristeza gosta do sabor amargo.
Quando te sintas triste menina- dizia a minha avó- entrança o cabelo, prende a dor na madeixa e deixa escapar o cabelo solto quando o vento do norte sopre com força. O nosso cabelo é uma rede capaz de apanhar tudo, é forte como as raízes do cipreste e suave como a espuma do atole.
Que não te apanhe desprevenida a melancolia, minha neta, ainda que tenhas o coração despedaçado ou os ossos frios com alguma ausência. Não deixes que a tristeza entre em ti com o teu cabelo solto, porque ela irá fluir em cascata através dos canais que a lua traçou no teu corpo. Trança a tua tristeza, dizia. Trança sempre a tua tristeza.
E na manhã, ao acordar com o canto do pássaro, ele encontrará a tristeza pálida e desvanecida entre o trançar dos teus cabelos…"
Paola Klug
Carminho Antunes partilhou a publicação de Alice Coutinho.
RETIRADO DO FACEBOOK EM 3-9- 2016

domingo, 28 de agosto de 2016

POESIA de Sophia de Mello Breyner




O MAR DOS MEUS OLHOS

Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos olhos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
…Da praia onde foram felizes
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Pela grandeza da imensidão da alma
Pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens…
Há mulheres que são maré em noites de tardes
E calma.


Sophia de Mello Breyner

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SOPHIA.......
Coimbra, agosto de 2016
Carminda Neves

sábado, 27 de agosto de 2016

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Sophia de Mello Breyner



Sophia de Mello Breyner Andresen
Poetisa

Sophia de Mello Breyner Andresen foi uma das mais importantes poetisas portuguesas do século XX. Foi a primeira mulher portuguesa a receber o mais importante galardão literário da língua portuguesa, o Prémio Camões, em 1998.
Nascimento6 de novembro de 1919, Porto
Falecimento2 de julho de 2004, Lisboa
EducaçãoUniversidade de Lisboa  (1936 – 1939)
Filhosmãe de cinco filhos


“Comecei a escrever numa noite de Primavera, uma incrível noite de vento leste e Junho. Nela o fervor do universo transbordava e eu não podia reter, cercar, conter – nem podia desfazer-me em noite, fundir-me na noite.
No gume da perfeição, no imenso halo de luz azul e transparente, no rouco da treva, na quási palavra de murmúrio da brisa entre as folhas, no íman da lua, no insondável perfume das rosas, havia algo de pungente, algo de alarme.
Como sempre a noite de vento leste misturava extase e pânico”.

SPOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN (Porto, 6 de novembro de 1919 — Lisboa, 2 de Julho de 2004) foi uma das mais importantes poetisas portuguesas do século XX. Foi a primeira mulher portuguesa a receber o mais importante galardão literário da língua portuguesa, o Prémio Camões, em 1998. O seu corpo está no Panteão Nacional desde 2014 e tem uma biblioteca com o seu nome em Loulé.

Nome grego que significa sabedoria. E, neste caso, sabedoria tem mesmo um significado profundo, já que se trata de um conhecimento íntimo do seu ser, do mundo.
 Remete-nos, também, para os gregos, para a Antiguidade Clássica que pressupõe a ideia de equilíbrio, de harmonia e de justiça, bem próprios da personalidade de Sophia. Aponta para dois aspetos muito importantes que são: o mar e o céu - aliás, toda a Grécia são rodeados de mar.
 Mostra a origem aristocrata da família. Sophia nasceu no seio de uma família social e culturalmente superior. Sophia é realmente nobre pelo seu tão especial modo de olhar o mundo à sua volta.
 Proveniente de uma família estrangeira que mostra o espírito aberto e a atenção aos diferentes valores das diferentes culturas.
 De origem dinamarquesa, aponta para o sonho, o espírito de aventura e de descoberta (poesia “Navegações”) e para uma prática ligada à realidade.
 Sophia de Mello Breyner Andresen é um dos maiores nomes da Literatura Portuguesa
 Sophia nasceu na cidade invicta (Porto) a 6 de Novembro de 1919. Por ser de família aristocrata, beneficiou de uma educação cultural e artisticamente privilegiada e orientada por princípios católicos.
 Passou grande parte da infância e juventude no seu jardim familiar e na praia da Granja, também sua por tanto a amar. Daqui surgiu o encantamento pela Natureza e, em especial, pelo Mar.
Chegou a iniciar o curso de Filologia Clássica na Universidade de Lisboa e, apesar de o não ter concluído, podemos notar, desde já o seu interesse pelas culturas antigas, a sua paixão pela Grécia.
 Sophia viveu e foi marcada pelo período político salazarista, o que levou à existência de conteúdos sociais e éticos na sua obra.
Em 1999 recebeu o Prémio Camões.
 Viveu em Lisboa numa casa com uma “imensa sala que dá para um jardim em terraço, com o Tejo lá ao fundo...”
 Morreu aos 84 anos, a 2 de Julho de 2004.
 Por que razão começou a escrever para crianças? “Comecei a inventar histórias para crianças quando os meus filhos tiveram sarampo.”
Casou-se, em 1946, com o jornalista, político e advogado Francisco Sousa Tavares e foi mãe de cinco filhos: uma professora universitária de Letras, um jornalista e escritor de renome (Miguel Sousa Tavares), um pintor e ceramista e mais uma filha que é terapeuta ocupacional e herdou o nome da mãe. Os filhos motivaram-na a escrever contos infantis.
 Prosa  O Rapaz de Bronze  A Menina do Mar  A Fada Oriana  A Noite de Natal  Contos Exemplares,  O Cavaleiro da Dinamarca  A Floresta  Histórias da Terra e do Mar  A Árvore
 Poesia  Poesia  Dia do Mar  Coral  Tempo Dividido  Mar Novo  Cristo Cigano  Livro Sexto.  Geografia
 O tema da natureza é uma das principais fontes de inspiração, sobretudo a natureza marítima: o mar, as algas, os peixes, as sereias, as ondas, etc. Mas outros aspetos naturais são também evidentes: o vento, o luar, os pássaros, a noite, entre outros.
 A metáfora e a comparação são figuras constantes na poesia e na prosa de Sophia, sugeridas tantas vezes pelos elementos naturais. Elas contribuem para acentuar a união do poeta e da poesia com a natureza.

          



Coimbra, agosto de 2016
Carminda Neves

quinta-feira, 30 de junho de 2016

JUAN RULFO

                                       JUAN RULFO

Juan Nepomuceno Carlos Pérez Rulfo Vizcaíno(Sayula, Jalisco, 16 de Maio de 1917 – Cidade do México, 8 de Janeiro de 1986) foi um escritor mexicano.
Rulfo nasceu em uma família de proprietários de terra que ficou arruinada pela Revolução Mexicana. Seu pai e dois tios morreram na época da Guerra Cristera e com a morte de sua mãe, por um ataque cardíaco quatro anos depois, Rulfo foi enviado a um orfanato em Guadalajara, onde viveu entre 1927 a 1935. Ele foi morar em Ciudad de México, capital do país e lá conheceu Clara Aparício, que passou a ser sua companheira para toda sua vida. Frequentou um seminário por um breve período e mudou-se para a Cidade do México, a fim de estudar direito. Não pôde terminar os estudos e durante os vinte anos seguintes trabalhou, primeiro como agente de imigração por todo o México e logo como agente da empresa Goodrich-Euzkadi.

JUAN RULFO
Em 1944, Rulfo fundou a revista literária Pan. Na década de 1950, o autor publica o livro de contos El llano en llamas e o romance Pedro Páramo. Apesar de ter abandonado a escrita de livros depois da publicação destas obras, Rulfo continuou ativo na cena literária mexicana, colaborando com outros escritores em roteiros (Carlos Fuentes e Gabriel García Márquez), escrevendo para televisão, e dedicando-se à fotografia.

Desde 1962 até sua morte, Rulfo foi diretor do departamento de publicações do Instituto Nacional Indígena do México. Foi membro da Academia de Letras Mexicana e recebeu vários prêmios literários em vida, de entre os quais o Prêmio Príncipe de Astúrias, em 1983. O escritor morreu, de câncer, aos 68 anos.
Publicou apenas duas obras em vida: El llano en llamas (1953) e Pedro Páramo (1955), que foram traduzidas para várias idiomas. Em 1996, a Colección Archivos mexicana publicou suas obras completas, incluindos esparsos publicados em revistas e roteiros de cinema.

A influência de Rulfo na narrativa e em geral na literatura latino-americana é sentida na obra de vários escritores que protagonizaram o chamado boom literário da segunda metade do século XX. Mesmo poetas, como Nicanor Parra (que se considera um anti poeta), foram influenciados por sua obra. Rulfo é considerado o principal precursor do chamado Realismo Mágico latino-americano, um movimento que contou com integrantes como García Márquez, Jorge Luís Borges e Julio Cortázar, todos confessos admiradores de Rulfo.

Poucas vezes, obras tão sucintas (Rulfo sempre afirmou fazer um exercício de redução literária ao mínimo indispensável) tiveram tanta importância e influência sobre uma geração inteira de escritores. Boa parte de sua obra foi alvo de adaptações cinematográficas.

Literatura

Rulfo, Carlos Fuentes diz: Fecha "sempre-e-ouro documental temática chave Revolução, Rulfo faz semente [Mariano] Azuela [autor de The Underdogs] e [Martin Luis] Guzman [autor de A águia e cobra] em local seco , árvore nua e frutos que pendem um brilho sombrio. frutos dupla, frutas gêmeos devem ser testados se você quer para viver, sabendo sucos que contenham a morte "
Pedro Páramo, diz Jorge Luis Borges: "Pedro Páramo é um dos melhores romances de literaturas de língua hispânica, e até mesmo de toda a literatura".
Rulfo, Octavio Paz diz, "nos deu uma descrição - de - não imagem sobre a nossa paisagem. Como no caso de [DH] Lawrence [autor de A Serpente Emplumada] e [Malcolm] Lowry [autor de Under the Volcano] não nos deu um documento fotográfica ou uma pintura impressionista, mas suas intuições e obsessões pessoais têm incorporado em pedra, poeira, Pirú. Sua visão do mundo é, na verdade, a visão de um outro mundo. "
              https://pt.wikipedia.org/wiki/Juan_Rulfo
COIMBRA,30 de junho de2016
Carminda Neves



terça-feira, 22 de dezembro de 2015

BACALHAU À GOMES DE SÁ A MODA DA MINHA AVÓ

O bacalhau faz parte da gastronomia portuguesa pelo menos desde o século XIV,
Se no início de sua descoberta o bacalhau vinha de dificultosas pescas na Terra Nova, hoje em Portugal grande parte do que é consumido é importado da Noruega, salgado e seco, ou mesmo fresco, salgado e curado pelas indústrias portuguesas.

Durante o reinado de D. João III, sua pesca era bastante explorada e a frota de navios pesqueiros chegou a beirar os 150. Saíam em Maio e regressavam em Outubro aproveitando o período de desova do Peixe em águas menos profundas.
ESTA RECEITA FOI ADAPTADA PELE MINHA AVÓ PATERNA
RECEITA PARA QUATRO PESSOAS
 4 - BATATAS
 4– CEBOLAS
 1– PIMENTO VERDE
ENDEREÇO DA FOTOGRAFIA EM FONTE
  1 - PIMENTO VERMELHO

        

 4– POSTAS DE BACALHAU
 2ou 4 - OVOS
AZEITE, SAL, AZEITONAS – Q.B.
1 - PITADA DE GENGIBRE EM PÓ
1 -TABULEIRO DE IR AO FORNO
1- FRIGIDEIRA
Cozer o bacalhau – guardar
Cozer os ovos - guardar
Cortar as batatas e cebolas, às rodelas. Os pimentos cortados em tiras, fritar tudo junto em azeite, não muito para não ficar enjoativo, (não deixar fritar demasiado)
Fritar o bacalhau no azeite onde fritou: batatas, cebolas, pimentos
MINHA AVÓ PATERNA
Colocar no tabuleiro alternando: batatas, cebolas, pimentos, Com o bacalhau desfeado em lascas Grandinhas.
Levar ao forno bem quente durante 30 minutos
Retirar, enfeitar com os ovos cortados às rodelas, azeitonas e sirva. É de comer e chorar por mais
BOM APETITE
FONTE: minha avó: Nazareth da Conceição Simões Neves
Endereço da fotografia


 Coimbra, Dezembro de 2015  
Carminda Neves
             

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO - PADROEIRA DE PORTUGAL


Deve-se ao rei D. João IV o facto de Nossa Senhora da Conceição ter sido proclamada Padroeira de Portugal, por proposta sua, durante as Cortes reunidas em Lisboa desde 28 de Dezembro de 1645 até 16 de Março de 1646, afirmando o soberano «que a Virgem Maria foi concebida sem pecado original» e comprometendo-se a doar em seu nome, em nome de seu filho e dos seus sucessores à Santa Casa da Conceição, em Vila Viçosa, «cinquenta cruzados de oiro em cada ano», como sinal de tributo e vassalagem, a dar continuidade à devoção de D. Afonso Henriques, que tomara a Senhora por advogada pessoal e de seus sucessores.
O acto da proclamação de Nossa Senhora da Conceição como Padroeira de Portugal, efectuado com a maior solenidade pelo monarca a 25 de Março desse ano (1646), alargou-se a todo o País, com o povo, à noite, a entoar cânticos de júbilo pelas ruas, para celebrar a Conceição imaculada da Virgem, ou, mais precisamente, a Maternidade Divina de Maria. Assim se tornou Nossa Senhora a verdadeira Soberana de Portugal, não voltando por isso, desde aí, nenhum dos nossos reis a ostentar a coroa, direito que passou a pertencer apenas à Excelsa Rainha, Mãe de Deus.
Associação Autarcas Monárquicos
Em 1648 D. João IV manda cunhar moedas de ouro e de prata, tendo numa das faces a imagem da Imaculada Conceição com a legenda Tutelaris Regni – Padroeira do Reino. Em 1654 ordena que sejam postas em todas as portas e entradas das cidades, vilas e lugares do reino pedras lavradas com uma inscrição alusiva à Imaculada Conceição (lápides essas ainda hoje existentes em certos locais).
Outros reis seus sucessores continuaram a tradição deste culto de homenagem a Nossa Senhora, caso de D. João V, em 1717, que recomenda a todas as igrejas a celebração anual com pompa e solenidade da Festa da Imaculada Conceição, enquanto D. João VI emite um decreto criando a Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e a Cabeça da Ordem (lugar principal) na Sua Real Capela.
 Associação dos Autarcas Monárquicos.

Coimbra, Dezembro de 2015
Carminda neves

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

S. MARTINHO DO BISPO - COIMBRA -Quotidiano, Educação, Civismo


S. Martinho. Do Bispo e Ribeira de Frades conjunto de freguesias que. pertence ao concelho de Coimbra.
S. Martinho do bispo, propriamente, parece o despojo de todo o cocozinho de cão pertencente ao concelho de Coimbra. É encantador a falta de civismo e conceito de higiene que existe nesta populacão a dois paços da cidade do conhecento. Terra da qual reza a lenda, foi habitat de Camões. Querida de D. Pedro I, sim! aquele de D. Inês... Foi o seu fundador! Se cá viesse ficava pasmado, tanto o lixo que se encontra en todos os cantos. Os habitantes maltratam o primeiro que lhe aparace pela frente, com um cão pela trela, sem perguntar se esse 1o apanha ou não a M* do seu canino. Eu para entrar em casa tenho de fazer malabarismos, não vá por a pata num presente canino ou felino.
Todos os Sábados há um mercadinho de produtos agricolas, num local que, durante toda a semana foi retrete de caninos. Mas fica tudo em família. Os vendedores e compradores são os que por lá passearam os seus animais de estimação, que por sinal são as grandes vítimas desta grande confusão.
Será que esta Autarquia não tem um Autarca com cabeça, tronco e membros???
Porque não é aplicada a coima, que por lei está estipulada, para quem não apanha os dejetos dos seus amiguinhos??? Porque há habitantes que correm à pedrada bichinhos abandonados, famintos: de fome, frio, sede e sobretudo carinho??? Abandonados por individuos que são autenticos esgotos. A comida entra-lhe pela boca e sai pelo ânus, é o único sistema que têm na sua constituição.
Também há coisas belas em S. Martinho por ex: flores...
Noutras ocasiões darei mais noticias.
Por agora vejam as fotografias.      COIMBRA,2015  -   Carminda Neves








LOUSÃ: A VILA E A SERRA - SUGESTÕES DE FIM DE SEMANA

Lousã: vila no centro de Portugal, a 30 Kms da cidade de Coimbra.

É uma planície no sopé de serra da Lousã, é uma vila simples, não muito antiga, embora tenha tradições Romanas e mouriscas. O seu monumento mais antigo é o castelo de Arouce situado a meio da serra, num local muito aprazível, junto da ribeira do mesmo nome, a população da Lousã chama-lhe ribeira de S. João. O castelo foi mandado construir pelo rei Arunce, Senhor de Conimbriga, Penela, Lousã e outros territórios em redor. Foi nele que se refugiou com sua filha princesa Peralta quando foi vítima de uma invasão Árabe. Junto desse castelo encontra-se o monumento dedicado a Nossa Senhora de Piedade, cuja comemoração se faz anualmente precisamente no mês de Maio.
SERRA  DA LOUSÃ

O segundo monumento mais antigo é a capela da Santa Casa da Misericórdia que data da 1500. Tem foral concedido por D. Afonso Henriques. Sua mãe D. Teresa costumava passar férias no castelo de Arouce

Em pleno cume da serra da Lousã existem três antigos poços de neve. Que forneciam o gelo para a corte em Lisboa

 PLACA INDICATIVA DA FÁBRICA DE PAPEL DO PRADO
É uma vila verdejante, a serra do mesmo nome é maravilhosa com seu parque natural povoado por várias espécies animais ex.: veados, javalis águias. Visite a Lousã tem ar puro e vale a pena ver. Tem alojamentos de requinte, ex.: o palácio da Viscondessa do Espinhal foi transformado num confortável hotel.

Na Lousã há a mais antiga fábrica de papel. A 2 de Junho de 1772, por alvará do Marquês de Pombal, no reinado de D. José I, deu-se início à fabricação de papel: Prado Cartolinas da Lousã   


A HUMILHAÇÃO DA LOUSÃ: PLACAS DE CIMENTO POR ONDE PASSAVA O COMBOIO
transporte absolutamente necessário às gentes da vila.

Seu padroeiro é S. Silvestre, a sua Igreja é bela de construção relativamente recente


Por volta de 1910 a vila da Lousã foi agraciada por uma via-férrea que lhe foi retirada cerca 2012, 
atirando assim a linda vila para o isolamento.

FONTE: Texto: Carminda Neves                                              
Fotografias: Carminda Neves

Dezembro, de 2015
Carminda Neves

DITOS, DITADOS E PROVERBIOS PORTUGUESES

  Provérbios, Ditos e Ditados portugueses, que só de uma assentada me vieram à memória. Tenho pena de o meu Pai já não existir para me fazer recordar mais. Obrigada, meu Pai, por ter existido, e ser tão brincalhão. Ainda, alguns deles foram-me contados por D. Graça Palla
Dar sem olhar a quem
Cão que ladra não more
Quem nasce torto tarde ou nunca se endireita
meu pai quando cumpria o serviço militar
Lua nona trovejada trinta dias é molhada

Geada na lama chuva na cama
Em abril águas mil
Josezinho viu um ninho, e quedou-se a meditar. Foi-se ao ninho Josezinho, tratou logo de o levar. Josezinho! Que, esse ninho, é um berço de embalar
Guarda o que não presta, terás o que te é preciso
Mentiroso, mente uma vez mente sempre, nem que fale verdade, todos lhe dizem que mente
Filho és pai serás, conforme fizeres, assim acharás
 Burro velho, vale mais matá-lo, do que ensiná-lo
As chocalheiras da rua fizeram um baixo assinado, uma diz, outra confirma, Deus me livre de tal gado
Quem é inteligente, não se envaideça de o ser, porque se o é, é-o sem querer
À meia-noite se levanta o francês, não sabe das horas, não sabe do mês, tem esporas e não é cavaleiro. Tem serra e não é carpinteiro
Lá em cima está o tiroliro liro, lá em baixo está o tiroliro ló, sentaram-se os dois à esquina a tocar a concertina a dançar o solidó
Corpo doente dura para sempre
A barriga não tem fiador
Da discussão nasce a luz
Carminda neves e D. Graça Palla
A culpa morreu solteira
Velhos são os trapos

A galinha da vizinha é sempre melhor que a minha
A noite é boa conselheira
Deus dá nozes a quem não tem dentes
A ocasião faz o ladrão
Laranja, de manhã é ouro, à tarde é prata, à noite mata 
A necessidade aguça o engenho
Dai a César o que é de César, a Deus o que é de Deus
A ociosidade é a mãe de todos os vícios
 Razão e verdade fogem quando ouvem disputas
Hora a hora Deus melhora
A preguiça morreu à borda da água com a sede
 Vaidade, é o espelho dos tolos

Oh senhora, tu não vás, à meia-noite à cozinha, está o abano repimpado  a namorar a vassourinha – querida vassoura quando serás minha – sou sempre tua, estou sempre na cozinha
- Varre querida vassourinha
- Abana, abano, não sejas maçador
O casamento e a mortalha no Céu se talham
Água mole em pedra dura, tanto dá até que fura
Quando, mija um português, mijam logo dois ou três
MÃOS D. Graça e Carminda
Amigos, amigos, negócios à parte
Vozes de burro, não chegam ao Céu
Amor com amor se paga
De noite todos os gatos são pardos
Quando um burro zurra, os outros baixam as orelhas
Antes quero Asno que me leve, que Cavalo que me derrube
Ao menino e ao borracho põe Deus a mão por baixo
Mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo
As moscas apanham-se com mel, não com vinagre
 Cadelas apressadas parem os filhos cegos
Roma e Pavia não se fizeram num dia
Ri melhor, o que ri por último

Margarida, a tua vida, não a contes a ninguém, uma amiga tem amigas, outra, amiga, amigas tem.
Quando a esmola é muita, o santo desconfia
cores de Coimbra
Atrás de mim virá quem bom me fará
Vaso ruim não quebra
O que é barato sai caro
Até ao lavar dos cestos é vindima
Zangam-se as comadres, sabem-se as verdades
O hábito não faz o monge
Velho casado com nova, filhos até à cova
Não te importes da raça, nem da cor da pele. Ama a todos, como irmãos e faz o bem.
Na melhor toalha cai a nódoa
Há males que vêm por bem

Viver não custa, custa é saber viver
             
                 FONTE: Armando das Neves
                                D.Graça Palla
                                 Carminda Neves

COIMBRA, DEZEMBRO DE 2015
  CARMINDA NEVES