quinta-feira, 11 de junho de 2015

LENDA DO MILAGRE DE OURIQUE

Muito se tem falado, discutido e escrito sobre o milagre de Ourique (O que realmente aconteceu em Ourique ninguém sabe) porem, a nós, interessa-nos apenas o aspeto lendário da história – aquele meio-termo que fica entre a realidade e o sonho, entre o natural e o sobrenatural, entre a banalidade das coisas correntes e a poesia das coisas raras por essa razão, voltando as costas às polémicas acesas em torno do caso, vamos contar apenas a lenda – sem dúvida uma das mais belas do Portugal.
      A batalha de Ourique tem sido considerada por muitos «a pedra angular da monarquia portuguesa». Diz.se que foi ai que pela primeira vez os nobres aclamaram Afonso Henriques rei de Portugal (até à batalha de Ourique Afonso Henriques usava o titulo de infante ou príncipe de Portugal. Só depois desta batalha e os seus homens extasiados com a vitória lhe deram o titulo de rei. Afonso Henriques aproveitou o facto para recorrer ao Papa para que este lhe fosse confirmado. Como este não lho concedeu no tempo e prazo que ele previra, pediu aos seus barões para o proclamarem rei, tal como os seus homens de armas lhe tinham chamado em campo de Ourique)

  Fins de julho de 1130. Afonso Henriques, já com a retaguarda coberta por castelos e cidades cristãs, já na posse de Leiria, de Ourem, Penela, Almourol, Zêzere e cera – que depois adotou o nome de Tomar – julgou-se apto a poder aventurar-se pelo território dos Mouros, levando as suas armas pelo Alentejo. Reuniu os seus homens e lançou-se ao caminho.
    A notícia desta agressão do Infante D. Afonso fez tremer Ismael ou Ismar que então governava esta parte da Península. Os exércitos marchavam um contra o outro. Mas por alturas do Campo de Ourique fez-se alto de ambos os lados. Neste intervalo de tempo, o Camareiro do Infante entrou na tenda do seu Senhor que parecia dormitar, tendo sobre os joelhos um velho testamento.
    Senhor… perdoe se vos acordo…
D. Afonso Henriques nem pestanejou. Aflito que estava, com o rumor dos homens, lá fora, pois começavam a recear a multidão enorme de mouros que estava em frente e à vista, João Fernandes tocou no ombro do vencedor da batalha de S. Mamede.
    Acordai, Senhor!
 O velho testamento caiu no chão. D. Afonso Henriques olhou o seu camareiro como se o tivesse visto pela primeira vez:
   Que me quereis? Estava a dormir… e a sonhar…
   Perdoai-me se vos interrompi… Mas está lá fora um homem velho que vos quer falar.
   Donde vem?
   Vem daqui perto e insiste em ser recebido por vós.
   Se é cristão, pode entrar.
   Está aqui, meu Senhor.
E voltando-se para o velho, João Fernandes indicou com a mão direita a entrada da tenda.
   Por aqui. E não vos demoreis.
 O velho entrou, olhando firmemente Afonso Henriques. Este porem, deu quase um salto no escabelo onde estava sentado.
    Senhor! Acabo de vos verem sonhos! Que me quereis?
    Dizer-vos senhor, que deveis ter bom coração, porque vencereis e não sereis vencido. Sois amado do Senhor, porque sem dúvida Ele pôs sobre vós e sobre a vossa geração os olhos da sua Misericórdia, até à décima sexta descendência, na qual se diminuirá a sucessão. Mas nela, assim diminuída, ele tornará o pôr os olhos e verá! Ele me mandou dizer-vos que na noite que se seguirá a esta, se ouvirdes a minha sineta da ermida, na qual vivo há sessenta e seis anos, guardado no meio dos infiéis por alto favor de Deus – pois como ia dizendo, se ouvirdes a sineta, deveis sair do arraial, sozinho.
   D. Afonso arriscou:
     Devo sair de noite, sem companhia?
     Sim, saireis sozinho, porque ele vos quer mostrar a Sua grande Piedade.
  Senhor se sois um embaixador de Deus, eu vos venero e sabei que que tudo farei para ser digno de tão grande mercê!
  Sem mais palavras, o velho saiu da tenda. D. Afonso veio atrás dele. Em breve o perdia de vista.
  Aproximou-se João Fernandes. Afonso Henriques perguntou-lhe:
  Que dizem os nossos homens?
  Acham uma temeridade o que ides fazer, Senhor! Os sarracenos têm aqui cinco Reis e cinco exércitos para nos combaterem!
    Reúne-os! Quero falar-lhes.
   Era quase noite quando D. Afonso Henriques se dirigiu aos seus homens:
  Companheiros! Nem paz, nem tréguas, nem fuga se nos consente!
É infalível o pelejar aqui. Cinco exércitos nos cercam. Nós não poderemos ter mais ajudas, senão a que nos vier de Deus. Mas nele confio.
   Os homens entreolharam-se sem saber o que dizer. Acreditavam no seu chefe e acreditavam na causa que os trouxera ali.
   O dia seguinte correu sereno. A noite chegou. Nem cá nem no arraial fronteiro havia movimento de tropas. Observava-se um silêncio enervante. De repente, esse silêncio foi cortado pelo som dorido de um sino que tangia ao longe. D. Afonso Henriques curvado, numa oração muda, ergueu-se e dirigiu-se lentamente para fora do arraial. A mão na espada, o olhar vivo e atento, caminhou sozinho. Já fora das vistas dos seus homens e em plena escuridão, o jovem chefe guerreiro deu conta de um raio resplandecente que surgia do seu lado direito. D. Afonso estacou. Mas o raio de luz foi alargando, alargando iluminando tudo em redor. De súbito D. Afonso Henriques distinguiu o Sinal da Cruz mais resplandecente que o sol e Jesus Cristo crucificado nela. De um lado e de outro, anjos vestidos de branco, de um branco que resplandecia também!
  O coração de D. Afonso Henriques bateu forte. Atirou para o chão a espada e o escudo. Descalçou-se em sinal de vassalagem, lançou-se de bruços, com lágrimas a entrecortarem-lhe a voz, o peito arfante perguntou!
   Senhor!... Por que me apareceis?... Que me quereis dizer?... Desejeis acrescentar a fé a quem tanta traz no peito? Se o inimigo Vos pudesse ver, como eu vos estou vendo, talvez esse pudesse acreditar em vós! Por mim, creio que sois Deus Verdadeiro.
   Uma voz serena e bela fez-se ouvir:
Afonso! Não te apareci deste modo para acrescentar atua fé em mim, mas para fortalecer teu coração neste conflito, e fundar os princípios do teu reino sobre pedra firme. Confia, Afonso, porque não só vencerás esta batalha, como todas as outras em que pelejares contra os inimigos da minha Cruz. Vai!
   D. Afonso Henriques ergueu-se. A hora estava tardia e no arraial talvez já tivessem dado pela sua ausência. Tomou o escudo e a espada, e voltou serenamente para a sua tenda. Ao chegar João Fernandes de Sousa e mais três homens da sua confiança esperavam-no com certa impaciência.
    Senhor, como tardastes!
    Estai calmos, que a vitória será nossa. Como estão os nossos homens?
   Bem, Senhor. Ansiosos que a manhã chegue para que seja dado o sinal de combate!
   Pois se estão ansiosos, ide prepara-los. Iniciaremos a luta antes mesmo que a manhã desponte!
  A batalha travou-se, dura. Desde as primeiras horas da manhã até à noite que os soldados de D- Afonso Henriques viam chegar hordas de sarracenos, com se nunca fossem extinguir, eram acometidos de todos os lados: e dir-se-ia que a sorte não ficaria com eles, quando um troço de cavalaria escolhida, caindo sobre a primeira coluna sarracena, a separou do resto do exército, dizimando-a. Perto, andava Ismael, que ao ver completamente derrotada a sua primeira coluna e vendo o arrojo com que os portugueses lutavam, indiferentes ao perigo, prontos a vencer ou morrer, encheu-se de um pavor súbito e fugiu. Então o resto do exército, vendo a fuga do seu rei, seguiu-o em debandada, as forças portuguesas foram-lhe no encalço.
   O desbarato dos sarracenos foi total. Os cinco Reis do inimigo foram derrotados.
   Em campo aberto os soldados de D. Afonso Henriques loucos pela vitória aclamaram-no rei pela primeira vez! E ali mesmo o primeiro rei de Portugal resolveu que a bandeira portuguesa passasse a ter cinco escudos em cruz, representando os cinco Reis vencidos e as cinco chagas de Cristo, carregadas comos trinta dinheiros por que Judas vendeu o Redentor. A 25 de julho de 1139, a vitória de Ourique impôs para todo o sempre as cinco quinas na bandeira de Portugal!

FONTE: LENDAS DE PORTUGAL; VOL 2: Gentil Marques.
               Círculo de Leitores, 1997.

 Coimbra, junho de2015
 Carminda Neves




 




sexta-feira, 5 de junho de 2015

SINAIS DE LUZ

2015 ano internacional da luz
Existe desde os primeiros momentos da criação e tem estado sempre presente, não podia ser de outra forma. A luz e a vida são inseparáveis, mas a relação e a dependência entre uma e outra nem sempre foi percebido como algo intrínseco. Foi necessário esperar pelo século XX, para que a luz ocupasse lugar de destaque. Desde então que as invenções se atropelam, sucessivamente. E no entanto, aluz esteve sempre presente, o que mudou foi o nosso olhar.


Hoje, sabe-se que as células de um qualquer ser vivo obtêm e transformam energia, sendo conhecidos os processos bioenergéticos, como a fotossíntese, a fermentação, a respiração aeróbica ou a quimiossíntese. A luz que é energia é armazenada nas moléculas orgânicas que podem ser consumidas pelos vários seres vivos do ecossistema, incluindo o homem. Se a luz é a base do nosso equilíbrio biológico, essa mesma luz também pode ser um caminho para tratar o próprio organismo. É isso que a ciência tem feito.
                             
O laser, que afinal é uma sigla (Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation),em português (Amplificação de luz por emissão estimulada de radiação) é o melhor exemplo de como um feixe de energia direcionado pode mudar tanto as nossas vidas. Em pouco mais de 50 anos, o laser e a fibra ótica abriram novos caminhos que vieram afetar o nosso dia -a- dia, como por exemplo as telecomunicações, que contam com a ajuda do fibra ótica para transportar os sinais de luz ou simplesmente as lâmpadas LED que começamos a usar lá em casa, mas, de entre todos os ganhos que esta “nova” luz trouxe à vida, foi na medicina que se escreveu o maior número se êxitos. É com o recurso à fibra ótica que hoje se faz um sem número de cirurgias e é graças ao laser que a medicina ficou menos invasiva e mais curativa. As várias especialidades médicas já não dispensam este feixe de luz.

Estamos rodeados de um “oceano” de luzes, mas os nossos olhos só estão aptos a captar uma pequeníssima parte, aquilo a que convencionámos chamar luz ou luz visível. O restante conjunto e que engloba todas as outras luzes “invisíveis”, combinou-se chamar radiação eletromagnética. São outras “luzes” ou radiações que têm vindo a ser usadas e adaptadas às novas tecnologias.

Na saúde, tudo começou com um raio X. a radiologia acabou por se tornar uma especialidade médica mas, num curto espaço de tempo, já não conseguia conter todas as capacidades e engenhos tecnológicos. Hoje, há uma nova especialidade médica que revela o modo de funcionamento do corpo, além de apresentar propostas terapêuticas mini invasivas, chama-se imagiologia.

A física continua a ser a grande aliada e enquanto permanecer esta coligação, as ciências da vida continuarão a escrever êxito e sucesso. Para trás ficaram grandes invenções ex: Newton (1687) Fresnel (1815) Einestein 1915 entre outros.


É este passado e o futuro que se planeia à volta da luz que a ONU/UNESCO querem comemorar durante todos os dias de 2015: ANO INTERNACIONAL DA LUZ.


FONTE: Revista “Olhares” CENTRO CIRURGICO DE COIMBRA.
              Desconheço o Autor

Coimbra, junho de 2015

Carminda Neves

quarta-feira, 3 de junho de 2015

AMAR É ARRISCAR TUDO.


O amor é algo extraordinário e muito raro. Ao contrário do que se pensa não é universal, não está ao alcance de todos, muito poucos o mantêm aqui. Chama-se amor a muita coisa, desde todos os seus fingimentos até ao seu contrário: o egoísmo.
A banalidade do gosto de ti porque gostas de mim é uma aberração intelectual e um sentimento mesquinho. Negocio estranho de contabilidade organizada. Amar na verdade, amar, é algo que poucos aguentam, prefere-se mudar o conceito de amor a trocar as voltas à vida quando esta parece tão confortável.
Amar é dar a vida a um outro. A sua. A única. Arriscar tudo. Tudo. A magnífica beleza do amor reside na total ausência de planos de contingência. Quando se ama, entrega-se a vida toda, ali, desprotegido, correndo o tremendo risco de ficar completamente só, assumindo-o com coragem e dando um passo adiante. Por isso a morte pode tão pouco diante do amor. Quase nada. Ama-se por cima da morte, porquanto o fim não é o momento em que as coisas se separam, mas o ponto em que acabam.
Não é por respirar que estamos vivos, mas é por não amar que estamos mortos.
De pouco vale viver uma vida inteira se não sentirmos que o mais valioso que temos, o que somos, não é para nós, serve precisamente para oferecermos. Sim, sem porquê nem para quê. Sim, de mãos abertas. Sim… porque, ainda além de tudo o que existe, há um mundo onde vivem para sempre os que ousaram amar…

FONTE: José Luís Nunes Martins,
In “Filosofias- 79 Reflexões”.
Texto tirado da revista “Olhares” Centro Cirúrgico de Coimbra

Coimbra, junho de 2015

Carminda Neves                             

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Prémios Fundação PT

Obrigada Cátia, tudo o que sei de informática lhe devo. Estou muito orgulhosa do prémio, não só por mim, mas pela minha professora, (se não fosse ela não tinha concorrido) tão dedicada à sua profissão, como aos seus alunos e dedicada também à Universidade Aposénior, sempre atenta,interessada, a incentivar-nos para novos eventos. Agradeço, também aos meus colegas, somos uma turma diferente. Obrigada também Universidade Aposénior. por me deixar fazer parte desse grande grupo, que é a Aposénior. Agradeço também à fundação PT. Obrigada .

Kate Coimbra a sentir-se orgulhosa
13 h
Parabéns à Carminho Antunes !!!!
No âmbito da participação da nossa Universidade Sénior nos Prémios Fundação PT – Blog +50, a Fundação PT premiou a nossa amiga, pelo seu Blog Individual - http://historiadalousa.blogspot.pt.
É de salutar o empenho e dedicação de todos os que participaram nesta iniciativa. Já sabíamos que tínhamos valor, ora aqui está mais uma prova disso mesmo!
Continuem a representar, como tão bem sabem, a nossa Aposenior.
As Universidades que venceram os desafios foram as seguintes:
- Melhor Apresentação Multimédia - Universidade Sénior Amarante (https://www.youtube.com/watch?v=Z6w0HavhjCI)
-Melhor Site Universidade - Agitar - Universidade Sénior do Porto (www.agitar.PT)
- Blog +50 - Aposenior – Coimbra (http://historiadalousa.blogspot.pt) - Prémio Individual - Tablet


HISTORIA E LENDAS DO MUNDO, COIMCRA, LOUSÃ BRAS,L TURQUIAhistoriadalousa.blogspot.com
HISTORIADALOUSA.BLOGSPOT.COM|DE CARMINDA
Coimbra,Maio de 2015
Carminda Neves

segunda-feira, 25 de maio de 2015

JOHN NASH

LUTOU QUASE TODA A SUA VIDA CONTRA A ESQUIZOFRENIA, QUE NÃO O IMPEDIU, DE GANHAR UM PRÉMIO NOBEL E, DE SER UM DOS MAIORES MATEMÁTICOS DO PLANETA. ISTO DIZ AO MUNDO QUE MARGINALIZA PESSOAS COM TRANSTORNOS PSIQUIÁTRICOS QUE NEM SEMPRE ESSES TRANSTORNOS IMPEDEM O RACIOCÍNIO LÓGICO. SINTO A SUA MORTE.A SUA VIDA DEU INSPIRAÇÃO PARA O FILME "MENTE BRILHANTE". VENCEDOR DE 4 ÓSCARES

O matemático americano John Nash, prémio Nobel em 1994, morreu sábado em Nova Jersey, nos Estados Unidos, num acidente de viação, quando viajava de táxi com a sua mulher.
JN.PT|DE GLOBAL MEDIA GROUP
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domingo, 24 de maio de 2015

CESÁRIO VERDE

Cristalizações

Faz frio. Mas, depois duns dias de aguaceiros,
Vibra uma imensa claridade crua.
De cócoras, em linha, os calceteiros,
Com lentidão, terrosos e grosseiros,
Calçam de lado a lado a longa rua.
Como as elevações secaram do relento,
E o descoberto sol abafa e cria!
A frialdade exige o movimento;
E as poças de água, como em chão vidrento,
Reflectem a molhada casaria.
Em pé e perna, dando aos rins que a marcha agita,
Disseminadas, gritam as peixeiras;
Luzem, aquecem na manhã bonita,
Uns barracões de gente pobrezita
E uns quintalórios velhos com parreiras.
Não se ouvem aves; nem o choro duma nora!
Tomam por outra parte os viandantes;
E o ferro e a pedra — que união sonora! —
Retinem alto pelo espaço fora,
Com choques rijos, ásperos, cantantes.
Bom tempo. E os rapagões, morosos, duros, baços,
Cuja coluna nunca se endireita,
Partem penedos; cruzam-se estilhaços.
Pesam enormemente os grossos maços,
Com que outros batem a calçada feita.
A sua barba agreste! A lã dos seus barretes!
Que espessos forros! Numa das regueiras
Acamam-se as japonas, os coletes;
E eles descalçam com os picaretes,
Que ferem lume sobre pederneiras.
E nesse rude mês, que não consente as flores,
Fundeiam, como esquadra em fria paz,
As árvores despidas. Sóbrias cores!
Mastros, enxárcias, vergas! Valadores
Atiram terra com as largas pás.
Eu julgo-me no Norte, ao frio — o grande agente! —
CESÁRIO VERDE
Carros de mão, que chiam carregados,
Conduzem saibro, vagarosamente;
Vê-se a cidade, mercantil, contente:
Madeiras, águas, multidões, telhados!
Negrejam os quintais, enxuga a alvenaria;
Em arco, sem as nuvens flutuantes,
O céu renova a tinta corredia;
E os charcos brilham tanto, que eu diria
Ter ante mim lagoas de brilhantes!
E engelhem, muito embora, os fracos, os tolhidos,
Eu tudo encontro alegremente exacto.
Lavo, refresco, limpo os meus sentidos.
E tangem-me, excitados, sacudidos,
O tacto, a vista, o ouvido, o gosto, o olfacto!
Pede-me o corpo inteiro esforços na friagem
De tão lavada e igual temperatura!
Os ares, o caminho, a luz reagem;
Cheira-me a fogo, a sílex, a ferragem;
Sabe-me a campo, a lenha, a agricultura.
Mal encarado e negro, um pára enquanto eu passo;
Dois assobiam, altas as marretas
Possantes, grossas, temperadas de aço;
E um gordo, o mestre, com um ar ralaço
E manso, tira o nível das valetas.
Homens de carga! Assim as bestas vão curvadas!
Que vida tão custosa! Que diabo!
E os cavadores pousam as enxadas,
E cospem nas calosas mãos gretadas,
Para que não lhes escorregue o cabo.
Povo! No pano cru rasgado das camisas
Uma bandeira penso que transluz!
Com ela sofres, bebes, agonizas;
Listrões de vinho lançam-lhe divisas,
E os suspensórios traçam-lhe uma cruz!
De escuro, bruscamente, ao cimo da barroca,
Surge um perfil direito que se aguça;
E ar matinal de quem saiu da toca,
Uma figura fina, desemboca,
Toda abafada num casaco à russa.
Donde ela vem! A actriz que tanto cumprimento
E a quem, à noite na plateia, atraio
Os olhos lisos como polimento!
Com seu rostinho estreito, friorento,
Caminha agora para o seu ensaio.
E aos outros eu admiro os dorsos, os costados
Como lajões. Os bons trabalhadores!
Os filhos das lezírias, dos montados:
Os das planícies, altos, aprumados;
Os das montanhas, baixos, trepadores!
CALCETEIROS DE LISBOA
Mas fina de feições, o queixo hostil, distinto,
Furtiva a tiritar em suas peles,
Espanta-me a atrizita que hoje pinto,
Neste Dezembro enérgico, sucinto,
E nestes sítios suburbanos, reles!
Como animais comuns, que uma picada esquente,
Eles, bovinos, másculos, ossudos,
Encaram-na sanguínea, brutamente:
E ela vacila, hesita, impaciente
Sobre as botinhas de tacões agudos.
Porém, desempenhando o seu papel na peça,
Sem que inda o público a passagem abra,
O demonico arrisca-se, atravessa
Covas, entulhos, lamaçais, depressa,
Com seus pezinhos rápidos, de cabra!
Lisboa, Inverno de 1878

José Joaquim Cesário Verde (Lisboa, Madalena, 25 de Fevereiro de 1855 — Lisboa, Lumiar, 19 de Julho de 1886) foi um poeta português, sendo considerado um dos precursores da poesia que seria feita em Portugal no século XX.

COIMBRA, MAIO DE 2015
CARMINDA NEVES

VER MAIS EM:
pt.slideshare.net/sebentadigital/cesrio-verdesistematizao
ensina.rtp.pt/artigo/o-livro-de-cesario-verde/
pt.wikipedia.org/wiki/Cesário_Verde
www.prof2000.pt/users/jsafonso/port/verde.htm

quinta-feira, 7 de maio de 2015

LUÍS DE CAMÕES

LUÍS DE CAMÕES
1524 ou 1525: Datas prováveis do nascimento de Luís Vaz de Camões, talvez em Lisboa. - 1548: Desterro no Ribatejo; alista-se no Ultramar. - 1549: Embarca para Ceuta; perde o olho direito numa escaramuça contra os Mouros. - 1551: Regressa a Lisboa. - 1552: Numa briga, fere um funcionário da Cavalariça Real e é preso. - 1553: É libertado; embarca para o Oriente. - 1554: Parte de Goa em perseguição a navios mercantes mouros, sob o comando de Fernando de Meneses. - 1556: É nomeado provedor-mor em Macau; naufraga nas Costas do Cambodja. - 1562: É preso por dívidas não pagas; é libertado pelo vice-rei Conde de Redondo e distinguido seu protegido. - 1567: Segue para Moçambique. - 1570: Regressa a Lisboa na nau Santa Clara. - 1572: Sai a primeira edição d’Os Lusíadas. - 1579 ou 1580: Morre de peste, em Lisboa. PARA VER MAIS VÁ A

sábado, 2 de maio de 2015

OLOF PALME

UM MARCO NA DEMOCRACIA EUROPEIA
Sven Olof Joachim Palme (Estocolmo, 30 de janeiro de 1927 — Estocolmo, 28 de fevereiro de 1986) foi um político sueco. Membro do Partido Social-Democrata (Sveriges socialdemokratiska arbetareparti) foi primeiro-ministro da Suécia entre 1969 e 1976 e de novo entre 1982 e 1986, ano em que foi assassinado à saída de um cinema em Estocolmo.
ASSASSINADO
.
.O assassinato do primeiro-ministro social-democrata Olof Palme causou uma forte comoção no povo sueco, que há quase 200 anos não vivia esse tipo de violência política. Ele foi morto a tiros quando saía do cinema com a esposa, uma situação que revela uma peculiaridade do país que governava. Nenhum outro chefe de governo europeu ousaria expor-se ao público de forma tão desprotegida. Para ver mais vá a:

Arlindo de Carvalho - Castelo Branco (Canções à Beira Terra)

ARLINDO CARVALHO
Arlindo Duarte Carvalho (Soalheira, Beira Baixa, 27 de Abril de 1930) é autor, compositor e cantor de canções tradicionais portuguesas conhecidas de todos nós e em todo o mundo. Foi professor na sua terra natal, no Porto, em Lisboa e ainda na Alemanha e França, onde esteve exilado e foi Leitor de Português a partir de 1965 no Liceu Henrique IV de Poitiers.
Aprendeu as primeiras notas de música com um barbeiro (José Bernardo) de Castelo branco. Tocado e cantado por grandes músicos e grandes vozes ex: Eugénia Lima, Amália Rodrigues, Luís Piçarra, Gina Maria, Lenita gentil, Mafalda Arnauth etc. exilado (já referido atrás para vários países da Europa. Estudou na Academia de Amadores de Música, de Lisboa. Estreou-se como cantor em Paris em 1966. Participou em programas de rádio e televisão em Paris, Hamburgo, Berlim, Munique. Foi convidado por Olof Palme na campanha eleitoral do Partido Social Democrata da Suécia de 1969 e 1979. Olof Palme foi primeiro-ministro da Suécia entre 1969 e 1976 e de novo entre 1982 e 1986, ano em que foi assassinado à saída de um cinema em Estocolmo
Tive conhecimento da existência de Arlindo Carvalho no programa INESQUECÍVEL de Júlio Isidro da RTP I. conhecia, assim como todos os portugueses, as suas maravilhosas canções. Não conhecia o autor. É conhecido internacionalmente
Musicas: Chapéu preto, Fadinho serrano, Castelo branco, Balada do Emigrante, Trás os Montes Minha Terra, Comboio da Beira Baixa etc. Canta actualmente numa casa de fados em Lisboa.

ARLINDO CARVALHO COM JÚLIO ISIDRO

Posted by Carminho Antunes on Sexta-feira, 1 de Maio de 2015

quinta-feira, 30 de abril de 2015

FERNANDO PESSOA

Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa13 de Junho de 1888 — Lisboa30 de Novembro de 1935), mais conhecido como Fernando Pessoa, foi um poetafilósofo e escritor português.
Fernando Pessoa é o mais universal poeta português. Por ter sido educado na África do Sul, numa escola católica irlandesa, chegou a ter maior familiaridade com o idioma inglês do que com o português ao escrever os seus primeiros poemas nesse idioma. O crítico literário Harold Bloom considerou Pessoa como "Whitman renascido", e o incluiu no seu cânone entre os 26 melhores escritores da civilização ocidental, não apenas da literatura portuguesa mas também da inglesa. PARA VER MAIS VÁ A

Fernando Pessoa – Wikipédia, a enciclopédia livre



 COIMBRA,ABRIL DE 1015
CARMINDA NEVES