Cursos de lei animal estão agora inclusos em 69 das 180 escolas de direito dos Estados Unidos, a ideia da extensão da qualidade de pessoas (ou sujeito de direito) é defendida por vários professores como Alan Dershowitz e Laurence Tribe da Harvard Law School.7 Este tem sido visto por um crescente número de advogados em prol dos direitos animais, como um primeiro passo para a garantia de direitos para outros animais. Steven Wise, professor de direito na Harvard Law School, tem demonstrado sua aproximação com a causa, citando Robert Samuelson: "O progresso ocorre funeral por funeral."
A Declaração Universal dos Direitos Animais foi proclamada em assembleia, pela UNESCO, em Bruxelas, no dia 27 de Janeiro de 1978. Entretanto, tal declaração contém características condenadas pelos defensores de direitos animais. Em particular, o artigo 7º, cuja redação afirma que "animais destinados ao abate devem sê-lo sem sofrer ansiedade nem dor", ratifica a possibilidade de violação de um direito básico (o direito à integridade física) para fins humana
Em 24 de agosto teve lugar, na Sé de Lisboa, o casamento do
Infante Pedro I de Portugal, herdeiro do trono português, com D. Constança
Manuel, filha de D. João Manuel de Castela, príncipe de Vilhena e Escalona. D. Constança
era uma mulher bonita e frágil, de quem teria sido fácil D. Pedro gostar e
amar. Mas na sua comitiva vinha outra mulher que além de muito bela, tinha uma
forte personalidade, e foi por esta, aia de D. Constança, D. Inês de Castro,
que D. Pedro viria a apaixonar-se. Este romance começou a ser comentado e mal
aceito, tanto pela corte como pelo povo.
D. Pedro e D. Inês tentaram disfarçar o amor que, sentiam um
pelo outro, mas tornaram-se amantes ainda em vida de D. Constança, assim, em
1344, o rei mandou exilar D. Inês no castelo de Albuquerque, na fronteira
castelhana, onde tinha sido criada por sua tia.
Em outubro do ano seguinte D. Constança morreu ao dar à luz o
futuro rei, D. Fernando I de Portugal. Viúvo, D. Pedro, contra a vontade do
pai, mandou D. Inês regressar do exílio e os dois passaram a viver juntos, o
que provocou grande escândalo na corte, para enorme desgosto de El-Rei seu pai.
Começou então uma desavença entre o Rei e o Infante.
O rei D. Afonso IV decidiu que a melhor solução seria matar a
dama galega.A 7 de
janeiro de 1355, o rei cedeu às pressões dos seus conselheiros e aproveitando a
ausência de D. Pedro, numa excursão de caça, foi com Pêro Coelho, Álvaro
Gonçalves, Diogo Lopes Pacheco e outros para executarem Inês de Castro em Santa
Clara, conforme fora decidido em conselho.Segundo a lenda, as lágrimas derramadas no rio Mondego pela
morte de Inês teriam criado a Fonte das Lágrimas da Quinta das Lágrimas, e
algumas algas avermelhadas que ali crescem seriam o seu sangue derramado.
Quando o povo judeu cumprir
todas as mitsvot da Torá, D’us concederá Sua generosa bênção para Sua terra.
Nossos sábios nos contam várias histórias sobre este tema.
Um sábio, Rami ben Yechezkel certa vez visitou Bnei Brak.
Estava andando por um campo, perto da cidade, quando notou três figueiras
repletas de frutos doces e maduros. Estes caíram na terra, e estavam tão doces
que o mel fluía deles. Neste exato momento, algumas cabras, que pastavam por
perto vieram correndo, e comeram os figos que estavam no chão. Os úberes das
cabras estavam tão cheios que o leite gotejou na terra, exatamente em cima do
mel dos figos.
Rami ben Yechezkel ficou emocionado. "Veja" - gritou - "isto é
exatamente o que Hashem nos prometeu - uma terra com abundância de leite e
mel!"
A cidade canaanita deUgaritfoi
redescoberta em1928e muito do conhecimento moderno sobre
oscananeusadvém
das escavaçõesarqueológicasnaquela área. Ugarit era uma
cidade-estado, anteriormente vista como uma cidadefeníciapelos
historiadores. Esta certeza já não existe.1A
partir da descoberta naquelas ruínas do primeiro alfabeto que se tem notícia e
da vasta literatura de Ugarit, descobriu-se que esta era de origem cananéia e
foi vassala do Egito durante longo período, apesar de ter tido influência de
vários povos, principalmente mesopotâmicos. Um de seus deuses foiBaal,
muito citado na Bíblia.
Comparada aos desertos circundantes, a terra de Canaã era uma
terra de fartura, onde havia uvas e outras frutas, azeitonas e mel, daí ter
sido vista porAbraão-
originário da região do actualIraque- como
a "terra prometida",
"onde corre leite e mel".
Segundo aBíblia, Canaã era a terra prometida por Deus
ao seu povo, desde o chamado de Abrão (ou Abraão), que habitava a cidadecaldéiadeUr,
no sul daMesopotâmia. De acordo com a tradição, Deus
chamou Abrão e lhe ordenou que fosse para a terra chamada Canaã, o que teria
motivado o longoêxododoshebreus, que teria durado muitas décadas, até
que os descendentes de Abraão a alcançaram. Canaã passou então a ser por eles
denominada terra de Israel.
“terra que mana leite e mel” tem a ver com o leite que vinha
das numerosas cabras que viviam na região desértica e se alimentam dos tufos de
gramíneas que crescem entre e sobre os morros. O mel vem dos frutos: tâmara e figos,
não têm a textura do mel, mas têm o gosto parecido com o mel de abelhas – ela
experimentou. As tamareiras vegetam as regiões férteis. Nunca tinha ouvido esta
explicação, mas foi a guia israelense quem a deu.
Quase todas as Universidades Seniores organizam viagens para fora e dentro do país, várias vezes por ano. Se tivermos
em conta que só a Rutis (Rede de Universidades da terceira Idade) representa
240 universidades Seniores, para 36 mil alunos e cinco mil professores. É fácil
perceber o peso que estas instituições têm para o turismo.
«Estamos a falar de um movimento
muito interessante e que está a ser cada vez mais valorizado» isto foi dito por
Luís Jacob, presidente da RUTIS, no dia 25 de Fevereiro em Coimbra onde se
organizou o III Congresso das Universidades Seniores, precisamente dedicado ao
turismo sénior e suas potencialidades.
CONGRESSO RUTIS
A escolha de Coimbra para a
realização deste congresso das referidas Universidades não por acaso, segundo,
mais uma vez, Luís Jacob.
«A Aposénior (parceira na organização
do congresso) é uma das Universidades mais ativas» sendo também um exemplo de
como se pode ser promotor de turismo da sua própria região Ex: projeto dos
Roteiros Monásticos, lançado este ano e que tem trazido a Coimbra alunos de
outras Universidades Seniores do país.
Estiveram presentes 120 pessoas de 34 diferentes Universidades. Foi
apresentado o projeto dos Roteiros Monásticos, da Aposénior, pelo seu
coordenador, também foi apresentado o projeto da Universidade Sénior de Mafra,
cuja fotografia foi escolhida como a foto da semana, que leva o teatro ao
convento do mesmo nome, o projeto dos Roteiros Industriais da Universidade
Sénior de Oliveira do bairro
O congresso encerrou com a atuação do Coro
Misto da Aposénior
ABANDONADOS, MALTRATADOS, DESPIDOS DE TUDO O QUE UM DIA LHES PERTENCEU E PERTENCE POR DIREITO, VITIMAS DE PECULATO PELOS DEUS PRÓPRIOS FILHOS, QUE SÃO QUEM MAIS OS DEVIA AMAR, HONRAR, E RESPEITAR, IDOSOS: FRAGILIZADOS PELA IDADE E PELA DOENÇA, ATIRADOS PARA A RUA COMO SE FOSSEM TRAPOS VELHOS, DOS QUAIS SE TEM NOJO. COMO EU VI DESTA MISÉRIA DURANTE A MINHA VIDA PROFISSIONAL( ENFERMEIRA) 30 E ALGUNS ANOS.COMO EU, AINDA HOJE, CONTINUO A PRESENCIAR ESTA MISÉRIA HUMANA, OU (HUMANOIDE)! PARA QUANDO AS LEIS QUE TERMINEM COM ESTE EXTREMISMO? QUANDO É QUE OS GOVERNANTES, DESTE PAÍS, ACORDAM? E FAZEM CUMPRIR AS LEIS MORAIS? JÁ QUE AS CIVIS LHE PASSAM AO LADO? APESAR DE ESTAREM ESCRITAS? OS IDOSOS CHORAM LÁGRIMAS DE SANGUE! E ESSE SANGUE PEDE JUSTIÇA.
FILHOS?! QUE PEDEM A MORTE DE SEUS PAIS. FILHOS!? QUE MALTRATAM QUEM OUSA SOCORRE-LOS, DAR-LHE AMOR, CARINHO, TERNURA, RESTITUIR-LHE A HONRA E ORGULHO DE SE SENTIR HUMANO E ÚTIL, QUE OUSAM INTEGRA-LOS NO SEU AGREGADO FAMILIAR, COMO SE SEUS PAIS FOSSEM. FILHOS!? QUE CHAMAM AOS BENS DE SEUS PAIS, QUE ELES ADQUIRIRAM, MUITAS VEZES, COM SANGUE, SUOR E LÁGRIMAS, (A MINHA FORTUNA !) VEJAM SÓ! A IRONIA! PARA NÃO DIZER CRIME! FILHOS?! QUE DIZEM: O VELHO VAI PARA CASA DE B....? ENTÃO VAI SER MUITO BEM TRATADO. ASSIM VELHO NUNCA MAIS MORRE! PERGUNTO? NÃO HÁ CRIME NESTA FRASE? RESPONDO: HÁ! (ISTO FOI DITO POR NORA, QUANDO UM IDOSO PEDIU A FAMILIARES INDIRETOS PARA O RETIRAREM DA SOLIDÃO DE SUA CASA APÓS MORTE DE SUA ESPOSA). NÃO ESTAVA A CONSEGUIR FAZER SEU LUTO SEM AUXILIO. SENTIA-SE A MORRER "DEVAGARINHO" FILHOS!? QUE QUANDO OS SEUS PAIS OS VISITAM, NA ESPERANÇA VÃ DE SEREM CONVIDADOS A FICAR PARA VIVER O RESTO DOS SEUS DIAS COM PAZ, LHE OFERECEM UM QUARTO NUM VÃO DE ESCADA, APETRECHADO DE MAQUINAS DE FAZER GINÁSTICA. QUANDO A CASA TEM QUARTOS, VAZIOS EM CONDIÇÕES HABITÁVEIS, (ATÉ LUXUOSOS) E LHES DÃO A ENTENDER CLARAMENTE QUE TÊM NOJO DELE. ENFIM: FILHOS!? PORTADORES DE MUITA GANANCIA, E DESEJO CRIMINOSO, DE SEREM DONOS DO QUE AINDA NÃO LHES PERTENCE, PORQUE NADA FIZERAM OU, AJUDARAM A FAZER, PARA O GANHAR.
PARA QUANDO? EM PORTUGAL A LEI QUE PERMITA! A UM PAI OU MÃE PODER DESERDAR SEUS FILHOS E VIVER O RESTO DOS SEUS DIAS COM A PAZ E DESCONTRAÇÃO QUE NÃO TIVERAM NA SUA VIDA ATIVA!?....
Uma geração que consente deixar-se representar por
um Dantas é uma geração que nunca o foi. É um coio d'indigentes, d'indignos e
de cegos! É uma resma de charlatães e de vendidos, e só pode parir abaixo de
zero!
Abaixo a geração!
Morra o Dantas, morra! Pim!
Uma geração com um Dantas a cavalo é um burro
impotente!
Uma geração com um Dantas ao leme é uma canoa em
seco!
O Dantas é um cigano!
O Dantas é meio cigano!
O Dantas saberá gramática, saberá sintaxe, saberá
medicina, saberá fazer ceias pra cardeais, saberá tudo menos escrever que é a
única coisa que ele faz!
O Dantas pesca tanto de poesia que até faz sonetos
com ligas de duquesas!
O Dantas é um habilidoso!
O Dantas veste-se mal!
O Dantas usa ceroulas de malha!
O Dantas especula e inocula os concubinos!
O Dantas é Dantas!
O Dantas é Júlio!
Morra o Dantas, morra! Pim!
O Dantas fez uma soror Mariana que tanto o podia ser
como a soror Inês ou a Inês de Castro, ou a Leonor Teles, ou o Mestre d'Avis,
ou a Dona Constança, ou a Nau Catrineta, ou a Maria Rapaz!
E o Dantas teve claque! E o Dantas teve palmas! E o
Dantas agradeceu!
O Dantas é um ciganão!
Não é preciso ir pró Rossio pra se ser pantomineiro,
basta ser-se pantomineiro!
Não é preciso disfarçar-se pra se ser salteador,
basta escrever como o Dantas! Basta não ter escrúpulos nem morais, nem
artísticos, nem humanos! Basta andar com as modas, com as políticas e com as
opiniões! Basta usar o tal sorrisinho, basta ser muito delicado, e usar coco
e olhos meigos! Basta ser Judas! Basta ser Dantas!Morra o Dantas, morra! Pim!
O Dantas nasceu para provar que nem todos os que
escrevem sabem escrever!
O Dantas é um autómato que deita pra fora o que a
gente já sabe o que vai sair... Mas é preciso deitar dinheiro!
O Dantas é um soneto dele-próprio!
O Dantas em génio nem chega a pólvora seca e em
talento é pim-pam-pum.
O Dantas nu é horroroso!
O Dantas cheira mal da boca!
Morra o Dantas, morra! Pim!
O Dantas é o escárnio da consciência!
Se o Dantas é português eu quero ser espanhol!
O Dantas é a vergonha da intelectualidade
portuguesa!
O Dantas é a meta da decadência mental!
E ainda há quem não core quando diz admirar o
Dantas!
E ainda há quem lhe estenda a mão!
E quem lhe lave a roupa!
E quem tenha dó do Dantas!
E ainda há quem duvide que o Dantas não vale nada, e
que não sabe nada, e que nem é inteligente, nem decente, nem zero!
Vocês não sabem quem é a soror Mariana do Dantas? Eu
vou-lhes contar:
A princípio, por cartazes, entrevistas e outras
preparações com as quais nada temos que ver, pensei tratar-se de soror
Mariana Alcoforado a pseudo autora daquelas cartas francesas que dois
ilustres senhores desta terra não descansaram enquanto não estragaram pra
português, quando subiu o pano também não fui capaz de distinguir porque era
noite muito escura e só depois de meio ato é que descobri que era de
madrugada porque o bispo de Beja disse que tinha estado à espera do nascer do
Sol!
A Mariana vem descendo uma escada estreitíssima mas
não vem só, traz também o Chamilly que eu não cheguei a ver, ouvindo apenas
uma voz muito conhecida aqui na Brasileira do Chiado. Pouco depois o bispo de
Beja é que me disse que ele trazia calções vermelhos.
A Mariana e o Chamilly estão sozinhos em cena, e às
escuras, dando a entender perfeitamente que fizeram indecências no quarto.
Depois o Chamilly, completamente satisfeito, despede-se e salta pela janela
com grande mágoa da freira lacrimosa. E ainda hoje os turistas têm ocasião de
observar as grades arrombadas da janela do quinto andar do Convento da
Conceição de Beja na Rua do Touro, por onde se diz que fugiu o célebre
capitão de cavalos em Paris e dentista em Lisboa.
A Mariana que é histérica começa a chorar
desatinadamente nos braços da sua confidente e excelente pau-de-cabeleira
soror Inês.
Vêm descendo pla dita estreitíssima escada, várias
Marianas, todas iguais e de candeias acesas, menos uma que usa óculos e
bengala e ainda toda curvada prá frente o que quer dizer que é abadessa.
E seria até uma excelente personificação das bruxas
de Goya se quando falasse não tivesse aquela voz tão fresca e maviosa da Tia
Felicidade da vizinha do lado. E reparando nos dois vultos interroga
espaçadamente com cadência, austeridade e imensa falta de corda... Quem está
aí?... E de candeias apagadas?
- Foi o vento, dizem as pobres inocentes varadas de
terror... E a abadessa que só é velha nos óculos, na bengala e em andar
curvada prá frente manda tocar a sineta que é um dó d'alma o ouvi-la assim
tão debilitada. Vão todas pró coro, mas eis que, de repente, batem no portão
sem se anunciar nem limpar-se da poeira, sobe a escada e entra plo salão um
bispo de Beja que quando era novo fez brejeirices com a menina do chocolate.
Agora completamente emendado revela à abadessa que
sabe por cartas que há homens que vão às mulheres do convento e que ainda há
pouco vira um de cavalos a saltar pla janela. A abadessa diz que efetivamente
já há tempos que vinha dando pela falta de galinhas e tão inocentinha,
coitada, que naqueles oitenta anos ainda não teve tempo pra descobrir a razão
da humanidade estar dividida em homens e mulheres. Depois de sérios embaraços
do bispo é que ela deu com o atrevimento e mandou chamar as duas freiras de
há pouco com as candeias apagadas. Nesta altura esta peça policial toma um
pedaço d'interesse porque o bispo ora parece um polícia de investigação
disfarçado em bispo, ora um bispo com a falta de delicadeza de um polícia
d'investigação, e tão perspicaz que descobre em menos de meio minuto o que o
público já está farto de saber - que a Mariana dormiu com o Noel. O pior é
que a Mariana foi à serra com as indiscrições do bispo e desata a berrar, a
berrar como quem se estava marimbando pra tudo aquilo. Esteve mesmo muito
perto de se estrear com um par de murros na coroa do bispo no que se mostrou
de um atrevimento, de uma insolência e de uma decisão refilona que excedeu
todas as expectativas.
Ouve-se uma corneta tocar uma marcha de clarins e
Mariana sentindo nas patas dos cavalos toda a alma do seu preferido foi qual
pardalito engaiolado a correr até às grades da janela gritar desalmadamente
plo seu Noel. Grita, assobia e rodopia e pia e rasga-se e magoa-se e cai de
costas com um acidente, do que já previamente tinha avisado o público e o
pano cai e o espectador também cai da paciência abaixo e desata numa destas
pateadas tão enormes e tão monumentais que todos os jornais de Lisboa no dia
seguinte foram unânimes naquele êxito teatral do Dantas.
A única consolação que os espectadores decentes
tiveram foi a certeza de que aquilo não era a soror Mariana Alcoforado mas
sim uma merdariana-aldantascufurado que tinha cheliques e exageros sexuais.
Continue o senhor Dantas a escrever assim que há-de
ganhar muito com o Alcufurado e há-de ver que ainda apanha uma estátua de
prata por um ourives do Porto, e uma exposição das maquetes pró seu monumento
erecto por subscrição nacional do "Século" a favor dos feridos da
guerra, e a Praça de Camões mudada em Praça Dr. Júlio Dantas, e com festas da
cidade plos aniversários, e sabonetes em conta "Júlio Dantas" e
pasta Dantas prós dentes, e graxa Dantas prás botas e Niveína Dantas, e
comprimidos Dantas, e autoclismos Dantas e Dantas, Dantas, Dantas, Dantas...
E limonadas Dantas- Magnésia.
E fique sabendo o Dantas que se um dia houver
justiça em Portugal todo o mundo saberá que o autor de Os Lusíadas é o Dantas
que num rasgo memorável de modéstia só consentiu a glória do seu pseudónimo
Camões.
E fique sabendo o Dantas que se todos fossem como
eu, haveria tais munições de manguitos que levariam dois séculos a gastar.
Mas julgais que nisto se resume literatura
portuguesa? Não Mil vezes não!
Temos, além disto o Chianca que já fez rimas prá
Aljubarrota que deixou de ser a derrota dos Castelhanos pra ser a derrota do
Chianca.
E as pinoquices de Vasco Mendonça Alves passadas no
tempo da avózinha! E as infelicidades de Ramada Curto! E o talento insólito
de Urbano Rodrigues! E as gaitadas do Brun! E as traduções só pra homem do
ilustríssimos excelentíssimo senhor Mello Barreto! E o frei Matta Nunes Moxo!
E a Inês Sifilítica do Faustino! E as imbecelidades do Sousa Costa! E mais
pedantices do Dantas! E Alberto Sousa, o Dantas do desenho! E os jornalistas
do Século e da Capital e do Notícias e do Paiz e do Dia e da Nação e da
República e da Lucta e de todos, todos os jornais! E os actores de todos os
teatros! E todos os pintores das Belas-Artes e todos os artistas de Portugal
que eu não gosto. E os da Águia do Porto e os palermas de Coimbra! E a estupidez
do Oldemiro César e o Dr. José de Figueiredo Amante do Museu e ah oh os Sousa
Pinto hu hi e os burros de cacilhas e os menos do Alfredo Guisado! E (o)
raquítico Albino Forjaz de Sampaio, crítico da Lucta a quem Fialho com imensa
piada intrujou de que tinha talento! E todos os que são políticos e artistas!
E as exposições anuais das Belas-Arte(s)! E todas as maquetas do Marquês de
Pombal! E as de Camões em Paris; e os Vaz, os Estrela, os Lacerda, os Lucena,
os Rosa, os Costa, os Almeida, os Camacho, os Cunha, os Carneiro, os Barros,
os Silva, os Gomes, os velhos, os idiotas, os arranjistas, os impotentes, os
celerados, os vendidos, os imbecis, os párias, os ascetas, os Lopes, os
Peixotos, os Motta, os Godinho, os Teixeira, os Câmara, os diabo que os leve,
os Constantino, os Tertuliano, os Grave, os Mântua, os Bahia, os Mendonça, os
Brazão, os Matos, os Alves, os Albuquerques, os Sousas e todos os Dantas que
houver por aí!!!!!!!!!
E as convicções urgentes do homem Cristo Pai e as
convicções catitas do homem Cristo Filho!...
E os concertos do Blanch! E as estátuas ao leme, ao
Eça e ao despertar e a tudo! E tudo o que seja arte em Portugal! E tudo! Tudo
por causa do Dantas!
Morra o Dantas, morra! Pim!
Portugal que com todos estes senhores conseguiu a
classificação do país mas atrasado da Europa e de todo o Mundo! O país mais
selvagem de todas as Áfricas! O exílio dos degredados e dos indiferentes! A
África reclusa dos europeus! O entulho das desvantagens e dos sobejos!
Portugal inteiro há-de abrir os olhos um dia - se é que a sua cegueira não é
incurável e então gritará comigo, a meu lado, a necessidade que Portugal tem
de ser qualquer coisa de asseado!
Morra o Dantas, morra! Pim!
José de Almada Negreiros
Poeta d'Orpheu
Futurista E Tudo
1915
Acerca se
Almada Negreiros
José Sobral de Almada Negreiros GOSE
(Trindade, São Tomé e Príncipe, 7 de Abril de 1893 — Lisboa, 15 de Junho de
1970) foi um artista multidisciplinar português que se dedicou fundamentalmente
às artes plásticas (desenho, pintura, etc.) e à escrita (romance, poesia,
ensaio, dramaturgia), ocupando uma posição central na primeira geração de
modernistas portugueses
Almada Negreiros é uma figura ímpar
no panorama artístico português do século XX. Essencialmente autodidata (não
frequentou qualquer escola de ensino artístico), a sua precocidade levou-o a
dedicar-se desde muito jovem ao desenho de humor. Mas a notoriedade que
adquiriu no início de carreira prende-se acima de tudo com a escrita,
interventiva ou literária. Almada teve um papel particularmente ativo na
primeira vanguarda modernista, com importante contribuição para a dinâmica do
grupo ligado à Revista Orpheu, sendo a sua ação determinante para que essa
publicação não se restringisse à área das letras. Aguerrido, polémico, assumiu
um papel central na dinâmica do futurismo em Portugal: "Se à introversão
de Fernando Pessoa se deve o heroísmo da realização solitária da grande obra
que hoje se reconhece, ao ativismo de Almada deve-se a vibração espetacular do
«futurismo» português e doutras oportunas intervenções públicas, em que era
preciso dar a cara
Em Portugal as águas agitam-se. A
política está em ebulição. Os partidos monárquicos não se entendem. Todos
ambicionam o poder. Enquanto isto, os republicanos unem-se, movimentam-se. O 5
de Outubro de 1910, a Revolução. É a implantação da República. Muitos são
perseguidos. Novas ideiam adotadas. Combate-se o passado. O anticlericalismo
grassa. Não tinha sido a Igreja o grande protetor do poder? É preciso remodelar.
Os Jesuítas são uma elite. A sua influência deve acabar. O Colégio de Campolide
é extinto.
Almada vai para o Liceu de Coimbra.
Não por muito tempo. Em 1911 ingressa na Escola Internacional em Lisboa. O
sistema de ensino é diferente. Facilitam-lhe um espaço que serve de oficina.
Aprende por conta própria.
"Eu sou o resultado consciente
da minha própria experiência"
O movimento artístico português
necessita de inovação. Os artistas plásticos continuam a satisfazer os gostos
de uma sociedade burguesa. O naturalismo predomina na arte. Os impressionistas
não têm repercussões em Portugal. É um país limitado. Almada sabe-o. Há que
dizê-lo.
Em 1913 publica o primeiro desenho
n’A Sátira - é necessário agitar a mentalidade artística portuguesa. No mesmo
ano faz a primeira exposição individual. São cerca de 90 desenhos.
Fernando Pessoa escreve uma crítica à
exposição. Quando Almada o aborda, responde-lhe que não percebe nada de arte...
Nasce a amizade.
Almada Negreiros participa no
lançamento da revista ORPHEU.
Júlio Dantas deprecia o trabalho. Reações à
inovação. Critica a publicidade feita à revista. Afirma não haver justificação
para o sucesso. Diz que os autores são pessoas sem juízo.
A 21 de Outubro do mesmo ano
estreia-se a peça Soror Mariana. O autor é Júlio Dantas. Almada vai agora
reagir. Publica o Manifesto Anti Dantas e por extenso. O manifesto não é apenas
contra Dantas. É uma reação contra uma geração tradicionalista, uma sociedade
burguesa, um país limitado.
No fim assina: POETA D' ORPHEU,
FUTURISTA E TUDO.
Almada é também um caso particular no modo
como se posicionou em termos de carreira artística. Esteve em Paris, como quase
todos os candidatos a artista então faziam, mas fê-lo desfasado dos
companheiros de geração e por um período curto, sem verdadeiramente se entrosar
com o meio artístico parisiense. E se Paris foi para ele pouco mais do que um
ponto de passagem, a sua segunda permanência no estrangeiro revelou-se ainda
mais atípica. Residiu em Madrid durante vários anos e o seu regresso ficou associado
à decisão de se centrar definitiva e exclusivamente em Portugal.
A I Guerra Mundial assola a Europa.
Muitos artistas portugueses regressam a Portugal: Amadeu Sousa Cardoso,
Guilherme Santa Rita, Eduardo Viana, são alguns deles. Outros são refugiados:
Sónia e Robert Delaunay.
O Manifesto causa impacto nos meios
artísticos. Afinal há alguém que ousa contestar a cultura instituída. Alguém
que ousa criticar a sociedade, o País. Não se pode ficar ausente. É necessário
intervir. Unir esforços para que haja uma Acão artística. Um movimento que
cresça...
É o modernismo da arte portuguesa. O
movimento não pára: nas letras e nas artes. Portugal está no século XX. A
transformação é uma necessidade. É preciso agitar, por vezes provocando. Almada
fá-lo no Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do séc. XX
É preciso criar a Pátria Portuguesa
do séc. XX
O Povo completo será aquele que tiver
reunido no seu máximo todas as qualidades e todos os defeitos. Coragens
Portugueses, só vos faltam as qualidades.
Almada Negreiros pinta murais em
Madrid.
Almada Negreiros faz os vitrais da
Igreja de Nossa Senhora de Fátima.
Almada Negreiros pinta os painéis das
Gares Marítimas de Alcântara e da Rocha
Em 59 o SNI atribui-lhe o
"Prémio Nacional das Artes". Galardão que não serve para calar o
mestre. No mesmo ano Almada assina um protesto público pela nomeação de Eduardo
Malta para Diretor do Museu de Arte Contemporânea. Nunca o Mestre será moldado.
Continua a dizer o que pensa, mesmo que o poder não goste. É ainda o menino com
olhos de gigante.
O Estado sabe que não convém
hostilizar o Mestre. Tanto mais que Almada é um artista reconhecido,
homenageado. Melhor será partilhar a opinião geral. Decidem nomeá-lo procurador
à Câmara Corporativa na subsecção de Belas- Artes. No ano seguinte propõem-lhe,
e aceita, o Grande Oficialato da Ordem de Santiago Espada.
Almada tem 75 anos. A vitalidade
ainda perdura. Executa o painel Começar para o átrio da Fundação Calouste
Gulbenkian e os frescos para a Faculdade de Ciências da Universidade de
Coimbra.
Ao longo da vida empenhou-se numa
enorme diversidade de áreas e meios de expressão – desenho e pintura, ensaio,
romance, poesia, dramaturgia… até o bailado –, que Fernando de Azevedo
classifica de "fulgurante dispersão"5 . Sem se fixar num domínio
único e preciso, o que emerge é sobretudo a imagem do artista total,
inclassificável, onde o todo supera a soma das partes. Também neste aspeto
Almada se diferencia dos seus pares mais notáveis, Amadeo de Souza-Cardoso e
Fernando Pessoa, cuja concentração num território único, exclusivo, foi
condição necessária à realização das obras máximas que nos deixaram como
legado.
Personalidade incontornável, a
inserção de Almada Negreiros na vida e na cultura nacionais é extremamente
complexa; segundo José Augusto França, dele fica sobretudo a imagem de
"português sem mestre" e, também, tragicamente, "sem discípulos
Em 1970 o Retrato de Fernando Pessoa
é leiloado. Almada assiste ao leilão. O preço atingido, 1300 contos, causa
admiração. Nunca um pintor português conseguira tal proeza.
No mesmo ano assina o acordo para a
publicação do primeiro volume das suas Obras Completas.
Em Junho dá entrada no Hospital de S.
Luís dos Franceses.
No dia 15 morre. No mesmo quarto onde
morrera Fernando Pessoa.
Em tempos Almada respondera a alguém:
AS PESSOAS QUE EU MAIS ADMIRO SÃO
AQUELAS QUE NUNCA ACABAM
Do latim
traditĭo, a traição é o erro que quebra a lealdade ou a fidelidade que se
deveria guardar para com alguém ou algo. Consiste em renegar, seja através de
ações ou de dizeres (palavras), um compromisso de lealdade.
AMIZADE
Amizade
verdadeira é aquela que existe entre pessoas, entre pessoas e animais, onde um
pode confiar no outro acima de qualquer coisa.
A história e
a literatura estão cheias de exemplos de grandes amizades: Sherlock Holmes e
Watson, Dom Quixote e Sancho Pança, John Lennon e Paul McCartney… Mas nem
sempre a lealdade prevalece e alguns casos tiveram um desfecho trágico. Conheça
grandes traições que marcaram relações aparentemente inabaláveis.
TRAIÇÕES AO LONGO DA HISTÓRIA
A primeira
grande traição da História, está relatada na Bíblia: (simbólica ou não) é a de
Eva e Adão, quando traíram Deus, ao comer o fruto proibido! Resultado: a
humanidade foi expulsa do Paraíso e condenada a viver num verdadeiro inferno:
com guerras, fomes, diferenças sociais, etc. Reparemos que só os humanos vivem
estas situações, os restantes seres vivos do universo nosso conhecido são
inocentes.
Outra grande
traição que continua a ser relatada na Bíblia: Judas Iscariotes, um dos 12
apóstolos de Jesus Cristo, é o traidor mais famoso de todos os tempos. Tanto
que seu nome virou sinónimo de traidor. Por 30 moedas de prata ele entregou
Jesus aos romanos. Depois da última ceia, Judas o beijou no rosto, o sinal que
havia combinado com os soldados romanos. O fim da história toda conhece: Jesus
foi crucificado. Judas terá- se arrependido e suicidou-se. Covarde como era,
escolheu uma morte rápida (enforcou-se). A ironia é que esta traição, talvez
tenha sido, na verdade, a maior prova de amizade: ao trair Jesus, Judas teria
sido o único apóstolo a ajudá-lo a cumprir com seu destino.
Outra grande traição Marcus Junius Brutus,
membro da aristocracia romana, lutou contra César ao apoiar Pompeu Magno nas
guerras civis romanas, mas foi posteriormente perdoado e nomeado pretor, como
favorecido de Júlio César. Contudo, a lealdade do general romano não durou
muito tempo: ele conspirou com Cassius, outro general, para a morte do
imperador. Numa reunião do Senado, César foi apunhalado, caindo aos pés da
estátua de Pompeu. Suas últimas palavras teriam sido “Tu também, meu filho?”,
(Brutus era filho adotivo de César) ao referir-se a Brutus. A versão mais
conhecida veio da peça de Shakespeare: “Até tu, Brutus?”.
Outra grande traição ocorre na Lusitânia
quando esta foi ocupada pelos romanos. Roma cansada de derrotas, envia novo
general, Servílio Cipião. Este renova os combates com Viriato, mas este mantém
superioridade militar e força-o a pedir uma nova paz. Envia, neste processo,
três comissários de sua confiança (lusitanos que se venderam a Roma) Audas, Ditalco e Minuros. Cipião recorreu ao
suborno dos companheiros de Viriato, que assassinaram o grande chefe enquanto
dormia. Um desfecho trágico para Viriato e os lusitanos, e vergonhoso para
Roma, superpotência da época, e que se intitulava arauto da civilização.
A traição
está entre os capítulos mais sombrios - e saborosos - da História ocidental. A
própria Bíblia cita vários casos, além dos casos citados acima temos a traição
doprimogênito de Adão e
Eva, Caim ficou enciumado da predileção de Deus por seu irmão mais novo. Levou
Abel para um campo deserto, onde o matou. Tratado de não-agressão
germano-soviético. O pacto estabelecia que a Alemanha nazista de Hitler e a
URSS de Stelina não iriam interferir uma na outra em termos bélicos até que, em
1941, sem grandes explicações, Hitler atacou os russos na Operação Barbarossa.
A URSS, após tamanha traição, entrou de vez na guerra ao lado dos Aliados. O
resto é história conhecida. Enfim. Há tantas histórias de amizade e traição,
sim! Porque para haver traição, tem de ter havido amizade ou pseudoamizade. A palavra
"traição", mudou de sentido ao longo do tempo. "Hoje ela é acima
de tudo um crime contra o Estado. Mas nem sempre foi esse o caso" Trair
começou a ganhar status laico e
jurídico na Roma antiga. Segundo o historiador do direito Simon Hirsch, os
romanos inventaram o conceito de crimen maiestatis (lesa-majestade) para atos
contra a soberania de Estado, o que incluía excentricidades como destruir a
estátua do imperador.
Mas a traição também existe entre as pessoas
comuns, que não hesitam em servir-se de um amigo enquanto o consideram útil, e
dar-lhe um pontapé quando já não o é. Todos nós já fomos vítimas de traição,
por aquelas pessoas que considerávamos as nossas melhores amigas. Sim! Essas mesmas
por quem até daríamos a vida
O escritor e jornalista Baptista Bastos disse
uma frase, que eu considero extraordinária, no programa INESQUECÍVEL da RTP 1,
com Júlio Isidro. Vejamos: “NÃO HÁ ATO
MAIS SÓRDIDO E REPUGNANTE DO QUE TRAIR UM AMIGO”. Como eu concordo com esta
frase! Obrigada Baptista Bastos por a dizer num programa público.
SOBRE BAPTISTA BASTOS
Baptista Bastos e Julio Isidro
Armando
Baptista-Bastos (Lisboa, 27 de Fevereiro de 1934) é um jornalista e escritor
português.
Estudou na
Escola de Artes Decorativas António Arroio e no Lycée Français Charles
Lepierre, em Lisboa. Iniciou a sua carreira profissional na redação de O Século
passando, de seguida, a subchefe de redação de O Século Ilustrado. Foi redator
de outros jornais, como O Diário, República, Europeu, Almanaque, Seara Nova,
Gazeta Musical e Todas as Artes, Época, Sábado e Diário Popular, onde permaceu por
duas décadas. Foi correspondente da Agence France-Presse, em Lisboa. Assinou
ainda várias colunas no Jornal de Notícias, A Bola, Tempo Livre e, como
crítico, colaborou com o Jornal de Letras, Artes e Ideias, o Expresso, o Jornal
do Fundão, o Correio do Minho e o Diário Económico. Fundou ainda o semanário O
Ponto, periódico que registou uma série de entrevistas semanais. Na rádio leu
as suas crónicas, nomeadamente na Antena 1 e na Rádio Comercial. Atualmente é
colunista do Diário de Notícias e do Jornal de Negócios.
Na televisão
deu-se a conhecer como apresentador, na década de 1990, do programa Conversas
Secretas na SIC. A convite do jornal Público, realizou uma série de dezasseis
entrevistas sob a designação «Onde é que você estava no 25 de Abril?», posteriormente
editadas em CD-ROM.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
RTP 1
Coimbra, Janeiro de 2015
Carminda Neves
Poema maravilhoso e revolucionário de José Carlos Ary dos
Santos, Música "diferente" também revolucionária de Nuno Nazareth
Fernandes, canta Hugo Maia de Loureiro.
A censura não reparou? Estávamos em 1970
CANÇÃO DE MADRUGAR
De linho te vesti
De nardos te enfeitei
Amor que nunca vi
Mas sei...
Sei dos teus olhos acesos na noite
Sinais de bem despertar
Sei dos teus braços abertos a todos
Que morrem devagar
Sei meu amor inventado que um dia
Teu corpo pode acender
Uma fogueira de sol e de fúria
Que nos verá nascer
Irei beber em ti
O vinho que pisei
O fel do que sofri
E dei... dei...
Dei do meu corpo o chicote de força
Razei meus olhos com água
Dei do meu sangue uma espada de raiva
E uma lança de magua
Dei do meu sonho uma corda de insonias
Cravei meus braços com setas
Descubri rosas alarguei cidades
E construi poetas
E nunca, nunca te encontrei
Na estrada do que fiz
Amor que não lucrei
Mas quis... quis...
Sei meu amor inventado que um dia
Teu corpo há-de acender
Uma fogueira de sol e de furia
Que nos verá nascer
Então nem choros, nem medos, nem uivos, nem gritos, nem...
pedras, nem facas, nem fomes, nem secas, nem...
feras, nem ferros, nem farpas, nem farças, nem...
forcas, nem gardos, nem dardos, nem guerras, nem...
choros, nem medos, nem uivos, nem gritos, nem...
pedras, nem facas, nem fomes, nem secas, nem...
feras, nem ferros, nem farpas, nem farças, nem mal...
José Carlos Ary
dos Santos
José Carlos Pereira Ary dos Santos GOIH (Lisboa, 7 de
Dezembro de 1937 — Lisboa, 18 de Janeiro de 1984) foi um poeta e declamador
português.
Ficou na História da música portuguesa por ter escrito
poemas de 4 canções participantes no Festival Eurovisão da Canção: Desfolhada
Portuguesa (1969), com interpretação de Simone de Oliveira, Menina do Alto da
Serra (1971), interpretada por Tonicha, Tourada (1973), interpretada por
Fernando Tordo e Portugal no Coração (1977), interpretada pelo grupo Os Amigos.
Proveniente de uma família da alta burguesia, com
antepassados aristocratas, era filho do médico Carlos Ary dos Santos
(1905-1957) e de Maria Bárbara de Miranda e Castro Pereira da Silva
(1899-1950).
Estudou no Colégio de São João de Brito, em Lisboa, onde foi
um dos primeiros alunos. Após a morte da mãe, vê publicados, pela mão de vários
familiares, alguns dos seus poemas. Tinha catorze anos e viria, mais tarde, a
rejeitar esse livro. Ary dos Santos revelaria, verdadeiramente, as suas
qualidades poéticas em 1954, com dezasseis anos de idade. Várias poesias suas
integraram então a Antologia do Prémio Almeida Garrett.
Pela mesma altura, Ary, incompatibilizado com o pai,
abandona a casa da família. Para seu sustento económico exerce as mais variadas
atividades, que passariam pela venda de máquinas para pastilhas elásticas, até
ao trabalho numa empresa de publicidade. Não cessa de escrever e, entretanto,
dá-se a sua estreia literária efetiva, com a publicação de A Liturgia do Sangue
(1963). Em 1969 adere ao Partido Comunista Português, com qual participa
ativamente nas sessões de poesia do então intitulado Canto Livre Perseguido.
Através da música chegará ao grande público, concorrendo,
por mais que uma vez, ao Festival RTP da Canção, sob pseudónimo, como exigia o
regulamento. Classificar-se-ia em primeiro lugar com as canções Desfolhada
Portuguesa (1969), com interpretação de Simone de Oliveira, Menina do Alto da
Serra (1971), interpretada por Tonicha, Tourada (1973), interpretada por
Fernando Tordo e Portugal no Coração (1977), interpretada pelo grupo Os Amigos.
Com Fernando Tordo escreve mais de 100 poemas para canções
do músico e o duo Tordo/Ary continua a ser, até hoje, um dos mais profícuos da
História da Música Portuguesa. São de suas autorias canções intemporais como
Tourada, Estrela da Tarde, Cavalo à Solta, Lisboa Menina e Moça, O amigo que eu
canto, Café, Dizer Que Sim à Vida e Rock Chock. Estas canções foram
interpretadas por cantores como Fernando Tordo, Carlos do Carmo, Mariza, Amália
Rodrigues, Mafalda Arnauth e Paulo de Carvalho.
Após o 25 de Abril, torna-se um ativo dinamizador cultural
da esquerda, percorrendo o país de lés a lés. No Verão Quente de 1975,
juntamente com militantes da UDP e de outras forças radicais, envolve-se no
assalto à Embaixada de Espanha, em Lisboa.
Autor de mais de seiscentos poemas para canções, Ary dos
Santos fez no meio muitos amigos. Gravou, ele próprio, textos ou poemas de e
com muitos outros autores e intérpretes. Notabilizou-se também como declamador,
tendo gravado um duplo álbum contendo O Sermão de Santo António aos Peixes, do
Padre António Vieira. À data da sua morte tinha em preparação um livro de
poemas intitulado As Palavras das Cantigas, onde era seu propósito reunir os
melhores poemas dos últimos quinze anos, e um outro intitulado Estrada da Luz -
Rua da Saudade, que pretendia ser uma autobiografia romanceada
Homem de forte personalidade e de apetites excessivos,
grande fumador e bebedor, acabaria por adoecer de cirrose, vindo a morrer a 18
de Janeiro de 1984. O seu nome foi dado a um largo do Bairro de Alfama,
descerrando-se uma lápide evocativa na fachada da sua casa, na Rua da Saudade,
onde viveu praticamente toda a sua vida. Ainda em 1984 foi lançada a obra VIII
Sonetos de Ary dos Santos, com um estudo sobre o autor de Manuel Gusmão e
planeamento gráfico de Rogério Ribeiro, no decorrer de uma sessão na Sociedade
Portuguesa de Autores, da qual o autor era membro. Em 1988, Fernando Tordo
editou o disco O Menino Ary dos Santos, com os poemas escritos por Ary dos
Santos na sua infância. Em 2009, Mafalda Arnauth, Susana Félix, Viviane e
Luanda Cozetti dão voz ao álbum de tributo Rua da Saudade - canções de Ary dos
Santos.
Hoje, o poeta do povo é reconhecido por todos e todos
conhecem José Carlos Ary dos Santos, pois a sua obra permanece na memória de
todos e, estranhamente, muitos dos seus poemas continuam atualizados. Todos os
grandes cantores o interpretaram e ainda hoje surgem boas vozes a cantá-lo na
perfeição. Desde Fernando Tordo, Simone de Oliveira, Tonicha, Paulo de
Carvalho, Carlos do Carmo, Amália Rodrigues, Maria Armanda, Teresa Silva
Carvalho, Vasco Rafael, entre outros, até aos mais recentes como Susana Félix,
Viviane, Mário Barradas, Vanessa Silva e Katia Guerreiro.
A 4 de Outubro de 2004 foi feito Grande-Oficial da Ordem do
Infante D. Henrique a título póstumo.2