sábado, 25 de outubro de 2014

O ASSASSINO DO GENERAL HUMBERTO DELGADoO

    Eram quase três da tarde em Badajoz naquele dia 13 de Fevereiro de 1965. O general Humberto Delgado e a sua secretária, Arajaryr Campos, encontravam-se na estação de comboios e ele, mesmo sem haver sol, encontrava-se de óculos escuros e com um cachecol a tapar-lhe quase todo o rosto. A grande figura da oposição ao Estado Novo estava prestes a partir para uma reunião que julgava determinante para derrubar o regime. A ansiedade já devia ser grande quando viram aproximar-se o homem que haviam conhecido apenas umas horas antes, "o Dr. Castro e Sousa" Ernesto Lopes Ramos (seu nome verdadeiro). Cumprimentaram-se, saíram discretamente da plataforma e, fora do edifício, encaminharam-se para o Renault Caravelle que o homem estacionara ali perto. Delgado sentou-se ao lado do condutor. Atrás, a sua secretária brasileira tentou atenuar o ambiente tenso, com conversa de circunstância.
    A tensão era facilmente explicável: dirigiam-se a uma reunião secreta com um grupo de oficiais do Exercito Português que prometiam apoiar o General num golpe contra o governo de António Oliveira Salazar. Pela estrada entre campos não passava vivalma. Ao fim de alguns quilómetros a secretária anunciou o que todos desejavam: avistara um carro verde! Um pouco atrás, fora da estrada. Entusiasmado Delgado confirmou ter visto um Opel Record verde-escuro, exatamente igual ao que o Dr. Castro e Sousa dissera pertencer ao coronel com quem se iam encontrar. O Renault fez marcha atrás, parou, arrancou, saiu da estrada e entrou por um caminho de terra batida. Adiante uns homens esperavam-nos. Uma pequena clareira protegida por um cerro parecia o cenário quase perfeito para um encontro secreto.
     Logo que o carro parou, Humberto Delgado saiu e dirigiu-se ao coronel. Este começou a avançar em sua direção. Coxeava um pouco. Foi então que tudo se precipitou: Delgado viu aproximar-se um homem enorme de gabardina branca. A aparência não permitia dúvidas: não se tratava de um oficial do Exercito Português. Delgado interpelou o desconhecido, mas já era demasiado tarde, a última imagem que terá visto foi o olhar do homem que o assassinou a tiro, Casimiro Monteiro, chefe de brigada da polícia política do regime, a PIDE. O Dr. Castro e Sousa, que o conduzira à cilada, era o subinspetor Ernesto Lopes Ramos, que tivera o apoio do chefe de brigada Agostinho Tienza.
     A PIDE eliminara o mais perigoso opositor ao regime. O “coronel que coxeava” (o inspetor Rosa Casaco) ordenou logo que matassem a secretária que estava aos gritos. O seu corpo foi atirado para junto do de Delgado, na mala do Opel verde-escuro.
   Casimiro Monteiro entrou na História de Portugal deste medonho modo, com o crime de Badajoz. Porém, a sua história começou a muitos milhares de quilómetros de distância dali, a 28 de Dezembro de1920 em Goa India localidade onde nasceu.

SEMINARISTA, DESERTORE LEGIONÁRIO

Casimiro Emérito Rosa Teles Jordão Monteiro era descendente de Joaquim Teles Jordão, brigadeiro, que no século XIX fora um absolutista fervoroso, lutou ao lado de D. Miguel na guerra civil contra os liberais. Foi um dos governadores da, então, infame Torre de S. Julião da Barra, que funcionava como prisão e palco de torturas. A sua reputação era tal que quando foi preso e reconhecido em Cacilhas, o executaram imediatamente. O pai de Casimiro, José Teles Jordão Monteiro, nasceu em Valpaços, seguiu a carreira militar. (tradição familiar) Chegou a 2º sargento e foi destacado para a India, onde casou com Maria Alves Castro, tiveram sete filhos sendo Casimiro o mais novo.
    Quando completou a escola primária entro para o seminário, mas não tardou a aborrecer-se. Trocou a batina pela farda e deu-se como voluntário para o Exercito Português, mas também se cansou, a disciplina não era para ele. Desertou, escapou para a India, então colónia Britânica.
     De navio, fugiu para Marrocos onde ironicamente volta a envergar uma farda, a da legião Espanhola. Um porto de abrigo para fugitivos. Do Norte de África seguiu para a Europa. Em 1938, a guerra civil Espanhola precisava de todos os homens válidos. Quando nesse ano foi feita uma lista com os nomes de todos estrangeiros presentes naquele corpo militar, o seu apareceu entre os 70 portugueses que treinavam na bandeira de depósito. Um dia sem mais explicações enfiaram-nos num camião e enviados para a linha da frente na sangrenta batalha do Ebro. O assassino de Humberto Delgado tinha 18 anos.

 RAPTOS E VIOLAÇÕES
   
     Depois da guerra ficou por Espanha, fixou residência em Barcelona. Em 1941, vários dos seus amigos e camaradas alistarem-se na divisão azul (unidade falangista que iria lutar contra a união soviética a favor de Hitler). Enquanto esses homens juravam fidelidade a Hitler, Casimiro Monteiro envolveu-se em sarilhos. Preso, foi conduzido ao posto de Vilar Formoso e entregue à PVDE em 1941 (antecessora da PIDE). Ficou detido durante duas semanas. Libertado, viveu em Lisboa discretamente para reaparecer em 1943 em Inglaterra a trabalhar como talhante, tendo casado com Della King, com quem teve2 filhos. Tinha um part-time como informador da Scotlad Yard, rapidamente passou de informador a cúmplice dos criminosos. Tornou-se membro de uma quadrilha de assaltantes acabou por ser preso e condenado a 18 meses de prisão. A mulher abandonou-o e levou os filhos.
      Em liberdade levou uma vida errática, sem residência fixa e envolvido em negócios obscuros. Assumiu uma identidade falsa (Emmer Ullah) supostamente filho de um paquistanês. Em 1950 com a nova identidade obteve nacionalidade Britânica. Tinha construído toda uma personagem, faltava-lhe uma companheira à altura, encontrou-a na pessoa de Joan Raymond de nacionalidade inglesa. Tornaram-se companheiro na farsa que Casimiro montara, iniciaram uma vida dupla em que Emmer andava em viagens de negócios entre Londres e a India.
    Em Outubro de 1952 foi implicado num assalto a uma ourivesaria que correu mal um dos empregados foi assassinado. A polícia tentou prende-lo, mas ele fugiu para Bombaim, com Joan e um filho que nascera entretanto. Desta cidade foi para Goa.
   No retorno à terra natal, voltou à sua verdadeira identidade. Casimiro ressurgiu. A mulher continuou a chamar-se Joan com o apelido Ullan, só que não foi adquirido pelo casamento falso, mas herdado do pai, passou a ser uma inglesa nascida em Calcutá.

       O DEMÓNIO DE NARAKASSUR

   Graças às suas ligações na sociedade Goesa conseguiu evitar ser punido pela deserção do Exercito, anos antes. Terá narrado a sua vida com feitos gloriosas durante a guerra. Explorou uma concessão mineira com poucos lucros, até 1953.
     Apresentou-se para lutar contra o movimento goês que contestava a soberania portuguesa. Em 1954 foi integrado como agente de 2ª classe na Polícia do Estado da India, onde seu irmão Aníbal já servia. Dois anos mais tarde foi louvado pela sua atuação numa operação onde foram capturadas armas roubadas e abortado um atentado bombista. Promovido a chefe de brigada, em 1958 era considerado um dos melhores elementos da luta contra os “terroristas”. Mas entre a população era conhecido por cometer toda a espécie de crimes.
    Em 1958 estava no auge da sua carreira. Vivia com Joan e os dois filhos numa doa casa e com uma fortuna que aumentava exponencialmente. Mas quando fez uma viagem a Lisboa acompanhado pela família, foi denunciado, por alguém que o conhecia bem, porque não só referiu, os seus crimes cometidos na India, como como também o seu passado como assaltante no Reino Unido. Quando um dia passeava na Trafaria, foi interpelado pela polícia, e preso. Entrou na cadeia do Aljube a 22 de Outubro de 1958, quatro meses depois das eleições a que Delgado se candidatou.
Em Goa foi aberto um inquérito aos seus crimes, a pouco e pouco, as vítimas foram-se apresentando, para relatar o que haviam sofrido. Em poucos dias havia 72 testemunhas entre elas, havia subordinados que delataram a atividade criminosa de Casimiro. Dizendo-se alvo de ameaças de morte e acusando-o de se ter apropriado de contrabando apreendido. A lista de crimes de que iria ser acusado incluía: homicídio, extorsão, rapto, violação, sevicias, abuso de confiança, agressão, abuso de autoridade, usurpação de terreno, contrabando, destruição de propriedade, apreensões em proveito próprio de armas, munições e produtos de contrabando. Foi também mencionada uma apreensão feita durante o carnaval de 1957, várias barras de ouro foram confiscadas a três contrabandistas e entregues ao chefe de brigada Monteiro que nunca as depositou.
   Pior que tudo, a sua violência era constante, justificando um elevado Nº de mortes sempre da mesma forma “o suspeito tentou fugir”. Concluído o relatório foi enviado para o ministro do ultramar- com cópia para o próprio Salazar- salientando que em Goa. “Falar-se em Casimiro Monteiro era o mesmo que falar-se no diabo”
   Na empresa Goesa a sua queda foi saudada como o fim de um reinado de terror. Para evitar o seu nome era mencionado como: o demónio de Narakassur, que na mitologia hindu lança a morte sobre os humanos. Casimiro enfrentava a perspetiva de passar muito tempo atrás das grades. Mas, contra todas as expetativas, tirou partido da situação e aproveitou o tempo passado entre os presos para os espiar e se tornar informador da polícia secreta.

        DE PRESO A TERRORISTA. DE TERRORISTA A PIDE

      A 15 de Abril de 1959 foi transferido para a Casa de Reclusão do Governo Militar de Lisboa. Solto pouco depois, ficou a aguardar julgamento em liberdade, impedido de voltar a Goa. Mas a partir de sua casa em Queluz, começou uma campanha para limpar o seu nome e denegrir os seus acusadores do Estado da India. O seu irmão Aníbal também se envolveu nessa campanha, mas acabou por ser preso e expulso da corporação por ter forjado documentação falsa contra os seus superiores e o próprio governador- geral.
     Apesar de todas as provas contra Casimiro a PIDE começou a intervir no sentido de desacreditar as acusações. Em dezembro de 1961 a Índia invadiu e anexou Goa, Damão e Diu ao seu território, colocando em causa muitos dos elementos da acusação, quando em Dezembro de 1963 foi presente ao tribunal de Santa Clara foi absolvido.
    Em 1964 tentou ser reintegrado nos quadros da polícia portuguesa com o seu antigo posto, obtendo apenas indiferença para o seu pedido. Mas pelas mesmas razões que lhe recusavam um posto na polícia em Portugal, foi recrutado por Hermes de Oliveira e enviado numa missão secreta a Goa Operação Mamasté. O objetivo era lançar o caos no território e abalar a anexação indiana.
   No antigo território português, além de organizar atentados à bomba e espalhar o terror, aproveitou para fazer alguns ajustes de contas. Mas viu-se forçado a fugir.
   A PIDE tinha tomado nota da sua ação na Índia: além de informador, Casimiro revelara talentos especiais que podiam ser de utilidade. Não tinha a escolaridade mínima nem o cadastro limpo que a PIDE exigia aos seus chefes de brigada, mas isso não foi um entrave na hora de o admitir no seu antigo posto. Barbieri Cardoso, seu padrinho na instrução, levou-o para a Divisão de Informação numa época em que a PIDE andava entusiasmada com o golpe que preparava há dois anos.
    A Operação Outono estava para ser posta em prática e Casimiro Monteiro era o elemento que faltava para completar a brigada especial, o assassino implacável que deveria liquidar o General Humberto Delgado. Fê-lo com eficácia, mas ele e os cúmplices revelaram-se amadores ao esconder os cadáveres e as provas do duplo homicídio. O envolvimento da PIDE era evidente e a imprensa internacional apontou o dedo ao Estado Novo. Para Casimiro Monteiro, nada disso já interessava: em Abril de 1965 foi colocado em Moçambique.

       UM BULLDOG À SOLTA EM ÁFRICA

Em Fevereiro de 1968, Eduardo Mondlane dirigiu-se ao escritório da Frelimo na capital da Tanzânia para recolher correspondência. Saiu com uma encomenda especial, julgava ser um livro. Ao abrir o pacote acionou uma bomba que lhe decepou as mãos e cortou o tronco em duas partes. O governo português negou qualquer envolvimento no assassinato.
    Mas não tardou muito para surgirem as ligações entre o assassino de Mondlane e o homem que matou Humberto Delgado, Casimiro Monteiro, para isso teve a colaboração de Lázaro Nkavandame e Silvério Nungu, elementos da Frelimo com acesso ao presidente do movimento.
    Para Casimiro Monteiro, Moçambique era o território perfeito, não tardou muito que ganhasse entre as suas vítimas a mesma fama que tinha em Goa. Óscar Cardoso um agente que com ele privou, testemunhou a sua eficiência, descrevendo-o como um” bulldog. Dizia-se-lhe, faz e ele fazia,” resolvia as coisas à catanada.
    Em 1970 foi promovido a subinspetor, mas o 25 de Abril fez desabar o seu mundo. Fugiu para a África do Sul, onde os anos finais da sua vida não terão sido fáceis. Óscar Cardoso contou que, quando o encontrou em Richads Bay vivia do apoio da polícia Sul-Africana. Morreu em Janeiro de 1993. Quase cego e na miséria.
  
 ORIGEM: Revista Sábado, 2 de Outubro de 2014. Por Ricardo Silva

Coimbra, Outubro de 2014
Carminda Neves



sexta-feira, 24 de outubro de 2014

terça-feira, 21 de outubro de 2014

CONFUSÃO MENTAL DO IDOSO

ESTE E-MAIL É DE SUMA IMPORTÂNCIA NÃO SÓ PARA AQUELES QUE TEM PARENTES IDOSOS MAS TAMBÉM PARA SI PRÓPRIO, POIS UM DIA SE DEUS PERMITIR, NÓS SEREMOS IDOSOS TAMBÉM!
Confusão mental no Idoso (leia, é pequeno, importante e sério) - repasse
Principal causa da confusão mental no idoso
Arnaldo Lichtenstein, médico
Sempre que dou aula de clínica médica a estudantes do quarto ano de Medicina, lanço a pergunta:
- Quais as causas que fazem o avô ou avó terem confusão mental?
Alguns arriscam: "Tumor na cabeça".
Eu digo: "Não".
Outros apostam: "Doença de Alzheimer" Respondo, novamente: "Não".

A cada negativa a turma espanta - se... E fica ainda mais boquiaberta quando enumero os três responsáveis mais comuns:
- diabetes descontrolado;
- infecção urinária;
- a família passou um dia inteiro nas compras, enquanto os idosos ficaram em casa.
Parece brincadeira, mas não é. Constantemente o avô e a avó, sem sentir sede, deixam de beber líquidos.
Quando não há gente em casa para lembrá-los, desidratam-se com rapidez.
A desidratação tende a ser grave e afeta todo o organismo. Pode causar confusão mental abrupta, queda de pressão arterial, aumento dos batimentos cardíacos (taquicardia), (angina de peito), coma e até morte.
Insisto: não é brincadeira.
Na melhor idade, que começa aos 60 anos, temos pouco mais de 50% de água no corpo. Isso faz parte do processo natural de envelhecimento.
Portanto, os idosos têm menor reserva hídrica.
Mas há outro factor: mesmo desidratados, eles não sentem vontade de beber água, pois os seus mecanismos de equilíbrio interno não funcionam muito bem.
Conclusão:
Os idosos desidratam-se, facilmente, não apenas porque possuem reserva hídrica menor, mas também porque percebem menos a falta de água no seu corpo. Mesmo que o idoso seja saudável, fica prejudicado o desempenho das reações químicas e funções de todo o seu organismo.
Por isso, aqui vão dois alertas:
1 - O primeiro é para os avós: tornem voluntário o hábito de beber líquidos. Por líquido entenda-se água, sumos, chás, leite, sopa, gelatina e frutas ricas em água, como melão, melancia, ananás, laranja e tangerina, também funcionam. O importante é que, a cada duas horas, beber algum líquido. Lembrem-se disso!
2 - Meu segundo alerta é para os familiares: ofereçam, com frequência, líquidos aos idosos. Ao mesmo tempo, fiquem atentos. Ao perceberem que rejeitam os líquidos e, de um dia para o outro, ficam confusos, irritadiços, aéreos, falta de atenção. É quase certo que sejam sintomas decorrentes de desidratação.
Atitude a ter: "Dar-lhes líquidos e ir, rapidamente, a um serviço médico".

(*) Arnaldo Lichtenstein (46), médico, é clínico-geral do Hospital das Clínicas e professor colaborador do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
* Gostou?*
* Então divulgue. *
* Seus amigos merecem saber!*

Coimbra, Outubro de 2014
Carminda neves

a

A OLIVEIRA

A oliveira é uma árvore que pode viver mais de 2 mil anos e é típica da Europa mediterrânica.
Apesar de ser conhecida por produzir frutos, as azeitonas, e, a partir deles, o azeite (responsável pela redução do “mau” colesterol – o LDL), as folhas da oliveira possuem propriedades medicinais que são conhecidas desde a Antiguidade.
Elas são até 300% mais poderosas que o chá verde, possuem até 4 vezes mais potássio, magnésio, manganês, fósforo, selénio, cobre e zinco.
Propriedades do chá da folha de oliveira
- Ajuda a emagrecer
- Tem acção anti-oxidante
- Combate o colesterol (o LDL, ou “mau” colesterol)          
- Combate a hipertensão
- Previne o cancro (elimina radicais livres)
- Mantém o sistema imunológico equilibrado
- Possui acção antibacteriana e antifúngica
- Acção anti-inflamatória
- Combate vírus, inibindo a sua multiplicação
- Combate a gripe e o resfriado
- Combate a herpes
Com 3 ou 4 chávenas de chá de oliveira por dia – combinado com uma alimentação saudável – vai perder cerca 10% da circunferência abdominal, aproximadamente seis quilos!
Indicação
Pesquisas recentes indicam o chá de oliveira para quem sofre de qualquer um dos males que ela combate (como colesterol, hipertensão, infecções, viroses, herpes, previne o cancro), além de ser óptimo para quem quer perder alguns quilinhos.
Preparar
Para preparar o chá, aqueça a água até levantar fervura e desligue. Coloque um punhado de folhas na panela, tape e espere 10 minutos. Depois é só coar e consumir!
Barato e fácil de obter, esse chá é encontrado em grandes lojas de produtos naturais.

Dicas- Prepare um chá novo diariamente

- pode agregar outros chás ou infusões sem prejudicar a sua acção – podem ser outros chás, como de camomila, maçã, erva-cidreira; ou infusões, como gengibre, hortelã ou casca de ananás
- Por não ser vendido em “saquinhos”, o chá de oliveira mantém o seu sabor fresco e original
- Não use açúcar ou qualquer tipo de adoçante
- Não use panelas de alumínio (elas provocam intoxicação cumulativa desse metal)
Contra-indicação
O chá de oliveira é contra-indicado apenas para gestantes e lactantes.

COIMBRA, OUTUBRO DE 2014
Carminda neves

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

CARTA INTERNACIONAL DO 17 DE OUTUBRO - Dia Mundial da Erradicação da Miséria

A pobreza pode ser entendida em vários sentidos, principalmente:


Reconhecido pelas Nações Unidas como Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza
No dia 17 de outubro de 1987, Joseph Wresinski convidou cem mil pessoas vindas de todos os horizontes para que se reunissem para celebrar o primeiro Dia Mundial para a Erradicação da Miséria na Praça dos Direitos Humanos e da Liberdade, no lugar onde fora assinada em 1948 a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em Paris.
O apelo gravado na Laje comemorativa inaugurada nesse dia sublinha a situação dramática em que se encontram aquelas e aqueles que vivem numa extrema pobreza e que sofrem com a fome e com a violência. Ele proclama que a extrema pobreza é uma violação dos direitos humanos e afirma que é necessário que todos se unam para que esses direitos sejam respeitados.
As pessoas que vivem na extrema pobreza agem para defender os direitos humanos. O Dia Mundial reconhece o seu empenho quotidiano para, conjuntamente com outras pessoas, fazerem respeitar a dignidade de cada um. Ao criar novas oportunidades de encontro (e de um encontro durável), o Dia Mundial revela a possibilidade de uma mudança e suscita novas responsabilidades a fim de erradicar a miséria.
Em 1992, a Assembleia Geral das Nações Unidas declarou o 17 de outubro como sendo o “Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza”[1]. Desde então, numerosos países, autarquias e municípios, membros da sociedade civil e do setor privado têm reconhecido a importância desse Dia, a tal ponto que atualmente o 17 de outubro é considerado como um ponto de encontro essencial para um número sempre crescente de cidadãos de todas as origens e de organizações de todo o tipo que se mobilizam para a erradicação da grande pobreza.
  1. vamos nos unir por um mundo sem miséria
Nunca abandonemos ninguém !
Vamos todos, em conjunto, refletir, decidir e agir contra a miséria
   
 O tema escolhido pelas Nações Unidas, depois de terem sido consultados muitos militantes, a sociedade civil e organizações não governamentais, reconhece e sublinha o exigente desafio lançado às iniciativas individuais ou associativas, assim como aos investigadores e aos responsáveis políticos : identificar e assegurar a participação de pessoas socialmente excluídas e vivendo numa extrema pobreza na “Agenda pós 2015”, na continuação dos Objetivos do Milénio para o Desenvolvimento 
.
    O apelo “Nunca abandonemos ninguém !” sublinha como é urgente erradicar as discriminações por causa da pobreza, ou fundamentadas na origem étnica, no sexo ou no estatuto económico e social. Ele leva-nos a procurar ativamente os grupos e as populações mais pobres e mais excluídas das nossas sociedades. Leva-nos também a alinhar os objetivos do desenvolvimento e a sua realização com as normas dos Direitos Humanos, para que concordem com os Princípios Diretivos sobre a Extrema Pobreza e os Direitos Humanos.

  • Carência cogonal; tipicamente envolvendo as necessidades da vida cotidiana como alimentação, vestuário, alojamento e cuidados de saúde. Pobreza neste sentido pode ser entendida como a carência de bens e serviços essenciais.
  • Falta de recursos econômicos; nomeadamente a carência de rendimento ou riqueza (não necessariamente apenas em termos monetários). As medições do nível econômico são baseadas em níveis de suficiência de recursos ou em "rendimento relativo". A União Europeia, nomeadamente, identifica a pobreza em termos de "distância econômica" relativamente a 60% do rendimento mediano da sociedade.
  • Carência Social; como a exclusão social, a dependência e a incapacidade de participar na sociedade. Isto inclui a educação e a informação. As relações sociais são elementos chave para compreender a pobreza pelas organizações internacionais, as quais consideram o problema da pobreza para lá da economia.

ORIGEM: Por um mundo sem miséria
                  Wikipédia, a enciclopédia livre.
Coimbra, Outubro 2014
Carminda neves

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

LENDA DO CASTELO DE COIMBRA



Encostado à janela da sua alcova nos paços de Coimbra, D. Sancho II olha sem ver o aspaço que a noite toldou. Está realmente escuro. Muito escuro. Negro e frio o ambiente lá fora. Dentro dos paços de Coimbra, porém, não sente menos frio o rei português. Tão acabrunhado se encontra, que nem dá pela presença de sua esposa, D. Mécia Lopes. Ela caminha para ele. Tem um lave trejeito ao vê-lo inclinado para o exterior, como se quisesse perguntar à noite escura a razão de lhe quererem roubar o que de legitimo lhe pertence- o seu trono! (D. Sancho II foi deposto por seu irmão D. Afonso III conde de Bolonha) Como o rei continuava envolto nos seus pensamentos tristes, é ela quem fala:
   Senhor! Esqueceis-vos que é tempo de descansarmos?
Ele voltou-se, apanhado de surpresa. Ela sorri-lhe.
   Então que pensais com tanto afinco?
O rei respondeu com voz cansada:
   Acaso ignorais que me preocupa a guerra civil?
A rainha faz um trejeito desdenhoso.
   Que ironia a vossa senhor! Uma guerra civil não poderá amachucar-vos mais do que as outras em que vos empenhastes com os Mouros…
  O rei confessa:
    Esta guerra que meu irmão ateou ao reino é bem mais dolorosa para mim. É certo que tenho bons cavaleiros e o povo do meu lado. Mas os outros… porque preferem Afonso. (O clero com o apoio do Papa deram a vitória a D. Afonso III. D. Sancho II não pagava ao Papa “os impostos”. D. Afonso assim que se apanhou no poder fez-lhe o mesmo.)
  A rainha encolheu os ombros.
   Perguntai-lhes!...
Ele enerva-se.
   Vós não sofreis a minha dor! E bem sabeis o que fizeram para nos separar.
   Ora senhor! Vosso irmão não deseja que tenhais filhos, para que ele suba normalmente ao trono… que há muito cobiça!
    Não faram só os partidários de meu irmão que intentaram contra nós.
    Não?
    Bem o sabeis…
    Dizei os nomes, senhor!
    D. Gentil Marques, por exemplo!
    Mais…
   D. Martim de Freitas (alcaide do castelo de Coimbra…)
Ela ri, um tanto nervosa.
   De que vos ris, Senhora?
   Do próprio destino! Dizei a Martim de Freitas e a Gentil Martins… que descansem. Eu não poderei perturbar-vos por muito tempo…
 O rei alarma-se:
    Que dizeis?
     Bem vedes… A guerra civil não pode durar muito… e vosso irmão tem o clero com ele… Ganhará a luta e o trono…
    Calai-vos, Senhora!
A rainha levanta-se altiva e dirige-se para o leito.
   Tendes razão. Calemo-nos. É tempo de dormir… sem mais uma palavra el-rei segue-a, adormece.

A noite ia alta quando D. Sancho II de Portugal acordou. Algo o despertara que não fora um alerta da sua consciência, mas um ruido forte mesmo a seu lado. Acendeu uma luz. O leito onde a rainha se deitara estava vazio. Não restavam dúvidas ao rei: D. Mécia tinha sido raptada!
   Vestindo-se à pressa, D. Sancho II acordou os fidalgos da sua casa, e com a ajuda deles correu ao encalço dos fugitivos. Conseguiu descobrir-lhes a pista: seguiam a caminho da forte vila de Ourem, já na posse de seu irmão o conde de Bolonha. Mas, ao chegarem junto do castelo, os raptores estavam já a salvo. Enfurecido gritou que lhe devolvessem a esposa. Respondeu-lhe uma gargalhada geral. Morderam os lábios com raiva, os fidalgos de el-rei. Um deles gritou:             
    Poremos tudo raso!
  Como resposta surgiu uma saraivada de flechas e pedradas. O rei mandou então fazer alto.
     Esperai, senhores! Não podemos, tal como estamos, submetermo-nos a mais ultrajes! Podem roubar-me o trono mas não a esposa sem que os moleste!
  Gil Martins levou a mão à espada.
      Senhor! Por vós e Portugal sim! Mas por vossa esposa não levantarei a minha espada!
     Que dizeis, Gentil Marques?
     Perdoai, Senhor! Mas acreditais que os homens afetos a vosso irmão Afonso entravam nos paços, iam à vossa alcova, tiravam de lá a rainha à força e só à saída um ruido suspeito vos acordava?
   O rei gritou:
   Explicai-vos Gentil Martins!
Submisso mas firme, o fidalgo concluiu:
 Senhor vossa esposa está em Ourem, onde possui terras que obedecem ao conde de Bolonha. E essas terras continuam pacíficas. Acreditais que se rouba uma mulher do leito conjugal sem que seu esposo desse pela luta que ela necessariamente travaria?
    Insinuais… pois…
    Que ela não foi raptada, mas fugiu!
El-rei levou uma das mãos à fronte.
    Fugir? Porquê? Comigo seria rainha…
    Por quanto tempo, Senhor?
O rei cerrou os dentes. Depois montando no seu cavalo, ordenou:
    Vamos, senhores! E que este facto não seja alastrado!
Havia silêncio na noite que morria.
Amanhã rompeu e veio iluminar as terras de Coimbra, já fidalgos e povo sussurravam a medo:
    A rainha deixou El-rei!
Alguns melhor intencionados, diziam:
   O conde de Bolonha mandou raptar a rainha…El-rei está sozinho… Vai ser o fim!

A guerra civil reacendeu-se, com mais intensidade. O reino estava dividido. D. Afonso III conseguira partidários para a sua causa. E o trono começou a tremer sob os pés de D. Sancho II. Tomando consciência de que, sozinho, não teria forças para vencer o irmão, recorreu a Castela. O infante D. Afonso, filho de D. Fernando III, recebeu D. Sancho II em Toledo e aceitou a proposta de ajuda em troca de terras e rendas.
   D. Afonso, conde de Bolonha, receou essa ajuda de terra estrangeira. As forças com que contava só estavam preparadas para lutar com os seus compatriotas. Mas tinha o clero e o apoio do Papa. As forças de D. Sancho e de D. Afonso de Castela que chegaram até Leiria, tiveram de retroceder para Espanha.
    Chegado a Toledo D. Sancho II sentiu chegar o seu fim. Gil Martins olhou o rei deposto com angústia.
    Meu Senhor! Os amigos continuam do seu lado!
 Um sorriso triste foi a resposta do Ex- monarca. Lembrava-se de um irmão traiçoeiro que tudo lhe roubou: Trono, mulher e “amigos”.
  Tendes razão, D. Gil. Vós continuais a meu lado…
   Não falo de mim, falo de outros.
  Que outros?
  Dos alcaides de Guimarães, Óbidos, Castelo de Faria, o de Celorico, de Leiria. O que eles lutaram, senhor!
   Meu senhor! Não contam agora os traidores nem os fracos, mas aqueles que vos trazem no coração!
   Sim meu amigo, não devo ser ingrato! Mas bem vedes, já nada me prende a este mundo. Falhei! O rei ficou em silêncio que o amigo respeitou, pediu à brisa mais suavidade para que o Ex-rei não fosse incomodado nos seus pensamentos.

O frio era intenso. No entanto um homem caminhava pelas ruas de Toledo, indiferente ao frio, à chuva e à lama. Chegando ao seu destino, bateu a uma porta. Outro homem veio abrir. O recém- chegado perguntou:
  D. Gil Martins, está?
  Sim, meu senhor. Quem devo anunciar?
  Martim de Freitas.
  O senhor D. Gil está junto à lareira. Aproximai-vos.
   Vendo-o D. Gil ergueu-se.
  Grande honra, tenho em receber-vos!
  Martim de Freitas pareceu não lidar ao cumprimento e perguntou em tom grave:
  El-rei D. Sancho é morto?
  Sim… é morto. Deus tenha a sua alma em descanso!
  Vistes o seu corpo sem vida?
  Deus reservou-me mais esse desgosto!
  Pois quero eu vê-lo também.
  D. Gil Martins elevou a estatura num gesto de surpresa.
  Que dizeis, D. Martim de Freitas?
  O que acabais de ouvir, senhor. Quero vê-lo e desempenhar- me da minha missão.
   É assim tão urgente e… necessário?
 Sim. Trago comigo as chaves do castelo de Coimbra. Preciso que el-rei me desobrigue do meu juramento antes que o rei Afonso tome conta delas.
  De olhos abertos num espanto, D. Gil Martins olhava o visitante, perguntando a si próprio se o prolongado cerco a que D. Martim de Freitas se submetera não dera cabo do seu entendimento. Mas logo o fidalgo o esclareceu.
   Senhor, creio que fui bem explícito. O que peço é justo e não pode ser-me negado!
  No cemitério, um pequeno grupo olhava com assombro, e por vezes entre lágrimas,
Afigura altiva de Martim de Freitas, agora ajoelhado junto da sepultura do que fora seu rei e rei de Portugal. O corpo estava exposto. O fidalgo português curvou-se e, entre as mãos cruzadas sobre o peito do defunto, depôs as chaves do castelo de Coimbra. Beijou-lhe as mãos. Depois levantou-se e falou:
   Meu rei e senhor! Enquanto vivestes, sofri pela vossa causa as maiores privações, dissimulando sempre, para dar ânimo aos meus companheiros. Assim eles continuaram no castelo que é vosso e continuaram honradamente aguentando por vós. Cumpri o meu juramento de lealdade, Senhor! Porém agora que sois morto e não posso entregar-vos a cidade, quero ao menos fazer-vos entrega destas chaves para que, desobrigando-me vós, eu possa entrega-las ao vosso irmão, o conde D. Afonso, como renuncia vossa e não como triunfo das suas armas!...
   Fez-se um pesado silêncio após estas palavras, cadenciadas, solenes. Havia emoção em todos os rostos desses homens habituados às agruras da guerra. Depois, silenciosamente ainda, as chaves do castelo de Coimbra foram retiradas das mãos do rei morto e a sua sepultura fechada para sempre.
  Assim ficava encerrado, também, um feito de lealdade que jamais as chuvas, os ventos, o pó ou a lama dos caminhos poderão destruir, apesar do esforço do tempo!

Esta lenda, é mais História de facto do que lenda

FONTE: Lendas de Portugal; Gentil Marques, Circulo de Leitores
               Professor Dr. José Hermano Saraiva
Coimbra, Setembro de 2014

Carminda Neves

terça-feira, 23 de setembro de 2014

ORGÃO DO MOSTEIRO DO LORVÃO

Os dois teclados não mostram as capacidades sonoras, nem os desafios criados às leis da acústica. A capacidade está escondida num arco de duas fachadas, que guarda 4 mil tubos. É ali que está o segredo da sonoridade de orquestra, criada pelo desempenho de um único instrumento.

É apenas um órgão, mas vale por uma orquestra. As cordas são a exceção. Todas as outras sonoridades que possam conhecer de um qualquer instrumento de sopro estão lá. O som é produzido por 4 mil tubos e trabalhado em dois teclados, caixas de eco, pisantes anuladores de cheios e palhetas, acrescidos de uma palheta de registos, os ingredientes necessários e que permitem que o órgão do Mosteiro do Lorvão (Penacova) tenha uma sonoridade orquestral.
A peça foi pensada, planeada e construída no século XVIII por um organeiro de Braga, Manuel Machado Miranda. O seu filho, o escultor Machado de Castro, ainda haveria de desenhar e executar a caixa do órgão, de um e do outro lado das duas fachadas do órgão e um segundo organeiro, António de Cerveira, acrescentou e completou a obra iniciada no Mosteiro do Lorvão.

O SEU RESTAURO DEMOROU 2 ANOS       

Depois de um silêncio de maio século, o maior órgão construído em Portugal no século XVIII, voltou a fazer-se ouvir. Dinarte Machado, foi o organeiro que devolveu a vida e o som, ao velhíssimo órgão do Lorvão, à semelhança do que tem feito com outros órgãos de tubos que ainda sobrevivem no nosso país. O do Lorvão é especial. (é o maior órgão construído em Portugal no século XVIII e, apesar da sua dimensão, não deixa de ser personalizado e selecionado em relação em relação à sua planificação sonora, tornando-o um instrumento sensível e deveras singular. Parecendo complexa a sua composição e manuseamento, depois de nos integrarmos            percebe-se precisamente o contrário. Tudo parece ser feito de modo a facilitar a sua utilização, por parte do organista)
Depois da sua restauração, a honra da estreia cube a João Vaz e, se duvidas ainda existissem, (o órgão do Lorvão para alem de ser, um dos maiores exemplares da organaria histórica portuguesa, é também um caso notável daquela ligação entre instrumento e ideia musical.) O instrumento permite uma variedade de sons quase orquestral
Este é o único órgão em Portugal “com das caras”. São estas duas faces, uma para o lado da igreja, outra para o coro, que lhe permitem uma dimensão sonora, que apesar de desafiar as leis da acústica, funciona na perfeição, sem que se note a falta de refletor acústico.
Nesta área o nosso país teve uma identidade definida e única no panorama nacional. A arte organeira mundial foi escrita e ecoada pelos mestres portugueses, (fez-nos grandes perante o mundo. Ignorar este facto, significa perdermos a nossa identidade cultural) isto dito por Dinarte Machado.
Vamos ouvir o maravilhoso som do órgão.

O MOSTEIRO DO LORVÃO FOI UM DOS PRINCIPAIS CENTROS DE PRODUÇÃO DE MANUSCRITOS ILUMINISTAS, AINDA HOJE A SUA BELEZA PODE SER ADMIRADA, NO PRÓPRIO MOSTEIRO

FONTE: História do Mosteiro do Lorvão
              Revista Olhares; Centro Cirúrgico Coimbra
              Meus Apontamentos de História
Coimbra, Setembro de 2014
Carminda Neves
           
            

domingo, 21 de setembro de 2014

EMAGRECER: 5 ERROS QUE O IMPEDEM DE O CONSEGUIR

Decidiu emagrecer, fez bem. Não existem milagres. O caminho que precisa percorrer não se deve basear em falsas promessas. O projeto traçado para atingir o peso desejado, não deve passar por cometer erros alimentares que possam, comprometer a redução de peso necessária. Escolhemos cinco erros frequentes e que devem ser evitados.

1-      Saltar refeições para perder peso mais rapidamente!
      
  Perder peso não é assim tão fácil. O metabolismo tem regras, para funcionar corretamente, necessita receber alimentos várias vezes ao dia e em pequena quantidade. Quando se fica várias horas sem comer o nosso organismo prepara-se para enfrentar uma situação extrema, uma vez que não sabe quando será a próxima refeição.
   As calorias economizadas são rapidamente armazenadas sob a forma de gordura, resultado: o metabolismo diminui, assim como a massa muscular.
 De facto quando as pessoas se privam de comer, perdem peso, mas essa perda de peso é um engano, porque o que simplesmente aconteceu foi perda de massa muscular. O músculo é mais pesado que a gordura, portanto o peso diminui e o resultado reflete-se num corpo menos tonificado e com maior volume.

2-      Subestimar a importância da água!

A hidratação deve estar sempre em primeiro lugar. A transpiração corporal, na tentativa de regular a temperatura interna pode provocar desidratação. Com o suor perdem-se não só mais água com sais minerais importantes para o bom funcionamento do organismo. Mas atenção não beba água só quando estiver com sede, pois esta já é um sinal de que possivelmente as células e o nosso organismo já estão a ser prejudicados. A água é o único líquido que alem de hidratar o organismo “limpa” e não possui calorias. Os sumos de frutas também hidratam, são igualmente ricos em vitaminas e minerais, mas têm açúcar o que provoca aumento de peso.
     A pele é igualmente beneficiada pelo consumo correto de água, ingestão insuficiente reflete-se em pele e mucosas secas. Ingestão correta, mostra pele hidratada e firme.
A água também favorece a excreção de toxinas através da urina, fezes e suor,
de sais minerais. A ingestão de água em situações normais de atividades da vida diária e no caso de dietas deve andar entre 1,5 a 2 “dois” litros por dia.

3-      Fruta? Só se for maçã!

Numa dieta não há nenhuma fruta que seja proibida! Devemos comer 3 a 5 peças de fruta por dia e tentar variar e experimentar vários tipos de fruta. A escolha deve recair nas frutas da época, são mais nutritivas. Sabia que a pera tem um valor calórico inferior ao da maçã? A pera tem 41 Kcl e a maçã tem 57 Kcl, contudo a quantidade em fibra é semelhante em ambas. É importante pesquisar o valor nutricional de cada peça de fruta que se consome, pois umas são mais ricas em açúcar e pobres em fibra do que outras.

4-      Cortar Radicalmente com tudo o que gosta!

Este truque não funciona e pode originar desistências no cumprimento do plano alimentar!... Dentro dos seus alimentos preferidos mas que sabe não são tão adequados para uma alimentação equilibrada, tente selecionar 2 ou 3 e mantenha-os na sua dieta. Se os cortar radicalmente, umas semanas depois irá sentir ansiedade, perde a sensação de prazer na comida e podem ocorrer erros ainda mais graves do que não estivesse a fazer dieta! Por isso uma vez por semana pode comer uma coisa de que gosta, desfrutando o seu sabor! Pode ainda incluir no novo plano alimentar um ou outro alimento que adora ex: um pequeno quadrado de chocolate negro (70% cacau) após a refeição, se seguir esta sugestão conseguirá atingir os seus objetivos rapidamente e sem sacrifícios.

5-      Cortar completamente os hidratos de carbono?

Os hidratos de carbono são responsáveis pelo fornecimento da energia, necessária para manter o organismo na melhor forma.

Uma elevada percentagem do valor energético total diário é proveniente de hidratos de carbono, por isso, estabelecer um equilíbrio e não cortar totalmente este macronutriente da sua dieta. Se for totalmente excluído da alimentação, a perda de peso até pode acorrer; mas não será duradoura. Após um curto espaço de tempo, a perda de peso deixa de ocorrer, provocando desmotivação e, consequentemente o incumprimento do plano. A partir desse momento, os hidratos de carbono tornam a ser consumidos, o resultado é ainda mais grave que antes da dieta alimentar e os hidratos de carbono que estavam armazenados são rapidamente repostos, aumentando novamente o peso.

Para além dos sintomas desagradáveis que surgem durante este período, como perda de energia e mal-estar, não é preciso passar por tão grandes sacrifícios para emagrecer. Basta seguir as porções de cada um dos grupos que a Roda dos Alimentos indica, porque eles foram calculados para satisfazer as necessidades nutricionais do organismo.

Comer só Alface?
    
Na alimentação, também é preciso ser criativo. Não existe só a regra de comer só alface, existem outros tipos de hortícolas deliciosos. É possível variar a alimentação e torna-la bastante colorida. É importante variar os vegetais que compõem o seu prato, pois têm fibra, ajudam a saciar com poucas calorias, mas também pelos antioxidantes que apresentam. Isto é fundamental para se conseguir emagrecer de forma adequada e saudável. A alface é rica em fibra, portanto pode estar no prato mas deve vir acompanhada de mais cor como cenoura, couve roxa, tomate, rabanete, agriões, espinafres, pepino etc…

Comer Rápido?

Se comer demasiado rápido, o cérebro não tem tempo para assimilar a informação de que está a comer e por isso continua a transmitir a mensagem de que ainda tem fome. Esse erro faz com que tenha vontade de ingerir uma maior quantidade de alimentos. Por isso, coma devagar e mastigue bem a comida. Esta é das dicas mais importantes para conseguir emagrecer de forma adequada

FONTE: Revista Olhares Centro Cirúrgico Coimbra
Alimentos Bons alimentos perigosos; selecções do Reader`s digest
Perder peso de forma saudável; sapo saúde
Coimbra, Setembro de 2014

Carminda Neves 

domingo, 14 de setembro de 2014

MARGARET SANGER


Margaret Louise foi uma activista norte americana, nasceu a 14 de Setembro de 1883, em Corning, em Nova Iorque, e morreu no dia 6 de Setembro de 1966, em Tucson, no Arizona. Vivia no seio de uma família humilde, tinha dez irmãos, e viu a mãe morrer. Atribui a morte da mãe às suas 18 gravidezes. O apelido Sanger foi adquirido com o casamento.
Foi uma enfermeira, e feminista activista norte americana do controle de natalidade como método de controlo populacional e para evitar nascimentos de crianças com doenças hereditárias graves. Embora seja frequentemente criticada por suas opiniões eugénicas como a proposta de incentivar o aborto em mulheres a viver em extrema pobreza e promiscuidade ex: prostituição, pais e mães alcoólicos, sem abrigo, desempregados, para reduzir a natalidade nos Estados Unidos. Permanece um ícone na luta por direitos reprodutivos e liberdade de expressão.
Enquanto trabalhava como enfermeira num dos bairros mais pobres de Nova Iorque viu mulheres denegrindo a sua saúde, corrompendo a sua sexualidade e a sua capacidade de cuidar dos seus filhos já nascidos. Ela estudou na Escola Francisco Ferrer, onde se interessa pelos escritos de Ellen Key , uma autora feminista sueca do movimento das mulheres, ela interessa-se pelas  ideias desta autora, sobre a feminilidade e o casamento.
Assim, resolveu abandonar a enfermagem para se dedicar em exclusivo a promover a divulgação de informação sobre métodos contraceptivos.
Em 1914 foi acusada judicialmente de incitar a violência e promover a obscenidade por distribuir por correio uma revista chamada The Woman Rebel (a revolta da mulher) onde atacava as restrições legais nos Estados Unidos da América relativas à distribuição de informação sobre contracepção. Esta lei, de 1873, dizia que era crime informar, aconselhar ou medicar algo para evitar a concepção ou induzir ao aborto, para além de proibir a menção por escrito dos nomes de doenças sexualmente transmissíveis. Os médicos e enfermeiras eram impedidos por lei de dar todo este tipo de informações aos seus pacientes.
O seu caso acabou por ser arquivado dois anos mais tarde, graças ao apoio de algumas personalidades influentes na sociedade de então. Entretanto, Margaret tinha-se refugiado na Europa onde aproveitou para aprender mais sobre controlo da natalidade.
Logo em 1916 Sanger montou em Brooklyn, Nova Iorque, a primeira clínica de controlo de natalidade dos Estados Unidos da América, mas por causa disso veio a ser condenada a trinta dias de prisão. Durante esse período de clausura fez uma escola para os colegas de prisão.
Depois de ser libertada ganhou um recurso em tribunal que passou a permitir aos médicos nova-Iorquinos darem conselhos sobre controlo da natalidade.
O passo seguinte de Margaret Sanger foi começar a publicar a revista mensal Birth Control Advice (conselhos de controlo de natalidade).
Em 1921 fundou a Liga Americana de Controlo de Natalidade, à qual presidiu até 1928. Esta liga viria a dar origem, em 1941, à Federação Americana de Planeamento Familiar, onde Margaret era presidente honorária.
Em 1938 lançou uma autobiografia, um dos muitos livros que escreveu ao longo da sua vida, Sanger aposentou-se no início dos anos 1940 e mudou-se para Tucson, Arizona em 1942 Ela continuou a defender o controlo de natalidade nos Estados Unidos e no exterior. Ela reorientou a sua atenção para uma abordagem médica para prevenção da gravidez. Com financiamento da International Harvester a herdeira Katharine McCormick, Sanger recruta o pesquisador Gregory Pincus para desenvolver um contracetivo oral ou "pílula mágica". O resultado, Enovid, foi aprovado para uso pela Food and Drug Administration em 1960. A maior parte da sua vida foi vivida na luta sobre o controlo de natalidade.
As Fundações Ford e Rockefeller também financiaram a pesquisa que levou à produção da pílula, e ainda deram grandes quantias de dinheiro para o controlo da natalidade. Em 1965, um ano antes de sua morte, o Supremo Tribunal aboliu a lei de Connecticut que proibia o uso de contraceptivos para os casais. Sanger morreu com 87 anos em 1966. Finalmente viu a pílula que ela ajudou a desenvolver no mercado. Com o dinheiro da Fundação Brush, fundou a Internacional Planned Parenthood ou IPPF (International Planned Parenthood Federation) em 1952 e estabeleceu a sua sede em Londres, em escritórios fornecidos gratuitamente pelo Inglês Eugenics Society.
Ela argumentava que a satisfação sexual, não deve existir só no casamento "o leito matrimonial é a influência que mais degenera a ordem social, e começou a defender" associação voluntária "entre parceiros sexuais. Publicou o Pivô of Civilization (" A rotação da civilização ").
A Sua cruzada para legalizar o controlo de natalidade e o direito ao aborto, incentivando o movimento de libertação das mulheres. Ela fundou a sua primeira clínica de controlo de natalidade, na cidade de Nova York, (Brooklyn) já referido acima, numa área densamente povoada de trabalhadores a viverem em condições de completo abandono.
 A taxa de mortalidade feminina provocada por abortos ilegais e em condições degradantes era elevadíssima (não só nos EUA como em todo o mundo) mas, os governos preferem enterrar a cabeça na areia a resolver problemas que ponham em causa o seu poder. Não era só a mortalidade feminina que era elevada. A mortalidade infantil e o infanticídio eram de arrasar mentes e destroçar corações.
Ela viajou para a Índia para convencer Mahatma Gandhi que ele deveria dar o seu apoio, mas ele respondeu que "meios artificiais (anticoncepcionais) levam a satisfação imoderada de desejos e são, portanto, desmoralizantes e debilitantes." Então Sanger encontrou-se com Hitler, que iria imediatamente gostar da ideia de criar um sistema de recompensa para a "raça superior" para a produção de filhos. Em todos os lados, ela encontrou a hipocrisia ou o interesse racista
Apesar disso, Sanger ironicamente era contrária ao aborto, mesmo sendo a responsável pela primeira clínica de aborto dos Estados Unidos, ela considerava que era muito perigoso para as mulheres, além de ser ilegal na época. Seus esforços no sentido da contracepção, que incluíram a obtenção de financiamento para pesquisas que levariam à criação da pílula, tinham como foco tornar o aborto menos necessário.

Ao fundar a Liga Americana de Controle de Natalidade, em 1921, com vista a tornar o planeamento familiar mais acessível à classe média, ela incorporou aos princípios fundadores os seguintes dizeres.
Nós sustentamos que as crianças devem ser:
1-Concebidas em amor
 2- Nascidas de um desejo consciente da mãe
 3- E geradas apenas em condições que possibilitem um desenvolvimento sadio. Assim, sustentamos que toda mulher deve possuir a liberdade e o poder de prevenir a concepção até que essas condições sejam satisfeitas.

Margaret Sanger morreu em 6 de Setembro de 1966 em Tucson, Arizona.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre
               Porto Editora
Biografia de Margaret Sanger
Nacional women`s History Museum

Coimbra, Setembro de 2014

Carminda neves


domingo, 24 de agosto de 2014

FERNÃO LOPES

1380/90-1460

Em 1422 ocupa a função de escrivão de puridade do Infante D. Fernando.

A hipótese é de que o cronista-historiador terá nascido na cidade de Lisboa entre os anos de 1380 e 1390, e frequentado o Estudo Geral, apesar de uma provável origem familiar mesteiral.
O registro mais antigo sobre sua vida é um documento datado de 1418 que informa ser Fernão Lopes guarda-mor da Torre do Tombo, cargo de alta confiança em que era encarregado de guardar e conservar os arquivos do Estado.
Regista-se também que ele ocupou a função de “escrivão dos livros” de D. João passando, em 1419, a escrivão de D. João I. Neste momento teria começado a escrever a Crónica dos Sete Primeiros Reis de Portugal.
Algum tempo depois, em 1434, sob o reinado (1433-1438) de D. João inicia, “sob a incumbência oficial de colocar os feitos dos reis portugueses na forma de crônica” , a escrita da Crônica de D. João I. Seria substituído como cronista no ano de 1451, por  Gomes Eanes de Zurara.
FERNÃO LOPES
 Deixa de ser, em 1454, guarda-mor da Torre do Tombo, em virtude da avançada idade. A última informação dá conta de que Fernão Lopes ainda vivia em 1459, sendo incerta a data de sua morte. Segundo informações no prefácio da Cronica de El-Rei D. Pedro I, escrito por Luciano Cordeiro, após deixar a função de guarda-mor, Fernão Lopes teriam ainda vivido por mais 5 anos, falecendo próximo aos 80 anos de idade

Fernão Lopes é considerado o primeiro historiador português, embora haja autores que digam que ele era apenas um cronista. Ele redimensiona o gênero cronístico ao limitar as narrativas tradicionais panegíricas , abrindo espaço de autonomia da narrativa histórica através de uma metodologia em que pudesse chegar a uma “verdade nua”. Nessa metodologia Fernão Lopes ordena as “estórias” cronologicamente, buscando uma hierarquia explicativa para os acontecimentos. Enquanto cronista assumia uma posição    de autoridade, de distanciamento e isenção, atributos capazes de detectar e controlar os objectivismos dos discursos e, assim, chegar à “verdade nua”.
É indubitável que Fernão Lopes cria um dialogismo com o leitor, parecendo, muitas das vezes, que entrava com ele uma sociabilidade amiga, ela própria enformadora da sua heurística desveladora. E assim, em abundância, o texto lopiano vai-nos deixando exclamações e apóstrofes e emoções, coroação plena da alegria incontida pela "verdade" difícil.
As suas crónicas transbordam de visualidade, realismo descritivo e dramatização que a par de uma simplicidade linguística a todos atrai. Embora a sua obra não seja extensa a Crónica de D. João I é considerada uma obra-prima.
Fernão Lopes será a personagem representada a cores
Abolindo a barreira do tempo, faz ressurgir o passado, permitindo aos leitores viver com ele acontecimentos que alteraram profundamente a sociedade portuguesa. Um "homem de comunal ciência", Fernão Lopes foi apelidado de "pai" da História Portuguesa. E, de facto, este cronista/historiador teve uma importância fulcral para a História e Cultura de Portugal.
Fernão Lopes estará representado, segundo a tese de José Hermano Saraiva, no Políptico de S. Vicente de Fora, também denominado como Painéis de Nuno Gonçalves, na figura do letrado.

Cronologia de Fernão Lopes
  • 1418: Foi nomeado guarda-mor da Torre do Tombo, o que o tornou responsável pela preservação do tombo (arquivo) real, como se fosse um cartório localizado em uma das torres do castelo de Lisboa;
  • 1419: Ocupa a função de escrivão dos livros de D. Duarte e, logo após, de D. João I. Foi, provavelmente, nesse momento que Fernão teria começado a escrever a crônica dos sete primeiros reis de Portugal;
  • 1422: Começa a exercer a função de escrivão de puridade do infante D. Fernando;
  • 1434: Acabou sendo o cronista-mor do Reino. Tal cargo o tornou redator oficial das narrativas históricas dos reis de Portugal;
  • 1454: Deixa de ser guarda-mor da Torre do Tombo, por causa de sua idade já avançada;
  • 1459: Última informação sobre a vida de Fernão Lopes nos registos da época.
  •  
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Dr. José Hermano Saraiva

Vanessa Pinto Pereira

Agosto de 2014
Carminda Neves