sexta-feira, 20 de junho de 2014
sábado, 17 de maio de 2014
O RIO MONDEGO
É o quinto maior rio português e o primeiro de todos os que
têm o seu curso inteiramente em Portugal. Nasce na Serra da Estrela e tem a sua
foz no Oceano Atlântico, junto à cidade da Figueira da Foz. É o rio que banha a
cidade de Coimbra.
Aspetos físicos e naturais
Tem um comprimento total de 258 quilómetros. A sua nascente
situa-se na Serra da Estrela, no sítio de Corgo das Mós (ou Mondeguinho),
freguesia de Mangualde da Serra, concelho de Gouveia, a uma altitude de cerca
de 1525 metros. No seu percurso inicial, atravessa a Serra da Estrela, de
sudoeste para nordeste, nos concelhos de Gouveia e Guarda. A poucos quilómetros
desta cidade, junto à povoação de Vila Cortês do Mondego, atinge uma altitude
inferior a 450 metros. Nesse ponto, inflete o seu curso, primeiro para noroeste
e depois, já no concelho de Celorico da Beira, para sudoeste.
Aqui se inicia o seu curso médio, ao longo do planalto
beirão, cortando rochas graníticas e formações metamórficas. Depois de
atravessar o concelho de Fornos de Algodres, o rio Mondego serve de fronteira
entre os distritos de Viseu, a norte, e da Guarda e de Coimbra, a sul. Assim,
delimita, na margem norte, os concelhos de Mangualde, Seia, Nelas, Carregal do
Sal, Santa Comba Dão e Mortágua, enquanto que na margem sul serve de limite aos
concelhos de Gouveia, Oliveira do Hospital, Tábua, Penacova e Vila Nova de
Poiares.
Entre Penacova e Coimbra, o rio percorre um apertado vale,
num trajeto caracterizado por numerosos meandros encaixados. Depois de se
libertar das formações xistosas e quartzíticas, e já nas imediações da cidade
Coimbra, o rio inaugura o seu curso inferior, constituído pelos últimos
quarenta quilómetros do seu trajeto e cumprindo um desnível de apenas 40 metros
de altitude. Nesta última etapa, percorre uma vasta planície aluvial, cortando
os concelhos de Coimbra, Montemor-o-Velho e Figueira da Foz, onde desagua, no
Oceano Atlântico. Junto à sua foz forma-se um estuário com cerca de 25 km de
comprimento e 3,5 km² de área2 . Nos últimos 7,5 km do seu troço desdobra-se em
dois braços (norte e sul), que voltam a unir-se junto à foz, formando entre si
a pequena ilha da Murraceira
Origem
do nome
Os romanos chamavam Munda ao rio Mondego. Munda significa
transparência, claridade e pureza. Nesses tempos as suas águas eram assim. Ao
longo da Idade Média o rio continuou a chamar-se Munda.
Aproveitamento
hidroeléctrico e hidroagrícola
A bacia hidrográfica do Mondego apresenta uma enorme diversificação
de utilizações da água, muito importantes para o desenvolvimento económico da
região, nomeadamente a agricultura, a indústria e fábricas de polpa de
celulose, a produção de energia elétrica e o abastecimento público de água em
toda a região hidrográfica. Desta multiplicidade de utilizadores, a necessidade
de implementação de um modelo de gestão integrada dos recursos hídricos da
bacia, ao qual foi definido de um quadro jurídico e institucional para a
criação de uma entidade gestora do aproveitamento hidráulico do Mondego (AHM).
Por tudo isto, a bacia hidrográfica do rio Mondego é uma das bacias portuguesas
com maior utilização dos recursos hídricos, sobretudo nas componentes
hidroeléctrico e agrícola, onde se destaca a barragem da Aguieira, barragem da
Raiva e barragem de Fronhas com uma potência instalada de 110 MW e uma
produtibilidade média anual de 360 GWh, que regulariza volumes de água para
abastecimento público de alguns concelhos do Baixo Mondego e para a rega do
Aproveitamento Hidroagrícola do Baixo Mondego. As outras importantes são a
barragem do Caldeirão e o Açude de Coimbra.
Atravessamento
O rio Mondego é atravessado por numerosas pontes rodoviárias
e ferroviárias. Pela sua dimensão e importância, destacam-se a ponte de Caldas
de Felgueira (entre os concelhos de Nelas e de Oliveira do Hospital), a ponte
de Penacova, as pontes da Portela, a Ponte Rainha Santa Isabel, a Ponte Pedro e
Inês, a Ponte de Santa Clara e a Ponte do Açude (todas em Coimbra), a ponte de
Montemor-o-Velho, pela A17 e a ponte Edgar Cardoso na Figueira da Foz.
Desporto
Nas águas do rio é comum organizar-se provas de várias
modalidades desportivas aquáticas, tais como vela e motonáutica (no estuário,
junto à Figueira da Foz) e ainda de remo e de canoagem. Existe o centro
desportivo de alto rendimento em Montemor-o-Velho com centro náutico, pistas de
atletismo, e Pousada da Juventude. A sua utilização tem- se revelado útil para
várias modalidades olímpicas como: remo, canoagem, natação de águas abertas e o
triatlo, e onde já decorreram várias provas internacionais. A organização
espacial do plano de água previu uma ilha com uma barreira vegetal para
proteger dos ventos predominantes de nordeste, canais de acesso para facilitar
as provas de 500, 1000 e 2000 metros. Outro melhoramento para a qualidade da
água do local é a adução a montante com entrada direta a partir do leito
central do Mondego ou a partir da vala do regadio na bombagem de Formoselha
Literatura
O Mondego é certamente o rio português mais cantado por
poetas desde tempos imemoriais.
As primeiras referências chegadas até à atualidade, remontam
ao início do século XVI com os poetas do Cancioneiro Geral. Com efeito, é com
Bernardim Ribeiro que é possível identificar, em primeiro lugar, alusões
implícitas ao Mondego, na sua obra Menina e Moça
Não é certo que Luís de Camões tenha estudado em Coimbra,
mas parece irrefutável que terá vivido na cidade nos tempos da sua juventude.
Essa passagem ficou gravada na sua obra, tal como o atesta o soneto:
“Doces e claras águas do Mondego,
Doce repouso de minha lembrança
Onde a comprida e pérfida esperança Longo tempo após si me trouxe cego. (…) Mas a alma, que de cá vos acompanha, Nas asas do ligeiro pensamento Pera vós, águas, voa, e em vós se banha.” |
||
Luís de Camões
|
||
Século XX, Miguel
Torga descrevia o calmo deslizar do rio na planície:
“Surdo murmúrio
do rio
A deslizar, pausado, na planura.
Mensageiro moroso
De um recado cumprido,
Di-lo sem pressa ao alarmado ouvido”
A deslizar, pausado, na planura.
Mensageiro moroso
De um recado cumprido,
Di-lo sem pressa ao alarmado ouvido”
Miguel Torga
Música
A canção tradicional de Coimbra – o
fado de Coimbra – encontrou sempre nos versos dos grandes poetas que viveram ou
que passaram por esta cidade, inspiração para os musicar e interpretar. Assim,
não admira que muitos dos mais conhecidos fados de Coimbra aludam ao Mondego,
às suas paisagens e às suas musas inspiradoras. A referência ao nome do rio
está presente na mais conhecida balada coimbrã, escrita por António de Sousa
(1898-1981) e gravada em 1929, por Edmundo Bettencourt17 e recriada, anos mais
tarde, por José Afonso:
Oh Coimbra do Mondego
E dos amores que eu lá tive
Quem te não viu anda cego
Quem te não ama não vive
José Afonso
Também o Vira de Coimbra inclui
uma quadra de António Nobre que faz
uma referência implícita ao carácter estival que o rio apresentava no século XIX:
“Fui encher a bilha e trago-a
Vazia como a levei Mondego qu’é da tua água Qu’é dos prantos que chorei?” |
||
António
Nobre
|
||
Origem: Wikipédia, a
enciclopédia livre.
Maio de 2014
Carminda Neves
Este filme é o seu projecto final do mestrado em Wildlife Documentary Production da Universidade de Salford, onde teve aulas com Sir David Attenborough, Paul Reddish, Niel Lucas e outros nomes da BBC Natural History Unit, Bristol.
O filme foi classificado com uma distinção e o próximo passo é concorrer a festivais desta especialidade na Europa.
Agradecemos que vejam e partilhem o link do filme pois ele precisa de divulgação.
Documentário "Mondego"
Este filme é o seu projecto final do mestrado em Wildlife Documentary Production da Universidade de Salford, onde teve aulas com Sir David Attenborough, Paul Reddish, Niel Lucas e outros nomes da BBC Natural History Unit, Bristol.
O filme foi classificado com uma distinção e o próximo passo é concorrer a festivais desta especialidade na Europa.
Agradecemos que vejam e partilhem o link do filme pois ele precisa de divulgação.
sexta-feira, 16 de maio de 2014
sexta-feira, 2 de maio de 2014
VIA FÉRREA DA LOUSÃ. EXEMPLO DA MISÉRIA EM QUE SE ENCONTRA PORTUGAL
| via férrea em Coimbra |
Aquilo que já foi uma via férrea com muito movimento. Hoje votada ao abandono, atirada aos corvos. Algumas partes com carris, outras sem eles.Rico legado para alguém que quer ser rico à força, e, os vende por aí no ferro velho,sem que haja uma autoridade vigilante que o impeça. A desgraça de populações que ficaram isoladas, muito mais do que já se encontravam. Sem transportes para os seus locais de trabalho, consultas médicas, mercado dos seus produtos agrícolas etc: Tudo provocado por incompetências indescritíveis. Um governo a dar luz branca a tudo isto. Será que a LOUSÃ que tinha comboio desde 1910, vai retroceder 100 anos na História? Somos de facto um povo de brandos costumes.
Maio de 2014
Carminda Neves
| via férrea Lousã |
sexta-feira, 11 de abril de 2014
HOMICÍDIOS NO BRASIL REPRESENTAM 10% DO TOTALMUNDIAL
O Brasil registou 50.108 homicídios em 2012, o equivalente a 10% do total mundial no mesmo período, revela um relatório da ONU divulgado esta quinta-feira.
![]() |
O estudo observa que o continente americano apresenta historicamente índices de violência entre cinco a oito vezes mais altos do que países dos continentes europeu e asiático.
O relatório, de Gabinete das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), contabiliza 437 mil pessoas assassinadas em 2012 em todo o mundo, uma média mundial de 6,2 homicídios por 100 mil habitantes. No Brasil, a taxa de homicídios ficou em 25,2 pessoas por 100 mil habitantes, o mesmo grupo de países africanos como a Nigéria e o Congo.
MULHERES NA HISTÓRIA
Num mundo que nem sempre
valorizou a contribuição feminina, algumas mulheres assinalaram a diferença.
Enfrentaram preconceitos, combateram a descriminação.
Da política à ciência, passando pelas
artes, elas andam a mudar o mundo desde o início dos tempos. O reconhecimento
porém só começa a emergir no século XIX, com a primeira vaga da emancipação da
mulher.
PELO DIREITO DE VOTO
![]() |
| Kate Sheppard |
Uma das maiores batalhas
femininas foi travada pelo direito de voto que, em todo o mundo, gerou vários
movimentos. U m dos primeiros foi liderado pela britânica Kate Sheppard (1847-1934)
e levou a que, em 1893, a Nova Zelândia se tornasse o primeiro país a garantir
o sufrágio universal.
Em Portugal: A primeira lei eleitoral da
República Portuguesa reconhecia o direito de votar aos «cidadãos portugueses
com mais de 21 anos, que soubessem ler e escrever e fossem chefes de família».
![]() |
| Carolina Beatriz Ângela |
Carolina Beatriz Ângelo (1878-1911)
viu nesta redação da lei a oportunidade de a subverter a seu favor, dado que,
gramaticalmente, o plural masculino das palavras inclui o masculino e o feminino.
Viúva e com uma filha menor a cargo, com mais de 21 anos e instruída, dirigiu,
ao presidente da comissão recenseadora do 2º bairro de Lisboa um requerimento
no sentido de o seu nome «ser incluído no novo recenseamento eleitoral a que
tem de proceder-se». A pretensão foi indeferida pela comissão recenseadora, o
que a levou a apresentar recurso em tribunal, argumentando que a lei não
excluía expressamente as mulheres. A 28 de Abril de 1911, o juiz João Baptista
de Castro proferia a sentença que ficaria para a História: «Excluir a mulher
(…) só por ser mulher (…) é simplesmente absurdo e iníquo e em oposição com as
próprias ideias da democracia e justiça proclamadas pelo partido republicano.
(…) Onde a lei não distingue, não pode o julgador distinguir (…) e mando que a
reclamante seja incluída no recenseamento eleitoral. Assim, a 28 de Maio de
1911, nas eleições para a Assembleia Constituinte, Carolina Beatriz Ângelo
tornou-se a primeira mulher portuguesa a exercer o direito de voto. Não sem um
pequeno incidente, que a mesma relatou ao jornal A Capital: «No final da
primeira chamada, o presidente da assembleia de voto, Sr. Constâncio de
Oliveira, consultou a mesa sobre se deveria ou não aceitar o meu voto, consulta
na verdade extravagante, porquanto, estando recenseada em virtude duma sentença
judicial, a mesma não tinha competência para se intrometer no assunto».
O seu gesto teria como consequência
imediata um retrocesso na lei: o Código Eleitoral de 1913 determinava que «são
eleitores de cargos legislativos os cidadãos portugueses do sexo masculino
maiores de 21 anos ou que completem essa idade até ao termo das operações de
recenseamento, que estejam no pleno gozo dos seus direitos civis e políticos,
saibam ler e escrever português, residam no território da República
Portuguesa». Morreu nesse mesmo ano a 3 de outubro de problemas cardíacos com
apenas 33 anos.
Susan B. Anthony (1820-1906)
começou por destacar-se no movimento pelos direitos das mulheres nos E.U.A..
Criança precoce, começou a ler e a escrever aos 3 anos. Aos 52 foi presa por se
ter atrevido a votar nas eleições presidenciais norte - americanas. Acabou por
se tornar na Iª mulher a merecer um retrato numa moeda em circulação nos E.U.A.
Infelizmente, não viveu para assistir à vitória. O direito de voto feminino nos
E.U.A. foi consagrado em 1920. No mesmo período, na Europa, ficaram conhecidos
em todo o mundo os movimentos das suffragettes. Entre estas mulheres
de coragem, destacou-se a inglesa Emmeline Pankhurst (1858 -1928).
Dedicou-se à defesa dos diretos femininos, mas não beneficiou do resultado da
sua árdua batalha. Morreu três semanas antes da aprovação da lei que concedeu o
voto às mulheres com idade superior a 21 anos no Reino Unido (1928)
PELA
CIÊNCIA
Marie Curie (1867-1934)
desenvolveu investigações que moldaram o mundo para como hoje o conhecemos.
![]() |
| Marie Curie |
Nasceu na Polónia, Maria
Salomea Skfodowska, naturalizou-se francesa e Curie por casamento. Foi a Iª
mulher a receber um prémio Nobel e foi até hoje, a única pessoa a ganhá-lo em
duas categorias: Física (1903) pela investigação revolucionária sobre radioatividade,
e Química (1911) pela descoberta dos elementos rádio e polónio (este ultimo,
batizou-o honrando p país natal)
Aquela que foi a Iª professora
na Universidade de Paris, comprometeu-se cedo com a ciência e por ela deu,
literalmente, a vida. Em 1934, cedeu a uma anemia aplástica provocada pela
exposição à radiação e tornou-se a Iª mulher a ser sepultada no Panteão
Nacional de França.
Amalie Noether (1882 –
1935), a alemã que Albert Einstein considerou “a mulher mais importante na
história da Matemática”. Educada para ser pianista e professora de línguas,
ficará na História pelas suas contribuições no campo da Física teórica e
álgebra abstrata.
PELA IGUALDADE
![]() |
| Helen Keller |
Helen keller (1880 – 1968). Norte-americana ficou cega e surda aos 19 meses, o que
não a impediu de se tornar uma célebre escritora e filósofa. Foi a Iª mulher a
obter um bacharelato nas suas condições, provando que as carências sensoriais
não impedem o sucesso. Ficou conhecida por devotar a sua vida aos outros. Legou
ao mundo o centro Helen Keller, ma das principais organizações sem fins
lucrativos, dedicada à prevenção contra a cegueira e subnutrição.
![]() |
| Rosa Parks |
Rosa Parks (1913 – 2005). Ativista afro-americana que o congresso dos Estados
Unidos designou como “a Iª senhora dos direitos civis”. É ainda hoje lembrado o
dia em que recusou ceder o seu lugar num autocarro a um passageiro “branco” em
Montgomery, Alabama. Este ato de desobediência contra a segregação racial, que
culminou com a sua prisão e deu origem a um boicote aos autocarros da cidade,
constituiu o símbolo do movimento moderno pelos direitos civis nos E.U.A. Mais
tarde liderado poe Martim Luther King.
Rosa Parks morreu em 2005 e foi
a Iª mulher cujos restos mortais estiveram em Câmara ardente no Capitólio
norte- americano.
PELA INDEPENDÊNCIA
![]() |
| Helena Rubinstein |
Helena Rubinstein (1870-1965) polaca, criou um império a partir do nada. Emigrou para a
Austrália, em 1902, sem dinheiro e pouco inglês, criou uma das primeiras
empresas de cosméticos do mundo, com produtos que misturavam a gordura da lã
das ovelhas, com flores de cheiro. Dez anos depois possuía uma cadeia de lojas internacional
e converteu-se na Iª milionária a seu próprio mérito.
Antónia Adelaide Ferreira (1811-1896). Mais
conhecida por Ferreirinha, esta empresária, que ficou viúva aos 33 anos,
dedicou-se à produção de Vinho do Porto e destacou-se pelas notáveis inovações
que introduziu no processo de cultivo.
![]() |
| Ferreirinha |
Ferreirinha lutou contra a
falta de apoios dos governos e enfrentou as doenças da vinha. Em 1849 a sua
produção de vinícola era já de 700 pipas de vinho. Quando faleceu em1896 deixou
uma fortuna considerável e perto de 30 quintas.
É sempre ingrato listar as mulheres, que ao longo da História e na sua
época se destacaram por feitos importantes. No entanto, a memória encarregou-se
de fazer perdurar alguns nomes que, pelo exemplo ou simbologia, representam os
milhares que ao longo dos tempos se recusaram a ser diminuídas em função do seu
Género.
Fonte: Jornal o Público
Wikipédia, a enciclopédia livre.
Abril de 2014
Carminda Neves
quarta-feira, 19 de março de 2014
LENDA DO BELO SULDÓRIO (soldado de Viriato)
Madrugada fria. Madrugada triste. Madrugada com cheiro de tormenta. Inverno na natureza e nas almas. Vento cortante como o fio de uma espada. Mas Viriato - o pastor dos Hermínios – não sentia esse frio cortante. Nem essa madrugada triste. Nem o cheiro da tormenta. Direito, como bela estátua erguida num campo coberto de cadáveres dos seus compatriotas, dir-se-ia o génio da vingança. À sua volta, os companheiros vivos que conseguira agrupar esperavam, atentos, as suas ordens. E forte, clara e precisa soou a voz do herói:
Companheiros! Olhem em redor! Que estão a ver? Os corpos mutilados dos nossos irmãos, indignamente atraiçoados pela perfídia de um romano: Galba! (foi Cônsul romano na Ibéria na Iª metade do século II A. C.) Todos nós temos aqui um parente ou amigo. Todos estamos a contemplar as bárbaras ações desses altivos vencedores do mundo: crianças, mulheres e donzelas degoladas. Teremos nós coração para sofrer tanto? Não! Vinguemo-los, pois! Vinguemos tantas nações devastadas por esses verdugos! Tudo é por nós! Juremos, neste mesmo local, um ódio eterno ao inimigo. Pelo sangue derramado, por todas as virgens, eu juro, por mim, não despir estas armas enquanto não vingar as suas mortes!
Parecia ecoar a voz do pastor no silêncio da montanha onde a morte imperava. E quantos o escutavam repetiram em coro o mesmo juramento. E foi então que, descendo a montanha por onde esvoaçavam aves de rapina, esses homens intrépidos, chefiados por Viriato, se espalharam pela Lusitânia para incitarem o povo a pegarem armas contra os Romanos.
Em baixo na planície, um sacerdote esperava-os. Vendo chegar o grupo, o sacerdote com ar resoluto e olhos brilhantes, dirigiu-se àquele que parecia comandá-los.
Meu filho! Em nome do deus Endovélico (deus mitológico da antiga Lusitânia séc.II a. C.) serás a partir deste momento o chefe supremo do exército dos pastores da serra. Assim, concedo-te o grande colar de oiro do comando!
Como resposta ouve um clamor de entusiasmo gritando por Viriato.
Reunindo os povos lusitanos sob o seu comando, Viriato encetou a sua grande luta de grande chefe, (os soldados “suldórios” de Viriato eram todos voluntários) com grandes proezas que assustaram Roma.
Entre esses voluntários, surgiu certo dia um jovem, de cabelos loiros e olhos azuis, figura frágil, quase feminina, que viera de muito longe com o desejo de ser também um suldórios. Ao vê-lo, Viriato chamou-o à sua tenda. O jovem acorreu imediatamente.
Aceitaram-te como voluntário e ouviste bem as nossas regras. Não desististe! Mas repara que és ainda muito novo para morrer e na verdade com esse ar delicado… não sei se confio muito em ti como guerreiro.
No rosto do adolescente surgiu uma expressão de receio e ansiedade.
Não te preocupes com o meu aspeto, Viriato! Juro-te que lutarei como os melhores. O chefe lusitano olhou para o rapaz estupefacto.
Que voz a tua! Condiz com o teu corpo, que mais parece de donzela… tenho receio de que se riam de ti.
Descansa que ninguém se rirá. E se alguém se atrever, a minha espada o calará.
A tarde morria ao longe, num vagar que definia força. Resistência entre a luz e as trevas, entre a vontade e o destino.
A luta continuou, as vitórias seguiram-se: Toledo, Évora, Viseu! Em todo o lado de modos e falas estranhas se mostrou sempre como valente guerreiro. Viriato não pôde esconder a sua admiração. E certa tarde em que ambos se encontraram no campo, o chefe lusitano achou por bem elogiá-lo
És na verdade um soldado extraordinário! Hoje, vi bem que me salvaste a vida. Doravante quero-te sempre a meu lado.
Sim! Na vida ou na morte estarei sempre a teu lado!
Viriato sorriu.
Voltou a fixar o soldado, que desviou o olhar para um ponto indeterminado.
Viriato continuou a falar. Agora o tom da sua voz era diferente. Havia nele algo de indefinível e na expressão do seu rosto surgiu um estranho sorriso.
Bem… Não pensemos agora na morte. A tarde está bonita… Apetece-me ir visitar Vanídia (noiva de Viriato) eleita do meu coração, a qual há muito tempo espera por mim!
Queres vir comigo?
Não, meu senhor. Para negócios de amor, certamente não precisareis de mim.
Tens razão. Em negócios de amor não precisarei de ti! E dando costas ao jovem, Viriato seguiu o seu caminho.
O chefe lusitano desceu a montanha sem nunca olhar para trás. Um único pensamento ocupava agora a sua mente, Vanídia, e pedir-lhe perdão por demorar tanto tempo.
Era quase noite. Mas na alma de Viriato havia luz, muita luz, como sol em pleno meio-dia!
Ao vê-lo, Vanídia correu para ele.
Viriato! Demoraste tanto! Cheguei a recear por ti!
Tens razão demorei muito, mas valeu a pena, aqui estou e com boas notícias!
Ela sorriu, feliz. Tenho tido conhecimento das tuas vitórias!
Não se trata agora de guerra. Trata-se do nosso casamento.
Será possível, Viriato tens-medito tantas vezes a mesma coisa!...
Querida! Se eu derrotar os exércitos de Caio Uminiano (Pretor romano acabado de chegar de Roma para combater Viriato. Morreu nessa batalha “Campo de Ourique”) e de Caio Nigídio,
(Pretor romano que sucedeu Uminiano. Atacou a Lusitânia pelo lado dos Transcuolanos (atual Serra Morena Espanha); mas Viriato foi em auxílio deste povo e derrotou o pretor no ano de 146 antes de Cristo), numa famosa batalha que deu origem lendária aos nomes de Esculca e cabeça de Esculca, aldeia e outeiro que ainda hoje existem. Igualmente vem dessa altura, na tradição popular, a origem do nome de Abraveses, diz-se que por aí ter acampado, antes da grande batalha, a bravesa lusitana…
Na verdade, Viriato venceu. E cumpriu a sua promessa, casou com Vanídia, filha do rico Astolpas. A cerimónia realizou-se em Vaaca (nome que antigamente se dava a Viseu. Porem para muitos estudiosos, tal hipótese é absurda, pois Vaaca ou vácua era também o nome do rio Vouga (Plínio) e a atual cidade de Viseu fica bem longe do rio Vouga).
Um ano de paz com Roma. Todavia, Viriato não esquecia os seus companheiros, embora o seu exército já estivesse um tanto disperso. Só os suldórios continuavam unidos em torno do seu chefe, como um corpo só, E entre eles se encontrava o jovem soldado, já famoso pelas suas façanhas em prol de Viriato e da causa da Lusitânia.
A vida é roda que gira, às vezes quase em vertigem. O tempo passou. E então, não sendo possível aos romanos vencerem pela força o chefe da rebeldia e altiva Lusitânia, valeram-se da astúcia - que é por vezes o caminho da traição.
É de todos os tempos a existência de mentes fracas, capazes de tudo por uma ambição fogaz. Também na Lusitânia houve traidores. Traidores que levaram Viriato à morte a troco de dinheiro. De noite, aproveitando a hora de descanso, entraram na tenda de Viriato, apunhalaram-no e levaram-lhe a cabeça para apresentarem ao Cônsul Romano!
Entretanto no acampamento alguém dera subitamente o alarme. Alguém que chorava convulsivamente abraçado ao corpo de Viriato: (aquele que fora o glorioso chefe dos lusitanos). E esse, alguém era o jovem soldado desconhecido.
A dor encheu o acampamento. A dor, a indignação, a tristeza, a amargura, um grito enorme surgiu, cortando a noite. Viriato era amado até à idolatria. Foram-lhe feitos solenes funerais. Foi erguida uma enorme pira, onde seria queimado o corpo de Viriato, para depois guardarem as suas cinzas. Envolto no seu manto de comando e levando o seu colar de oiro; o que fora valoroso chefe lusitano em breve começou a arder Os suldórios desafiavam-se em combate, como holocausto àquele que haviam jurado defender até à morte. E o exército reclamava novo chefe. De súbito, alguém apontou o vulto de um jovem pálido, rosto marcado pelas lágrimas, que parecia desafiar o próprio fogo onde o corpo de Viriato ardia. E diziam:
Só ele! Só o companheiro dilecto de Viriato pode substituí-lo! Um clamor surgiu de todas as bocas, aprovando a escolha. Porem, o jovem soldado sem uma palavra, cabelos soltos ao vento, aproximou-se mais da pira onde o fogo ardia. Tirou a couraça e em seguida a túnica que lhe cobria o corpo, mostrando aos olhos espantados do exército em peso, e do povo um busto formosíssimo de mulher. Ouviu-se um «Oh» de pasmo. Mas aquela que fora durante tanto tempo o mais fiel dos soldados de Viriato. Gritou:
Sim sou mulher! Por amor a Viriato suportei tudo. Disfarçada de homem, tornei-me seu suldório para estar sempre a seu lado! Ele amava outra mulher. Não podia aspirar ao seu coração. Agora que o mataram a vida não tem mais sentido para mim. Morro com Viriato, já que vivi para ele!
E num gesto súbito, a mulher- soldado lançou o seu esbelto corpo às chamas ardentes…
Todos os presentes ficaram perplexos! A tarde, porém, morria sem queixumes, concedendo ao fogo o direito de a substituir na sua luz.
Viriato deixara de existir. E com ele ardia agora o corpo daquela que fora um dos seus melhores soldados, e jurara estar aseu lado para sempre, na vida ou na morte!
Fonte: LENDAS DE PORTUGAL. VOLUME II 1997; Gentil Marques. Círculo de leitores.
Fotografias:WEB
Março de 2014
Carminda Neves
| Fotografia de Carminda |
![]() |
| monumento a Viriato |
Em baixo na planície, um sacerdote esperava-os. Vendo chegar o grupo, o sacerdote com ar resoluto e olhos brilhantes, dirigiu-se àquele que parecia comandá-los.
Meu filho! Em nome do deus Endovélico (deus mitológico da antiga Lusitânia séc.II a. C.) serás a partir deste momento o chefe supremo do exército dos pastores da serra. Assim, concedo-te o grande colar de oiro do comando!
Como resposta ouve um clamor de entusiasmo gritando por Viriato.
Reunindo os povos lusitanos sob o seu comando, Viriato encetou a sua grande luta de grande chefe, (os soldados “suldórios” de Viriato eram todos voluntários) com grandes proezas que assustaram Roma.
Entre esses voluntários, surgiu certo dia um jovem, de cabelos loiros e olhos azuis, figura frágil, quase feminina, que viera de muito longe com o desejo de ser também um suldórios. Ao vê-lo, Viriato chamou-o à sua tenda. O jovem acorreu imediatamente.
Aceitaram-te como voluntário e ouviste bem as nossas regras. Não desististe! Mas repara que és ainda muito novo para morrer e na verdade com esse ar delicado… não sei se confio muito em ti como guerreiro.
No rosto do adolescente surgiu uma expressão de receio e ansiedade.
Não te preocupes com o meu aspeto, Viriato! Juro-te que lutarei como os melhores. O chefe lusitano olhou para o rapaz estupefacto.
Que voz a tua! Condiz com o teu corpo, que mais parece de donzela… tenho receio de que se riam de ti.
Descansa que ninguém se rirá. E se alguém se atrever, a minha espada o calará.
A tarde morria ao longe, num vagar que definia força. Resistência entre a luz e as trevas, entre a vontade e o destino.
A luta continuou, as vitórias seguiram-se: Toledo, Évora, Viseu! Em todo o lado de modos e falas estranhas se mostrou sempre como valente guerreiro. Viriato não pôde esconder a sua admiração. E certa tarde em que ambos se encontraram no campo, o chefe lusitano achou por bem elogiá-lo
És na verdade um soldado extraordinário! Hoje, vi bem que me salvaste a vida. Doravante quero-te sempre a meu lado.
Sim! Na vida ou na morte estarei sempre a teu lado!
Viriato sorriu.
Voltou a fixar o soldado, que desviou o olhar para um ponto indeterminado.
Viriato continuou a falar. Agora o tom da sua voz era diferente. Havia nele algo de indefinível e na expressão do seu rosto surgiu um estranho sorriso.
Bem… Não pensemos agora na morte. A tarde está bonita… Apetece-me ir visitar Vanídia (noiva de Viriato) eleita do meu coração, a qual há muito tempo espera por mim!
Queres vir comigo?
Não, meu senhor. Para negócios de amor, certamente não precisareis de mim.
Tens razão. Em negócios de amor não precisarei de ti! E dando costas ao jovem, Viriato seguiu o seu caminho.
O chefe lusitano desceu a montanha sem nunca olhar para trás. Um único pensamento ocupava agora a sua mente, Vanídia, e pedir-lhe perdão por demorar tanto tempo.
Era quase noite. Mas na alma de Viriato havia luz, muita luz, como sol em pleno meio-dia!
Ao vê-lo, Vanídia correu para ele.
Viriato! Demoraste tanto! Cheguei a recear por ti!
Tens razão demorei muito, mas valeu a pena, aqui estou e com boas notícias!
Ela sorriu, feliz. Tenho tido conhecimento das tuas vitórias!
Não se trata agora de guerra. Trata-se do nosso casamento.
Será possível, Viriato tens-medito tantas vezes a mesma coisa!...
Querida! Se eu derrotar os exércitos de Caio Uminiano (Pretor romano acabado de chegar de Roma para combater Viriato. Morreu nessa batalha “Campo de Ourique”) e de Caio Nigídio,
(Pretor romano que sucedeu Uminiano. Atacou a Lusitânia pelo lado dos Transcuolanos (atual Serra Morena Espanha); mas Viriato foi em auxílio deste povo e derrotou o pretor no ano de 146 antes de Cristo), numa famosa batalha que deu origem lendária aos nomes de Esculca e cabeça de Esculca, aldeia e outeiro que ainda hoje existem. Igualmente vem dessa altura, na tradição popular, a origem do nome de Abraveses, diz-se que por aí ter acampado, antes da grande batalha, a bravesa lusitana…
Na verdade, Viriato venceu. E cumpriu a sua promessa, casou com Vanídia, filha do rico Astolpas. A cerimónia realizou-se em Vaaca (nome que antigamente se dava a Viseu. Porem para muitos estudiosos, tal hipótese é absurda, pois Vaaca ou vácua era também o nome do rio Vouga (Plínio) e a atual cidade de Viseu fica bem longe do rio Vouga).
![]() |
| Imagem de Mulher |
A vida é roda que gira, às vezes quase em vertigem. O tempo passou. E então, não sendo possível aos romanos vencerem pela força o chefe da rebeldia e altiva Lusitânia, valeram-se da astúcia - que é por vezes o caminho da traição.
É de todos os tempos a existência de mentes fracas, capazes de tudo por uma ambição fogaz. Também na Lusitânia houve traidores. Traidores que levaram Viriato à morte a troco de dinheiro. De noite, aproveitando a hora de descanso, entraram na tenda de Viriato, apunhalaram-no e levaram-lhe a cabeça para apresentarem ao Cônsul Romano!
Entretanto no acampamento alguém dera subitamente o alarme. Alguém que chorava convulsivamente abraçado ao corpo de Viriato: (aquele que fora o glorioso chefe dos lusitanos). E esse, alguém era o jovem soldado desconhecido.
A dor encheu o acampamento. A dor, a indignação, a tristeza, a amargura, um grito enorme surgiu, cortando a noite. Viriato era amado até à idolatria. Foram-lhe feitos solenes funerais. Foi erguida uma enorme pira, onde seria queimado o corpo de Viriato, para depois guardarem as suas cinzas. Envolto no seu manto de comando e levando o seu colar de oiro; o que fora valoroso chefe lusitano em breve começou a arder Os suldórios desafiavam-se em combate, como holocausto àquele que haviam jurado defender até à morte. E o exército reclamava novo chefe. De súbito, alguém apontou o vulto de um jovem pálido, rosto marcado pelas lágrimas, que parecia desafiar o próprio fogo onde o corpo de Viriato ardia. E diziam:
![]() |
| Morte de Viriato |
E num gesto súbito, a mulher- soldado lançou o seu esbelto corpo às chamas ardentes…
Todos os presentes ficaram perplexos! A tarde, porém, morria sem queixumes, concedendo ao fogo o direito de a substituir na sua luz.
Viriato deixara de existir. E com ele ardia agora o corpo daquela que fora um dos seus melhores soldados, e jurara estar aseu lado para sempre, na vida ou na morte!
Fonte: LENDAS DE PORTUGAL. VOLUME II 1997; Gentil Marques. Círculo de leitores.
Fotografias:WEB
Março de 2014
Carminda Neves
sexta-feira, 14 de março de 2014
PARA NÓS
Para ti que existes, para ti que não existes! Para ti que andas por parte incerta neste imenso planeta, para ti que choras, para ti que ris, para ti que cantas, para ti que falas, ou não fazes nenhuma destas coisas, que refiro atrás, para ti com quem me cruzo ou não todos os dias. Para ti que conheço, para ti que não conheço, para ti amas, ou não amas, para ti que tens, ou não, quem te ame, para ti que sofres física/ ou psicologicamente. Simplesmente para ti. Para ti? Não! Que feriste a minha mente. Para mim. Sim! Para mim. Que sou tudo isso, que digo para trás. Para nós! Este Poema, de José Carlos Ary dos Santos, que considero um dos mais belos de toda a Poesia. Extraordinariamente cantado, por Carlos do Carmo
ESTRELA DA TARDE
Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia
Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia
Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram
Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceu
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram
Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto
Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto.
José Carlos Ary dos Santos
ESTRELA DA TARDE
Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia
Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia
Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram
Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceu
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram
Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto
Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto.
José Carlos Ary dos Santos
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
Subscrever:
Mensagens (Atom)











