sexta-feira, 11 de abril de 2014

HOMICÍDIOS NO BRASIL REPRESENTAM 10% DO TOTALMUNDIAL

O Brasil registou 50.108 homicídios em 2012, o equivalente a 10% do total mundial no mesmo período, revela um relatório da ONU divulgado esta quinta-feira.
Manifestação dos movimentos sociais em frente ao Fórum Cível de Marabá, no Pará, contra os assassinatos. Foto: Mídia Ninja (CC BY-SA)
O estudo observa que o continente americano apresenta historicamente índices de violência entre cinco a oito vezes mais altos do que países dos continentes europeu e asiático.
O relatório, de Gabinete das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), contabiliza 437 mil pessoas assassinadas em 2012 em todo o mundo, uma média mundial de 6,2 homicídios por 100 mil habitantes.
No Brasil, a taxa de homicídios ficou em 25,2 pessoas por 100 mil habitantes, o mesmo grupo de países africanos como a Nigéria e o Congo.

MULHERES NA HISTÓRIA

Num mundo que nem sempre valorizou a contribuição feminina, algumas mulheres assinalaram a diferença. Enfrentaram preconceitos, combateram a descriminação.                                            
       Da política à ciência, passando pelas artes, elas andam a mudar o mundo desde o início dos tempos. O reconhecimento porém só começa a emergir no século XIX, com a primeira vaga da emancipação da mulher.
                    PELO DIREITO DE VOTO
Kate Sheppard
Uma das maiores batalhas femininas foi travada pelo direito de voto que, em todo o mundo, gerou vários movimentos. U m dos primeiros foi liderado pela britânica Kate Sheppard (1847-1934) e levou a que, em 1893, a Nova Zelândia se tornasse o primeiro país a garantir o sufrágio universal.

      Em Portugal: A primeira lei eleitoral da República Portuguesa reconhecia o direito de votar aos «cidadãos portugueses com mais de 21 anos, que soubessem ler e escrever e fossem chefes de família».
Carolina Beatriz Ângela
Carolina Beatriz Ângelo (1878-1911) viu nesta redação da lei a oportunidade de a subverter a seu favor, dado que, gramaticalmente, o plural masculino das palavras inclui o masculino e o feminino. Viúva e com uma filha menor a cargo, com mais de 21 anos e instruída, dirigiu, ao presidente da comissão recenseadora do 2º bairro de Lisboa um requerimento no sentido de o seu nome «ser incluído no novo recenseamento eleitoral a que tem de proceder-se». A pretensão foi indeferida pela comissão recenseadora, o que a levou a apresentar recurso em tribunal, argumentando que a lei não excluía expressamente as mulheres. A 28 de Abril de 1911, o juiz João Baptista de Castro proferia a sentença que ficaria para a História: «Excluir a mulher (…) só por ser mulher (…) é simplesmente absurdo e iníquo e em oposição com as próprias ideias da democracia e justiça proclamadas pelo partido republicano. (…) Onde a lei não distingue, não pode o julgador distinguir (…) e mando que a reclamante seja incluída no recenseamento eleitoral. Assim, a 28 de Maio de 1911, nas eleições para a Assembleia Constituinte, Carolina Beatriz Ângelo tornou-se a primeira mulher portuguesa a exercer o direito de voto. Não sem um pequeno incidente, que a mesma relatou ao jornal A Capital: «No final da primeira chamada, o presidente da assembleia de voto, Sr. Constâncio de Oliveira, consultou a mesa sobre se deveria ou não aceitar o meu voto, consulta na verdade extravagante, porquanto, estando recenseada em virtude duma sentença judicial, a mesma não tinha competência para se intrometer no assunto».

      O seu gesto teria como consequência imediata um retrocesso na lei: o Código Eleitoral de 1913 determinava que «são eleitores de cargos legislativos os cidadãos portugueses do sexo masculino maiores de 21 anos ou que completem essa idade até ao termo das operações de recenseamento, que estejam no pleno gozo dos seus direitos civis e políticos, saibam ler e escrever português, residam no território da República Portuguesa». Morreu nesse mesmo ano a 3 de outubro de problemas cardíacos com apenas 33 anos.
Susan B. Anthony (1820-1906) começou por destacar-se no movimento pelos direitos das mulheres nos E.U.A.. Criança precoce, começou a ler e a escrever aos 3 anos. Aos 52 foi presa por se ter atrevido a votar nas eleições presidenciais norte - americanas. Acabou por se tornar na Iª mulher a merecer um retrato numa moeda em circulação nos E.U.A. Infelizmente, não viveu para assistir à vitória. O direito de voto feminino nos E.U.A. foi consagrado em 1920. No mesmo período, na Europa, ficaram conhecidos em todo o mundo os movimentos das suffragettes. Entre estas mulheres de coragem, destacou-se a inglesa Emmeline Pankhurst (1858 -1928). Dedicou-se à defesa dos diretos femininos, mas não beneficiou do resultado da sua árdua batalha. Morreu três semanas antes da aprovação da lei que concedeu o voto às mulheres com idade superior a 21 anos no Reino Unido (1928)

             PELA CIÊNCIA     

Marie Curie (1867-1934) desenvolveu investigações que moldaram o mundo para como hoje o conhecemos.
Marie Curie

Nasceu na Polónia, Maria Salomea Skfodowska, naturalizou-se francesa e Curie por casamento. Foi a Iª mulher a receber um prémio Nobel e foi até hoje, a única pessoa a ganhá-lo em duas categorias: Física (1903) pela investigação revolucionária sobre radioatividade, e Química (1911) pela descoberta dos elementos rádio e polónio (este ultimo, batizou-o honrando p país natal)
Aquela que foi a Iª professora na Universidade de Paris, comprometeu-se cedo com a ciência e por ela deu, literalmente, a vida. Em 1934, cedeu a uma anemia aplástica provocada pela exposição à radiação e tornou-se a Iª mulher a ser sepultada no Panteão Nacional de França.
   
Amalie Noether (1882 – 1935), a alemã que Albert Einstein considerou “a mulher mais importante na história da Matemática”. Educada para ser pianista e professora de línguas, ficará na História pelas suas contribuições no campo da Física teórica e álgebra abstrata.
        
             PELA IGUALDADE
Helen Keller

Helen keller (1880 – 1968). Norte-americana ficou cega e surda aos 19 meses, o que não a impediu de se tornar uma célebre escritora e filósofa. Foi a Iª mulher a obter um bacharelato nas suas condições, provando que as carências sensoriais não impedem o sucesso. Ficou conhecida por devotar a sua vida aos outros. Legou ao mundo o centro Helen Keller, ma das principais organizações sem fins lucrativos, dedicada à prevenção contra a cegueira e subnutrição.

Rosa Parks
Rosa Parks (1913 – 2005). Ativista afro-americana que o congresso dos Estados Unidos designou como “a Iª senhora dos direitos civis”. É ainda hoje lembrado o dia em que recusou ceder o seu lugar num autocarro a um passageiro “branco” em Montgomery, Alabama. Este ato de desobediência contra a segregação racial, que culminou com a sua prisão e deu origem a um boicote aos autocarros da cidade, constituiu o símbolo do movimento moderno pelos direitos civis nos E.U.A. Mais tarde liderado poe Martim Luther King.
  Rosa Parks morreu em 2005 e foi a Iª mulher cujos restos mortais estiveram em Câmara ardente no Capitólio norte- americano.

               PELA INDEPENDÊNCIA
Helena  Rubinstein

Helena Rubinstein (1870-1965) polaca, criou um império a partir do nada. Emigrou para a Austrália, em 1902, sem dinheiro e pouco inglês, criou uma das primeiras empresas de cosméticos do mundo, com produtos que misturavam a gordura da lã das ovelhas, com flores de cheiro. Dez anos depois possuía uma cadeia de lojas internacional e converteu-se na Iª milionária a seu próprio mérito.

 
 Antónia Adelaide Ferreira (1811-1896). Mais conhecida por Ferreirinha, esta empresária, que ficou viúva aos 33 anos, dedicou-se à produção de Vinho do Porto e destacou-se pelas notáveis inovações que introduziu no processo de cultivo.
Ferreirinha
    Ferreirinha lutou contra a falta de apoios dos governos e enfrentou as doenças da vinha. Em 1849 a sua produção de vinícola era já de 700 pipas de vinho. Quando faleceu em1896 deixou uma fortuna considerável e perto de 30 quintas.

É sempre ingrato listar as mulheres, que ao longo da História e na sua época se destacaram por feitos importantes. No entanto, a memória encarregou-se de fazer perdurar alguns nomes que, pelo exemplo ou simbologia, representam os milhares que ao longo dos tempos se recusaram a ser diminuídas em função do seu Género.


 Fonte: Jornal o Público
           Wikipédia, a enciclopédia livre.
    
 Abril de 2014

   Carminda Neves

quarta-feira, 19 de março de 2014

LENDA DO BELO SULDÓRIO (soldado de Viriato)

Madrugada fria. Madrugada triste. Madrugada com cheiro de tormenta. Inverno na natureza e nas almas. Vento cortante como o fio de uma espada. Mas Viriato - o pastor dos Hermínios – não sentia esse frio cortante. Nem essa madrugada triste. Nem o cheiro da tormenta. Direito, como bela estátua erguida num campo coberto de cadáveres dos seus compatriotas, dir-se-ia o génio da vingança. À sua volta, os companheiros vivos que conseguira agrupar esperavam, atentos, as suas ordens. E forte, clara e precisa soou a voz do herói:
Fotografia de Carminda
Companheiros! Olhem em redor! Que estão a ver? Os corpos mutilados dos nossos irmãos, indignamente atraiçoados pela perfídia de um romano: Galba! (foi Cônsul romano na Ibéria na Iª metade do século II A. C.) Todos nós temos aqui um parente ou amigo. Todos estamos a contemplar as bárbaras ações desses altivos vencedores do mundo: crianças, mulheres e donzelas degoladas. Teremos nós coração para sofrer tanto? Não! Vinguemo-los, pois! Vinguemos tantas nações devastadas por esses verdugos! Tudo é por nós! Juremos, neste mesmo local, um ódio eterno ao inimigo. Pelo sangue derramado, por todas as virgens, eu juro, por mim, não despir estas armas enquanto não vingar as suas mortes!
monumento a Viriato
Parecia ecoar a voz do pastor no silêncio da montanha onde a morte imperava. E quantos o escutavam repetiram em coro o mesmo juramento. E foi então que, descendo a montanha por onde esvoaçavam aves de rapina, esses homens intrépidos, chefiados por Viriato, se espalharam pela Lusitânia para incitarem o povo a pegarem armas contra os Romanos.
Em baixo na planície, um sacerdote esperava-os. Vendo chegar o grupo, o sacerdote com ar resoluto e olhos brilhantes, dirigiu-se àquele que parecia comandá-los.
Meu filho! Em nome do deus Endovélico (deus mitológico da antiga Lusitânia séc.II a. C.) serás a partir deste momento o chefe supremo do exército dos pastores da serra. Assim, concedo-te o grande colar de oiro do comando!
Como resposta ouve um clamor de entusiasmo gritando por Viriato.
Reunindo os povos lusitanos sob o seu comando, Viriato encetou a sua grande luta de grande chefe, (os soldados “suldórios” de Viriato eram todos voluntários) com grandes proezas que assustaram Roma.
Entre esses voluntários, surgiu certo dia um jovem, de cabelos loiros e olhos azuis, figura frágil, quase feminina, que viera de muito longe com o desejo de ser também um suldórios. Ao vê-lo, Viriato chamou-o à sua tenda. O jovem acorreu imediatamente.
Aceitaram-te como voluntário e ouviste bem as nossas regras. Não desististe! Mas repara que és ainda muito novo para morrer e na verdade com esse ar delicado… não sei se confio muito em ti como guerreiro.
No rosto do adolescente surgiu uma expressão de receio e ansiedade.
Não te preocupes com o meu aspeto, Viriato! Juro-te que lutarei como os melhores. O chefe lusitano olhou para o rapaz estupefacto.
Que voz a tua! Condiz com o teu corpo, que mais parece de donzela… tenho receio de que se riam de ti.
Descansa que ninguém se rirá. E se alguém se atrever, a minha espada o calará.
A tarde morria ao longe, num vagar que definia força. Resistência entre a luz e as trevas, entre a vontade e o destino.
A luta continuou, as vitórias seguiram-se: Toledo, Évora, Viseu! Em todo o lado de modos e falas estranhas se mostrou sempre como valente guerreiro. Viriato não pôde esconder a sua admiração. E certa tarde em que ambos se encontraram no campo, o chefe lusitano achou por bem elogiá-lo
És na verdade um soldado extraordinário! Hoje, vi bem que me salvaste a vida. Doravante quero-te sempre a meu lado.
Sim! Na vida ou na morte estarei sempre a teu lado!
Viriato sorriu.
Voltou a fixar o soldado, que desviou o olhar para um ponto indeterminado.
Viriato continuou a falar. Agora o tom da sua voz era diferente. Havia nele algo de indefinível e na expressão do seu rosto surgiu um estranho sorriso.
Bem… Não pensemos agora na morte. A tarde está bonita… Apetece-me ir visitar Vanídia (noiva de Viriato) eleita do meu coração, a qual há muito tempo espera por mim!
Queres vir comigo?
Não, meu senhor. Para negócios de amor, certamente não precisareis de mim.
Tens razão. Em negócios de amor não precisarei de ti! E dando costas ao jovem, Viriato seguiu o seu caminho.
O chefe lusitano desceu a montanha sem nunca olhar para trás. Um único pensamento ocupava agora a sua mente, Vanídia, e pedir-lhe perdão por demorar tanto tempo.
Era quase noite. Mas na alma de Viriato havia luz, muita luz, como sol em pleno meio-dia!
Ao vê-lo, Vanídia correu para ele.
Viriato! Demoraste tanto! Cheguei a recear por ti!
Tens razão demorei muito, mas valeu a pena, aqui estou e com boas notícias!
Ela sorriu, feliz. Tenho tido conhecimento das tuas vitórias!
Não se trata agora de guerra. Trata-se do nosso casamento.
Será possível, Viriato tens-medito tantas vezes a mesma coisa!...
Querida! Se eu derrotar os exércitos de Caio Uminiano (Pretor romano acabado de chegar de Roma para combater Viriato. Morreu nessa batalha “Campo de Ourique”) e de Caio Nigídio,
(Pretor romano que sucedeu Uminiano. Atacou a Lusitânia pelo lado dos Transcuolanos (atual Serra Morena Espanha); mas Viriato foi em auxílio deste povo e derrotou o pretor no ano de 146 antes de Cristo), numa famosa batalha que deu origem lendária aos nomes de Esculca e cabeça de Esculca, aldeia e outeiro que ainda hoje existem. Igualmente vem dessa altura, na tradição popular, a origem do nome de Abraveses, diz-se que por aí ter acampado, antes da grande batalha, a bravesa lusitana…

Na verdade, Viriato venceu. E cumpriu a sua promessa, casou com Vanídia, filha do rico Astolpas. A cerimónia realizou-se em Vaaca (nome que antigamente se dava a Viseu. Porem para muitos estudiosos, tal hipótese é absurda, pois Vaaca ou vácua era também o nome do rio Vouga (Plínio) e a atual cidade de Viseu fica bem longe do rio Vouga).
Imagem de Mulher
Um ano de paz com Roma. Todavia, Viriato não esquecia os seus companheiros, embora o seu exército já estivesse um tanto disperso. Só os suldórios continuavam unidos em torno do seu chefe, como um corpo só, E entre eles se encontrava o jovem soldado, já famoso pelas suas façanhas em prol de Viriato e da causa da Lusitânia.
A vida é roda que gira, às vezes quase em vertigem. O tempo passou. E então, não sendo possível aos romanos vencerem pela força o chefe da rebeldia e altiva Lusitânia, valeram-se da astúcia - que é por vezes o caminho da traição.
É de todos os tempos a existência de mentes fracas, capazes de tudo por uma ambição fogaz. Também na Lusitânia houve traidores. Traidores que levaram Viriato à morte a troco de dinheiro. De noite, aproveitando a hora de descanso, entraram na tenda de Viriato, apunhalaram-no e levaram-lhe a cabeça para apresentarem ao Cônsul Romano!
Entretanto no acampamento alguém dera subitamente o alarme. Alguém que chorava convulsivamente abraçado ao corpo de Viriato: (aquele que fora o glorioso chefe dos lusitanos). E esse, alguém era o jovem soldado desconhecido.
A dor encheu o acampamento. A dor, a indignação, a tristeza, a amargura, um grito enorme surgiu, cortando a noite. Viriato era amado até à idolatria. Foram-lhe feitos solenes funerais. Foi erguida uma enorme pira, onde seria queimado o corpo de Viriato, para depois guardarem as suas cinzas. Envolto no seu manto de comando e levando o seu colar de oiro; o que fora valoroso chefe lusitano em breve começou a arder Os suldórios desafiavam-se em combate, como holocausto àquele que haviam jurado defender até à morte. E o exército reclamava novo chefe. De súbito, alguém apontou o vulto de um jovem pálido, rosto marcado pelas lágrimas, que parecia desafiar o próprio fogo onde o corpo de Viriato ardia. E diziam:
Morte de Viriato
Só ele! Só o companheiro dilecto de Viriato pode substituí-lo! Um clamor surgiu de todas as bocas, aprovando a escolha. Porem, o jovem soldado sem uma palavra, cabelos soltos ao vento, aproximou-se mais da pira onde o fogo ardia. Tirou a couraça e em seguida a túnica que lhe cobria o corpo, mostrando aos olhos espantados do exército em peso, e do povo um busto formosíssimo de mulher. Ouviu-se um «Oh» de pasmo. Mas aquela que fora durante tanto tempo o mais fiel dos soldados de Viriato. Gritou:
Sim sou mulher! Por amor a Viriato suportei tudo. Disfarçada de homem, tornei-me seu suldório para estar sempre a seu lado! Ele amava outra mulher. Não podia aspirar ao seu coração. Agora que o mataram a vida não tem mais sentido para mim. Morro com Viriato, já que vivi para ele!
E num gesto súbito, a mulher- soldado lançou o seu esbelto corpo às chamas ardentes…
Todos os presentes ficaram perplexos! A tarde, porém, morria sem queixumes, concedendo ao fogo o direito de a substituir na sua luz.
Viriato deixara de existir. E com ele ardia agora o corpo daquela que fora um dos seus melhores soldados, e jurara estar aseu lado para sempre, na vida ou na morte!

Fonte: LENDAS DE PORTUGAL. VOLUME II 1997; Gentil Marques. Círculo de leitores.
Fotografias:WEB

Março de 2014
Carminda Neves




sexta-feira, 14 de março de 2014

Estrela da tarde - Carlos do Carmo

PARA NÓS

Para ti que existes, para ti que não existes! Para ti que andas por parte incerta neste imenso planeta, para ti que choras, para ti que ris, para ti que cantas, para ti que falas, ou não fazes nenhuma destas coisas, que refiro atrás, para ti com quem me cruzo ou não todos os dias. Para ti que conheço, para ti que não conheço, para ti amas, ou não amas, para ti que tens, ou não, quem te ame, para ti que sofres física/ ou psicologicamente. Simplesmente para ti. Para ti? Não! Que feriste a minha mente. Para mim. Sim! Para mim. Que sou tudo isso, que digo para trás. Para nós! Este Poema, de José Carlos Ary dos Santos, que considero um dos mais belos de toda a Poesia. Extraordinariamente cantado, por Carlos do Carmo




ESTRELA DA TARDE

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia

Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram

Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceu
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto

Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto.

José Carlos Ary dos Santos

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

DESPORT0

                       
                                 PRESIDENTE DA FIFA E CRISTIANO RONALDO


Ronaldo. Trabalha não brinca
É sempre a mesma coisa. Um individuo que, diga-se a verdade, não tem aspecto normal: de faces rosadas, nariz arroxeado,(qual batata roxa) tropeçando ligeiramente nas suas "perninhas", diz meia dúzia de barbaridades acerca de um grande desportista e o mundo inteiro faz um grande alarido, eu, por acaso até acho bem, sou portuguesa tal como o atleta em causa, mas, há indivíduos tão ridículos e absurdos que, as suas palavras são para atirar aos “corvos” isto é: votar ao desprezo, ignorar, ou até rir, passar adiante e se houver oportunidade demitir, pois dão a conhecer a pobreza intelectual das instituições.
Presidente da FIFA. O rosto diz tudo

Sabemos, infelizmente, que há grandes lugares ocupados por pessoas “quenininhase isso não se passa só no desporto, mas, sim em todos os cargos de responsabilidade da sociedade mundial, não excluindo os grandes cargos políticos. Parece que uma geração rasca,com ausência total de inteligência ede valores tomou conta do mundo.
"Pobre" FIFA " rico" Joseph S. Blatter POBRE MUNDO

Carminda Neves
Outubro de 2013                                                               

    

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

sábado, 10 de agosto de 2013

O MEL, TRADIÇÃO E LENDA


A tradição e a lenda conferem ao mel qualidades únicas, desde afrodisíaco a elixir da juventude. De facto, o mel fornece pouco mais do que energia, sob a forma de hidratos de carbono simples.


recolha do mel
O mel é produzido pelas abelhas a partir do néctar das flores ou de exsudações naturais doces colhidas nos caules e folhas de certas árvores, e é principalmente constituído por uma mistura de água e dois açúcares simples, a frutose e a glucose. Quanto mais límpido for o mel, maior será a proporção de frutose. O mel acaba por endurecer se for conservado durante muito tempo, bastando no entanto aquecê-lo para que fique novamente mais líquido.

O mel fornece quantidades insignificantes de nutrientes, mas mesmo esse teor mínimo faz dele uma opção mais saudável que outro açúcar qualquer, refinado, que contém apenas calorias «vazias» 288 cal. Por 394 cal. Por 100g.1/4 do seu volume é água. No entanto é mais denso, e mais pesado que o açúcar, uma colher de sopa de mel pesa mais do que uma colher de sopa de açúcar, a sua substituição deve ser feita por peso, e não por volume, para que não forneça mais calorias. O seu sabor depende das regiões e plantas de onde as abelhas recolhem o néctar.

O mel pode conter toxinas naturalmente existentes nas plantas. Ex: rododendro pode provocar paralisia, o mel produzido pelo néctar de plantas como a tasneirinha pode conter alcaloides.

                                PROPRIEDADES “MEDICINAIS” DO MEL

  O mel conserva a sua reputação, como remédio, para tratar problemas respiratórios, Ex: constipações com a presença de expetoração, também, dizem que é antissético_ Os Gregos e os romanos diziam-no capaz de curar feridas_ diz-se também que é descongestionante. Tal como o açúcar tem um efeito ligeiramente sedativo, além disso, o líquido adoçado estimula a produção de saliva, que acalma a secura e irritação da garganta.

                                   O MEL ATRAVÉS DOS TEMPOS

O mel, a que os Gregos e Romanos chamavam «ambrósia» era considerado um alimento “digno dos deuses”. Na mitologia grega, o jovem Zeus, foi, salvo de seu Pai, Cronos, criado em segredo pelas ninfas Adrasteia, Amalteia e Melissa, estas alimentaram-no com mel e leite.

Muito antes de ter sido introduzida a apicultura, o homem da Idade da Pedra aprendera a apreciar o mel das abelhas selvagens, e na antiguidade, os Egípcios, Persas e Chineses conheciam-lhe o valor. Com mel fermentado e água, os Celtas e os Anglo-Saxões preparavam o hidromel, a sua bebida revigorante. O rei Salomão recomendava-o, e a Bíblia refere-se a terras onde corria o leite e o mel. Na Europa, até meados do século XVII, o mel, era o adoçante do povo, estando o açúcar reservado à nobreza e ao clero. De acordo com as despesas da ucharia (despensa) do rei D. Dinis de Portugal, o preço do açúcar era cerca de 50 X superior ao do mel.

                              CULTURA DE ABELHAS


colmeia de madeira
A apicultura “arte de domesticação e criação de abelhas para produção de mel, remonta a épocas longínquas e imprecisas da Antiguidade. Sabe-se no entanto que na Grécia, em especial na Jónia e em Creta, e também em Roma a cultura das abelhas era uma atividade a que eram dedicados os maiores cuidados.

     Conforme o clima, variam os sistemas de cultura, que pode ser fixista, com colmeias de palha, barro, ou troncos escavados de casca de sobreiro (cortiça), como em Portugal, ou mobilista, sistema que já os Egípcios conheciam e utilizavam, no qual se usa em regra a colmeia feita de madeira.

 

Fonte: ALIMENTOS BONS, ALIMENTOS PERIGOSOS; seleções do Reader`s Digeste.

Coimbra, agosto de 2013

Carminda Neves