quinta-feira, 21 de julho de 2011

SATURNO E 2011

CRONOS_SATURNO
O Ano de 2011 entrou a um Sábado, dia consagrado a Saturno (do latim saturnus), um planeta de movimento lento que leva cerca de 30 anos para completar a sua órbita. A sua hora é a primeira ao sair do sol e a oitava depois de ter saído. O metal de Saturno é o chumbo, lento e pesado; a sua luz é cinza; é frio e seco, melancólico e térreo, masculino e diurno; é inimigo da natureza. A mitologia greco-romana refere-se a Saturno como o pai do deus Júpiter. Na mitologia romana, é equivalente a cronos (titã da mitologia grega) filho de Úrano e Gaia, governante no mundo dos deuses e dos homens devorava os seus filhos à nascença pois de acordo com a profecia estes destruíam os seus poderes. Conta que um dia Zeus fugiu do seu destino e mutilou o pai com uma foice, tornando-se assim o deus supremo. O deus Saturno era para os romanos o deus da agricultura, das colheitas, da justiça e da força. Os romanos acreditavam que a origem de Roma se devia a Saturno, pelo que lhe construíram um templo no Capitólio. Anualmente por altura do solstício de Inverno, celebravam-se as festas populares em honra de Saturno (as saturnais). Estas festas duravam cerca de uma semana, em que todas as actividades eram suspensas, inclusive as militares; os inúmeros banquetes davam lugar a inevitáveis orgias, promovendo assim o ócio. Na mitologia Hindu, Saturno (San ou shan) é o juiz dos vários planetas e é ele que determina a trajectória de cada um, de acordo com as suas acções. Acultura chinesa e japonesa classifica-o como a estrela de Terra, enquanto que na cultura hebraica (shabbathaí) é anjo, inteligência e espírito benéfico.

ANEIS DE SATURNO
 Saturno segundo a lenda traz destruição, fome, carestia, inquietação, miséria, angústia e tristeza; tem domínio sobre os velhos, os caducos e solitários, os tristes e melancólicos.
QUE RICO 2011!.... E ESTA HEM?!.....

Fonte: BORDA D`ÁGUA!...Coimbra, Julho de 2011
       Carminda NEVES

terça-feira, 19 de julho de 2011

DR. ELYSIO DE MOURA

 

 Em Coimbra resta a “Avenida” e a “Casa de Infância”. A memória do psiquiatra e do primeiro Bastonário da Ordem dos Médicos vai-se esfumando aos poucos.

ELYSIO DE MOURA
Elysio de Azevedo e Moura nasceu em Braga, a 30 de Agosto de 1877, morreu 18 de Junho de 1977 dois meses antes de completar 100 anos). Encontra-se sepultado no cemitério de Monte d'Arcos em Braga. Filho, de José Alves de Moura, um bacharel formado em Teologia, professor e, mais tarde, Reitor do Liceu de Braga (actual Escola Secundária Sá de Miranda) e de Dona Emília da Costa Pereira de Azevedo e Moura. Foi o quarto de dez filhos deste casal, tendo sido o único que seguiu Medicina. Foi casado com Celestina de Araújo Salgado Zenha de Azevedo e Moura, natural do Rio de Janeiro, que viria a falecer no ano de 1945, não tendo existido filhos por parte do casal. Talvez, por isso, se possa explicar o facto de Elysio de Moura e sua esposa se dedicarem "de alma e coração", "não se pouparem aos maiores sacrifícios" para revitalizar a instituição "Asilo da Infância Desvalida" que, em 1967, passa a designar-se "Casa da Infância Doutor Elysio de Moura". Esta instituição recebia e recebe (hoje 34 anos depois da sua morte) crianças do sexo feminino, em situação de risco social, para serem "amparadas, tratadas e orientadas com todo o carinho, desvelo e cuidado" (cit. Testemunhos, 1778: 40) como o próprio Elysio de Moura fez referir no seu Testamento, elaborado a 25 de Abril de 1977.
Casa de Infancia Dr. Elysio de Moura
 Entrou na Universidade de Coimbra com quinze anos de idade e com o objectivo de estudar Matemática e Filosofia, Outros tempos e outras regras (1892). Obteve o grau de Bacharel em Filosofia

Inscreveu-se então na Faculdade de Medicina, frequentando o Curso de Medicina de 1895 a 1901. A 1 de Março de 1901 fez acto de licenciatura. Aprovado com distinção, é nomeado, em 1902, professor substituto da Faculdade de Medicina de Coimbra. Mais tarde, como professor catedrático, rege as cadeiras de Patologia Interna, Propedêutica Médica, Obstetrícia e Pediatria. Terá sido a regência das cadeiras de Patologia Interna e de Clínica Médica que motivou Elísio de Moura para o estudo de Neurologia e Psiquiatria. Em 1907, consegue, graças à sua notoriedade, dar início em Portugal ao ensino de Neurologia e Psiquiatria, na Universidade de Coimbra.

Algumas obras de Elysio de Moura

- "Demente que aos 77 anos testou, sem dar por isso, e que aos 79 casou... também sem dar por isso!"- Petição e réplica dos Advogados J.S. da Cunha e Costa e E.M. da Cunha e Costa, e pareceres médico-legais dos Exmºs Srs. Drs. Elysio de Moura, Marques dos Santos, Egas Moniz e Sobral Cid, 1924;

- Anorexia Mental. Acta Universitatis Conimbrigensis, 1947, 141p.

Origem:Wikipédia, a enciclopédia livre
            Sara Cristina Martins Lopes

 Coimbra Julho de 2011
                    Carminda neves

domingo, 17 de julho de 2011

TERRA, ESPAÇO, TEMPO

   Processou-se, nas últimas centenas de anos, um extraordinário alargamento das concepções humanas a respeito do universo em que o homem vive. Ao mesmo tempo, diminuiu-se-lhe, talvez, a importância como indivíduo. Aprenderam os homens que, não passam de partículas de um todo muito mais vasto, duradouro e admirável do que aquilo que podiam, sequer, suspeitar ou sonhar os seus antepassados.
H. G. WELLS
Para a mentalidade primitiva a terra é a parte plana do universo; o céu, uma abobada pela qual passam e repassam o sol, a lua e as estrelas, que regressam por qualquer misterioso atalho ou caminho subterrâneo. 
   Os astrónomos da Babilónia, como os astrónomos chineses, apesar dos muitos séculos de observação das estrelas, continuavam a supor que a terra fosse plana. Foi a cultura grega que primeiro logrou perceber claramente a forma esférico do mundo, mas, mesmo assim, não aprendeu de forma alguma a vastidão do universo. O globo da terra era o centro da existência; o sol, a lua, os planetas, as estrelas, moviam-se em volta desse suposto centro, em esferas cristalinas. Só no século XVI, a inteligência dos homens ultrapassou tal concepção, e Copérnico propôs a sua espantosa hipótese de que o sol, e não a terra, era o centro do sistema. E só com a invenção do telescópio por Galileu, nos princípios do século XVII, é que o ponto de vista de Copérnico se tornou geralmente aceite.
     O aparecimento do telescópio assinala, com efeito, uma nova fase do pensamento humano, uma visão nova da vida. É extraordinário que os Gregos, com a sua cultura penetrante e vivaz, nunca tenham compreendido as possibilidades, nem do telescópio, nem do microscópio. Nunca fizeram uso de lentes. E viviam, entretanto, num mundo em que o vidro era conhecido e em que há muito se sabia perfeitamente faze-lo. Rodeavam-nos frascos e garrafas de vidro, através dos quais observavam imagens deformadas e aumentadas das coisas.
     Mas a ciência na Grécia era pesquisada por filósofos aristocráticos, homens que, com as tardias excepções do engenhoso Arquimedes e de Hierão, tinham demasiado orgulho em aprender com simples artesões: como joalheiros e trabalhadores do metal ou do vidro.
    A ignorância é o primeiro castigo do orgulho. O filósofo não possuía habilidade mecânica, e o artesão nenhuma educação filosófica. Ficou assim para outra época, mais de mil anos depois, a tarefa de aproximar o vidro e o astrónomo. Coube a galileu fazê-lo e, desde então a astronomia e o telescópio não mais se separaram. Juntos, arrancaram das profundidades do espaço todo um véu de ignorância e falsas suposições. A ideia de que o sol era o centro do universo substitui a que atribuía essa posição ao globo da terra. Sabemos, agora, que o nosso sol não pode sequer incluir-se entre as estrelas maiores; não passa de um dos menores focos de luz.
    O telescópio libertou a imaginação humana como nenhum outro instrumento o fez jamais. Se algum aparelho teve influência comparável à sua, esse foi o espectroscópio, que se desenvolveu depois das descobertas de Fraunhofer, o artista do vidro, em 1814. O homem conhece o arco-íris desde que vive na terra, mas quem lhe diria que aquelas fitas de cor escondiam o segredo da possibilidade de se analisar a composição das estrelas? Ora, o espectroscópio, recebendo os raios de uma fonte luminosa, fá-los atravessar prismas quebra-os e divide-os em fitas matizadas como o arco-íris. Essas fitas de cor revelam, à observação, linhas transversais brilhantes e escuras que variam com o calor e com a composição química da fonte de luz e de quaisquer vapores que perpassem entre ela e o aparelho. E assim podem os homens, hoje, nos seus observatórios, analisar a composição e tirar a temperatura de estrelas que distam de nós incalculáveis biliões de quilómetros.
   A cortina que escondia os impenetráveis abismos das distâncias estelares foi encerrada nos três últimos séculos. Ainda mais recente, porém, é o nosso conhecimento da imensa duração
em tempo, do universo. Entre os povos antigos, só os filósofos indianos, ao que parece, tiveram a intuição das vastas idades da terra e da vida. No mundo europeu, até há pouco mais de um século e meio, as ideias dos homens a respeito do período de duração das coisas eram de que o universo datava de ontem.
Na História Universal publicada por um sindicato de editores de Londres, em 1779, afirmava-se que o mundo tinha sido criado no ano de4004 a. C., e (com amável exactidão) no equinócio do Outono, segundo tal obra coroada pela formação do homem no Éden, à margem do rio Eufrates, exactamente a dois dias de viagem acima do Basra. O crédito dado a tais assertos provinha da interpretação literal da narrativa bíblica. São poucos hoje, mesmo entre os mais sinceros crentes na inspiração bíblica, aqueles que aceitam tais afirmações como positivas.
   Foram a geologia e, especialmente, a paleontologia que romperam com essa barreira de tempo e rasgaram, para além do pequeno ontem de menos de seis mil anos, vários milhões desses ontens. Duas series de factos, frequentemente observados, vinham com efeito chamando, desde antes do século XVIII, a atenção dos homens. As rochas apresentam, habitualmente, grandes espessuras sedimentares que só poderiam ter sido acumuladas em longos períodos de tempo. Em muitos casos, essas estratificações mostram-se dobradas, contorcidas e violentadas de modo a sugerir, inevitavelmente, a actuação de enormes forças que tivessem operado em prolongados períodos de tempo. Além dessas estratificações, obrigava os homens a reflectir sobre a antiguidade do mundo a existência de fósseis similares, mas não precisamente iguais, aos ossos e crânios e outras partes resistentes das espécies actuais.
     No século XVIII, esses estratos e fósseis começaram a ser estudados sistematicamente, generalizando-se, no século XIX, o reconhecimento da importância daquelas acumulações para se aferir a antiguidade da terra. Foi grande a polémica para estabelecer a autoridade da História das Rochas contra os preconceitos daqueles para quem a interpretação literal da bíblia era preciosa e imprescindível. Muitos homens conhecidos na época, tomaram parte nessa grande emancipação do espírito humano.
Gradualmente, as perspectivas da humanidade transformaram-se e alargaram-se. Duzentos ou trezentos anos atrás, a imaginação da espécie tinha um cenário de seis mil anos. Agora que a cortina se levantou, os homens contemplam um passado de centenas de milhões de anos.
Fonte:
WELLES H. G; História Universal 1º volume; pags. 15, 30, 109
                         EDIÇÃO LIVROS DO BRASIL
                   
                     Coimbra, Julho de 2011
                             Carminda Neves

sexta-feira, 15 de julho de 2011

HERMANN HESSE

Nasceu a 2 de Julho de 1877, na Alemanha, e morreu a 9 de Agosto de 1962, na Suíça. Distinguido, em 1946, com o Nobel da literatura, tornou-se uma verdadeira figura de culto, uma referência universal ancorada na exaltação que faz do individuo e na celebração de um certo misticismo oriental. Peter Camenzind, o seu primeiro romance, data de 1904. Uma visita à Índia fê-lo descobrir uma cultura e modos de sentir que o fascinaram:
Siddhartha (1922) foi o resultado prático dessa experiencia, sendo o seu livro mais lido em todo o mundo.
Actualmente, as referências ao Buda referem-se em geral a Siddhartha Gautama, mestre religioso e fundador do Budismo no século VI antes de Cristo. Ele seria, portanto, o último Buda de uma linhagem de antecessores cuja história se perdeu no tempo. Conta a história que ele atingiu a iluminação durante uma meditação sob a árvore Bodhi, quando mudou seu nome para Buda, que quer dizer "iluminado".
 Hermann Hesse
Suponho que esta obra de Hermann Hesse foi inspirada em toda a vida do primeiro BUDA. Em toda narrativa o nome da personagem principal é: Siddhartha Gautama.
Durante a Primeira Guerra Mundial, o escritor, refugiou-se na Suíça, país neutro, onde adquiriu a nacionalidade em 1923. Entre os seus romances, incluem-se: O Lobo das Estepes
(1927), Narciso e Goldmundo (1930) e O Jogo das Contas de Vidro (1943).
Explorando sempre o dualismo entre a vida activa e a atitude contemplativa, Hermann Hesse é a par de Thomas Mann e Franz Kaflca um dos nomes maiores das letras germânicas do século xx.
Não resisto, e deixo a acompanhar a este pequeno apontamento da vida de Hermann Hesse,
Uma passagem da sua maravilhosa obra, SIDDHARTHA, (uma das mais belas que já li)

SIDDHARTHA

Na penumbra da casa, ao sol nas margens do rio, junto aos barcos, à sombra do bosque, à sombra das figueiras, cresceu Siddhartha, o belo filho do brâmane, o jovem falcão, na companhia de Govinda, o seu amigo, o filho do brâmane. O sol queimava os seus ombros claros nas margens do rio, durante o banho, durante as abluções sagradas, durante os sacrifícios sagrados. As sombras do mangal corriam pelos seus olhos negros durante as brincadeiras infantis, durante as canções de sua mãe, durante os sacrifícios sagrados, durante os ensinamentos de seu pai, o erudito, durante o discurso dos sábios. Havia já muito tempo que Siddhartha participava nas conversas com os sábios, que treinava com Govinda a retórica, que treinava com Govinda a arte da contemplação, a prática da meditação. Já sabia pronunciar silenciosamente o Om, a palavra das palavras; deixava-o penetrar silenciosamente em si com a inspiração, exalava-o silenciosamente com a expiração, com a totalidade da sua alma, a fronte envolta no brilho do espírito lúcido. Já reconhecia Atman no fundo do seu ser, imperecível, uno com o universo.
Assim Siddhartha era amado por todos. A todos alegrava, a todos tornava felizes.
Mas ele, Siddhartha, não se alegrava, não era feliz
Siddhartha começara a alimentar em si a infelicidade.
Começara a sentir que o amor de seu pai, o amor de sua mãe e o amor do seu amigo Govinda, não o poderiam tornar feliz para todo o sempre, não poderiam apaziguá-lo, saciá-lo, satisfazê---lo. Começara a pressentir que o seu honrado pai e os seus outros mestres já haviam partilhado com ele a maior e melhor parte da sua sabedoria, deitado tudo o que tinham para dentro do recipiente ansioso que ele era, e o recipiente não estava cheio, o espírito não estava satisfeito, a alma não estava aquietada, o coração não estava pacificado. As abluções eram boas, mas eram água, não lavavam os pecados, não saciavam a sede do espírito, não acabavam com os temores do coração. É necessário encontrar a Fonte Primordial no fundo do Eu, possuí-la em nós mesmos! Tudo o resto era demanda, era desvio, era erro.
Estes eram os pensamentos de Siddhartha, esta era a sua sede, esta era a sua dor. Muitas vezes o mundo celestial parecera-lhe perto, mas nunca o conseguira alcançar, nem conseguira saciar a sua derradeira sede.
- Govinda - disse Siddhartha ao seu amigo - , Govinda, vem comigo para debaixo da figueira de – bengala, vamos meditar.
Foram para junto da figueira - de – bengala, sentaram-se no chão, aqui Siddhartha, Govinda afastado vinte passos. Enquanto se sentava, pronto a pronunciar o Om, Siddhartha murmurava os versos:

«Om é o arco, a flecha é a alma,
O Braman é o alvo da flecha,
O alvo que devemos atingir»,

Quando o tempo habitual da meditação se esgotou, Govinda ergueu-se.
À noite depois da hora da contemplação, Siddhartha disse a Govinda:
- Amanhã cedo, meu amigo, Siddhartha irá ter com os samanas. Siddhartha tornar-se-á um samana.
Govinda empalideceu, ao ouvir estas palavras, e no rosto imóvel do seu amigo leu a determinação, impossível de desviar do seu curso como a flecha lançada por um arco.
- Siddhartha – exclamou – irá teu pai permitir-te tal?
Siddhartha entrou na câmara onde estava seu pai, sentado sobre uma esteira de ráfia;
Colocou-se atrás de seu pai e ficou de pé, até este sentir que alguém estava atrás dele. Falou o brâmane:
- És tu, Siddhartha? Diz, então, aquilo que tens para dizer.
Disse Siddhartha:
- Com a tua permissão, meu pai. Vim para te dizer que é meu desejo deixar a tua casa, amanhã, e juntar-me aos ascetas. Tornar-me um samana, esse é o meu desejo. Espero que o meu pai não se oponha.
O brâmane ficou silencioso, permaneceu silencioso por tanto tempo que na pequena janela as estrelas se deslocaram e a sua configuração se alterou, antes que o silêncio na câmara chegasse ao fim. O filho permaneceu de pé, com os braços cruzados, mudo e imóvel, o pai permaneceu sentado sobre a esteira, mudo e imóvel, e as estrelas cruzaram o céu. Então o pai falou:
- Não quero ouvir tal pedido, uma segunda vez da tua boca.
Lentamente, o brâmane ergueu-se; Siddhartha continuava silencioso e de braços cruzados.
- Por que esperas? – Perguntou o pai.
Disse Siddhartha:
- Tu o sabes.
Indignado, o pai saiu da câmara. Indignado, dirigiu-se ao seu leito e deitou-se.
Uma hora mais tarde, porque o sono não vinha aos seus olhos, o brâmane levantou-se, caminhou para trás e para diante, saiu de casa. Olhando através da pequena da câmara viu Siddhartha, de pé, com os braços cruzados, imóvel. O seu trajo claro resplandecia de brancura. Com o coração inquieto, o pai voltou para o seu leito.
Uma hora mais tarde voltou, viu Siddhartha, imóvel, com os braços cruzados.
E voltou uma hora mais tarde, e voltou duas horas mais tarde. E voltou a cada hora que passou, silencioso, olhou para a câmara, viu o homem de pé, imóvel, encheu o seu coração de ira, encheu o seu coração de inquietação, encheu o seu coração de medo, encheu o seu coração de dor.
E na última hora da noite, antes do início do dia, voltou, entrou na câmara, viu o jovem em pé, que lhe pareceu grande e distante.
- Siddhartha – disse ele -, porque esperas?
- Tu o sabes.
- Quererás tu esperar em pé, até chegar o dia, a tarde, a noite?
- Esperarei, de pé
- Ficarás cansado, Siddhartha.
- Ficarei cansado.
- Adormecerás, Siddhartha.
- Não adormecerei.
- Morrerás, Siddhartha.
- Morrerei.
- E preferes morrer, a obedecer a teu pai?
- Siddhartha obedeceu sempre a seu pai.
- Estarás disposto a renunciar ao teu propósito?
- Siddhartha fará o que o seu pai lhe disser.
O primeiro brilho do dia caiu na câmara. O brâmane viu que os joelhos de Siddhartha tremiam ligeiramente. Mas no rosto de Siddhartha não viu qualquer tremor; ao longe brilhavam os seus olhos. Então o pai compreendeu que Siddhartha já não se encontrava junto a ele, na sua terra, que já o tinha deixado.
O pai tocou o ombro de Siddhartha.
- Tu queres – disse ele -, ir para a floresta e ser um samana. Se encontrares a bem – aventurança na floresta, volta e ensina – me a bem – aventurança. Se encontrares a desilusão, então volta e voltaremos a oferecer sacrifícios aos deuses juntos.
Ao deixar a cidade ainda adormecida, à primeira luz da manhã, com as pernas entorpecidas, ergueu – se da última cabana uma sombra, que ali estava acocorada, e aproximou – se do peregrino – Govinda.
- Vieste – disse Siddhartha, sorrindo.
- Vim – disse Govinda.

Fonte


HESSE, Hermann; Siddhartha, primeira parte; págs 11a 20
Edição: 13ª. Editora: Casa das Letras/ Editurial Noticias

                    Coimbra, Julho
                  Carminda Neves

terça-feira, 12 de julho de 2011

Codex Calixtinus / Códice Calixtino



Códice Calixtino,
 NOTICIA                                                   

Desaparece o Códice Calixtino

O Códice Calixtino, uma das jóias da Catedral de Santiago de Compostela, desapareceu do Arquivo da catedral, onde se encontrava guardado sob restritas medidas de segurança devido ao seu valor incalculável.
A obra, composta por cinco livros e escrita no século XII pelo monge cluniacense Aymerico Picaud, recolhe a tradição das peregrinações que se realizam há séculos até Compostela e o conteúdo da famosa Rota Jacobina. Além disso, também relata os costumes dos peregrinos, os países, os milagres e os sermões do Apóstolo Santiago e outras referências.
A Polícia já foi informada do furto e iniciou uma investigação que se estende por toda a Espanha.

Fonte: Canal História

História
 
O Liber Sancti Jacobi, também referido como Códex Calixtinus ou Códice Calixtino (Santiago de Compostela, Arquivo da Catedral, s.n.), é um manuscrito iluminado de meados do século XII
O códice constitui-se numa colectânea de textos em latim reunidos em Compostela nos anos finais do arcebispado de Diego Gelmírez, que visava servir como promoção daquela Sé. Embora apresentado em sua origem como sendo da autoria do Papa Calixto II, na realidade foi redigido por vários autores no período entre 1130 e 1160 e caracteriza-se pelo correcto latim empregado e por seu elevado valor literário.
O exemplar mais antigo – conservado na Catedral de Compostela –, é datado entre 1150 e 1160, e constitui-se na cópia de um exemplar modelo. A cópia realizada pelo monge Arnaldo de Monte em 1173 é conhecida como "manuscrito de Ripoll" e conserva-se actualmente em Barcelona.
Parte do manuscrito foi traduzido para o galego no primeiro terço do século XV, onde ficou conhecido como "Milagres de Santiago"", e recolhe partes da "Historia Caroli Magni" e do Guia do Peregrino.
Foi impresso pela primeira vez em 1882, numa edição feita por Fidel Fita.
O códice sofreu intervenção de restauração em 1966, ocasião em que lhe foi reincorporado o Livro IV, que dele havia sido destacado em 1609.
O códice divide-se no total em cinco livros, e compõe-se 225 fólios a dupla face com as dimensões de 295 x 214 mm. Cada fólio contém, em geral, uma única coluna de 34 linhas

Livros


Livro I

O primeiro livro, sob o título "Anthologia litúrgica", compreende até ao fólio 139. É o mais extenso do códice, e possui carácter litúrgico. Consiste numa antologia das humílimas, cantos litúrgicos, cantos de peregrinos e de sermões em homenagem ao apóstolo Santiago que se celebravam na catedral de Santiago. O sermão "Veneranda deis", cerne do livro, mostra o sentido e a valorização da peregrinação a Santiago.

Livro II

O segundo livro, "De miraculi sancti Jacobi" ("Milagres de Santiago"), compreende do fólio 139 ao 155. É uma compilação de 22 milagres atribuídos a Santiago, ocorridos em diversas partes da Europa, em especial no percurso do Caminho de Santiago

Livro III

O terceiro livro, "Liber de translatione corporis sancti Jacobi ad Compostellam", compreende os fólios 156 ao 162. Nele se relata a evangelização do apóstolo Santiago na Hispânia e a transladação do seu corpo.

Livro IV

O quarto livro, "Historia Karoli Magni et Rothalandi", compreende os fólios 163 ao 191. Narra a história de Carlos Magno e de Rolando na Hispânia em um tom épico e fantástico. Conhecido como a "crónica pseudo-Turpin", por ter sido atribuída ao bispo Turpin de Reims, mostra um Carlos Magno descobridor da tumba do apóstolo Santiago e criador dos inícios da peregrinação a Compostela e da sua igreja.
Foi o livro mais difundido do Códice Calixtino, com mais de 250 cópias conhecidas na Idade Média em toda Europa e que serviu de inspiração a vários cantares de gesta feitos na França e Itália

Livro V

Ao quinto livro, "Iter pro peregrinis ad Compostellam", conhecido como Guia do Peregrino de Santiago de Compostela compreende os fólios 192 ao 213. Atribuído a Aymeric Picaud, autor de Parthenay-le-Vieux (Poitou), foi escrito entre os anos 1135 e 1140. O texto é um conjunto de conselhos práticos para os peregrinos, baseado no próprio percurso do autor, com os lugares onde descansar, qualidade das águas, as relíquias a venerar, as gentes e cidades do caminho ou os santuários a visitar antes de chegar à catedral de Santiago de Compostela

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Julho de 2011
Carminda Neves



sábado, 2 de julho de 2011

1º Encontro Inter-Geracional do Município de Coimbra


Algumas Pessoas da Assistência


No dia 30 de Junho, realizou-se no Parque Manuel Braga, em Coimbra, entre as 10.00h e as 17.00h. o “1º Encontro Inter-Geracional do Município de Coimbra”,

Esta actividade teve como público-alvo os utentes das IPSS do concelho de
Coimbra com respostas sociais de Centro de Convívio, Centro de Dia, Serviço
de Apoio Domiciliário e Lar e as crianças dos Jardins de Infância da Rede
Solidária do concelho de Coimbra.
Prof. Leonor Mamede e Aluna helena
Refiro aqui algumas das actividades apresentadas durante o encontro
* Animação Recreativa e lúdica (Jogos tradicionais, Karts a pedais,
insufláveis, danço terapia, oficinas de trabalho)

* Actividades na área da Saúde (Sessões de educação para a saúde e
rastreios a cargo da ARS Centro)

* Animação desportiva (Departamento de Desporto da CMC)

* Houve Almoço partilhado

* Apresentação de Danças de salão pelo Grupo da Apósenior, Universidade Sénior de Coimbra, do qual eu faço parte. Este grupo tem como professora a Dra. Leonor Mamede, que esteve presente com os alunos: Anabela, Helena, Adélia, Carminda, Armandino, Zé Augusto, D.J. ,Sr. Mário. Da valsa, passando pelo tango, ao quisomba assim se dançou.
Elogio a C.M.C. pela sua iniciativa, se ela fez alguém feliz ainda que só por um dia. Então, valeu a pena e deve continuar ainda que seja uma vez por ano.
A  Aluna Helena da Apósenior dança a valsa com Sr Dr.L. Filipe Silva da Rede Social de Coimbra Conselho Local de Acção Social Câmara Municipal de Coimbra Divisão de Acção Social e Família.
          Coimbra, 2-7-2011
Carminda



domingo, 26 de junho de 2011

AINDA E SEMPRE OS ANIMAIS


ZOYA
 SUMÁRIO



1-INTRODUÇÃO
2-DIREITOS DOS ANIMAIS
3-DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DOS ANIMAIS•
    3.1-PREÂMBULO•
    3.2- PROCLAMA-SE O SEGUINTE
4-EM PORTUGAL
    4.1- E AINDA
5- HISTÓRIA DO CONCEITO
6- HISTÓRIA DO MOVIMENTO MODERNO
7-CONCLUSÃO
   BIBLIOGRAFIA


1- INTRODUÇÃO


       A defesa dos direitos dos animais assim como a dos direitos animais, da libertação animal ou abolicionismo constitui um movimento que luta contra qualquer uso de animais não humanos que os transforme em propriedades de seres humanos, ou seja, meios para fins humanos. É um movimento social radical que não se contenta em regular o uso "humanitário" de animais, mas que procura incluí-los na comunidade moral de modo a garantir que seus interesses básicos sejam respeitados e tenham igual consideração em relação aos interesses humanos. A reivindicação é de que os animais não devem ser considerados propriedade ou "recursos naturais", nem legalmente, nem moralmente justificáveis. Pelo contrário, devem ser considerados pessoas. Os defensores dos direitos animais advogam o veganismo como forma de abolir a exploração animal de forma directa no dia-a-dia.
   Este texto foi copiado integralmente, pois eu penso exatamente assim. Estou totalmente de acordo com S. Francisco de Assis quando chama os animais de irmãos. ex: irmão Burro, irmão Cabrito, irmão Gato, irmão Cão


ZOYA
 2-DIREITOS DOS ANIMAIS

       Começou a falar-se de Direitos dos Homem no século XVIII, na época das revoluções francesa e norte americana.
Com o tempo, o conceito de direitos humanos foi se complementando e fala-se, hoje, de várias gerações de direitos humanos.
O elenco de direitos humanos acabou por ser positivado através da sua inserção nas constituições dos vários países, dando origem ao que hoje se designa por Direitos Fundamentais.
A Constituição da República Portuguesa contem, assim, um elenco de direitos fundamentais que permitem aos cidadãos alguma defesa contra possíveis actos do Estado atentatórios desses mesmos direitos.
Muitas são as tentativas de estender aos animais a protecção jurídica. Defendendo principalmente a Igualdade para alem da Humanidade.
O projecto defende na sua declaração pública princípios que podem ser resumidos em três capítulos:
«DIREITO A VIVER
«PROTECÇÃO DA LIBERDADE INDIVIDUAL
«PROIBIÇÃO DA TORTURA
        Estamos assim perante algo que pode ser designado como Liberdades Fundamentais. Isto é, liberdades para os animais que estão positivadas na lei.
Desta forma, podemos estender a defesa legal dos Animais. Nossos parceiros na Terra. Sem banalizar os direitos humanos.
Assim sendo porque é que as Autarquias continuam e teimam em caçar animais, que foram abandonadas pelos seus “donos”, ou melhor abandonados por gente que não é gente, ou gente rasca.
Estes animais a maior parte das vezes têm uma vida digna: são alimentados por todo um bairro, vivem em liberdade, têm um local mais ou menos resguardado para dormir, chegam a ser amados por todo os habitantes do bairro, muitos chegam a ser adoptados, se entretanto não chegarem os homens dos campos de extermínio que os levam a caminho do forno crematório.
Será que estes autarcas não PENSAM? Se não pensam não existem, Descartes dizia: “penso logo existo” logo se não penso, posso por em dúvida a minha existência como ser vivo, ainda mais se persigo e torturo outros seres vivos.
AUTARQUIAS; DESPERTEM PARA A HUMANIDADE E PARA A DIFERENÇA, PARA O ENSINO, É VOSSO DEVER.
Sejam as primeiras a criar leis para proteger estes animais e não recorram ao extermínio como forma de resolver problemas. Não falo aqui só de animais abandonados, mas, de todos os animais em geral, principalmente os, mal tratados e torturados. Eles sentem e sofrem como todos os Ser vivos, não têm capacidades de defesa, temos de ser nós a protegê-los.


ZOYA
 3-DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DOS ANIMAIS•


      3.1-PREÂMBULO

     Considerando que todo o animal possui direitos,
Considerando que o desconhecimento e o desprezo destes direitos têm levado e continuam a levar o homem a cometer crimes contra os animais e contra a natureza,
Considerando que o reconhecimento pela espécie humana do direito à existência das outras espécies animais constitui o fundamento da coexistência das outras espécies no mundo,
Considerando que os genocídios são perpetrados pelo homem e há o perigo de continuar a perpetrar outros.
Considerando que o respeito dos homens pelos animais está ligado ao respeito dos homens pelo seu semelhante,
Considerando que a educação deve ensinar desde a infância a observar, a compreender, a respeitar e a amar os animais,


ZOYA PITANGUINHA
     3.2- PROCLAMA-SE O SEGUINTE


     Artigo 1º•
* Todos os animais nascem iguais perante a vida e têm os mesmos direitos à existência.•
Artigo 2º•
1. Todo o animal tem o direito a ser respeitado.
2. O homem, como espécie animal, não pode exterminar os outros animais ou explorá-los violando esse direito; tem o dever de pôr os seus conhecimentos ao serviço dos animais.
3. Todo o animal tem o direito à atenção, aos cuidados e à protecção do homem.•
Artigo 3º•
1. Nenhum animal será submetido nem a maus-tratos nem a actos cruéis.
2. Se for necessário matar um animal, ele deve de ser morto instantaneamente, sem dor e de modo a não lhe provocar, angústia
Artigo 4º•
1. Todo o animal pertencente a uma espécie selvagem tem o direito de viver livre no seu próprio ambiente natural, terrestre, aéreo ou aquático e tem o direito de se reproduzir.
2. Toda a privação de liberdade, mesmo que tenha fins educativos, é contrária a este direito.•
Artigo 5º•
1.Todo o animal pertencente a uma espécie que viva tradicionalmente no meio ambiente do homem tem o direito de viver e de crescer ao ritmo e nas condições de vida e de liberdade que são próprias da sua espécie.
2. Toda a modificação deste ritmo ou destas condições que forem impostas pelo homem com fins mercantis é contrária a este direito.•
Artigo 6º•
1. Todo o animal que o homem escolheu para seu companheiro tem direito a uma duração de vida conforme a sua longevidade natural.
2. O abandono de um animal é um acto cruel e degradante.•
Artigo 7º•
Todo o animal de trabalho tem direito a uma limitação razoável de duração e de intensidade de trabalho, a uma alimentação reparadora e ao repouso.•
Artigo 8º•
1. A experimentação animal que implique sofrimento físico ou psicológico é incompatível com os direitos do animal, quer se trate de uma experiência médica, científica, comercial ou qualquer que seja a forma de experimentação.
2. As técnicas de substituição devem de ser utilizadas e desenvolvidas.•
1. Artigo 9º•
Quando o animal é criado para alimentação, ele deve de ser alimentado, alojado, transportado e morto sem que disso resulte para ele nem ansiedade nem dor.•
2. Artigo 10º•
1. Nenhum animal deve de ser explorado para divertimento do homem.
2. As exibições de animais e os espectáculos que utilizem animais são incompatíveis com a dignidade do animal.•
3. Artigo 11º•
Todo o acto que implique a morte de um animal sem necessidade é um biocídio, isto é um crime contra a vida.•
4. Artigo 12º•
1. Todo o acto que implique a morte de grande um número de animais selvagens é um genocídio, isto é, um crime contra a espécie.
2. A poluição e a destruição do ambiente natural conduzem ao genocídio.•
5. Artigo 13º•
1. O animal morto deve de ser tratado com respeito.
2. As cenas de violência de que os animais são vítimas devem de ser interditas no cinema e na televisão, salvo se elas tiverem por fim demonstrar um atentado aos direitos do animal.•
6. Artigo 14º•
1. Os organismos de protecção e de salvaguarda dos animais devem estar representados a nível governamental.
2. Os direitos do animal devem ser defendidos pela lei como os direitos do homem.•

(*) A Declaração Universal dos Direitos do Animal foi proclamada na UNESCO em 15 de Outubro de 1978»•


ZOYA
 4-EM PORTUGAL


     Decreto n.º 13/93 de 13 de Abril: Aprova, para ratificação, a Convenção Europeia para a Protecção dos Animais de Companhia.•
Decreto-Lei n.º 276/2001 de 17 de Outubro: Estabelece as normas legais tendentes a pôr em aplicação em Portugal a Convenção Europeia para a Protecção dos Animais de Companhia e um regime especial para a detenção de animais potencialmente perigosos.•
Portaria n.º 1427/2001 de 15 de Dezembro: Aprova o Regulamento de Classificação, Identificação e Registo dos Carnívoros Domésticos e Licenciamento de Canis e Gatis.•
Portaria n.º 81/2002 de 24 de Janeiro: Aprova as normas técnicas de execução regulamentar do Plano Nacional de Luta e Vigilância Epidemiológica da Raiva Animal e Outras Zoonoses (PNLVERAZ

      4.1- E AINDA

     DECRETO-LEI N.º 276/2001, DE 17 DE OUTUBRO
DR n.º 241/2001, Série I-A, Página 6572
Estabelece as normas legais tendentes a pôr em aplicação em Portugal a Convenção Europeia para a Protecção dos Animais de Companhia e um regime especial para a detenção de animais potencialmente perigosos•
DECRETO-LEI N.º 64/2000, DE 22 DE ABRIL
DR n.º 95/2000, Série I-A, Página 1704
Transpõe para a ordem jurídica interna a Directiva n.º 98/58/CE, do Conselho, de 20 de Julho, que estabelece as normas mínimas relativas à protecção dos animais nas explorações pecuárias
Anotações:
Rectificado pela Declaração de Rectificação n.º 6-B/2000 de 31/05 [DR 126/2000, Série I-B, 2.º Suplemento, Página 2534- (18)]•
DECRETO-LEI N.º 294/98, DE 18 DE SETEMBRO
DR n.º 216/98, Série I-A, Página 4838
Estabelece as normas relativas à protecção dos animais durante o transporte e revoga o Decreto-Lei n.º 153/94, de 28 de Maio, e a Portaria n.º 160/95, de 27 de Fevereiro
Anotações:
Revoga o Decreto-Lei n.º 153/94 de 28/05, e a Portaria n.º 160/95 de 27/02
DECRETO-LEI N.º 28/96, DE 2 DE ABRIL
DR n.º 79/96, Série I-A, Página 682
Transpõe para a ordem jurídica interna a Directiva n.º 93/119/CE, do Conselho, de 22 de Dezembro, relativa à protecção dos animais no abate e ou ocisão
Anotações:
Revoga o Decreto-Lei n.º 201/90 de 19/06
LEI N.º 92/95, DE 12 DE SETEMBRO
DR n.º 211/95, Série I-A, Página 5722
Protecção aos animais
Anotações:
A Lei n.º 19/2002 de 31/07 (DR 175/2002, Série I-A, Página 5564), altera o artigo 3.º•
PORTARIA N.º 1005/92, DE 23 DE OUTUBRO
DR n.º 245/92, Série I-B, Página 4930
Normas de protecção dos animais utilizados para fins experimentais e outros fins científicos
Anotações:
A Portaria n.º 1131/97 de 7/11 (DR 258/97, Série I-B, Página 6112), altera os nºs 3.º, 8.º, 23.º, 41.º, 48.º e 49.º, com as alterações introduzidas pela Portaria n.º 466/95 de 17/05•
DECRETO-LEI N.º 129/92, DE 6 DE JULHO
DR n.º 153/92, Série I-A, Página 3197
Transpõe para a ordem jurídica nacional a Directiva n.º 86/609/CEE, do Conselho, de 24 de Novembro de 1986, que estabelece as normas mínimas relativas à protecção dos animais utilizados para fins experimentais e outros fins científicos•
PORTARIA N.º 761/90, DE 29 DE AGOSTO
DR n.º 199/90, Série I, Página 3511
Altera o regulamento relativamente à protecção dos animais em transporte internacional•
DECRETO-LEI N.º 204/90, DE 20 DE JUNHO
DR n.º 140/90, Série I, Página 2608
Estabelece medidas de protecção aos animais selvagens, necrófagos e predadores
DECRETO-LEI N.º 139/90, DE 27 DE ABRIL
DR n.º 97/90, Série I, Página 2018
Desenvolve o regime jurídico instituído pela Lei n.º 90/88, de 13 de Agosto (protecção ao lobo ibérico)•
DECRETO-LEI N.º 130/90, DE 18 DE ABRIL
DR n.º 90/90, Série I, Página 1842

PITANGA
 Protecção de animais em transporte internacional
LEI N.º 90/88, DE 13 DE AGOSTO
DR n.º 187/88, Série I, Página 3362
Protecção do lobo ibérico
Anotações:
Rectificada pela Declaração de 11/11/1988 [DR 261/88, Série I, 1.º Suplemento, Página 4534- (2)]•

5- HISTÓRIA DO CONCEITO


     O debate sobre direitos animais no século XX pode ser traçado no passado, na história dos primeiros filósofos No século VI a.C., Pitágoras, filósofo e matemático, já falava sobre respeito animal, pois acreditava na transmigração de almas. Aristóteles, escreveu no século IV a.C., argumentando que os animais estavam distantes dos humanos na Grande Corrente do Ser ou escala natural. Alegando irracionalidade, concluía assim sendo os animais não teriam interesse próprio, existindo apenas para benefício dos Seres Humanos.
       O filósofo Ramon Bogéa, no século XV afirmava que os animais deveriam ter direitos como os humanos. No século XVII, o filósofo francês René Descartes argumenta que animais não têm almas, logo não pensam e não sentem dor, sendo assim os maus-tratos não eram errados. Contra isso, Jean-Jacques Rousseau argumenta, no prefácio do seu Discursos sobre a Desigualdade (1754), que os seres humanos são animais, embora ninguém "exima-se de intelecto e liberdade".Entretanto, como animais são seres sencientes "eles deveriam também participar do direito natural e que o homem é responsável no cumprimento de alguns deveres deles, especificamente "um tem o direito de não ser desnecessariamente maltratado pelo outro.

Também Voltaire respondeu a Descartes no seu Dicionário Filosófico

     “Que ingenuidade, que pobreza de espírito, dizer que os animais são máquinas privadas de conhecimento e sentimento, que procedem sempre da mesma maneira, que nada aprendem, nada aperfeiçoam! Será porque falo que julgas que tenho sentimento, memória, ideias? Pois bem, calo-me. Vês-me entrar em casa aflito, procurar um papel com inquietude, abrir a escrivaninha, onde me lembra tê-lo guardado, encontrá-lo, lê-lo com alegria. Percebes que experimentei os sentimentos de aflição e prazer, que tenho memória e conhecimento. Vê com os mesmos olhos esse cão que perdeu o amo e procura-o por toda parte com ganidos dolorosos, entra em casa agitado, inquieto, desce e sobe e vai de aposento em aposento e enfim encontra no gabinete o ente amado, a quem manifesta sua alegria pela ternura dos ladridos, com saltos e carícias. Bárbaros agarram esse cão, que tão prodigiosamente vence o homem em amizade, pregam-no em cima de uma mesa e dissecam-no vivo para te mostrarem as suas veias mesentéricas. Descobres nele todos os mesmos órgãos de sentimentos de que te gabas. Responde-me maquinista, teria a natureza entrosada nesse animal todos os órgãos do sentimento sem objectivo algum? Terá nervos para ser insensível? Não inquines à natureza tão impertinente contradição”

      Um contemporâneo de Rousseau, o escritor escocês John Oswald, que morreu em 1793, no livro The Cry of Nature or an Appeal to Mercy and Justice on Behalf of the Persecuted Animals, argumenta que um Ser Humano é naturalmente equipado de sentimentos de misericórdia e compaixão. "Se cada Ser Humano tivesse que testemunhar a morte do animal que ele come", ele argumenta, "a dieta vegetariana seria bem mais popular". A divisão do trabalho, no entanto, permite que o homem moderno coma carne sem passar pela experiência que Oswald chama de alerta para as sensibilidades naturais do Ser Humano, enquanto a brutalização do homem moderno faz dele um acomodado com essa falta de sensibilidade


ZOYA PITANGA
 6- HISTÓRIA DO MOVIMENTO MODERNO


         O movimento moderno de direitos animais pode ser traçado no início da década de 70 e é um dos poucos exemplos de movimentos sociais que foram criados por filósofos e que permaneceram na dianteira do movimento. No início da década de 70 um grupo de filósofos da Universidade de Oxford começou questionar porque o status moral dos animais não humanos era necessariamente inferior à dos seres humanos. Esse grupo incluía o psicólogo Richard D. Ryder, que cunhou o termo "especismo" em 1970, usado num panfleto impresso para descrever os interesses dos seres na base de membros de espécies particulares.
       Ryder tornou-se um contribuidor com o influente livro Animals, Men and Morals: An Inquiry into the Maltreatment of Non-humans, editado por Roslind e Stanley Godlovitch e John Harris e publicado em 1972. Foi numa resenha de seu livro para o New York Review of Books que Peter Singer, agora Professor de Bioética na University Center for Human Values na Universidade de Princeton, resolveu em 1975 lançar Libertação Animal o livro é frequentemente citado como a "bíblia" do movimento de direitos animais, mas que na realidade não concede direitos morais, nem legais para os animais não-humanos, pois baseia-se no utilitarismo.

       Nas décadas de 80 e 90 o movimento se juntou numa larga variedade de grupos profissionais e académicos, incluindo teólogos, juízes, físicos, psicologistas, psiquiatras, veterinários, patologistas e antigos vivisseccionistas

7-CONCLUSÃO


      A Declaração Universal dos Direitos dos Animais foi apresentada pela UNESCO em 15 de Outubro de 1978. No entanto, a mesma nunca foi aprovada e não tem qualquer valor legal nem oficial, é apenas uma declaração de princípios, que todos os humanos jamais deveriam afastar das suas mentes. Quando um humano se prepara para abandonar ou maltratar outro Ser; indefeso. Ou que ele considera inferior a si próprio. Deveria aparecer-lhe, diante dos olhos e na sua mente. Quem sabe? Doente, ou incapacitada para o pensamento. Um memorando dos direitos de todos os seres vivos inclusive os seus, sim, porque o homem já foi desprovido de DIRETOS


ZOYA
 BIBLIOGRAFIA


Wikipédia a enciclopédia livre
Diário da Republica Portuguesa
Declaração Universal dos Direitos dos Animais
Revista CÃES & MASCOTES Artigo de: Armando A. Cottim *Licenciado em Direito e em Teologia*
Fotografias de Carminda Neves
Modelo fotográfico, a Gatinha Zoya Pitanga

Coimbra, Junho de 2011-06-26

Carminda Neves



ZOYA PITANGA




segunda-feira, 13 de junho de 2011

Fernando Pessoa








Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de Junho de 1888 — Lisboa, 30 de Novembro de 1935), mais conhecido como Fernando Pessoa, foi um poeta e escritor português.
É considerado um dos maiores poetas da Língua Portuguesa, e da Literatura Universal, muitas vezes comparado com Luís de Camões. O crítico literário Harold Bloom considerou a sua obra um "legado da língua portuguesa ao mundo”
Fernando Pessoa
Por ter crescido na África do Sul, para onde foi aos seis anos em virtude do casamento de sua mãe, Pessoa aprendeu a língua inglesa. Das quatro obras que publicou em vida, três são na língua inglesa. Fernando Pessoa dedicou-se também a traduções desse idioma.
Ao longo da vida trabalhou em várias firmas como correspondente comercial. Foi também empresário, editor, crítico literário, activista político, tradutor, jornalista, inventor, publicitário e publicista, ao mesmo tempo que produzia a sua obra literária. Como poeta, desdobrou-se em múltiplas personalidades conhecidas como heterónimos, objecto da maior parte dos estudos sobre sua vida e sua obra. Centro irradiador da heteronímia, auto-denominou-se um "drama em gente"
.Considera-se que a grande criação estética de Pessoa foi a invenção heteronímica que atravessa toda a sua obra. Os heterónimos, diferentemente dos pseudónimos, são personalidades poéticas completas: identidades que, em princípio falsas, se tornam verdadeiras através da sua manifestação artística própria e diversa do autor original. Entre os heterónimos, o próprio Fernando Pessoa passou a ser chamado ortónimo, porquanto era a personalidade original. Entretanto, com o amadurecimento de cada uma das outras personalidades, o próprio ortónimo tornou-se apenas mais um heterónimo entre os outros. Os três heterónimos mais conhecidos (e também aqueles com maior obra poética) foram Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro. Um quarto heterónimo de grande importância na obra de Pessoa é Bernardo Soares, autor do Livro do Desassossego, importante obra literária do século XX. Bernardo é considerado um semi-heterónimo por ter muitas semelhanças com Fernando Pessoa e não possuir uma personalidade muito característica, ao contrário dos três primeiros, que possuem até mesmo data de nascimento e morte (excepção para Ricardo Reis, que não possui data de falecimento). Por essa razão, José Saramago, laureado com o Prémio Nobel, escreveu o livro O ano da morte de Ricardo Reis.
Através dos heterónimos, Pessoa conduziu uma profunda reflexão sobre a relação entre verdade, existência e identidade. Este último factor possui grande notabilidade na famosa misteriosidade do poeta.
Fernando Pessoa morreu de cirrose hepática aos 47 anos, na cidade onde nasceu. Sua última frase foi escrita em Inglês: "I know not what tomorrow will bring… " ("Não sei o que o amanhã trará").
“Com uma tal falta de gente coexistível, como há hoje, que pode um homem de sensibilidade fazer senão inventar os seus amigos, ou quando menos, os seus companheiros de espírito?”

Entre pseudónimos, heterónimos, semi-heterónimos, personagens fictícias e poetas mediúnicos, contam-se 72 nomes

»O poeta é um fingidor.


FERNANDO PESSOA
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.»
                              Fernando Pessoa

Origem: wikipédia, a enciclopédia livre

 Carminda


sábado, 11 de junho de 2011

Luís de Camões


Luis de Camões



Luís Vaz de Camões (Lisboa[?], c. 1524 — Lisboa, 10 de junho de 1580) foi um célebre poeta de Portugal, considerado uma das maiores figuras da literatura em língua portuguesa e um dos grandes poetas do Ocidente.
Pouco se sabe com certeza sobre a sua vida. Aparentemente nasceu em Lisboa,( hoje esta tese parece ultrapassada. Luis de Camões terá nascido no Norte de Portugal?) de uma família da pequena nobreza.(não pertencendo à nobreza. Nova teoria) Sobre a sua infância tudo é conjetura mas, ainda jovem, terá recebido uma sólida educação nos moldes clássicos, dominando o latim e conhecendo a literatura e a história antigas e modernas. Pode ter estudado na Universidade de Coimbra, mas a sua passagem pela escola não é documentada. Frequentou a corte de Dom João III, iniciou a sua carreira como poeta lírico e envolveu-se, como narra a tradição, em amores com damas da nobreza e possivelmente plebeias, além de levar uma vida boémia e turbulenta. Diz-se que, por conta de um amor frustrado, se auto exilou em África, alistado como militar, onde perdeu um olho em batalha. Voltando a Portugal, feriu um servo do Paço e foi preso. Perdoado, partiu para o Oriente. Passando lá vários anos, enfrentou uma série de adversidades, foi preso várias vezes, combateu bravamente ao lado das forças portuguesas e escreveu a sua obra mais conhecida, a epopeia nacionalista Os Lusíadas. De volta à pátria, publicou Os Lusíadas e recebeu uma pequena pensão do rei Dom Sebastião pelos serviços prestados à Coroa, mas nos seus anos finais parece ter enfrentado dificuldades para se manter.


Agora, com pobreza avorrecida,
Por hospícios alheios degradado;
Agora, da esperança já adquirida,
De novo, mais que nunca, derribado;
Agora às costas escapando a vida,
Que dum fio pendia tão delgado
Que não menos milagre foi salvar-se
Que para o Rei Judaico acrescentar-se.

Luis de Camões morreu muito pobre e deitado a um certo abandono. El-rei D. Sebastião nunca lhe deu valor, nem à sua Poesia. Este rei era muito jovem, não muito culto e acima de tudo narcisista, bastante ideota. Foi educado, de forma, a sentir-se um deus. Partiu para África convencido que a todos venceria. Voltava aclamado e adorado,"ainda mais do que já era". Por isso não deixou herdeiro ao trono. Potugal inicia após a sua morte, a entrada, para fazer parte do reino de Castela o que aconteceu durante 60 anos.
Logo após a  morte de Luis de Camões. a sua obra lírica foi reunida na coletânea Rimas, tendo deixado também três obras de teatro cómico. Enquanto viveu queixou-se várias vezes de alegadas injustiças que sofrera, e da escassa atenção que a sua obra recebia, mas pouco depois de falecer a sua poesia começou a ser reconhecida como valiosa e de alto padrão estético por vários nomes importantes da literatura europeia, ganhando prestígio sempre crescente entre o público e os conhecedores e influenciando gerações de poetas em vários países. Camões foi um renovador da língua portuguesa e fixou-lhe um duradouro cânone; tornou-se um dos mais fortes símbolos de identidade da sua pátria e é uma referência para toda a comunidade lusófona internacional. Hoje a sua fama está solidamente estabelecida e é considerado um dos grandes vultos literários da tradição ocidental, sendo traduzido para várias línguas e tornando-se objeto de uma vasta quantidade de estudos críticos.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre
 
Os Lusíadas - Inês de Castro, de Luís Vaz de Camões






Tu só, tu, puro amor, com força crua
Que a fortuna não deixa durar muito
Que os corações humanos tanto obriga,
Deste causa à molesta morte sua,
Como se fora pérfida inimiga.
Se dizem, fero Amor, que a sede tua
Nem com lágrimas tristes se mitiga,
É porque queres, áspero e tirano,
Tuas aras banhar em sangue humano.


Estavas, linda Inês, posta em sossego
De teus anos colhendo doce fruito,
Naquele engano da alma ledo e cego,
Nos saudosos campos do Mondego,
De teus fermosos olhos nunca enxuito,
Aos montes ensinando e às ervinhas,

Tumulos de D. Pedro e Dona Inês no mosteiro
da Batalha Portugal - fot. carminda
O nome que no peito escrito tinhas.....




Os Lusíadas, obra de Camões, exemplificam o gênero épico na poesia portuguesa, entretanto oferecem momentos em que o lirismo se expande, humanizando os versos. O episódio de Inês de Castro, do qual o trecho acima faz parte, é considerado o ponto alto do lirismo camoniano inserido em sua narrativa épica.                                                                                 




OS LUSIADAS

 Caminda 10 de Junho de 2011