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domingo, 30 de julho de 2017

Dinis I de Portugal

D. DINIS REI DE PORTUGAL
Dinis I, apelidado de o "Rei Lavrador" e "Rei Poeta", foi o Rei de Portugal e Algarve de 1279 até sua morte. Era o filho mais velho do rei Afonso III e sua segunda esposa Beatriz de Castela. Wikipédia
Nascimento9 de outubro de 1261, Lisboa
Falecimento7 de janeiro de 1325, Santarém

Nasceu em Lisboa a 9 de outubro de 1261. Faleceu em Santarém a 7 de janeiro de 1325. Era filho do rei D Afonso III, e de sua segunda mulher, D. Beatriz, filha de D. Afonso X, de Castela. 
Nascera, sendo ainda viva a primeira mulher de seu pai, D. Matilde, condessa de Bolonha, de quem se divorciara. Este facto deu causa, depois da morte de D. Afonso III, a grandes discórdias entre D. Dinis e seu irmão D. Afonso, que, apesar de ser filho segundo, se julgava com direito ao trono, considerando D. Dinis como filho adulterino. O papa, porém, tendo absolvido o finado rei, ficara D. Dinis reconhecido e legitimado para todos os efeitos, como filho primogénito e herdeiro do trono. D. Dinis foi um dos monarcas portugueses mais instruídos. Seu pai esmerou-se em lhe dar uma educação superior, dando-lhe bons preceptores e abalizados mestres, como o padre francês Aimeric de Ebrard, seu educador científico, e o padre D. Domingos Jardo, que estudara em Paris, e foi bispo de Lisboa e capelão de Afonso III. Eram dois espíritos altamente esclarecidos, e que muito contribuíram para as reformas e melhoramentos que D. Dinis introduziu no reino, e para o amor que consagrou aos estudos literários. Teve como aios Nuno Martim de Chacim, e Lourenço Gonçalves Magro, descendente de Egas Monis, o célebre aio de D. Afonso Henriques. D. Dinis contava apenas seis anos de idade, quando foi como embaixador a Castela. No fim de longa pendência, ficara o Algarve pertencendo à Coroa portuguesa, tendo, porém, o encargo feudal de enviar a Castela em caso de guerra, cinquenta lanças como preito de vassalagem. D. Afonso III desejava ardentemente livrar o reino deste feudo, e ofereceu-se-lhe um belo ensejo na célebre cruzada que D. Afonso X pensou em mandar contra África. O rei de Portugal mostrou-se muito zeloso em lhe prestar auxílio, armou tropas, dando o comando nominal da expedição ao filho ainda criança. A cruzada não chegou a partir, porém D. Dinis foi enviado a Sevilha, onde residia o avô, que o recebeu com muita afabilidade, e em atenção à visita do neto dispensou Portugal para sempre do tributo das cinquenta lanças. D. Dinis foi o primeiro príncipe português que teve casa própria, que seu pai lhe deu, apenas chegou á puberdade. 

Falecendo D. Afonso III em 1279, subiu ao trono, tendo dezoito anos de idade. Se o espírito do jovem monarca não estivesse tão fortalecido pelo profundo estudo a que se entregara, e pela energia do seu caráter, teria decerto sucumbido às dissidências, e intrigas que logo se desenvolveram. Estava, porém, preparado para resistir à luta. A sua mãe, a rainha D. Beatriz que pretendia ter parte e influencia no governo do reino, falou-lhe em termos respeitosos mas enérgicos, fazendo-lhe sentir que só ele era o rei. A rainha julgou-se ofendida e retirou-se para Castela. D. Afonso, que se pôs em campo conspirando contra o irmão, disputando-lhe o trono, alegando os direitos conforme dissemos, obrigou-o a fugir também para Castela, logo que descobriu que se preparava para a revolta. Os prelados que tinham partido para Roma por conflitos com D. Afonso III intrigavam e procuravam levantar no reino a agitação religiosa, nesse tempo bem terrível. Sobre Portugal pesava então um interdito, o que naquela época era uma arma terrível. O povo, privado dos sacramentos e dos ofícios divinos, não podia consolar-se. A cúria romana para o fazer cessar, exigiu que D. Dinis respeitasse as imunidades do clero ainda as mais absurdas, e D. Dinis que lhe convinha a paz religiosa, discutiu quanto pôde as condições da concordata, que finalmente concluiu com o papa Nicolau IV em 1289. Na concordata prometia muito, mas não cumpriu nada. Os prelados quiseram revoltar-se de novo, mas encontraram mão firme a doma-los. Contudo, D. Dinis era essencialmente justo. Se, pondo em vigor as leis da desamortização ou não amortização, que os seus antecessores tinham promulgado e que ficaram sendo letra morta, obrigou o clero a não conglobar na sua propriedade a maior parte das terras do país, por outro lado protegia a Igreja contra os vexames e as exigências injustificáveis da nobreza. Com essa foi D. Dinis também enérgico, e pode dizer-se que lançou o cimento do poder real, firmando-se no povo que protegia contra as violências e avidez da fidalguia. 

Ocupou-se com o maior desvelo da instrução pública, em que até ali ninguém pensara, e fundou cm Lisboa a universidade, no ano de 1290 (V. Coimbra, Universidade de), que em 1307 transferiu para Coimbra. O mosteiro de Odivelas também foi obra deste monarca, e ali ficou sepultado em túmulo, colocado numa das capelas, que é urna das preciosidades que existem no convento (V. Odivelas). Instituiu em 1299 no palácio da Alcáçova, no castelo de S. Jorge de Lisboa, a capella real dedicada a S. Tomé, com capelões e músicos para serviço do coro (V. Capela Real). Fez muitas doações a todas as ordens militares de Portugal, e a muitas das igrejas catedrais, a particulares e conventos. Dizem que D. Dinis dispensou grossas quantias com a sua jornada a Castela, e antes dela, nas guerras civis, que o rei D. Fernando IV, casado com sua filha D. Constança, teve no seu reinado, a quem deu um milhão de cruzados, que naquele tempo era uma soma considerável. Na guerra que o referido monarca sustentou contra Granada, o auxiliou com setecentos cavalos, À ordem de D. Martim Gil de Sousa, seu Alferes-mor, e com dezassete mil marcos de prata. Conservava sempre nas costas do Algarve um bom número de galés, para impedir os assaltos dos mouros, que então eram frequentes. Todas estas despesas extraordinárias não causaram o menor vexame aos povos. Tal era a abundância que se notava no reino, e tanta a riqueza que lhe tributavam as minas e as areias. Das do rio Tejo se coibia naqueles tempos grande quantidade de ouro, do qual mandou D. Dinis lavrar uma coroa e cetro de grande valor.

Cancioneiro, que encerra as suas poesias, ó o primeiro monumento da nossa literatura. Há uma edição publicada em Paris, em 1847, na casa de J. P. Aillaud, com o seguinte título: Cancioneiro d'El-rei D. Dinis, pela primeira vez impresso sobre o manuscrito da Vaticana, com algumas notas ilustrativas, e uma prefação literária, pelo dr. Caetano Lopes de Moura. No Dictionnaire historico artistique du Portugal, do conde Raczynski, a pág. 66, lê-se o seguinte: "O arquivo da Torre do Tombo possui dois selos do rei D. Dinis. Um encontra-se preso a um contrato de troca de bens com o mosteiro de S. João de Tarouca (Casa da Coroa, gaveta 14, maço 1); o outro, as cartas de doação em favor do infante D. Afonso (Casa da Coroa, gaveta 14, maço 3)." Raczynski fala também em diferentes moedas cunhadas no tempo de D. Dinis, como a dobra cruzada, o forte, o meio forte, e a libra em prata. Faz notar, principalmente, uma que diz ser do tamanho aproximado de uma moeda de um franco, que tem no anverso as quinas e a legenda: Dionisi, regis Portugaliae et Algarbi; no reverso, a cruz e a legenda: Adjutorium nostrum in nomine Domini qui.fecit celum et terram.

FONTE:

D. Dinis I, rei de Portugal - Portugal, Dicionário Histórico

www.arqnet.pt/dicionario/dinis1.html

                                                           Coimbra,julho de 2017
                                                                       Carminda Neves



quarta-feira, 26 de julho de 2017

Passos, o Coelho, prometeu ou previu a chegada do Diabo

Todos pensámos que se referia a uma nova crise financeira, um resgate, um aumento do desemprego, uma queda do PIB. Mas, nada disso, o Diabo veio através de uma caixa de fósforos. Talvez, por isso, admito que o incêndio de Predógão Grande surgiu a pedido de um mandatário do Diabo (Passos, o Coelho) para incendiar a Pátria de todos os portugueses que ele julgava ser só dele e que lha roubaram na Assembleia da República.
Nunca o clima esteve tão bom para o diabo aparecer com as vestes do inferno dos pecadores, o fogo, e o pecador para o Coelho é, naturalmente, António Costa que se atreveu a governar e a iniciar um processo de recuperação da economia nacional e dos rendimentos dos portugueses.
A Joana Marques Vidal agarrou-se logo a esse diabo e fez aquilo que nunca tinha feito, nem com os mortos da legionela, colocou-o em segredo de justiça e alimenta assim a polémica nefasta para quem não tem culpa nenhuma.
Sim, desde que eu era criança, há muitas décadas atrás, vi pessoalmente fogos e um até junto a uma casa de campo/praia da família.
A Joana com o seu “segredo de justiça” permite que os pasquins digam que morreu muita gente mais, como se o número divulgado não fosse já se si dramático. Um só morto seria demais quanto mais os sessenta e tal.
Cristas quer mais mortos, revelando ser mulher de nenhuma cabeça. Joana Marques Vidal fecha-se em copas e não deixa divulgar os nomes dos mortos como se as vítimas que todos lamentamos tivessem alguma culpa no cartório.
Mesmo que, por acaso, um incendiário tivesse sido apanhado pelas chamas que ateou não vale a pena não divulgar o seu nome porque os procuradores da Joana e a PJ provavelmente nunca chegarão a saber quem foi.
Claro que a ministra mostra-se pouco enérgica perante a Joana Marques Vidal.
O combate aos incêndios é tarefa do Governo e o pagamento de indemnizações que passa pela identificação dos pobres falecidos, tal como o apoio psicológico aos familiares.
Nada disso é da conta da Joana, mas sim da Constança Urbano de Sousa. Não acredito que haja algo que permita à Joana Marques Vidal intrometer-se de tal maneira naquilo que é o trabalho de gestão do Governo.
Compete à Joana encontrar quem acendeu aquilo, mas é óbvio que os mortos não devem ter sido. Ela sabe que só pode ter sido gente da oposição e, por isso, mantém um segredo de justiça que não tem explicação.
De resto, Joana é a pior magistrada de sempre que a democracia teve, não só no sentido do direito como também no caráter da pessoa. Pior que ela, talvez o pai que condenava gente com as falsas provas apresentadas pela pide.
https://estatuadesal.com/2017/07/26/passos-o-coelho-prometeu-ou-previu-a-chegada-do-diabo-para-abater-o-governo-atual/
coimbra, julho de 2017
carminda neves

domingo, 16 de julho de 2017

SÓ SEI QUE NADA SEI


Sócrates afirma constantemente não saber. Mas esta afirmação está longe de ser um acto de modéstia, mesmo que o possa parecer aos mais desprevenidos. Ele quer de facto dizer que em seu redor não há nada que lhe permita saber; nem leis, nem hábitos sociais, nem crenças religiosas, nem princípios morais, nem doutrinas de filósofos. Isto porque o «saber» é conhecimento sólido, não deteriorável, irrefutável – «o saber» é portanto a verdade – e, inversamente, todos esses conhecimentos e regras, uma dez examinados, se revelam ou gratuitos (isto é, afirmados ou praticados sem que se saiba verdadeiramente porque são afirmados ou praticados).


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SÓCRATES

Para Sócrates, declarar não saber significa pois que nenhuma das convicções humanas de que tem conhecimento se apresenta como verdade – nem sequer aquelas que explicitamente pretendem ter a validade de verdades filosóficas perante as simples opiniões. Neste sentido a crítica de Sócrates à sociedade é ainda mais radical. A condenação de Sócrates pela sociedade ateniense é a reacção natural e de defesa de uma sociedade que se sente ameaçada do modo mais perigoso.
Não sei. Ou melhor «sei que nada sei». A diferença que Sócrates coloca entre si e os outros é precisamente esta: que os outros não sabem que não sabem, enquanto ele sabe que não sabe. Isto é, sabe que a sociedade e a cultura em que vive não correspondem à ideia da verdade que os primeiros pensadores haviam revelado. Mas ele tem presente a ideia dessa verdade.
É uma verdade pobre – que consiste exactamente no simples facto de se saber que não se sabe – mas é uma verdade que se dispõe a se tornar rica, no sentido em que é o lançar-se à procura desse verdadeiro saber que agora se sabe não possuir. O oráculo havia dito que Sócrates era o mais sábio dos Gregos e Sócrates está convencido de que esta sua maior sabedoria consiste precisamente no facto de saber que não sabe. Tal significa que a consciência de não saber é entendida por Sócrates como posse da verdade (o ser o mais sábio de entre os Gregos ao exprimir precisamente esta posse), posse que é, de resto, a condição da procura de um saber que não seja o simples (mas inevitável) saber que não se sabe.

FONTE: A FILOSOFIA ANTIGA; Emanuel Severino. Edições 70 1984
COIMBRA, JULHO DE 2017

Carminda Neves

sábado, 15 de julho de 2017

Guerra Junqueiro

Político
Abílio Manuel Guerra Junqueiro foi alto funcionário administrativo, político, deputado, jornalista, escritor e poeta. Foi o poeta mais popular da sua época e o mais típico representante da chamada "Escola Nova".
Nascimento17 de setembro de 1850, Freixo de Espada à Cinta
Falecimento7 de julho de 1923, Lisboa
Nome completoAbílio Manuel Guerra Junqueiro


Terá Guerra Junqueiro dito: "Os políticos consideram-me um poeta; os poetas, um político; os católicos julgam-me um ímpio; os ateus, um crente".
Certo é que figura entre os autores de vulto das letras portuguesas.

 Abílio Manuel Guerra Junqueiro (LigaresFreixo de Espada à Cinta15 de setembro de 1850 — Lisboa7 de julho de 1923) foi alto funcionário administrativo, político, deputadojornalistaescritor e poeta. Foi o poeta mais popular da sua época e o mais típico representante da chamada "Escola Nova". Poeta panfletário, a sua poesia ajudou a criar o ambiente revolucionário que conduziu à implantação da República. Foi entre 1911 e 1914 o embaixador de Portugal na Suíça (o título era "ministro de Portugal na Suíça"). Guerra Junqueiro formou-se em direito na Universidade de Coimbra
GUERRA JUNQUEIRO


Guerra Junqueiro iniciou a sua carreira literária de maneira promissora em Coimbra no jornal literário A Folha, dirigido pelo poeta João Penha, do qual mais tarde foi redator. Aqui cria relações de amizade com alguns dos melhores escritores e poetas do seu tempo, grupo geralmente conhecido por Geração de 70.

Guerra Junqueiro desde muito novo começou a manifestar notável talento poético, e já em 1868 o seu nome era incluído entre os dos mais esperançosos da nova geração de poetas portugueses. No mesmo ano, no opúsculo intitulado "O Aristarco português", apreciando-se o livro "Vozes sem eco", publicado em Coimbra em 1867 por Guerra Junqueiro, já se prognostica um futuro auspicioso ao seu autor.
Nos anos oitenta do século dezanove, junta-se aos Vencidos da Vida, com Ramalho Ortigão, António Cândido, Eça de Queirós, Oliveira Martins, entre outros. “Finis Patriae” é a reação literária ao acto político do Ultimato Inglês e é esta a altura em que se afasta ideologicamente de Oliveira Martins, optando por defender a República como solução para as mazelas da sociedade portuguesa.




“Os Simples” é já uma obra de louvor à terra, de evocação de infância saudosa,
de carinho
pela paisagem social e que é posterior  a “Pátria”, tendo sido ambos produzidos
já numa fase
final da vida, quando se retira para o Douro, numa notória viragem da orientação
 poética.
Em “Oração ao Pão” e “Oração à Luz”, percorre já caminhos metafísico.
Guerra Junqueiro morre em Lisboa, em 1923, provocando manifestações
nacionais de pesar.
Está sepultado no Panteão Nacional.
FONTE:

ensina.rtp.pt/artigo/guerra-junqueiro-1850-1923/


https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Junqueiro

Coimbra, julho de 2017
Carminda Neves

terça-feira, 11 de julho de 2017

Fernando Namora


Médico
Fernando Gonçalves Namora foi um médico e escritor português, autor duma extensa obra, das mais divulgadas e traduzidas nos anos 70 e 80. Existe uma escola secundária com o seu nome em Condeixa-a-Nova.
Nascimento15 de Abril de 1919, Condeixa-a-Nova
Falecimento31 de Janeiro de 1989, Lisboa
NacionalidadePortuguês
PrémiosPrémio Ricardo Malheiros (1953); Prémio D. Dinis (1982)
Magnum opusDeuses e demónios da medicina


Fernando Gonçalves Namora - (1919 - 1989) foi um escritor português, natural de Condeixa-a-Nova. Na Universidade de Coimbra, licenciou-se em Medicina, que exerceu na sua terra natal e nas regiões da Beira Baixa e Alentejo.
O seu volume de estreia foi Relevos (1938), livro de poesia onde se notam as influências do grupo da Presença.
No mesmo ano, publicou o romance As Sete Partidas do Mundo, o qual foi galardoado com o Prémio Almeida Garrett, onde se começa a esboçar o seu encontro com o neo-realismo, ainda mais patente três anos depois com a poesia de Terra no Novo Cancioneiro.
A sua obra evoluiu no sentido do amadurecimento estético do Neo-Realismo, o que o levou a um caminho mais pessoal. Não desdenhando a análise social, os seus textos foram cada vez mais marcados por aspectos de picaresco, observações naturalistas e algum existencialismo.
FERNANDO NAMORA

Fernando Namora foi um escritor dotado de uma profunda capacidade de análise psicológica, a que se ligou uma linguagem de grande carga poética. Escreveu, para além de obras de poesia e romances, contos, memórias e impressões de viagem.
Entre os títulos que publicou encontram-se os volumes de prosa Fogo na Noite Escura (1943),Casa da Malta (1945), As Minas de S. Francisco (1946), Retalhos da Vida de um Médico (1949 e 1963), A Noite e a Madrugada (1950), O Trigo e o Joio (1954), O Homem Disfarçado (1957),Cidade Solitária (1959), Domingo à Tarde (1961, Prémio José Lins do Rego, Os Clandestinos (1972) e Rio Triste (1982).
Além dos já mencionados, publicou em poesia Mar de Sargaços (1940) e Marketing ( 1969). A sua produção poética conheceu uma antologia datada de 1959, intitulada As Frias Madrugadas.
Escreveu ainda volumes de memórias, anotações de viagem e crítica, como Diálogo em Setembro (1966),  Um Sino na Montanha (1970), Os Adoradores do Sol (1972), Estamos no Vento (1974), A Nave de Pedra (1975), Cavalgada Cinzenta (1977) e Sentados na Relva (1986).
O romance Domingo à Tarde foi adaptado ao cinema em 1966 por António de Macedo. O livro Retalhos da Vida de um Médico foi adaptado ao cinema por Jorge Brum do Canto (1962), além de ter sido produzida uma série televisiva por Artur Ramos e Jaime silva (1979-1980). 

Universidade de Coimbra - - Fernando Namora

www.uc.pt › Rede UC › Rubricas › Memoriais


COIMBRA, JULHO DE 2017
CARMINDA NEVES








domingo, 5 de março de 2017

HISTÓRIA DO VINHO

Ninguém sabe como o vinho aparece no mundo. Desde há muito tempo os povos nómadas apanhavam umas bagas e comiam, achavam que era bom e quando começaram a estabilizar-se começaram a fazer uma bebida com essas bagas que lhes dava alegria.
As evidências arqueológicas sugerem que a mais antiga produção de vinho teve lugar em vários locais da Geórgia, Irão, Turquia, e China entre 8000 e 5000 a.C. As evidências arqueológicas tornam-se mais claras e apontam para a domesticação da videira, em sítios do Oriente Próximo, Suméria e Egipto, no início da Idade do Bronze, desde aproximadamente 3000 a.C.
vinho médio Oriente
 Há uma História sobre Moisés: quando guardava o rebanho um dos seus bodes comeu bagas de uma planta diferente, o seu comportamento ficou agressivo e violento. Moisés ao ver o comportamento estranho do seu animal, colheu a planta, cuidou-a, regou-a com sangue divino. Ela cresce e torna-se, assim, uma planta sagrada, tal como suas bagas e seu sumo depois de fermentado.
Em Portugal a produção de vinho faz-se desde os primeiros tempos
   “Na Grécia antiga (Juno ou Hera na mitologia grega) casada com Júpiter portanto a rainha dos deuses tentava a deusa sereia depois de beber de uma certa planta”.
As mais antigas evidências sugerindo a produção de vinho na Europa, e entre as mais antigas do mundo, são originárias de sítios arqueológicos na Grécia, datados de 6500 a.C. De facto, várias fontes gregas, bem como Plínio o Velho, descrevem como os antigos gregos utilizavam gesso parcialmente desidratado antes da fermentação e um tipo de cal após aquela com o propósito de diminuir a acidez. O escritor grego Teofrasto é a mais antiga fonte conhecida a descrever esta prática de vinificação entre os antigos gregos.
Na Bíblia faz-se uma alusão ao vinho. (É necessário não deitar vinho novo no odre velho. Cada vinho deverá ter seu odre; velho com velho novo com novo.)
uvas
Utiliza-se vinho nas bodas de Canaã.
No Antigo Egito, o vinho tornou-se parte da história registada, desempenhando um papel importante na vida cerimonial. O vinho teria sido introduzido no Egipto pelos gregos. São também conhecidos vestígios de vinho na China, datados do segundo e primeiros milénios a.C.

O vinho era comum na Grécia e Roma clássicas. Os antigos gregos introduziram o cultivo de videiras, como a Vitis vinífera, nas suas numerosas colónias na Itália, Sicília, França meridional, e Península Ibérica. Dioniso era o deus grego do vinho e da diversão, e o vinho era frequentemente mencionado nos escritos de Homero e Esopo. Muitas das principais regiões vinhateiras da Europa Ocidental atual foram estabelecidas pelos romanos. A tecnologia de fabricação do vinho melhorou consideravelmente durante o tempo do Império Romano. Eram, já então, conhecidas muitas variedades de uvas e de técnicas de cultivo e foram criados os barris para a armazenagem e transporte do vinho.

VINHO EM PORTUGAL

O Douro é a mais antiga Região Demarcada do mundo, conhecida pela notável qualidade dos seus vinhos e pelo famoso Vinho do Porto, o vinho generoso que esteve na origem desta demarcação, ordenada em 1756 pelo Marquês de Pombal. “Caves da Real Companhia velha”
O Douro localiza-se no Nordeste de Portugal, rodeado pelas serras do Marão e de Montemuro. A maioria das plantações é feita em socalcos, talhados nas encostas dos vales ao longo do rio Douro e seus afluentes. Os solos são essencialmente de xisto embora, em algumas zonas, também graníticos. Embora particularmente difíceis de trabalhar, estes solos são benéficos para a longevidade das vinhas e permitem mostos concentrados de açúcar e cor. A cultura da vinha na região remonta à ocupação romana, mas foi no século XVII que o Vinho do Porto teve grande expansão, originando o Tratado de Methwen entre Portugal e a Inglaterra, com vista à sua exportação.
vila nova de Gaia Foz do Douro exportação vinho do Porto
Há muitos exportadores de vinho do Porto, em Portugal, muitos deles oriundos de famílias inglesas. “Os vinhos bebiam-se geralmente fora do país que os produzia. Ex: em Inglaterra bebia-se o vinho de França, os franceses bebiam o vinho de Itália etc… (as boas castas.”)
Com os descobrimentos os ingleses descobriram os vinhos de Portugal, principalmente vinho do Porto que começou a ser exportado para todo o Mundo.
Como o terreno em Portugal não é bom para a produção de trigo, os portugueses começaram a produzir vinho séc. XV-XVI. E não pagam as rendas aos nobres porque essas eram pagas em trigo. Daí surge o Rei D. Fernando, que faz a lei das Sesmarias para obrigar os agricultores a cultivar trigo e pagarem as rendas. Diz-se que esta lei era para proteger a agricultura e os agricultores, não é bem verdade, esta lei foi para proteger os nobres.
Os ingleses vieram para Portugal para explorarem a produção de vinho do Porto e começaram a adultera-lo isto vai fazer com que perca o seu prestigio no estrangeiro.
Marquês de Pombal
Aparece então o Marquês de Pombal (primeiro ministro de Portugal, reinado de D. José) que, só, deu autorização à Real Companhia Velha para produzir e vender vinho. Faz-se nessa altura a primeira região demarcada de vinho no mundo (séc. XVIII, com Pombal) “já referido atrás” com o passar dos tempos e o desaparecimento do rei D. José, toda agente começa a produzir vinho do Porto e aí começa novamente a sua adulteração.
O vale do Douro (rio português) foi nesta época, e ainda é, o grande fornecedor do melhor vinho do mundo.
O vinho do Porto é o bem que Portugal mais exporta para todo o mundo e não se produz o suficiente. Devia-se dar mais atenção à agricultura.


Fontes: Prof. José Hermano Saraiva in “HORIZONTES DA MEMÓRIA”
                           
         
            FOTOGRAFIAS: da Internet

COIMBRA, FEVEREIRO DE 2017
CARMINDA NEVES


quarta-feira, 28 de setembro de 2016

A Rainha Santa sabia de ervas de unguentos. Se fosse hoje seria médica

Isabel de Aragão foi muito mais do que rainha consorte. Dotada de um profundo sentido de justiça social e solidariedade com os pobres, a isso se deve ter sido canonizada pela Igreja Católica. À luz da ciência, a explicação para as curas que operou deve-se ao facto de Isabel conhecer o poder curativo das plantas e ter estudado a anatomia do corpo. O novo romance da ex-jornalista Isabel Machado recria a personagem da primeira rainha de Portugal que não abdicou de ter um papel nos assuntos de Estado

 Se Isabel Machado, a autora de “A Rainha Santa”, considera Dinis de Portugal e Isabel de Aragão como o “mais interessante casal real” da história do nosso país, a história mostra que formaram uma boa parceria na governação do reino. É preciso recuar ao século XIII, à constante ameaça às frágeis fronteiras dos reinos da Península Ibérica para entender a importância de uma criteriosa política de alianças entre casas reais. Nesse tempo, como nos séculos vindouros, a diplomacia matrimonial firmava pactos entre Estados, e a noção de amor era alheia aos casamentos de príncipes e princesas, educados desde a nascença para defender os interesses do reino que os vira nascer.

Isabel Machado trocou o jornalismo pelo romance histórico, ou seja a narrativa dos factos concretos pela ficção de personagens, diálogos e alguns acontecimentos. Como ela própria diz, o “o romance histórico é ficção”, não é um relato que tenha de ser sempre fiel às fontes. Mas para que o romance tenha corpo, consistência, credibilidade, “é preciso investigar os elementos disponíveis sobre a época, personagens e ambientes. Na altura da pesquisa trabalho 12 horas por dia, sete dias por semana”, disse ao Expresso a autora do livro “A Rainha Santa”, que é apresentado esta terça-feira ao fim da tarde na livraria FNAC do Colombo.
Sobrinha-neta de Santa Isabel da Hungria – cujo milagre mais conhecido é o das rosas que muitos atribuem por mimese a Isabel de Aragão – a filha de Pedro III de Aragão tinha 12 anos quando casou com Dinis de Portugal, selando assim uma aliança dos dois reinos peninsulares contra a ameaça hegemónica de Castela. Pia e devota, a jovem princesa sentia ter recebido de Deus e da sua Santa tia [já canonizada] “a missão de se dar aos mais carenciados de todos, em plena entrega, tocando-lhes e tratando-os no exemplo de aceitação plena de Cristo, sem julgamento”. Muito jovem, e ainda solteira, tinha o hábito de visitar asilos e hospitais, o que constituía uma enorme preocupação para seu pai.
Em termos de saber, Isabel beneficia da imensa curiosidade do seu irmão Jaime [II de Aragão] que se dedica ao estudo dos poderes curativos das plantas e da anatomia do corpo. O príncipe Jaime usufruíra da proximidade com os melhores físicos [os nossos médicos] da época – judeus ou árabes residentes na Península; entre os seus educadores ilustres, contou com o notável filósofo, doutor e poeta Ramon Llull – criador da doutrina do racionalismo místico que seria condenada pelo Papa Gregório XI um século depois e considerada como desvio apóstata.
A proximidade de Isabel com o seu irmão Jaime coloca-a no mundo próximo dos mais importantes debates teológicos e filosóficos do seu tempo, sendo ela que introduz em Portugal o culto do Espírito Santo, cujos festejos se celebram nos nossos dias [este aspeto não é abordado no romance de Machado].
Já em Portugal, Isabel “vai perceber que tem um outro caminho a fazer durante o seu tempo de vida: a paz”, diz a autora ao Expresso, salientando que considera este um dos maiores legados da Rainha Santa a par da criação de casas de abrigo para as prostitutas velhas e doentes, mulheres proscritas por toda a sociedade.
A mulher do rei poeta nunca abdicou da intervenção política e manteve uma correspondência regular com o seu irmão dileto, Jaime II de Aragão, convencendo-o “a ir em pessoa encontrar-se com o rei de Castela, com quem estava em guerra havia anos por causa de Múrcia, com mediação do rei D. Dinis. Foi um acontecimento enorme na História da Península, e reuniu os Reis de Portugal, Castela e Aragão”.
Interveio junto do rei de Castela que era casado com uma filha do casal real português; “a paz entre Aragão e Castela foi conseguida em 1304, com influência direta de D. Isabel”, diz a autora que neste livro procura recriar algumas facetas menos conhecidas da Rainha Santa.
ISABEL DE ARAGÃO
Tal como seu pai, Pedro III de Aragão, D. Dinis teve vários momentos em que achou excessivos os gastos da mulher com a caridade. Apesar disso, e da existência de momentos de grande tensão que incluíram a detenção da rainha em Alenquer na sequência das suas tentativas de mediar a disputa pelo poder entre o seu marido e o seu único filho, Isabel e Dinis, deixaram um legado assente na convivência e na existência de afinidades intelectuais, que ditaram a amizade que foi possível e o respeito mútuo entre os esposos.      Fotografia https://www.google.pt  
Cultos, senhores de forte personalidade e determinação, Dinis e Isabel formaram a melhor dupla real da primeira dinastia do reino de Portugal. Mas nem sempre estiveram de acordo nos interesses que defenderam, nomeadamente quando a Rainha pressentiu que Afonso Sanches, bastardo real, poderia disputar a coroa ao legítimo herdeiro que a história batizaria de Afonso IV.
Manuela Goucha Soares
fontes:
http://expresso.sapo.pt/cultura/2016-09-27-A-Rainha-Santa-sabia-de-ervas-de-unguentos.-Se-fosse-hoje-seria-medica 
Associação dos Autarcas Monárquicos

SETEMBRO DE 2016
CARMINDA NEVES