segunda-feira, 29 de setembro de 2014

LENDA DO CASTELO DE COIMBRA



Encostado à janela da sua alcova nos paços de Coimbra, D. Sancho II olha sem ver o aspaço que a noite toldou. Está realmente escuro. Muito escuro. Negro e frio o ambiente lá fora. Dentro dos paços de Coimbra, porém, não sente menos frio o rei português. Tão acabrunhado se encontra, que nem dá pela presença de sua esposa, D. Mécia Lopes. Ela caminha para ele. Tem um lave trejeito ao vê-lo inclinado para o exterior, como se quisesse perguntar à noite escura a razão de lhe quererem roubar o que de legitimo lhe pertence- o seu trono! (D. Sancho II foi deposto por seu irmão D. Afonso III conde de Bolonha) Como o rei continuava envolto nos seus pensamentos tristes, é ela quem fala:
   Senhor! Esqueceis-vos que é tempo de descansarmos?
Ele voltou-se, apanhado de surpresa. Ela sorri-lhe.
   Então que pensais com tanto afinco?
O rei respondeu com voz cansada:
   Acaso ignorais que me preocupa a guerra civil?
A rainha faz um trejeito desdenhoso.
   Que ironia a vossa senhor! Uma guerra civil não poderá amachucar-vos mais do que as outras em que vos empenhastes com os Mouros…
  O rei confessa:
    Esta guerra que meu irmão ateou ao reino é bem mais dolorosa para mim. É certo que tenho bons cavaleiros e o povo do meu lado. Mas os outros… porque preferem Afonso. (O clero com o apoio do Papa deram a vitória a D. Afonso III. D. Sancho II não pagava ao Papa “os impostos”. D. Afonso assim que se apanhou no poder fez-lhe o mesmo.)
  A rainha encolheu os ombros.
   Perguntai-lhes!...
Ele enerva-se.
   Vós não sofreis a minha dor! E bem sabeis o que fizeram para nos separar.
   Ora senhor! Vosso irmão não deseja que tenhais filhos, para que ele suba normalmente ao trono… que há muito cobiça!
    Não faram só os partidários de meu irmão que intentaram contra nós.
    Não?
    Bem o sabeis…
    Dizei os nomes, senhor!
    D. Gentil Marques, por exemplo!
    Mais…
   D. Martim de Freitas (alcaide do castelo de Coimbra…)
Ela ri, um tanto nervosa.
   De que vos ris, Senhora?
   Do próprio destino! Dizei a Martim de Freitas e a Gentil Martins… que descansem. Eu não poderei perturbar-vos por muito tempo…
 O rei alarma-se:
    Que dizeis?
     Bem vedes… A guerra civil não pode durar muito… e vosso irmão tem o clero com ele… Ganhará a luta e o trono…
    Calai-vos, Senhora!
A rainha levanta-se altiva e dirige-se para o leito.
   Tendes razão. Calemo-nos. É tempo de dormir… sem mais uma palavra el-rei segue-a, adormece.

A noite ia alta quando D. Sancho II de Portugal acordou. Algo o despertara que não fora um alerta da sua consciência, mas um ruido forte mesmo a seu lado. Acendeu uma luz. O leito onde a rainha se deitara estava vazio. Não restavam dúvidas ao rei: D. Mécia tinha sido raptada!
   Vestindo-se à pressa, D. Sancho II acordou os fidalgos da sua casa, e com a ajuda deles correu ao encalço dos fugitivos. Conseguiu descobrir-lhes a pista: seguiam a caminho da forte vila de Ourem, já na posse de seu irmão o conde de Bolonha. Mas, ao chegarem junto do castelo, os raptores estavam já a salvo. Enfurecido gritou que lhe devolvessem a esposa. Respondeu-lhe uma gargalhada geral. Morderam os lábios com raiva, os fidalgos de el-rei. Um deles gritou:             
    Poremos tudo raso!
  Como resposta surgiu uma saraivada de flechas e pedradas. O rei mandou então fazer alto.
     Esperai, senhores! Não podemos, tal como estamos, submetermo-nos a mais ultrajes! Podem roubar-me o trono mas não a esposa sem que os moleste!
  Gil Martins levou a mão à espada.
      Senhor! Por vós e Portugal sim! Mas por vossa esposa não levantarei a minha espada!
     Que dizeis, Gentil Marques?
     Perdoai, Senhor! Mas acreditais que os homens afetos a vosso irmão Afonso entravam nos paços, iam à vossa alcova, tiravam de lá a rainha à força e só à saída um ruido suspeito vos acordava?
   O rei gritou:
   Explicai-vos Gentil Martins!
Submisso mas firme, o fidalgo concluiu:
 Senhor vossa esposa está em Ourem, onde possui terras que obedecem ao conde de Bolonha. E essas terras continuam pacíficas. Acreditais que se rouba uma mulher do leito conjugal sem que seu esposo desse pela luta que ela necessariamente travaria?
    Insinuais… pois…
    Que ela não foi raptada, mas fugiu!
El-rei levou uma das mãos à fronte.
    Fugir? Porquê? Comigo seria rainha…
    Por quanto tempo, Senhor?
O rei cerrou os dentes. Depois montando no seu cavalo, ordenou:
    Vamos, senhores! E que este facto não seja alastrado!
Havia silêncio na noite que morria.
Amanhã rompeu e veio iluminar as terras de Coimbra, já fidalgos e povo sussurravam a medo:
    A rainha deixou El-rei!
Alguns melhor intencionados, diziam:
   O conde de Bolonha mandou raptar a rainha…El-rei está sozinho… Vai ser o fim!

A guerra civil reacendeu-se, com mais intensidade. O reino estava dividido. D. Afonso III conseguira partidários para a sua causa. E o trono começou a tremer sob os pés de D. Sancho II. Tomando consciência de que, sozinho, não teria forças para vencer o irmão, recorreu a Castela. O infante D. Afonso, filho de D. Fernando III, recebeu D. Sancho II em Toledo e aceitou a proposta de ajuda em troca de terras e rendas.
   D. Afonso, conde de Bolonha, receou essa ajuda de terra estrangeira. As forças com que contava só estavam preparadas para lutar com os seus compatriotas. Mas tinha o clero e o apoio do Papa. As forças de D. Sancho e de D. Afonso de Castela que chegaram até Leiria, tiveram de retroceder para Espanha.
    Chegado a Toledo D. Sancho II sentiu chegar o seu fim. Gil Martins olhou o rei deposto com angústia.
    Meu Senhor! Os amigos continuam do seu lado!
 Um sorriso triste foi a resposta do Ex- monarca. Lembrava-se de um irmão traiçoeiro que tudo lhe roubou: Trono, mulher e “amigos”.
  Tendes razão, D. Gil. Vós continuais a meu lado…
   Não falo de mim, falo de outros.
  Que outros?
  Dos alcaides de Guimarães, Óbidos, Castelo de Faria, o de Celorico, de Leiria. O que eles lutaram, senhor!
   Meu senhor! Não contam agora os traidores nem os fracos, mas aqueles que vos trazem no coração!
   Sim meu amigo, não devo ser ingrato! Mas bem vedes, já nada me prende a este mundo. Falhei! O rei ficou em silêncio que o amigo respeitou, pediu à brisa mais suavidade para que o Ex-rei não fosse incomodado nos seus pensamentos.

O frio era intenso. No entanto um homem caminhava pelas ruas de Toledo, indiferente ao frio, à chuva e à lama. Chegando ao seu destino, bateu a uma porta. Outro homem veio abrir. O recém- chegado perguntou:
  D. Gil Martins, está?
  Sim, meu senhor. Quem devo anunciar?
  Martim de Freitas.
  O senhor D. Gil está junto à lareira. Aproximai-vos.
   Vendo-o D. Gil ergueu-se.
  Grande honra, tenho em receber-vos!
  Martim de Freitas pareceu não lidar ao cumprimento e perguntou em tom grave:
  El-rei D. Sancho é morto?
  Sim… é morto. Deus tenha a sua alma em descanso!
  Vistes o seu corpo sem vida?
  Deus reservou-me mais esse desgosto!
  Pois quero eu vê-lo também.
  D. Gil Martins elevou a estatura num gesto de surpresa.
  Que dizeis, D. Martim de Freitas?
  O que acabais de ouvir, senhor. Quero vê-lo e desempenhar- me da minha missão.
   É assim tão urgente e… necessário?
 Sim. Trago comigo as chaves do castelo de Coimbra. Preciso que el-rei me desobrigue do meu juramento antes que o rei Afonso tome conta delas.
  De olhos abertos num espanto, D. Gil Martins olhava o visitante, perguntando a si próprio se o prolongado cerco a que D. Martim de Freitas se submetera não dera cabo do seu entendimento. Mas logo o fidalgo o esclareceu.
   Senhor, creio que fui bem explícito. O que peço é justo e não pode ser-me negado!
  No cemitério, um pequeno grupo olhava com assombro, e por vezes entre lágrimas,
Afigura altiva de Martim de Freitas, agora ajoelhado junto da sepultura do que fora seu rei e rei de Portugal. O corpo estava exposto. O fidalgo português curvou-se e, entre as mãos cruzadas sobre o peito do defunto, depôs as chaves do castelo de Coimbra. Beijou-lhe as mãos. Depois levantou-se e falou:
   Meu rei e senhor! Enquanto vivestes, sofri pela vossa causa as maiores privações, dissimulando sempre, para dar ânimo aos meus companheiros. Assim eles continuaram no castelo que é vosso e continuaram honradamente aguentando por vós. Cumpri o meu juramento de lealdade, Senhor! Porém agora que sois morto e não posso entregar-vos a cidade, quero ao menos fazer-vos entrega destas chaves para que, desobrigando-me vós, eu possa entrega-las ao vosso irmão, o conde D. Afonso, como renuncia vossa e não como triunfo das suas armas!...
   Fez-se um pesado silêncio após estas palavras, cadenciadas, solenes. Havia emoção em todos os rostos desses homens habituados às agruras da guerra. Depois, silenciosamente ainda, as chaves do castelo de Coimbra foram retiradas das mãos do rei morto e a sua sepultura fechada para sempre.
  Assim ficava encerrado, também, um feito de lealdade que jamais as chuvas, os ventos, o pó ou a lama dos caminhos poderão destruir, apesar do esforço do tempo!

Esta lenda, é mais História de facto do que lenda

FONTE: Lendas de Portugal; Gentil Marques, Circulo de Leitores
               Professor Dr. José Hermano Saraiva
Coimbra, Setembro de 2014

Carminda Neves

terça-feira, 23 de setembro de 2014

ORGÃO DO MOSTEIRO DO LORVÃO

Os dois teclados não mostram as capacidades sonoras, nem os desafios criados às leis da acústica. A capacidade está escondida num arco de duas fachadas, que guarda 4 mil tubos. É ali que está o segredo da sonoridade de orquestra, criada pelo desempenho de um único instrumento.

É apenas um órgão, mas vale por uma orquestra. As cordas são a exceção. Todas as outras sonoridades que possam conhecer de um qualquer instrumento de sopro estão lá. O som é produzido por 4 mil tubos e trabalhado em dois teclados, caixas de eco, pisantes anuladores de cheios e palhetas, acrescidos de uma palheta de registos, os ingredientes necessários e que permitem que o órgão do Mosteiro do Lorvão (Penacova) tenha uma sonoridade orquestral.
A peça foi pensada, planeada e construída no século XVIII por um organeiro de Braga, Manuel Machado Miranda. O seu filho, o escultor Machado de Castro, ainda haveria de desenhar e executar a caixa do órgão, de um e do outro lado das duas fachadas do órgão e um segundo organeiro, António de Cerveira, acrescentou e completou a obra iniciada no Mosteiro do Lorvão.

O SEU RESTAURO DEMOROU 2 ANOS       

Depois de um silêncio de maio século, o maior órgão construído em Portugal no século XVIII, voltou a fazer-se ouvir. Dinarte Machado, foi o organeiro que devolveu a vida e o som, ao velhíssimo órgão do Lorvão, à semelhança do que tem feito com outros órgãos de tubos que ainda sobrevivem no nosso país. O do Lorvão é especial. (é o maior órgão construído em Portugal no século XVIII e, apesar da sua dimensão, não deixa de ser personalizado e selecionado em relação em relação à sua planificação sonora, tornando-o um instrumento sensível e deveras singular. Parecendo complexa a sua composição e manuseamento, depois de nos integrarmos            percebe-se precisamente o contrário. Tudo parece ser feito de modo a facilitar a sua utilização, por parte do organista)
Depois da sua restauração, a honra da estreia cube a João Vaz e, se duvidas ainda existissem, (o órgão do Lorvão para alem de ser, um dos maiores exemplares da organaria histórica portuguesa, é também um caso notável daquela ligação entre instrumento e ideia musical.) O instrumento permite uma variedade de sons quase orquestral
Este é o único órgão em Portugal “com das caras”. São estas duas faces, uma para o lado da igreja, outra para o coro, que lhe permitem uma dimensão sonora, que apesar de desafiar as leis da acústica, funciona na perfeição, sem que se note a falta de refletor acústico.
Nesta área o nosso país teve uma identidade definida e única no panorama nacional. A arte organeira mundial foi escrita e ecoada pelos mestres portugueses, (fez-nos grandes perante o mundo. Ignorar este facto, significa perdermos a nossa identidade cultural) isto dito por Dinarte Machado.
Vamos ouvir o maravilhoso som do órgão.

O MOSTEIRO DO LORVÃO FOI UM DOS PRINCIPAIS CENTROS DE PRODUÇÃO DE MANUSCRITOS ILUMINISTAS, AINDA HOJE A SUA BELEZA PODE SER ADMIRADA, NO PRÓPRIO MOSTEIRO

FONTE: História do Mosteiro do Lorvão
              Revista Olhares; Centro Cirúrgico Coimbra
              Meus Apontamentos de História
Coimbra, Setembro de 2014
Carminda Neves
           
            

domingo, 21 de setembro de 2014

EMAGRECER: 5 ERROS QUE O IMPEDEM DE O CONSEGUIR

Decidiu emagrecer, fez bem. Não existem milagres. O caminho que precisa percorrer não se deve basear em falsas promessas. O projeto traçado para atingir o peso desejado, não deve passar por cometer erros alimentares que possam, comprometer a redução de peso necessária. Escolhemos cinco erros frequentes e que devem ser evitados.

1-      Saltar refeições para perder peso mais rapidamente!
      
  Perder peso não é assim tão fácil. O metabolismo tem regras, para funcionar corretamente, necessita receber alimentos várias vezes ao dia e em pequena quantidade. Quando se fica várias horas sem comer o nosso organismo prepara-se para enfrentar uma situação extrema, uma vez que não sabe quando será a próxima refeição.
   As calorias economizadas são rapidamente armazenadas sob a forma de gordura, resultado: o metabolismo diminui, assim como a massa muscular.
 De facto quando as pessoas se privam de comer, perdem peso, mas essa perda de peso é um engano, porque o que simplesmente aconteceu foi perda de massa muscular. O músculo é mais pesado que a gordura, portanto o peso diminui e o resultado reflete-se num corpo menos tonificado e com maior volume.

2-      Subestimar a importância da água!

A hidratação deve estar sempre em primeiro lugar. A transpiração corporal, na tentativa de regular a temperatura interna pode provocar desidratação. Com o suor perdem-se não só mais água com sais minerais importantes para o bom funcionamento do organismo. Mas atenção não beba água só quando estiver com sede, pois esta já é um sinal de que possivelmente as células e o nosso organismo já estão a ser prejudicados. A água é o único líquido que alem de hidratar o organismo “limpa” e não possui calorias. Os sumos de frutas também hidratam, são igualmente ricos em vitaminas e minerais, mas têm açúcar o que provoca aumento de peso.
     A pele é igualmente beneficiada pelo consumo correto de água, ingestão insuficiente reflete-se em pele e mucosas secas. Ingestão correta, mostra pele hidratada e firme.
A água também favorece a excreção de toxinas através da urina, fezes e suor,
de sais minerais. A ingestão de água em situações normais de atividades da vida diária e no caso de dietas deve andar entre 1,5 a 2 “dois” litros por dia.

3-      Fruta? Só se for maçã!

Numa dieta não há nenhuma fruta que seja proibida! Devemos comer 3 a 5 peças de fruta por dia e tentar variar e experimentar vários tipos de fruta. A escolha deve recair nas frutas da época, são mais nutritivas. Sabia que a pera tem um valor calórico inferior ao da maçã? A pera tem 41 Kcl e a maçã tem 57 Kcl, contudo a quantidade em fibra é semelhante em ambas. É importante pesquisar o valor nutricional de cada peça de fruta que se consome, pois umas são mais ricas em açúcar e pobres em fibra do que outras.

4-      Cortar Radicalmente com tudo o que gosta!

Este truque não funciona e pode originar desistências no cumprimento do plano alimentar!... Dentro dos seus alimentos preferidos mas que sabe não são tão adequados para uma alimentação equilibrada, tente selecionar 2 ou 3 e mantenha-os na sua dieta. Se os cortar radicalmente, umas semanas depois irá sentir ansiedade, perde a sensação de prazer na comida e podem ocorrer erros ainda mais graves do que não estivesse a fazer dieta! Por isso uma vez por semana pode comer uma coisa de que gosta, desfrutando o seu sabor! Pode ainda incluir no novo plano alimentar um ou outro alimento que adora ex: um pequeno quadrado de chocolate negro (70% cacau) após a refeição, se seguir esta sugestão conseguirá atingir os seus objetivos rapidamente e sem sacrifícios.

5-      Cortar completamente os hidratos de carbono?

Os hidratos de carbono são responsáveis pelo fornecimento da energia, necessária para manter o organismo na melhor forma.

Uma elevada percentagem do valor energético total diário é proveniente de hidratos de carbono, por isso, estabelecer um equilíbrio e não cortar totalmente este macronutriente da sua dieta. Se for totalmente excluído da alimentação, a perda de peso até pode acorrer; mas não será duradoura. Após um curto espaço de tempo, a perda de peso deixa de ocorrer, provocando desmotivação e, consequentemente o incumprimento do plano. A partir desse momento, os hidratos de carbono tornam a ser consumidos, o resultado é ainda mais grave que antes da dieta alimentar e os hidratos de carbono que estavam armazenados são rapidamente repostos, aumentando novamente o peso.

Para além dos sintomas desagradáveis que surgem durante este período, como perda de energia e mal-estar, não é preciso passar por tão grandes sacrifícios para emagrecer. Basta seguir as porções de cada um dos grupos que a Roda dos Alimentos indica, porque eles foram calculados para satisfazer as necessidades nutricionais do organismo.

Comer só Alface?
    
Na alimentação, também é preciso ser criativo. Não existe só a regra de comer só alface, existem outros tipos de hortícolas deliciosos. É possível variar a alimentação e torna-la bastante colorida. É importante variar os vegetais que compõem o seu prato, pois têm fibra, ajudam a saciar com poucas calorias, mas também pelos antioxidantes que apresentam. Isto é fundamental para se conseguir emagrecer de forma adequada e saudável. A alface é rica em fibra, portanto pode estar no prato mas deve vir acompanhada de mais cor como cenoura, couve roxa, tomate, rabanete, agriões, espinafres, pepino etc…

Comer Rápido?

Se comer demasiado rápido, o cérebro não tem tempo para assimilar a informação de que está a comer e por isso continua a transmitir a mensagem de que ainda tem fome. Esse erro faz com que tenha vontade de ingerir uma maior quantidade de alimentos. Por isso, coma devagar e mastigue bem a comida. Esta é das dicas mais importantes para conseguir emagrecer de forma adequada

FONTE: Revista Olhares Centro Cirúrgico Coimbra
Alimentos Bons alimentos perigosos; selecções do Reader`s digest
Perder peso de forma saudável; sapo saúde
Coimbra, Setembro de 2014

Carminda Neves 

domingo, 14 de setembro de 2014

MARGARET SANGER


Margaret Louise foi uma activista norte americana, nasceu a 14 de Setembro de 1883, em Corning, em Nova Iorque, e morreu no dia 6 de Setembro de 1966, em Tucson, no Arizona. Vivia no seio de uma família humilde, tinha dez irmãos, e viu a mãe morrer. Atribui a morte da mãe às suas 18 gravidezes. O apelido Sanger foi adquirido com o casamento.
Foi uma enfermeira, e feminista activista norte americana do controle de natalidade como método de controlo populacional e para evitar nascimentos de crianças com doenças hereditárias graves. Embora seja frequentemente criticada por suas opiniões eugénicas como a proposta de incentivar o aborto em mulheres a viver em extrema pobreza e promiscuidade ex: prostituição, pais e mães alcoólicos, sem abrigo, desempregados, para reduzir a natalidade nos Estados Unidos. Permanece um ícone na luta por direitos reprodutivos e liberdade de expressão.
Enquanto trabalhava como enfermeira num dos bairros mais pobres de Nova Iorque viu mulheres denegrindo a sua saúde, corrompendo a sua sexualidade e a sua capacidade de cuidar dos seus filhos já nascidos. Ela estudou na Escola Francisco Ferrer, onde se interessa pelos escritos de Ellen Key , uma autora feminista sueca do movimento das mulheres, ela interessa-se pelas  ideias desta autora, sobre a feminilidade e o casamento.
Assim, resolveu abandonar a enfermagem para se dedicar em exclusivo a promover a divulgação de informação sobre métodos contraceptivos.
Em 1914 foi acusada judicialmente de incitar a violência e promover a obscenidade por distribuir por correio uma revista chamada The Woman Rebel (a revolta da mulher) onde atacava as restrições legais nos Estados Unidos da América relativas à distribuição de informação sobre contracepção. Esta lei, de 1873, dizia que era crime informar, aconselhar ou medicar algo para evitar a concepção ou induzir ao aborto, para além de proibir a menção por escrito dos nomes de doenças sexualmente transmissíveis. Os médicos e enfermeiras eram impedidos por lei de dar todo este tipo de informações aos seus pacientes.
O seu caso acabou por ser arquivado dois anos mais tarde, graças ao apoio de algumas personalidades influentes na sociedade de então. Entretanto, Margaret tinha-se refugiado na Europa onde aproveitou para aprender mais sobre controlo da natalidade.
Logo em 1916 Sanger montou em Brooklyn, Nova Iorque, a primeira clínica de controlo de natalidade dos Estados Unidos da América, mas por causa disso veio a ser condenada a trinta dias de prisão. Durante esse período de clausura fez uma escola para os colegas de prisão.
Depois de ser libertada ganhou um recurso em tribunal que passou a permitir aos médicos nova-Iorquinos darem conselhos sobre controlo da natalidade.
O passo seguinte de Margaret Sanger foi começar a publicar a revista mensal Birth Control Advice (conselhos de controlo de natalidade).
Em 1921 fundou a Liga Americana de Controlo de Natalidade, à qual presidiu até 1928. Esta liga viria a dar origem, em 1941, à Federação Americana de Planeamento Familiar, onde Margaret era presidente honorária.
Em 1938 lançou uma autobiografia, um dos muitos livros que escreveu ao longo da sua vida, Sanger aposentou-se no início dos anos 1940 e mudou-se para Tucson, Arizona em 1942 Ela continuou a defender o controlo de natalidade nos Estados Unidos e no exterior. Ela reorientou a sua atenção para uma abordagem médica para prevenção da gravidez. Com financiamento da International Harvester a herdeira Katharine McCormick, Sanger recruta o pesquisador Gregory Pincus para desenvolver um contracetivo oral ou "pílula mágica". O resultado, Enovid, foi aprovado para uso pela Food and Drug Administration em 1960. A maior parte da sua vida foi vivida na luta sobre o controlo de natalidade.
As Fundações Ford e Rockefeller também financiaram a pesquisa que levou à produção da pílula, e ainda deram grandes quantias de dinheiro para o controlo da natalidade. Em 1965, um ano antes de sua morte, o Supremo Tribunal aboliu a lei de Connecticut que proibia o uso de contraceptivos para os casais. Sanger morreu com 87 anos em 1966. Finalmente viu a pílula que ela ajudou a desenvolver no mercado. Com o dinheiro da Fundação Brush, fundou a Internacional Planned Parenthood ou IPPF (International Planned Parenthood Federation) em 1952 e estabeleceu a sua sede em Londres, em escritórios fornecidos gratuitamente pelo Inglês Eugenics Society.
Ela argumentava que a satisfação sexual, não deve existir só no casamento "o leito matrimonial é a influência que mais degenera a ordem social, e começou a defender" associação voluntária "entre parceiros sexuais. Publicou o Pivô of Civilization (" A rotação da civilização ").
A Sua cruzada para legalizar o controlo de natalidade e o direito ao aborto, incentivando o movimento de libertação das mulheres. Ela fundou a sua primeira clínica de controlo de natalidade, na cidade de Nova York, (Brooklyn) já referido acima, numa área densamente povoada de trabalhadores a viverem em condições de completo abandono.
 A taxa de mortalidade feminina provocada por abortos ilegais e em condições degradantes era elevadíssima (não só nos EUA como em todo o mundo) mas, os governos preferem enterrar a cabeça na areia a resolver problemas que ponham em causa o seu poder. Não era só a mortalidade feminina que era elevada. A mortalidade infantil e o infanticídio eram de arrasar mentes e destroçar corações.
Ela viajou para a Índia para convencer Mahatma Gandhi que ele deveria dar o seu apoio, mas ele respondeu que "meios artificiais (anticoncepcionais) levam a satisfação imoderada de desejos e são, portanto, desmoralizantes e debilitantes." Então Sanger encontrou-se com Hitler, que iria imediatamente gostar da ideia de criar um sistema de recompensa para a "raça superior" para a produção de filhos. Em todos os lados, ela encontrou a hipocrisia ou o interesse racista
Apesar disso, Sanger ironicamente era contrária ao aborto, mesmo sendo a responsável pela primeira clínica de aborto dos Estados Unidos, ela considerava que era muito perigoso para as mulheres, além de ser ilegal na época. Seus esforços no sentido da contracepção, que incluíram a obtenção de financiamento para pesquisas que levariam à criação da pílula, tinham como foco tornar o aborto menos necessário.

Ao fundar a Liga Americana de Controle de Natalidade, em 1921, com vista a tornar o planeamento familiar mais acessível à classe média, ela incorporou aos princípios fundadores os seguintes dizeres.
Nós sustentamos que as crianças devem ser:
1-Concebidas em amor
 2- Nascidas de um desejo consciente da mãe
 3- E geradas apenas em condições que possibilitem um desenvolvimento sadio. Assim, sustentamos que toda mulher deve possuir a liberdade e o poder de prevenir a concepção até que essas condições sejam satisfeitas.

Margaret Sanger morreu em 6 de Setembro de 1966 em Tucson, Arizona.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre
               Porto Editora
Biografia de Margaret Sanger
Nacional women`s History Museum

Coimbra, Setembro de 2014

Carminda neves